sábado, 1 de agosto de 2020

Os 10 jogadores com mais jogos pelo Boavista na I Divisão

Dez futebolistas que ficaram na história do Boavista Futebol Clube
Fundado a 1 de agosto de 1903 por elementos da comunidade inglesa radicada no Porto, ligada ao vinho do Porto (Casa Graham"s), o Boavista Futebol Clube começou por se chamar Boavista Footballers e viveu o ponto alto da sua história em 2000-01, quando conquistou o titulo nacional.

Porém, o clube foi perdendo a ligação às raízes dos fundadores. “O ascendente britânico no clube levantou problemas logo em 1905, porque os jogadores portugueses da equipa queriam jogar ao domingo, enquanto os britânicos preferiam, claro, o sábado. E assim, em 1909, os ingleses saíram da direção do clube e este mudou o nome para Boavista Futebol Clube. Entretanto, já o clube jogava em terrenos localizados na zona do Bessa, onde ainda hoje está localizado o seu estádio”, contou João Nuno Coelho ao Diário de Notícias.

Os boavisteiros conquistaram a primeira edição do campeonato regional do Porto, em 1913-14, numa altura em que ainda equipavam somente de preto, uma vez que passaram a utilizar a camisola xadrez apenas nos anos 1930, “uma excentricidade que tornaria o clube mais conhecido, mesmo à escala internacional, quando nos anos 1990 conseguiu boas campanhas nas competições europeias” e ganhou a alcunha de “clube das camisolas esquisitas”.

Embora já contabilizasse mais de uma dezena de participações na I Divisão até então, foi no pós-25 de abril que os axadrezados viveram os seus períodos áureos em termos desportivos. O Boavista viveria até à década de 1970 entre a primeira e a segunda divisão, mas a partir de então, graças ao trabalho do seu novo presidente, Valentim Loureiro, e do treinador José Maria Pedroto, conseguiria tornar-se um dos clubes que mais batiam o pé aos grandes do futebol português, ganhando inclusivamente cinco Taças de Portugal em seis finais. E, mais importante do que isso, o Boavista conseguiu uma proeza improvável quando em 2000-01 alcançou o título nacional.

Relativamente a futebolistas, foram mais de seis centenas os que jogaram pelo Boavista na I Divisão. Vale por isso a pena recordar os 10 que o fizeram por mais vezes.


10. Queiró (209 jogos)

Queiró
Médio convertido em lateral direito natural de Avintes, concelho de Vila Nova de Gaia, saltou do Avintes (III Divisão) para o Boavista no verão de 1978.
Nas duas primeiras temporadas no Bessa jogou pouco, mas ainda assim ganhou uma Taça de Portugal (1978-79) e a edição inaugural da Supertaça Cândido de Oliveira (1979) e depois foi a tempo de se tornar numa peça importante nos axadrezados durante a década de 1980, contribuindo para seis qualificações para as competições europeias.
Nesse período atuou em 209 jogos no campeonato (196 a titular) e apontou dois golos, diante do Sporting em 1983-84 e do Marítimo em 1987-88.
No verão de 1989 encerrou a sua aventura no Boavista, mudando-se para o Leixões.
Voltaria ao clube após pendurar as botas para assumir as funções de treinador nas camadas jovens.
Viria a falecer em junho de 2006, aos 49 anos, vítima de doença prolongada.


9. Frederico (212 jogos)

Frederico
Defesa central alentejano natural de Casével, concelho de Castro Verde, mas com os primeiros passos no futebol dados no Barreiro, ao serviço de CUF e Barreirense, trocou o Benfica pelo Boavista no verão de 1983.
Se na Luz estava tapado, no Bessa teve a oportunidade de jogar com regularidade até ao princípio da década de 1990, afirmando-se como um dos melhores centrais do futebol português na altura. Basta dizer que se tornou internacional em 1985, quando já vestia a camisola axadrezada, e somou 18 internacionalizações (e cinco golos) até 1989, tendo atuado os três jogos que Portugal disputou no Mundial 1986.
Entre 1983 e 1991, Frederico atuou em 212 partidas (211 a titular) e marcou 16 golos na I Divisão pelos boavisteiros. Sp. Braga, Penafiel e Varzim em 1983-84, Portimonense e Vitória de Guimarães em 1984-85, Vitória de Guimarães, Académica e Sporting em 1985-86, Sporting e Belenenses em 1986-87, Sp. Covilhã, Marítimo e Rio Ave em 1987-88, Tirsense em 1989-90 e Belenenses e Sp. Braga em 1989-90 foram as vítimas deste central goleador que contribuiu para quatro apuramentos para as competições europeias.
Despediu-se do Bessa em 1991, aos 34 anos, rumando depois ao Vitória de Guimarães.
Haveria de falecer em fevereiro de 2019, aos 61 anos, vítima de esclerose lateral amiotrófica.



8. Sánchez (220 jogos)

Erwin Sánchez
O boliviano mais famoso de sempre do futebol português, o maestro da história equipa que em 2000-01 conquistou o título nacional.
Médio ofensivo já internacional pela Bolívia, onde lhe chamavam de “Platini”, chegou a Portugal em 1990 para reforçar o Benfica. Foi campeão, mas não vingou e na época seguinte foi emprestado ao Estoril. A temporada correu bem no António Coimbra da Mota, mas as águias não quiseram ficar com ele. E Sánchez rumou ao Boavista.
Paulatinamente, o centrocampista foi ganhando o seu lugar não só na equipa, mas também na história dos axadrezados. Entre 1992 e 1997 disputou 106 jogos (87 a titular) e marcou 25 golos no campeonato, contribuindo para quatro qualificações para as competições europeias e para a conquista da Taça de Portugal em 1996-97.
“O primeiro ano foi muito duro para mim. Não tinha amigos no Porto. Senti até a mudança do clima: mais frio, mais chuva… Tinha de treinar com pitons de alumínio, o que era raro no Benfica. Foi uma guerra para me habituar a isso. Tive também alguns confrontos com o Manuel José. Na altura, não dava valor a aspetos a que agora dou como treinador. Como jogadores pensamos que temos sempre razão. Estava um pouco isolado. Tinha os pais do Vítor Paneira em Famalicão e os sogros do William em Guimarães, que eram uma espécie de segunda família. Quando não ia para casa deles, acabava o jogo e ia para Cascais. Sei que fiz mal. Não estava a integrar-me no clube. Quando terminou a época, fui de férias e depois fui representar a seleção. Estive dois ou três meses fora e no final comecei a refletir sobre o meu comportamento. Na segunda época, tudo mudou e, hoje em dia, a relação que eu tenho com o Manuel José é espetacular”, contou ao Maisfutebol em 2016.
Depois voltou ao Benfica, mas voltou a não ter sucesso e regressou ao Bessa por empréstimo em 1998-99, tendo atuado em 22 partidas (quatro a titular), ajudando os boavisteiros a alcançarem o segundo lugar – na altura a melhor classificação de sempre do clube, anteriormente também conseguida em 1975-76 – e um consequente histórico apuramento para a Liga dos Campeões.
A temporada seguinte foi iniciada no Benfica B, mas voltaria ao Boavista em janeiro de 2000, indo a tempo de participar em 18 encontros (17 a titular), marcar três golos, um ao Alverca e dois ao Gil Vicente, e contribuir para o apuramento para a Taça UEFA.
Em 2000-01 não só começou a época no Bessa, mas também um ciclo incrível no clube da Invicta. Apesar de já ter 31 anos, viveu a melhor temporada carreira, apontando nove golos em 33 jogos (30 a titular), o que fez dele uma das principais figuras da caminhada que culminou na conquista do inédito título nacional.
Seguiu-se mais ano e meio com a camisola axadrezada, nos quais se estreou na Liga dos Campeões e foi vice-campeão nacional em 2001-02 e ajudou os boavisteiros a chegarem às meias-finais da Taça UEFA em 2002-03.
Em janeiro de 2003 sofreu uma grave lesão que o afastou dos relvados durante largos, mas haveria de voltar à ação pouco mais de meio ano depois nas funções de treinador, que desempenhou até março de 2004. Entretanto regressou novamente ao país-natal, mas retornou ao Bessa mais uma vez como treinador em dezembro de 2015, mantendo-se no cargo até outubro do ano seguinte.



7. Jaime Alves (221 jogos)

Jaime Alves
Lateral/médio direito natural de Espinho, começou a carreira no Sp. Espinho, clube pelo qual se estreou na I Divisão, mas deu o salto para o Boavista no verão de 1985.
Nem sempre titular indiscutível, demorou, mas conquistou o seu espaço, tendo vivido em 1988-89 a melhor temporada carreira: 34 jogos (todos como titular), sete golos e 3.º lugar no campeonato e três internacionalizações pela seleção nacional AA, já depois ter estado no Torneio de Toulon 1986 ao serviço dos sub-21. Nesta primeira passagem do clube, que durou até 1991, atuou em 135 partidas (129 a titular), marcou 17 golos e contribuiu para três qualificações para a Taça UEFA.
Em 1991-92 esteve ao serviço do Vitória de Guimarães, mas voltou ao Bessa na época seguinte para mais seis anos com a camisola axadrezada. Integrou os plantéis que chegaram às finais da Taça de Portugal em 1992-93 e 1996-97, esta última com direito a levantar o troféu, mas não participou em qualquer jogo nessas caminhadas até ao Jamor. Ainda assim disputou mais 86 encontros (66 a titular) e marcou mais sete golos no campeonato, contribuindo para quatro qualificações europeias.
Em 1998, no final de uma temporada em que foi pouco utilizado, decidiu pendurar as botas aos 33 anos.
Mais de duas décadas depois, em maio de 2019, voltou ao clube para integrar o scouting da formação.



6. Rui Bento (243 jogos)

Rui Bento
Defesa central convertido em médio defensivo, nasceu em Silves, no Algarve, mas fez parte da formação do Benfica, clube pelo qual se estreou na I Divisão pela mão de Sven-Göran Eriksson em 1991-92, após se ter sagrado campeão mundial de sub-20 em Lisboa. Durante essa temporada soma as duas primeiras (de seis) internacionalizações pela seleção AA, mas no final da época sai para o Boavista, onde se notabiliza ao longo de nove anos.
Quase sempre titular indiscutível no Bessa, começa por vencer a Supertaça de 1992, mas também vive um 1997 de muito bom nível com a conquista da Taça de Portugal e da Supertaça, contribuiu para o segundo lugar e para o primeiro apuramento para a Liga dos Campeões dos axadrezados em 1999, mas é na despedida, em 2000-01, que atinge o pico da montanha: é campeão nacional.
Durante este período atua em 243 jogos (233 a titular) e marca quatro golos no campeonato: ao Felgueiras em 1995-96, à União de Leiria em 1996-97, ao Estrela da Amadora em 1998-99 e ao Marítimo em 1999-00.
“Mas como é que o Eriksson o mete a central e ainda o chama de pequeno Baresi? Não, ele é 6. E dos bons. Roubava e dava a quem sabe, roubava e dava a quem sabe. Quando cheguei ao Boavista, era daqueles que estava sempre lesionado. E a sua cabeça funcionava muito assim, ‘para a semana vou ter uma rotura’. Mudei isso”, contou o treinador Jaime Pacheco ao Observador.
No verão de 2001 trocou o Boavista pelo Sporting e sagrou-se campeão logo na primeira época em Alvalade.
Entretanto tornou-se treinador e regressou ao Bessa em 2008-09, então na II Liga, não conseguindo evitar a despromoção.



5. Paulo Sousa (249 jogos)

Paulo Sousa
Voltemos aos laterais direitos. Porém, este foi eleito o melhor lateral direito da história do Boavista, com 45,2% dos votos, numa votação online que decorreu em abril de 2020, batendo a concorrência de Frechaut (18,6%), Casaca (13,6%), Queiró (12,6%) e Jaime Alves (10%).
Natural de Vila Nova de Gaia, passou por Canidelo, Leixões e Maia antes de se estabelecer no Bessa em 1990, iniciando aí uma história que durou uma década e que terminou com quatro troféus e a braçadeira de capitão.
Depois de uma primeira temporada na sombra de Jaime Alves, ganhou a titularidade em 1991-92 e só a perdeu na curva descendente da carreira, tornando-se numa das figuras do Boavista da década de 1990. Disputou 249 jogos (235 a titular) e não marcou qualquer golo, mas contribuiu para a obtenção do segundo lugar e consequente primeiro apuramento do clube para a Liga dos Campeões em 1999, além de ter vencido duas Taças de Portugal (1991-92 e 1996-97) e duas Supertaças (1992 e 1997). Paralelamente, somou três internacionalizações pela seleção AA, todas em 1992.
Haveria de deixar o clube em 2000, aos 33 anos, para rumar ao União de Lamas, falhando por um ano a conquista do título nacional. “Saí no ano anterior ao Boavista ser campeão, mas não fiquei magoado. Ganhei Taças, fiquei em segundo e de alguma forma as equipas que integrei criaram as bases para o Boavista campeão. Aliás, no ano do título ligaram-me para ir festejar com a equipa. Respondi que não tinha sido campeão, as pessoas insistiram que tinha feito parte das equipas que permitiram aquilo, mas eu achei que não devia ir. Se fizesse parte, eu ia. Como não fiz parte, não fui. Mas sinto que contribui um bocadinho para o título”, contou ao Maisfutebol em 2018.
Após pendurar as botas, aos 40 anos, abriu um pavilhão, o Oporto Indoor Games, que acolhe jogos entre amigos e festas de aniversários ou temáticas.


4. Casaca (250 jogos)

Rui Casaca
Jogador polivalente, capaz de atuar como lateral direito e médio, foi subindo a pulso no futebol português, passando por Merelinense, Valdevez e Rio Ave antes de chegar ao Boavista no verão de 1984.
Tal como grande parte dos elementos desta lista, também sentiu dificuldades no primeiro ano no Bessa, mas ganhou protagonismo nos que se seguiram, contribuindo para a consolidação dos axadrezados como clube europeu no final da década de 1980 e início da de 1990.  
Entre 1984 e 1994 disputou 250 jogos (221 a titular) e marcou 13 golos no campeonato. Salgueiros, Penafiel, FC Porto e Académica em 1985-86, Salgueiros e Vitória de Guimarães em 1986-87, O Elvas e Rio Ave em 1987-88, Sp. Braga em 1988-89, Nacional em 1989-90, União da Madeira em 1990-91, Benfica em 1991-92 e Paços de Ferreira em 1992-93 foram as vítimas de Rui Casaca.
Em 1994 pendurou as botas, numa altura em que era o capitão boavisteiro, mas continuou ligado ao futebol como treinador adjunto e dirigente. Em 1996-97 chegou a orientar interinamente a equipa principal do Boavista.



3. Alfredo (254 jogos)

Alfredo Castro
Tal como Casaca, chegou ao Boavista proveniente do Rio Ave no verão de 1984. Mas, ao contrário do companheiro de equipa, pegou imediatamente de estaca na equipa, tornando-se no dono da baliza axadrezada logo na primeira temporada.
Nem sempre foi titular indiscutível durante os 14 anos que passou no Bessa, mas conquistou o estatuto de figura mítica do clube e recentemente foi eleito o melhor guarda-redes de sempre dos boavisteiros numa votação online em que teve 46,3% dos votos, batendo o guardião campeão nacional em 2000-01, Ricardo, assim como William, Botelho e Matos.
Em 254 jogos (251 a titular) na I Divisão sofreu 248 golos, um registo que o catapultou para a seleção nacional AA, tendo somado três internacionalizações e marcado presença no Euro 1996
Embora por vezes tivesse estado tapado pelo belga Hubart (1986 a 1992), Pudar (1991-92), Lemajic (1992-93), Tó Luís (1993 a 1997) e Ricardo (1995 a 1998), foi parte integrante das equipas que venceram as Taças de Portugal e as Supertaças em 1992 e 1997 e contribuiu para nove (!) apuramentos para as competições europeias.
Em 1998 pendurou as luvas, mas em 2000 tornou-se treinador de guarda-redes e desde então que tem passado grande parte desta segunda carreira no Boavista.



2. Mário João (260 jogos)

Mário João
Defesa central de origem moçambicana, surgiu no Bessa no longínquo verão de 1969, depois de o Boavista ter conseguido subir à I Divisão, e por lá se manteve durante onze temporadas. Recentemente foi eleito o segundo melhor central de sempre do clube numa votação online, com 14,8% dos votos, sendo apenas superado por Litos (42,9%).
Já com uma pequena experiência no primeiro escalão ao serviço do Vitória de Setúbal, Mário João foi uma peça importantíssima para a consolidação dos axadrezados no patamar maior do futebol português durante a década de 1970, tendo atuado em 260 partidas (257 a titular) e apontado seis golos no campeonato: ao Barreirense em 1970-71, ao Atlético em 1971-72, ao Beira-Mar em 1973-74, ao Belenenses em 1975-76, ao Estoril em 1977-78 e ao Famalicão em 1978-79.
Venceu também três Taças de Portugal (1974-75, 1975-76 e 1978-79) e participou na campanha que em 1975-76 culminou com a obtenção da então melhor classificação de sempre do clube, o segundo lugar, e nos primeiros cinco apuramentos europeus dos boavisteiros, além de se ter tornado capitão de equipa.
Em 1980 deixou o Boavista e prosseguiu a carreira nas divisões secundárias ao serviço de Lamego, Cinfães, Torreense e União de Almeirim.


1. Manuel Barbosa (345 jogos)

Manuel Barbosa
Médio polivalente, também capaz de cobrir a posição de lateral direito, fez toda a carreira no Boavista, entre 1968 e 1983. Só a primeira época, marcada pela subida – a última do clube em campo – à I Divisão, não foi passada no patamar maior do futebol português.
Entre a elite nacional passou 14 temporadas, quase sempre como titular indiscutível na equipa axadrezada, tendo disputado um total de 345 jogos (307 a titular) e apontado seis golos na I Divisão. Leixões (1971-72), Académica (1973-74), Sp. Braga e Benfica (1975-76) e Amora e Penafiel (1981-82) foram as vítimas de Manuel Barbosa.
Este centrocampista integrou as equipas que venceram as Taças de Portugal de 1974-75, 1975-76 e 1978-79 e a Supertaça de 1979, assim como esteve na obtenção do até então inédito segundo lugar em 1975-76 e em seis apuramentos para as competições europeias.
Em 1982-83 deixou de ser jogador para passar a ser treinador do Boavista, tendo guiado os axadrezados ao quinto lugar. Haveria de voltar a orientar a equipa principal dos axadrezados em 1988 e entre novembro de 1989 e maio de 1990.



















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