domingo, 15 de março de 2020

Os 10 brasileiros com mais jogos pelo Benfica na I Divisão

Dez futebolistas brasileiros que deixaram marca no Benfica 
Anunciado recentemente como reforço do Benfica para 2020-21, Pedrinho deverá juntar-se às mais de oito dezenas jogadores brasileiros que atuaram pelos encarnados em jogos da I Divisão.

Curiosamente, a história da presença canarinha no clube da Luz não é tão antiga como nos principais rivais. Tudo porque, até uma assembleia geral em julho de 1978, os estatutos das águias proibiam a contratação de futebolistas estrangeiros. Um ano depois, é contratado ao Boavista o avançado brasileiro Jorge Gomes, o primeiro estrangeiro a jogar pelo Benfica.

Daí para cá, foram-se sucedendo os nativos de terras de Vera Cruz com a camisola benfiquista. Uns chegaram com bastante jovens e renderam milhões, outros aterraram em Lisboa com o carimbo do escrete e confirmaram o estatuto. E a história também se faz com os que não foram felizes.

Vale por isso a pena recordar os dez futebolistas brasileiros com mais jogos com a mítica camisola encarnada na I Divisão.


10. Geovanni (94 jogos)

Geovanni
Promessa do Cruzeiro e do futebol brasileiro, foi contratado pelo Barcelona em janeiro de 2002 pela milionária verba de 21 milhões de euros. Porém, não foi feliz em Camp Nou e precisamente um ano depois foi emprestado ao Benfica. Assim que chegou à Luz, aos 23 anos, pegou de estaca na equipa então orientada por José Antonio Camacho, de tal forma que foi titular logo no jogo de estreia, diante do Marítimo nos Barreiros.
Com este extremo na ala direita, Simão na esquerda e Nuno Gomes no eixo do ataque, as águias venceram a Taça de Portugal em 2003-04, o campeonato em 2004-05 e a Supertaça Cândido de Oliveira em 2005.
Apelidado de Soneca pelos companheiros, por gostar de dormir depois de almoço durante os estágios, agigantava-se nos jogos grandes: marcou ao cair do pano o golo de uma vitória em Alvalade que permitiu ao Benfica ultrapassar o Sporting no segundo lugar em 2003-04; faturou no Dragão em 2004-05; bisou frente aos leões numa eliminatória da Taça de Portugal em 2004-05; e rematou certeiro num triunfo sobre o Manchester United na Liga dos Campeões em 2005-06.
Deixaria o Benfica no verão de 2006 para regressar ao Cruzeiro, mas ainda voltou à Europa para jogar por Manchester City e Hull City na Premier League. 



9. William (94 jogos)

William
Central de baixa estatura (1,79 m), começou a carreira no Botafogo e teve no Benfica o seu terceiro clube em Portugal, depois de passagens por Nacional e Vitória de Guimarães, tendo ajudado os madeirenses a subirem pela primeira vez à I Divisão em 1988 e os minhotos a assegurarem o apuramento para a Taça UEFA em 1990.
Após essa boa campanha no D. Afonso Henriques mudou-se para a Luz, onde ficou durante cinco anos. Foi titular indiscutível na época de estreia, na qual foi campeão às ordens de Sven-Göran Eriksson, mas foi perdendo espaço nas temporadas seguintes, muito por culpa do regresso de Mozer e das ascensões dos jovens Hélder e Paulo Madeira. Ainda assim, venceu outro campeonato (1993-94) e uma Taça de Portugal (1992-93).
Em 1995 saiu para os franceses do Bastia e de lá para os espanhóis do Compostela uma época depois.



8. Ronaldo (111 jogos)

Ronaldo
Medalha de bronze pelo Brasil nos Jogos de Atlanta (1996), o central Ronaldo chegou à Luz em março de 1997, oriundo do Atlético Mineiro, após ter iniciado a carreira no Guarani. Embora tivesse chegado tarde na época de estreia, ainda fez quatro jogos, com a particularidade de o Benfica ter perdido… todos, incluindo a final da Taça de Portugal diante do Boavista.
Porém, nas quatro temporadas seguintes assumiu-se como titular indiscutível no eixo defensivo encarnado, ao lado de Paulo Madeira, Tahar ou Marchena, tendo encerrado a sua etapa na Luz em 2001, quando envergava a braçadeira de capitão.
Em final de contrato, prosseguiu a carreira no futebol turco com a camisola do Besiktas.


7. Ricardo Gomes (111 jogos)

Ricardo Gomes
Ricardo Gomes disputou 111 jogos pelo Benfica na I Divisão tal como Ronaldo, mas atuou em mais 122 minutos de águia ao peito no campeonato. Este central já era uma certeza do futebol brasileiro e uma das figuras do escrete quando chegou a Portugal, no verão de 1988, proveniente do Fluminense.
Na época de estreia na Luz foi campeão sob o comando técnico de Toni e apontou oito golos (!) no campeonato, um registo invejável para um defesa. Voltou a conquistar o título nacional em 1990-91, às ordens de Sven-Göran Eriksson, tendo faturado por nove vezes (!) durante essa campanha. Pelo meio, venceu a Copa América em 1989 e participou na caminhada até à final da Taça dos Campeões Europeus perdida para o AC Milan, em 1990, ano em que capitaneou a seleção brasileira no Campeonato do Mundo, que decorreu em Itália.
Em 1991 foi levado por Artur Jorge para o Paris Saint-Germain, contribuindo para a conquista do título francês em 1993-94. Em 1995-96 regressou ao Benfica para encerrar a carreira, tendo vencido a Taça de Portugal no jogo de despedida, no qual acabou expulso diante do Sporting.



6. Mozer (117 jogos)

Mozer
Uma figura icónica do Benfica, que tal como Ricardo Gomes – com quem coincidiu na Luz em 1988-89 -, chegou a Portugal já como um nome consagrado do futebol brasileiro, tendo feito parte de uma grande equipa do Flamengo que venceu a Libertadores e a Taça Intercontinental em 1981.
No verão de 1987 foi contratado pelos encarnados e logo se assumiu como um central imponente, forte na marcação e com qualidade no jogo aéreo, tornando-se rapidamente num ídolo para os adeptos. Na primeira época em Lisboa, chegou à final da Taça dos Campeões Europeus, tendo perdido para o PSV nas grandes penalidades. Na segunda, foi campeão nacional.
Entre 1989 e 1992 esteve vinculado ao Marselha, tendo conquistado o título francês em todas as épocas que esteve no clube. No sul de França ganhou a alcunha de muralha, depois de no Brasil ter sido apelidado de vampiro.
Findada a aventura em solo gaulês, regressou ao Benfica para mais três épocas de águia ao peito, tendo contribuído para a conquista de uma Taça de Portugal (1992-93) e de mais um campeonato (1993-94).
Em 1995 foi desafiado pelo velho amigo Zico para jogar no Kashima Antlers, do Japão, encerrando a carreira com a conquista do título nipónico. Após pendurar as botas voltou a Lisboa para abrir um restaurante, regressando ao Benfica em setembro de 2000 para ser adjunto de José Mourinho durante cerca de três meses.



5. Isaías (125 jogos)

Isaías
Avançado móvel, começou a carreira no Cabofriense e teve no Benfica o seu terceiro clube em Portugal, depois de passagens por Rio Ave e Boavista. Embora os seus cinco golos não tivessem evitado a despromoção dos vila-condenses em 1988, tornou-se ídolo no Bessa ao contribuir com 10 golos para o 3.º lugar na época seguinte.
No verão de 1990 mudou-se para a Luz, onde ganhou a alcunha de profeta e de pé-canhão. Na primeira época marcou cinco golos e sagrou-se campeão às ordens de Sven-Göran Eriksson. Ficou no clube até 1995, tendo conquistado a Taça de Portugal em 1992-93 e o campeonato na temporada seguinte sob o comando técnico de Toni. Durante os cinco anos que passou de águia ao peito, apontou 53 golos na I Divisão.
Após encerrar a aventura no Benfica mudou-se para o Coventry City, de Inglaterra, tornando-se no primeiro futebolista brasileiro a atuar na Premier League desde que o campeonato inglês ganhou essa designação, em 1992. Em 1997 voltou a Portugal para representar os alentejanos do Campomaiorense durante duas temporadas.



4. Jonas (132 jogos)

Jonas
Avançado móvel tal como Isaías, mas mais goleador e com um futebol mais refinado, Jonas chegou a Portugal no verão de 2014 envolto em desconfiança, uma vez que já tinha 30 anos e havia sido dispensado pelo Valência. “Porque não apostar num jogador da formação?”, questionaram críticos e adeptos.
Porém, o brasileiro rapidamente foi superando as expetativas, formando uma dupla letal com Lima na primeira época. No total, apontaram 39 golos no campeonato – 20 de Jonas e 19 de Lima.
Na temporada seguinte deixou de haver Lima no ataque e Jorge Jesus no comando técnico, mas os números do Pistolas aumentaram ao lado de Mitroglou (ou Jiménez): 32 golos (em 34 jogos) e o consequente prémio de melhor marcador. O ótimo desempenho valeu-lhe inclusivamente o regresso ao escrete após quase quatro anos de ausência.
Em 2016-17 falhou quase meia época devido a problemas físicos, tendo apenas registado 13 remates certeiros, mas na temporada seguinte reapareceu em grande, ao ponto de ter apontado 34 golos (em 30 jogos), o que lhe valeu novamente o troféu de artilheiro-mor da I Liga.
Em 2018-19 voltou a ser assolado por problemas físicos e foi mais vezes suplente utilizado do que titular, mas ainda assim aproveitou os 1039 minutos em campo no campeonato para apontar 11 golos. No final dessa época encerrou a carreira, iniciada década e meia antes no país de origem, onde jogou ao serviço de Guarani, Santos, Grêmio e Portuguesa.
Com 110 golos, é o 11.º melhor marcador da história do Benfica na I Divisão.



3. Valdo (138 jogos)

Valdo
Mais um jogador com selo de seleção brasileira que chegou ao Benfica no final da década de 1980. No caso do médio ofensivo Valdo, assinou pelos encarnados no verão de 1988, proveniente do Grêmio, depois de ter estado no Mundial 1986 e na Copa América 1987.
Na época de estreia, com Toni no comando técnico, foi campeão, feito que repetiu em 1990-91, sob a orientação de Sven-Göran Eriksson. Pelo meio, venceu a Copa América 1989, ajudou as águias a chegar à final da Taça dos Campeões Europeus em 1990, meses antes de ter estado ao serviço da seleção canarinha no Campeonato do Mundo de Itália.
No verão de 1991, Artur Jorge levou-o para o Paris Saint-Germain, seguindo viagem para a capital francesa juntamente com Ricardo Gomes. Depois de quatro temporadas no campeonato gaulês, regressou ao Benfica, tendo vencido uma Taça de Portugal em 1996.
No verão de 1997 rumou ao futebol japonês, mais precisamente para o Nagoya Grampus, e depois regressou ao Brasil, onde continuou a jogar até aos 40 anos, tendo pendurado as botas no final de 2004.



2. Jardel (157 jogos)

Jardel
Mais um jogador brasileiro que assinou pelo Benfica envolto num mar de desconfiança. Em janeiro de 2011 foi contratado ao Olhanense para suceder a David Luiz, que tinha saído para o Chelsea. O currículo deste central, esse, era bastante modesto: meia época na I Liga portuguesa ao serviço dos algarvios, uma temporada completa na II Liga lusa com a camisola do Estoril e vários anos nas divisões inferiores brasileiras em clubes como Iraty, Joinville, Avaí e Ituano.
Embora tivesse pegado de estaca ao lado de Luisão na primeira meia época de águia ao peito, não convenceu e nas três temporadas seguintes viveu na sombra do compatriota e Ezequiel Garay.
Porém, a saída do argentino para o Zenit no verão de 2014 reabriu-lhe espaço. E Jardel passou de patinho feio a um dos ídolos dos adeptos benfiquistas, ficando conhecido como o Guerreiro da Luz, pela forma destemida como dava o corpo às balas em campo, amealhando cicatrizes de com a camisola encarnada. Desde que assumiu a titularidade, só a perdeu por culpa de problemas físicos para a dupla Luisão/Lindelof em 2016-17 e para Rúben Dias/Ferro a partir de fevereiro de 2019.
Atual capitão de equipa, venceu cinco campeonatos (2013-14, 2014-15, 2015-16, 2016-17 e 2018-19), duas Taças de Portugal (2013-14 e 2016-17), cinco Taças da Liga (2010-11, 2011-12, 2013-14, 2014-15 e 2015-16) e duas Supertaças (2014 e 2017).



1. Luisão (337 jogos)

Luisão
O único não português entre os 25 jogadores com mais partidas disputadas na I Divisão pelo Benfica. O central brasileiro chegou ao Benfica proveniente do Cruzeiro no verão de 2003, numa fase em que os encarnados jogavam no Jamor enquanto terminavam as obras do novo estádio.
Marcou logo na estreia, num empate a três golos com o Belenenses no Estádio Nacional (3-3), e rapidamente conquistou a titularidade na equipa às ordens do espanhol José Antonio Camacho. Na temporada seguinte, em 2004-05, revelou-se decisivo para a conquista do título nacional que fugia há 11 anos aos benfiquistas, ao marcar o golo que deu a vitória sobre o Sporting na penúltima jornada.
Voltou a ser campeão em 2009-10 e entre 2013-14 e 2016-17 e venceu ainda três Taças de Portugal (2003-04, 2013-14 e 2016-17), quatro Supertaças (2005, 2014, 2016 e 2017) e sete Taças da Liga (2008-09 a 2011-12 e 2013-14 a 2015-16). Esteve ainda nas campanhas até às finais da Liga Europa em 2012-13 e 2013-14.
Despediu-se da Luz e dos relvados no final de 2018, aos 37 anos, depois de 15 no clube, grande parte deles enquanto capitão.
Paralelamente teve um percurso respeitável na seleção brasileira, pela qual somou 47 internacionalizações e três golos. Enquanto jogador do Benfica, esteve na Copas América de 2004 e 2011, nas Taças das Confederações de 2005 e 2009 e nos Campeonatos do Mundo de 2006 e 2010.




















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