sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Os 10 jogadores com mais jogos pelo Vitória de Setúbal na I Divisão

Dez futebolistas que fizeram história com a camisola do Vitória

Fundado a 20 de novembro de 1910 por um grupo de dissidentes do Bonfim Futebol Clube, o Sport Vitória passou a designar-se Vitória Futebol Clube em maio do ano seguinte e mais tarde tornou-se o maior embaixador da cidade e do distrito de Setúbal no mundo do desporto.

 

O nome Vitória teve origem numa frase proferida por Joaquim Venâncio, um dos dissidentes do Bonfim Futebol Clube, que no momento em que decidiu abandonar o clube e fundar uma nova agremiação proferiu a frase “A vitória será nossa!” para incentivar os companheiros que o seguiam na decisão.

 

Em 1912 o equipamento branco com gola e algibeira encarnada deu lugar às camisolas verde e brancas, herdadas do Setubalense Sporting Clube, e no ano que se seguiu teve seu primeiro recinto desportivo, o Campo dos Arcos, doado por Mariano Coelho, que mais tarde viria a ser presidente do clube.

 

Na década de 1920 os vitorianos conquistaram por duas vezes o Campeonato de Lisboa (1923-24 e 1926-27) e mais tarde foi hegemónico no entretanto criado Campeonato de Setúbal.

 

Posteriormente, com a introdução do campeonato da I Divisão na década de 1930, tornou-se presença assídua no primeiro escalão. Em 72 presenças, o melhor que os sadinos conseguiram foi o segundo lugar em 1971-72. Porém, em 2020 sofreu um duro revés ao ser despromovido na secretaria ao Campeonato de Portugal devido a dívidas.

 

Paralelamente, o emblema setubalense também tem feito história nas taças, tendo conquistado a Taça de Portugal em três ocasiões (1964-65, 1966-67 e 204-05) e a edição inaugural da Taça da Liga (2007-08).  

 

Em 72 presenças na I Divisão, 801 futebolistas jogaram pelo Vitória. Vale por isso a pena recordar os dez que o fizeram por mais vezes.

 

 

10. Sandro (195 jogos)

Sandro Mendes

Médio de características defensivas nascido em Pinhal Novo, concelho de Palmela, deu os primeiros toques na bola no bairro da Bela Vista e iniciou-se no futebol federado em “Os Pelezinhos” antes de chegar ao Vitória ainda como iniciado, em 1990-91.

Na equipa principal dos sadinos somou 195 encontros (176 a titular) e seis golos na I Divisão, o primeiro em agosto de 1995 e o último em maio de 2010. Porém, nessa década e meia esteve mais de três anos no futebol espanhol, tendo representado Hércules, Villarreal e Salamanca, e ainda esteve alguns meses cedido aos turcos do Manisaspor pelo FC Porto, que o chegou a contratar em 2005.

Ao serviço dos setubalenses conquistou uma Taça de Portugal em 2004-05, foi finalista vencido na época seguinte e tornou-se o primeiro capitão de equipa a erguer a Taça da Liga, em 2007-08. Pelo meio tornou-se internacional por Cabo Verde.

“Tive muitos treinadores que me marcaram. Jorge Jesus, Daúto Faquirá, Rui Águas, Diamantino, enfim... Mas há que foi especial porque apostou em mim e me lançou, que foi o Quinito", confessou ao Record em outubro de 2017.

Depois de pendurar as botas continuou ligado ao clube: começou por ser treinador na formação, foi team manager da equipa principal e chegou a técnico principal.


9. José Mendes (205 jogos)

José Mendes

Um filho da terra e mais um produto da formação vitoriana, que teve duas passagens pelo clube (1966-67 a 1974-75 e 1977-78 a 1979-80), com dois anos no Sporting pelo meio, tendo beneficiado do fim da lei da opção.  Demorou alguns anos a assumir-se como peça importante no Bonfim e só em 1970-71 passou jogar com regularidade.

Ainda assim, este antigo defesa central foi a tempo de integrar a história equipa que alcançou o 2.º lugar em 1971-72, de jogar a final da Taça de Portugal em 1973, perdida ante o Sporting em Alvalade, e de participar em jogos históricos nas competições europeias frente a Spartak Moscovo e Leeds, entre outros. Em termos de I Divisão disputou 205 jogos (204 a titular), não tendo apontado qualquer golo.

Os bons desempenhos pelo Vitória levaram-no à seleção nacional, que representou por oito vezes.

Viria a encerrar a carreira noutro clube da cidade, o Comércio e Indústria. Paralelamente, iniciou o seu trajeto como treinador, tendo sido jogador-treinador dos sadinos em 1978-79 e adjunto durante a década de 1980.

 

 

8. Octávio (223 jogos)

Octávio Machado

Médio de baixa estatura natural de Palmela, começou a jogar no Palmelense, mas saltou para o Vitória em 1968 e chegou à equipa principal dois anos depois.

“Jogava no Palmelense, estava bem. E fomos diretos para o restaurante Reno, na Praça do Cais, onde se reuniam muitos ilustres do Vitória, como Sequeira Jorge e Francisco Nascimento. O Vitória esteve ali a discutir com o Palmelense. Às tantas, já farto das negociações, subi as escadas e disse de minha justiça: ‘acabem lá com esse jogo do estica, deixem-me sair para o Vitória’. O Palmelense recebeu 27 contos”, recordou ao Maisfutebol.

Em Setúbal apanhou Fernando Vaz como treinador. “Queria que eu crescesse mais uns centímetros e ganhasse mais uns quilos. Vai daí, pôs-me a saltar a corda em bicos de pés”, revelou Octávio, que acabou por subir à equipa principal pela mão de Pedroto.

Paulatinamente foi ganhando o seu espaço na equipa principal, fazendo parte de alguns dos maiores feitos da história do clube, como a obtenção do segundo lugar no campeonato em 1971-72 e as caminhadas até aos quartos de final da Taça UEFA nas duas épocas que se seguiram. Nesta fase também alcançou as primeiras nove de 19 internacionalizações que somou pela seleção nacional.

“Nós éramos uma equipa diferente, Rui. Era só nomes de seleção: Duda, Arcanjo, Jacinto João, Guerreiro, Arcanjo, Torres, José Maria, Vagner, Matine. Era um passeio, às vezes. Até na Europa. Chegámos duas vezes aos quartos-de-final final da Taça UEFA. Um dia, eliminámos o Inter de Facchetti e Mazzola”, lembrou.

Entre 1970 e 1975 amealhou 146 jogos (140 a titular) e 16 golos na I Divisão. Depois chegou a assinar um pré-contrato com o Atlético Madrid que renderia 12 milhões de pesetas aos sadinos, mas acabou por se transferir para o FC Porto, tendo ajudado os dragões a colocarem um ponto final a um jejum de 19 anos sem conquistar o título nacional.

Em 1980, já com 31 anos, voltou ao Bonfim para os três derradeiros anos da carreira, numa fase em que o Vitória já tinha perdido algum fulgor. Neste período disputou mais 77 encontros (73 a titular) e marcou um golo no primeiro escalão ao serviço dos setubalenses.

 

 

7. Rebelo (233 jogos)

Rebelo

Contemporâneo e conterrâneo do também José Mendes, com quem coincidiu na equipa principal do Vitória em 11 temporadas. Somou os primeiros jogos em 1966-67, mas só em 1969-70 voltou a jogar e apenas em 1970-71 se estabeleceu na equipa. 

Também esteve na histórica época do 2.º lugar, na final da Taça de Portugal de 1972-73 e somou mais de 30 encontros pelos sadinos nas competições europeias. Entre 1967 e 1980 disputou 233 jogos e apontou três golos pela formação de Setúbal na I Divisão.

Lateral direito que chegou a internacional português (também por oito vezes), só conheceu outro clube na reta final da carreira, quando representou Amora e Comércio e Indústria.

 

 

6. Carlos Cardoso (267 jogos)

Carlos Cardoso
Setubalense de gema, esteve no clube entre 1964-65 e 1976-77, um período que coincide com a era dourada dos sadinos, tendo disputado 267 jogos e marcou três golos na I Divisão.

Central de categoria e filho de operários na indústria das conservas na cidade, chegou a internacional português, embora só tivesse participado num jogo internacional. Pelo Vitória disputou 46 jogos europeus, venceu uma Taça de Portugal logo no ano de estreia, esteve na final perdida ante o FC Porto em 1967-68 e foi vice-campeão nacional em 1971-72. Não conheceu outro clube na carreira.

Como treinador ficou conhecido por “bombeiro”, por assumir a equipa na fase final da época, quando os sadinos estavam em apuros na tabela classificativa. Salvou o Vitória da despromoção por três vezes, em 1997-98, 2006-07 e 2008-09, tendo descido apenas em 2002-03. Na única época completa à frente da equipa, em 1998-99, colocou os vitorianos em 5.º lugar e devolveu a Europa a Setúbal 25 anos depois. “Como treinador estive 15 anos. Por inteiro, residente, como adjunto, fiz esses papéis todos”, resumiu numa entrevista ao jornal O Jogo.

 

 

5. Carriço (269 jogos)

Carriço

Mais um jogador que atravessou todo o período áureo do Vitória, tendo vestido a camisola verde e brancas durante 13 temporadas, entre 1962-63 e 1974-75, período no qual disputou 269 jogos e marcou cinco golos na I Divisão.

Foi dele o golo inaugural na histórica goleada por 5-0 ao Lyon em 1968-69, num dos quase 50 encontros que disputou nas competições europeias. Lateral esquerdo de posição, fez parte das equipas que venceram a Taça de Portugal em 1964-65 e 1966-67, embora só tivesse sido utilizado a final da segunda, e esteve em três finais perdidas.

Foi também um dos esteios do segundo lugar alcançado em 1971-72 e, numa carreira passada integralmente no Vitória, apenas vestiu outra camisola: a da seleção nacional, por três ocasiões.


4. Jacinto João (270 jogos)

Jacinto João

O eterno Jota tornou-se uma figura imortal no universo verde e branco pelos seus memoráveis desempenhos ao serviço do clube entre as épocas 1965-66 a 1974-75 e 1976-77 a 1978-79, tendo passado pelos brasileiros da Portuguesa pelo meio. Em termos de I Divisão somou 270 jogos e 60 golos ao serviço dos setubalenses.

Por ser a estrela da companhia ganhou a alcunha de “cobra”. “Ele era o cobra, no meio de nós, que éramos os minhocas. É uma frase que vem dos nossos irmãos brasileiros, atribuída a alguém que se destaca”, lembrou no final de 2016 o antigo companheiro Fernando Tomé, cuja estreia na equipa principal coincidiu com a do amigo. “Ele fazia coisas impressionantes, mirabolantes, que ficavam na retina. Nos treinos e em alguns jogos ele driblava o adversário, parava e voltava a driblar. O mister Fernando Vaz entrava em paranoia com ele”, acrescentou.

Reconhecidamente um dos extremos mais difíceis de marcar por alguns dos melhores laterais da altura, como Malta da Silva (Benfica) – “adivinhar o que vai fazer o Jacinto João é como adivinhar o Totobola”, disse uma vez - e Artur Correia (Académica, Benfica e Sporting), Jacinto João deu a Taça de Portugal de 1966-67 ao Vitória através de um golo à Académica no minuto 144 e permaneceu no clube após pendurar as botas, tendo sido treinador na formação e técnico de guarda-redes na equipa sénior.

Internacional português por 10 ocasiões, reza a lenda que terá preferido o Vitória ao FC Porto na altura de vir para Portugal.


3. Hélio (290 jogos)

Hélio Sousa

Em 1995-96 chegou a estar emprestado ao Belenenses, mas não chegou a estrear-se, já depois de se ter tornado internacional português. “Nunca foi do meu interesse ficar lá. Nem cheguei a assinar. Acabei por regressar, recuperar fisicamente, ser opção e subimos de divisão”, contou, em entrevista concedida em setembro de 2016 ao jornal O Setubalense. “Também cheguei a estar em Espanha para assinar por um clube, mas uma das condições seria eu rescindir com o Vitória, até porque havia salários em atraso. Era uma oportunidade muito boa, mas nunca o faria”, acrescentou.

Médio defensivo de qualidade, subiu e desceu quatro vezes de divisão, acompanhando o clube nos bons e nos maus momentos. Fez parte da equipa que em 1998-99 regressou à Europa após 25 anos de ausência e despediu-se dos relvados com a conquista da Taça de Portugal (2004-05), que levantou na condição de capitão.

“Foi um prazer enorme exercer a atividade que eu sempre amei. Tê-lo feito no clube do meu coração foi juntar dois mundos num só. Ter jogado sempre no Vitória foi devido a um amor que criei desde bem novo, pela mão do meu pai, que me trazia ao Bonfim, muitas vezes a pé, desde a Reboreda. Em 1983, fui às captações e acabei por ficar. Vivemos muitas coisas e conquistámos a Taça de Portugal, que veio no momento certo, pois ia deixar de jogar e foi quase que como uma despedida e uma homenagem espontânea. No último jogo que fiz para o campeonato, frente ao Estoril, entrei e até marquei um golo. Foi perfeito”, assumiu.

Após pendurar as botas foi integrado na equipa técnica de Norton de Matos, mas acabou por se tornar treinador principal dos sadinos cerca de sete meses depois de se ter retirado dos relvados. Na época de estreia guiou a equipa à final da Taça de Portugal, perdida para o FC Porto, mas a temporada seguinte não começou bem e acabou por sair. “Não foi uma oportunidade para mim. Eu tinha assinado por um ano e mais três de opção, e esses quatro anos estavam destinados para fazer a minha formação. Mas as coisas precipitaram-se e um vitoriano como eu não podia dizer que não. Dei o melhor. Chegámos à final da Taça com uma equipa com muito menos atributos em relação à do ano anterior”, recordou.


2. Quim (300 jogos)

Quim

Defesa central natural de Beja e revelado pelo Desportivo local, saltou para o Vitória em 1985, mas só um ano depois se estreou pela equipa principal dos sadinos, tendo jogado em Setúbal até encerrar a carreira em 2001.

Em década e meia no Bonfim viveu quatro promoções e outras tantas descidas de divisão, assim como o quinto lugar e consequente apuramento para a Taça UEFA em 1999. E nos primeiros anos nos vitorianos chegou a jogar pela seleção nacional sub-21.

Após pendurar as botas voltou ao clube noutras funções, tendo orientado os infantis e os juniores e chegando a comandar interinamente a equipa principal em 2009-10.

“Tenho já mais anos de Setúbal do que de Beja, de onde sai com 18 anos. Até agora tenho vivido sempre em Setúbal e estado ligado ao Vitória, um clube centenário onde eu já vivi cerca de um quarto de século. É com bastante orgulho que o refiro, são factos que não se podem apagar”, afirmou ao blogue Desporto no Alentejo.

 

 

1. José Maria (317 jogos)

José Maria

José Maria não só é o futebolista com mais jogos na história do Vitória na I Divisão – embora com menos do que Hélio e Quim em todas as competições - como o que tem mais golos (91). E muito dificilmente perderá ambos os tronos e um feito goleador notável para quem era médio esquerdo. “Orgulho-me de todos os jogos e golos que fiz, mas se bati recordes só tenho de agradecer à malta com quem joguei”, assumiu ao Record em setembro de 2015.

Natural de Luanda, chegou a Setúbal proveniente do Petro em janeiro de 1963, iniciando aí 13 anos consecutivos no clube sadino. Um dos expoentes máximos dos anos áureos do clube, esteve nas dez campanhas europeias consecutivas entre 1965-66 e 1974-75 e marcou nas finais da Taça de Portugal ganhas pelos setubalenses em 1964-65 e 1966-67. “Os anos passam, mas serei sempre do Vitória. Mesmo à distância, acompanho. Oxalá tenha êxito”, afirmou o antigo internacional português (por quatro vezes), radicado em Nova Jérsia, nos Estados Unidos.























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