Na altura, o emblema
sadino vivia uma profunda crise financeira e diretiva, tinha não uma direção,
mas uma comissão de gestão (liderada por Carlos Costa) e nem sequer contava com
um diretor desportivo. No entanto, nessa temporada os setubalenses
venceram a Taça
da Liga, atingiram as meias-finais da Taça
de Portugal e asseguraram o apuramento para a Taça
UEFA via campeonato fruto do sexto lugar alcançado. “O Vitória
de Setúbal estava à beira de uma bancarrota. Nós conseguimos, sem dinheiro…
o presidente Carlos Costa disse-me ‘não tenho dinheiro, só posso pagar isto’. Preteri
de um jogador para ir buscar o Pitbull, emprestado pelo FC
Porto. Fomos buscar jogadores emprestados, o empresário António Araújo
ajudou-nos muito com o mercado no Brasil e fizemos uma equipa que foi
evoluindo. Estivemos 14 jogos sem perder, fizemos um ano extraordinário,
vencemos a Taça
da Liga”, começou por recordar Carvalhal ao podcast 90+3, em março
deste ano. Na altura não havia uma estrutura
montada em torno da equipa principal, pelo que o treinador teve de se valer do
próprio know-how, tendo recrutado jogadores com os quais já tinha
trabalhado ou que já tinha defrontado e analisado, via vídeo, jogos dos
jogadores brasileiros que lhe eram propostos pelo empresário. “Estávamos dentro do meio,
conhecíamos os jogadores… conhecia bem o Bruno Gama, o Filipe Gonçalves, o Matheus,
o Eduardo, o Edinho,
o Cláudio Pitbull. Depois o mercado brasileiro foi de proposta e de analisarmos
jogos dos jogadores. Estamos a falar de jogadores da terceira divisão do
Brasil. O que é certo é que aquilo funcionou muito bem. Vencemos a Taça
da Liga, fomos às meias-finais da Taça
de Portugal e perdemos com o FC
Porto em casa e conseguimos um lugar na UEFA”, prosseguiu o técnico, agora
com 60 anos, que em 2007-08 pescou no Brasil atletas como Léo Bonfim, Paulinho,
Leandro
Branco e Léo Macaé.
“Esse ano para mim foi memorável
porque eu não tinha diretor desportivo, o Quinito
já lá não estava, ou seja, eu fiquei ali como treinador e diretor desportivo,
no fundo um manager. Chegar ao fim e alcançar isso, obviamente fiquei
muito contente”, lembrou Carvalhal, que já tinha tido uma passagem bem-sucedida
pelo Bonfim
em 2003-04, quando conseguiu a promoção à I
Liga. Outro desafio enfrentado nessa
época foi reorganizar a equipa após o mercado de janeiro, quando Edinho
rumou ao AEK Atenas e Matheus
foi repescado pelo Sp.
Braga. “Era o melhor marcador [Edinho]
e o jogador com mais assistências [Matheus].
O coletivo é mais importante do que as individualidades. Quando o coletivo é
preparado para ser forte e tem princípios bem definidos… depois é uma questão de
características. Na altura saiu o Matheus
e começou a jogar mais vezes o Gama. Saiu o Edinho
e começou a jogar mais o Pitbull como ponta de lança e o Filipe Gonçalves como
médio ofensivo. Ganhámos duas vezes ao Sporting
e de duas formas completamente distintas, com características de jogadores
diferentes. Às vezes, até perdendo alguns bons jogadores, se pode melhorar a
dinâmica”, explicou o treinador, justificando a continuidade dos bons
resultados dessa equipa após a saída de dois jogadores nucleares. Para Carvalhal, o único “galo”
dessa passagem pelo Vitória
foi não ter dado o salto para um grande logo a seguir. “O normal seria, depois
desse trabalho fantástico, mesmo fora da caixa, ter saltado para um Sporting,
para um Benfica
ou para um FC
Porto”, lamentou o treinador, que na temporada seguinte foi para a Grécia
orientar o Asteras Tripolis.
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