Hoje faz anos o capitão do Estrela da Amadora que ergueu a Taça de Portugal. Quem se lembra de Duílio?
Duílio passou três anos no Sporting e outros tantos no Estrela
O capitão que ergueu a única Taça
de Portugal da história do Estrela
da Amadora, um central brasileiro que chegou a Portugal para representar o Sporting,
mas que após três anos em Alvalade se mudou para a Reboleira. Depois ainda vestiu as camisolas de Ovarense
e Portimonense
nas divisões secundárias.
Nascido a 13 de março de 1957 em
Curitiba, Duílio herdou do pai não só o nome, mas também o jeito para jogar
futebol. Mas enquanto o progenitor foi avançado e até se tornou no maior
goleador da história do Coritiba
(com 254 golos), o filho tornou-se… defesa central, começando precisamente no emblema
paranaense. Ao serviço do coxa
venceu três campeonatos estaduais (1976, 1978 e 1979), tendo ainda passado por Portuguesa
e América
do Rio de Janeiro antes de se notabilizar no Fluminense,
clube no qual formou dupla com Ricardo Gomes no eixo defensivo, venceu um campeonato
brasileiro (1984) e dois campeonatos cariocas (1983 e 1984).
No verão de 1985 assinou pelo Sporting,
rotulado de central experiente e conceituado no Brasil – chegou a ser convocado
para um amigável da canarinha
diante da seleção baiana, a 5 de julho de 1979, mas não jogou. “Foi uma questão
de… eu queria sair do Fluminense.
Comecei no Coritiba,
mas o Flu
projetou-me e é o meu clube do coração. Eu era o capitão da equipa, tinha
recebido duas convocatórias para a seleção
do Brasil, mas continuava a ser um dos jogadores com o salário mais baixo.
Falei com presidente, disse que havia a proposta de um clube grande e que
precisava de fazer o meu pé-de-meia. Senti que o Fluminense
só valorizava os avançados, os extremos e os médios atacantes. Era o momento
certo para sair. O presidente aceitou, mas uma semana depois ele saiu do clube
e o sucessor, o vice-presidente, não me queria vender. E eu já tinha bilhete de
avião para Portugal e o empresário Joaquim Oliveira à minha esposa. A minha
mulher era advogada e tratou de tudo com ele. (…) Eu só aceitaria sair para um
dos maiores três clubes de Portugal e assim foi. Tive mesmo de sair do Brasil”,
recordou ao Maisfutebol
em setembro de 2020. Alto (1,90 m), forte nos duelos e
dotado de um potente remate, mas algo lento, sentiu algumas dificuldades para
se adaptar ao ritmo do futebol português, algo que só foi conseguindo muito
gradualmente. Em três anos de leão ao peito, somou 81 jogos – foi suplente
utilizado nos 7-1 ao Benfica,
em dezembro de 1986 – e seis golos, tendo vencido a Supertaça
Cândido de Oliveira em 1987, no início da temporada 1987-88, aquela em que
foi mais utilizado em Alvalade
(40 encontros/quatro golos).
Apesar da trajetória ascendente, saiu
pela porta pequena no verão de 1988, após a chegada de Pedro Rocha para
treinador. “Estava de férias no Brasil, recebi o bilhete de avião e disseram-me
que o novo treinador [Pedro Rocha] queria falar comigo. Cheguei a Alvalade
e no balneário havia duas listas: a lista dos que ficavam e a lista de
dispensas. No meio estava o meu nome e o de mais dois jogadores. Pedi para
esclarecer a minha situação com o treinador. Os dirigentes pediram-me calma,
disseram que estavam à espera de outro central… ‘Se o craque vier, quem não
presta vai embora; se craque não vier, quem não presta vai ficar. É assim?’ Eu
tinha jogado com o Pedro Rocha, o novo treinador, no Brasil e pedi para falar
cinco minutos com ele. Tivemos uma conversa de homem para homem, tínhamos sido
colegas no Coritiba.
Eu até lhe tinha dado uma pancada forte num treino. Perguntei ao Pedro se podia
sair e ele disse-me que sim. Risquei o meu nome da lista e saí. O Sporting
devia-me ainda quatro meses de salário. O novo presidente, o Jorge Gonçalves,
assumiu mais tarde que fez mal em deixar-me sair”, contou o central. A solução encontrada por Duílio
para prosseguir a carreira, numa altura em que já tinha 31 anos, foi assinar
pelo Estrela
da Amadora, curiosamente um clube com um equipamento idêntico ao do Fluminense.
“O senhor Armando Biscoito, ex-dirigente do Sporting
e que iria para o Estrela,
disse-me que o mister João
Alves estava à minha espera na Churrasqueira do Campo Grande. Fomos
almoçar, o João
disse que eu seria um dos pilares da equipa e que se eu aceitasse chegariam,
certamente, mais nomes fortes. Dali a dois dias falaríamos na Reboleira, mas,
entretanto, ainda recebi um convite do senhor Pimenta
Machado [Vitória
de Guimarães] e outro do António
Morais [Leixões].
Optei pelo Estrela
porque a minha família não queria sair da zona de Lisboa”, lembrou.
Na primeira época na Reboleira,
que foi também a primeira dos tricolores
na I
Divisão, contribuiu para a obtenção de um honroso 8.º lugar. Na segunda,
1989-90, ergueu a Taça
de Portugal na condição de capitão de equipa, tendo marcado três golos na
caminhada até ao Jamor, um dos quais em Guimarães nas meias-finais.
Já em 1990-91 fez parte da
primeira campanha europeia dos amadorenses,
tendo inclusivamente marcado um golo ao RFC Liège para a Taça
das Taças, mas em termos domésticos não conseguiu impedir a despromoção à II
Liga.
Em 1991-92 jogou no segundo
escalão, mas com a camisola da Ovarense.
Depois foi para o Portimonense,
clube no qual encerrou a carreira, tendo contribuído para a promoção à II
Liga em 1993 e não conseguido evitar o regresso à II Divisão B em 1995,
imediatamente antes de pendurar as botas. Terminado o percurso como
futebolista, voltou ao Brasil para exercer as funções de treinador, tendo
trabalhado nas equipas técnicas de Carlos
Alberto Parreira e Valdir Espinosa no Fluminense.
Em 2001-02 passou pelo comando técnico do Machico e mais tarde trabalhou também
em países como Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Cazaquistão. O seu maior feito
como treinador foi a conquista do campeonato capixaba pelo Rio Branco em 2015.
Sem comentários:
Enviar um comentário