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Sete equipas desceram com média igual ou superior a 1 ponto por jogo |
O futebol não é uma ciência
exata. A bola é redonda, os jogadores são humanos, e mesmo num campeonato com
18 grandes plantéis e 18 grandes treinadores, há sempre equipas a ter de descer
de divisão.
Rio Ave 2020-21 (34 pontos em 34 jornadas)
Parecia ser um clube perfeitamente consolidado na I Liga, mas a verdade é que foi despromovido à II Liga, onde já não competia desde 2007-08. O Rio Ave começou a temporada 2020-21 a disputar as pré-eliminatórias da Liga Europa, tendo eliminado os bósnios do Borac e os turcos do Besiktas antes de cair aos pés do AC Milan de Donnarumma, Theo Hernández, Çalhanoglu, Tonali e Rafael Leão após uma maratona de penáltis, ainda com Mário Silva no comando técnico.Já em termos de campeonato, os vila-condenses nunca conseguiram afastar-se da zona de despromoção, apesar de terem no plantel jogadores que no passado haviam dado garantias como Kieszek, Ivo Pinto, Aderllan Santos, Borevkovic, Filipe Augusto, Pelé, Tarantini, Francisco Geraldes, Carlos Mané, Fábio Coentrão ou Gelson Dala.
Apesar das mudanças no comando técnico, que levaram Mário Silva a ser substituído por Pedro Cunha e Miguel Cardoso – Augusto Gama também assumiu a função, interinamente, em duas ocasiões distintas –, a equipa concluiu o campeonato na 15.ª posição, de acesso à liguilha, fase em que foi duplamente derrotada pelo Arouca da II Liga (0-2 em Vila do Conde e 0-3 fora).
Vitória de Guimarães 2005-06 (34 pontos em 34 jornadas)
Tal como o Rio Ave de 2020-21, o Vitória de Guimarães de 2005-06 também começou a época com resultados animadores nas competições europeias, tendo afastado os polacos do Wisla Cracóvia com uma dupla vitória para garantir o apuramento para a fase de grupos da Taça UEFA.Os vimaranenses, que começaram por ser orientados por Jaime Pacheco, substituído a meio da temporada por Vítor Pontes, contava com um plantel recheado de bons jogadores, entre os quais Nilson, Geromel, Paíto, Sebastian Svard, Rogério Matias, Flávio Meireles, Neca, Benachour, Saganowski, Manoel, Dário, Clayton e Antchouet.
Este Vitória de Guimarães, apesar da média de um ponto por jogo, foi a segunda equipa abaixo da chamada linha de água. Ainda assim, venceu o Benfica por duas vezes ao longo da época, uma para o campeonato e outra para a Taça de Portugal, e atingiu as meias-finais da prova rainha.
Desde 1957-58 que o Vitória não estava afastado do primeiro escalão.
Rio Ave 2005-06 (34 pontos em 34 jornadas)
O Vitória de Guimarães foi a segunda equipa abaixo da chamada linha de água no campeonato de 2005-06 porque a primeira foi o Rio Ave, uma equipa que às ordens de Carlos Brito havia ficado na primeira metade da tabela nas duas épocas anteriores.A base da equipa até se manteve minimamente, nomeadamente jogadores como Mora, Zé Gomes, Idalécio, Niquinha, Mozer, Evandro, Gama e Gaúcho, mas António Sousa sucedeu a Carlos Brito, que se mudou para o Boavista. A meio da época, João Eusébio substituiu o antigo médio internacional português.
Apesar do desfecho, os rioavistas até começaram o campeonato com duas vitórias nas duas primeiras jornadas e três triunfos nas primeiras quatro rondas, tendo ainda empatado com o Benfica no Estádio da Luz (2-2) na 10.ª jornada.
Moreirense 2004-05 (34 pontos em 34 jornadas)
Com maior ou menor dificuldade, o Moreirense então às ordens de Manuel Machado conseguiu a permanência nas suas primeiras épocas na I Liga, 2002-03 e 2003-04, tendo até fechado o campeonato na primeira metade da tabela na segunda temporada. Depois o treinador mudou-se para o Vitória de Guimarães e a equipa ressentiu-se.Embora tenha mantido vários titulares, como João Ricardo, Primo, Sérgio Lomba, Ricardo Fernandes, Tito, Jorge Duarte, Armando e Manoel, e tivesse sido orientada ao longo da época por dois grandes treinadores, Vítor Oliveira e Jorge Jesus, o conjunto de Moreira de Cónegos nunca conseguiu sair dos últimos lugares.
Alverca 2003-04 (35 pontos em 34 jornadas)
Ao contrário dos exemplos anteriores, o Alverca de 2003-04 era uma equipa recém-promovida à I Liga e foi durante toda a temporada orientada por um só treinador, José Couceiro. Conseguiu até uma espécie de proeza: ser despromovido apesar de ter somado dez vitórias no campeonato e obter uma média (ligeiramente) superior a um ponto por jogo (1,029).Os ribatejanos, que nessa época só caíram para a II Liga porque tinham desvantagem no confronto direto com o Belenenses, contavam no plantel com jogadores que em determinado momento das suas carreiras pertenceram aos quadros dos três grandes, como Yannick, Veríssimo, Amoreirinha, Marco Almeida, Ramires, Diogo, Bruno Aguiar, Pedro Martins, Poejo, Cajú ou Manú.
Santa Clara 2002-03 (35 pontos em 34 jornadas)
Se descer de divisão com uma média superior a um ponto por jogo é raro, mais raro ainda é fechar o campeonato com mais pontos do que jogos e ainda assim não ser a primeira equipa imediatamente abaixo da chamada linha de água. Nunca o 17.º classificado da I Liga portuguesa fez tantos pontos. Aconteceu ao Santa Clara de 2002-03, que ao longo dessa época foi comandado por Carlos Manuel, Manuel Fernandes e Carlos Alberto Silva.No plantel pontificavam internacionais como os portugueses Jorge Silva e Paiva e os angolanos Fernando, Kali, Lito Vidigal e Figueiredo, assim como jogadores de algum relevo como Pedro Henriques ou o antigo avançado leonino Leandro Machado, mas o desfecho foi mesmo a despromoção.
Ao longo dessa temporada, os açorianos estiveram em dois jogos marcantes: a última partida realizada no antigo Estádio da Luz (derrota com o Benfica, 0-1), a 22 de março; e o jogo que garantiu o título ao FC Porto de José Mourinho (derrota por 0-5), a 4 de maio.
Varzim 2002-03 (36 pontos em 34 jornadas)
Os anos passam e nunca mais o 16.º classificado (em 18 equipas) voltou a somar 36 pontos (média de 1,06 pontos por jogo). Aconteceu ao Varzim de 2002-03, que ao longo dessa época foi comandado por José Alberto Costa e Luís Campos – este último começou a temporada no Vitória de Setúbal, que também haveria de descer de divisão.A equipa poveira, com jogadores míticos como o guarda-redes Miguel e o central Alexandre, assim como Quim Berto, Rui Baião, Pepa, Paulo Vida, Zé António, Paulo Santos, Toni Vidigal e Mendonça, até entrou na última jornada em zona de salvação, mas um empate entre aflitos na visita ao Santa Clara (2-2) e a vitória da Académica em Taveiro sobre o Sp. Braga ditou a ultrapassagem dos estudantes e a consequente despromoção dos varzinistas.
Ao longo da temporada, o Varzim conseguiu dez vitórias no campeonato, entre as quais uma sobre o Benfica na Póvoa (2-1), e conseguiu empatar duas vezes com o Sporting (0-0 em Alvalade e 1-1 em casa).
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