sexta-feira, 13 de março de 2026

Hoje faz anos o capitão do Estrela da Amadora que ergueu a Taça de Portugal. Quem se lembra de Duílio?

Duílio passou três anos no Sporting e outros tantos no Estrela
O capitão que ergueu a única Taça de Portugal da história do Estrela da Amadora, um central brasileiro que chegou a Portugal para representar o Sporting, mas que após três anos em Alvalade se mudou para a Reboleira. Depois ainda vestiu as camisolas de Ovarense e Portimonense nas divisões secundárias.
 
Nascido a 13 de março de 1957 em Curitiba, Duílio herdou do pai não só o nome, mas também o jeito para jogar futebol. Mas enquanto o progenitor foi avançado e até se tornou no maior goleador da história do Coritiba (com 254 golos), o filho tornou-se… defesa central, começando precisamente no emblema paranaense.
 
Ao serviço do coxa venceu três campeonatos estaduais (1976, 1978 e 1979), tendo ainda passado por Portuguesa e América do Rio de Janeiro antes de se notabilizar no Fluminense, clube no qual formou dupla com Ricardo Gomes no eixo defensivo, venceu um campeonato brasileiro (1984) e dois campeonatos cariocas (1983 e 1984).
 
    
 
No verão de 1985 assinou pelo Sporting, rotulado de central experiente e conceituado no Brasil – chegou a ser convocado para um amigável da canarinha diante da seleção baiana, a 5 de julho de 1979, mas não jogou. “Foi uma questão de… eu queria sair do Fluminense. Comecei no Coritiba, mas o Flu projetou-me e é o meu clube do coração. Eu era o capitão da equipa, tinha recebido duas convocatórias para a seleção do Brasil, mas continuava a ser um dos jogadores com o salário mais baixo. Falei com presidente, disse que havia a proposta de um clube grande e que precisava de fazer o meu pé-de-meia. Senti que o Fluminense só valorizava os avançados, os extremos e os médios atacantes. Era o momento certo para sair. O presidente aceitou, mas uma semana depois ele saiu do clube e o sucessor, o vice-presidente, não me queria vender. E eu já tinha bilhete de avião para Portugal e o empresário Joaquim Oliveira à minha esposa. A minha mulher era advogada e tratou de tudo com ele. (…) Eu só aceitaria sair para um dos maiores três clubes de Portugal e assim foi. Tive mesmo de sair do Brasil”, recordou ao Maisfutebol em setembro de 2020.
 
Alto (1,90 m), forte nos duelos e dotado de um potente remate, mas algo lento, sentiu algumas dificuldades para se adaptar ao ritmo do futebol português, algo que só foi conseguindo muito gradualmente. Em três anos de leão ao peito, somou 81 jogos – foi suplente utilizado nos 7-1 ao Benfica, em dezembro de 1986 – e seis golos, tendo vencido a Supertaça Cândido de Oliveira em 1987, no início da temporada 1987-88, aquela em que foi mais utilizado em Alvalade (40 encontros/quatro golos).
 
 
Apesar da trajetória ascendente, saiu pela porta pequena no verão de 1988, após a chegada de Pedro Rocha para treinador. “Estava de férias no Brasil, recebi o bilhete de avião e disseram-me que o novo treinador [Pedro Rocha] queria falar comigo. Cheguei a Alvalade e no balneário havia duas listas: a lista dos que ficavam e a lista de dispensas. No meio estava o meu nome e o de mais dois jogadores. Pedi para esclarecer a minha situação com o treinador. Os dirigentes pediram-me calma, disseram que estavam à espera de outro central… ‘Se o craque vier, quem não presta vai embora; se craque não vier, quem não presta vai ficar. É assim?’ Eu tinha jogado com o Pedro Rocha, o novo treinador, no Brasil e pedi para falar cinco minutos com ele. Tivemos uma conversa de homem para homem, tínhamos sido colegas no Coritiba. Eu até lhe tinha dado uma pancada forte num treino. Perguntei ao Pedro se podia sair e ele disse-me que sim. Risquei o meu nome da lista e saí. O Sporting devia-me ainda quatro meses de salário. O novo presidente, o Jorge Gonçalves, assumiu mais tarde que fez mal em deixar-me sair”, contou o central.
 
A solução encontrada por Duílio para prosseguir a carreira, numa altura em que já tinha 31 anos, foi assinar pelo Estrela da Amadora, curiosamente um clube com um equipamento idêntico ao do Fluminense. “O senhor Armando Biscoito, ex-dirigente do Sporting e que iria para o Estrela, disse-me que o mister João Alves estava à minha espera na Churrasqueira do Campo Grande. Fomos almoçar, o João disse que eu seria um dos pilares da equipa e que se eu aceitasse chegariam, certamente, mais nomes fortes. Dali a dois dias falaríamos na Reboleira, mas, entretanto, ainda recebi um convite do senhor Pimenta Machado [Vitória de Guimarães] e outro do António Morais [Leixões]. Optei pelo Estrela porque a minha família não queria sair da zona de Lisboa”, lembrou.
 
  
 
Na primeira época na Reboleira, que foi também a primeira dos tricolores na I Divisão, contribuiu para a obtenção de um honroso 8.º lugar. Na segunda, 1989-90, ergueu a Taça de Portugal na condição de capitão de equipa, tendo marcado três golos na caminhada até ao Jamor, um dos quais em Guimarães nas meias-finais.
 
 
Já em 1990-91 fez parte da primeira campanha europeia dos amadorenses, tendo inclusivamente marcado um golo ao RFC Liège para a Taça das Taças, mas em termos domésticos não conseguiu impedir a despromoção à II Liga.
 
 
Em 1991-92 jogou no segundo escalão, mas com a camisola da Ovarense. Depois foi para o Portimonense, clube no qual encerrou a carreira, tendo contribuído para a promoção à II Liga em 1993 e não conseguido evitar o regresso à II Divisão B em 1995, imediatamente antes de pendurar as botas.
 
Terminado o percurso como futebolista, voltou ao Brasil para exercer as funções de treinador, tendo trabalhado nas equipas técnicas de Carlos Alberto Parreira e Valdir Espinosa no Fluminense. Em 2001-02 passou pelo comando técnico do Machico e mais tarde trabalhou também em países como Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Cazaquistão. O seu maior feito como treinador foi a conquista do campeonato capixaba pelo Rio Branco em 2015.



 




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