terça-feira, 22 de setembro de 2020

Os 10 jogadores com mais jogos pelo Vitória de Guimarães na I Divisão

Dez futebolistas que ficaram na história do Vitória de Guimarães
Fundado oficialmente a 22 de setembro de 1922, o Vitória Sport Clube deve as suas origens a um conjunto de estudantes que em 1913 constituiu um grupo de futebol ao qual deram em 1918 o nome de Vitória.

Filiados à Associação de Futebol de Braga desde que existem, os vimaranenses obtiveram em 1934 a primeira conquista da sua história, o campeonato distrital de Braga, estreando-se na I Divisão em 1941.

Desde então que passaram quase toda a sua história no patamar maior do futebol português, com exceção a três épocas na década de 1950 (1955-56 a 1957-58) e uma já no século XXI (2006-07). Feitas as contas, os conquistadores vão participar pela 76.ª vez no primeiro escalão em 2020-21, tendo como melhor classificação de sempre o terceiro lugar obtido em quatro ocasiões: 1968-69, 1986-87, 1997-98 e 2007-08.


Relativamente a outras competições, os vitorianos venceram a Supertaça Cândido de Oliveira em 1988 e a Taça de Portugal em 2012-13.

Em 76 participações na I Divisão, 723 futebolistas jogaram pelo Vitória de Guimarães. Vale por isso a pena recordar os dez que o fizeram por mais vezes.


10. Daniel Barreto (201 jogos)

Daniel Barreto
Lateral/médio esquerdo minhoto natural de Ponte da Barca, ascendeu à equipa principal do Vitória em 1954-55, tendo disputado quatro jogos num campeonato que terminou com a despromoção dos vimaranenses.
“Para mim, que estava a começar, foi terrível. Mas resisti e cresci no Vitória. Passei por dificuldades, mas nunca perdi a ambição e a humildade. Assim, consegui entrar na história no Vitória ao ser titular durante 20 anos”, contou ao Record em 2006.
Manteve-se no clube durante os três anos passados na II Divisão e voltou ao primeiro escalão para ficar durante onze anos em 1958, tendo atuado em mais 197 jogos e apontado cinco golos entre a elite do futebol português – Lusitano Évora (dois) e Boavista (dois) em 1959-60 foram as vítimas de Daniel Barreto, que contribuiu para a obtenção do 3.º lugar e para o consequente apuramento para a Taça das Cidades com Feiras em 1969, precisamente na despedida do clube.
Paralelamente, esteve na caminhada até à final da Taça de Portugal em 1962-63.
Após deixar o Vitória prosseguiu a carreira no Desp. Aves e depois no Paços de Ferreira.
Entretanto tornou-se treinador, tendo sido adjunto dos vimaranenses entre 1975-76 e 1977-78, chegando a assumir o cargo de técnico principal em 1978-79.
Haveria de falecer em novembro de 2018, aos 82 anos.



9. Tito (202 jogos)

Tito
Avançado lisboeta, representou Atlético e União de Tomar na I Divisão antes de chegar à cidade-berço no verão de 1971.
Em sete anos no D. Afonso Henriques afirmou-se como um atacante com faro para o golo, superou os dez remates certeiros no campeonato em cinco temporadas, tendo apontado 17 em 1974-75, quando ficou em terceiro lugar na tabela de artilheiros da I Divisão, apenas atrás do sportinguista Yazalde (30 golos) e do companheiro de equipa Jeremias (18), numa época em que os conquistadores tiveram o melhor ataque do campeonato (64 golos).
No total atuou em 202 partidas ao serviço do Vitória (193 a titular) e apontou 86 golos, registo que faz dele o melhor marcador dos vimaranenses no primeiro escalão. Durante o tempo em que representou o clube contribuiu para a caminhada até à final da Taça de Portugal e 1975-76.
Quando deixou Guimarães, em 1978, rumou ao Famalicão.


8. Mendes (204 jogos)

António Mendes
Mais um avançado lisboeta, neste caso um jogador formado, campeão nacional por duas vezes e vencedor de duas Taças de Portugal pelo Benfica.
Sem espaço na equipa principal das águias, trocou a capital pela cidade-berço no início da temporada 1962-63, ao abrigo da transferência de Pedras para a Luz, iniciando então um percurso de nove anos de grande sucesso no Vitória, entre 1962 e 1971.
Nesse período disputou 204 jogos (199 a titular) e marcou 76 golos no campeonato, registo que faz dele o segundo melhor marcador de sempre dos vimaranenses na I Divisão, sendo apenas superado por Tito. Conhecido como “pé canhão”, contribuiu ainda para a caminhada até à final da Taça de Portugal em 1962-63, para a obtenção do 3.º lugar em 1968-69 e para dois apuramentos para a Taça das Cidades com Feiras (1969 e 1970).
Pelo meio somou uma internacionalização pela seleção nacional “AA” num jogo frente à Suécia a contar para a fase de apuramento para o Euro 1968, tornando-se o primeiro jogador do Vitória a equipar de quinas ao peito.
Em 1971 encerrou a carreira no clube.
Haveria de falecer em fevereiro de 2019, aos 81 anos.


7. Peres (206 jogos)

Peres
Um médio com um trajeto bastante idêntico ao de Mendes, uma vez que passou pelo Benfica, chegou a Guimarães em 1962 e por lá ficou até 1971, quando encerrou a carreira.
Por isso, este centrocampista natural de Candal, em Vila Nova de Gaia, também esteve na caminhada até à final da Taça de Portugal em 1962-63, na obtenção do 3.º lugar em 1968-69 e nos dois apuramentos para a Taça das Cidades com Feiras (1969 e 1970).
Em nove anos na cidade-berço disputou um total de 206 jogos (todos a titular) e apontou 51 golos na I Divisão.
Na temporada de despedida, em 1970-71, começou como jogador, mas acabou como treinador, substituindo Jorge Vieira e ajudando os conquistadores a assegurar a permanência.



6. Jesus (209 jogos)

Jesus
Guarda-redes baixo (1,73 m), à moda antiga, jogou nas camadas jovens do FC Porto ao lado de Fernando Gomes e defendeu as balizas de Beira-Mar e Varzim na I Divisão antes de rumar a Guimarães no verão de 1981.
Na primeira época no D. Afonso Henriques chegou a bater a concorrência de Vítor Damas, mas nas três que se seguiram viveu na sombra de Silvino e Neno. Porém, tornou-se titular indiscutível em 1985-86 e foi a tempo de mostrar valor ao ponto de ser chamado à seleção nacional e somar sete internacionalizações em 1987, ano em que completou 32 anos.
Na primeira passagem pelo Vitória, entre 1981 e 1988, atuou num total de 138 jogos (137 a titular) e sofreu 143 golos, contribuindo para a obtenção do 3.º lugar e para campanha até aos quartos de final da Taça UEFA em 1986-87 e para a caminhada até à final da Taça de Portugal na época seguinte, assim como para quatro apuramentos europeus.
Entretanto passou por Leixões e Desp. Chaves, mas regressou aos conquistadores no verão de 1990. Em 1990-91 foi titular indiscutível, tendo sido titular nas 38 jornadas do campeonato e sofrido 40 golos, mas nas duas épocas seguintes foi perdendo algum espaço para Madureira, tendo amealhado apenas mais 33 jogos (32 a titular) e 38 golos sofridos até 1993, ajudando os vimaranenses a apurarem-se para a Taça UEFA em 1992.
Depois voltou ao Desp. Chaves, onde encerrou a carreira.
Entretanto tornou-se treinador e chegou a integrar a equipa técnica do plantel principal do Vitória em 2004-05.
Haveria de falecer em setembro de 2010, aos 55 anos.



5. Osvaldinho (217 jogos)

Osvaldinho
Firmino Baleizão da Graça Sardinha é um nome que pouco dirá aos vitorianos. Porém, se falarmos em Osvaldinho, o caso muda de figura. “Era muito moreno, de andar aos pássaros e da brincadeira com os outros. Houve um treinador, o António Feliciano, que foi um grande internacional do Belenenses, e que via os miúdos jogar atrás das balizas e escolheu alguns para uma escola. Escolheu-me a mim também e dizia que eu era parecido com o Osvaldinho, que jogava no Sporting, por ser muito moreno, e fiquei Osvaldinho também”, contou ao portal Mais Guimarães.
Considerado por muitos como o melhor lateral esquerdo de sempre do Vitória, nasceu em Beja e trocou o Desportivo local pelo emblema de Guimarães no verão de 1964, por recomendação de um homem que levava mercadoria ao armazém de Pimenta Machado.
Nas primeiras épocas no Minho jogou sobretudo pelas reservas, tendo atuado em apenas seis jogos em 1964-65 e passado por um empréstimo ao Boavista, então na III Divisão, duas épocas depois.
A cedência aos axadrezados e a passagem de dois anos pelo Benfica de São Tomé e Príncipe fizeram-lhe bem, pois quando regressou à cidade-berço agarrou o lugar e não mais o largou, tendo somado 211 jogos (203 a titular) e apontado um golo (à Académica em 1969-70) entre 1969 e 1977.
Nesse período contribuiu para a qualificação para a Taça das Cidades com Feira em 1970 e para a caminhada até à final da Taça de Portugal em 1975-76, tendo ainda somado duas internacionalizações pela seleção nacional “AA”, ambas em novembro de 1974.
Em 1978, numa fase em que já tinha perdido espaço nos conquistadores, deixou o clube, mas continuou a jogar na I Divisão com a camisola do Marítimo. Porém, depois voltou à zona norte e após pendurar as botas abriu uma pastelaria em Guimarães. “O Alentejo a mim já não me dizia mais nada porque a minha vida já estava feita aqui. Comprei o meu apartamento, montei a minha pastelaria e por aqui fiquei”, frisou o antigo lateral esquerdo.


4. Ramalho (222 jogos)

Ramalho
Lateral direito de baixa estatura (1,69 m), jogou na formação do Benfica ao lado de Shéu, João Alves e Jordão, foi internacional português pelas seleções jovens e fez a estreia na I Divisão ao serviço do Beira-Mar e transferiu-se para o Vitória no verão de 1974.
Em nove temporadas em Guimarães, foi titular indiscutível nas primeiras sete, tendo acumulado 222 jogos (118 a titular) e três golos no campeonato. Nesse período participou na caminhada até à final da Taça de Portugal em 1975-76 contribuiu para o primeiro apuramento de sempre dos vimaranenses para a Taça UEFA na despedida do D. Afonso Henriques, em 1983.
Depois rumou ao Sp. Espinho.


3. Manuel Pinto (274 jogos)

Manuel Pinto
Defesa central proveniente do Benfica no verão de 1962 tal como Mendes, Testas, Fonseca e Zeca Santos, afirmou-se como titular indiscutível praticamente durante todas as 12 temporadas em que representou o Vitória.
Entre 1962 e 1974 disputou um total de 274 jogos (todos como titular) e apontou 16 golos na I Divisão, tendo contribuído para a caminhada até à final da Taça de Portugal logo na época de estreia, para a obtenção do 3.º lugar em 1968-69 e para os apuramentos para a Taça das Cidades com Feira em 1969 e 1970.
Pelo meio representou por duas vezes a seleção nacional “AA”, ambas em 1969.
Em 1974 despediu-se dos vimaranenses e do futebol profissional, mas em 1976 voltou a jogar futebol nos dois campeonatos distritais do Minho.


2. Abreu (279 jogos)

Abreu
Médio natural de Guimarães e formado no Vitória, subiu à equipa principal em 1972-73 e representou os conquistadores ao mais alto nível durante onze temporadas.
Entre 1972 e 1983 disputou 279 jogos (274 a titular), muitos dos quais como capitão, e apontou 32 golos na I Divisão, tendo contribuído para a caminhada até à final da Taça de Portugal em 1975-76 e para o apuramento para a Taça UEFA no ano de despedida.
Já na fase final do seu trajeto ao serviço dos conquistadores foi premiado com três internacionalizações pela seleção nacional “AA”, todas em 1982. Antes tinha jogador de quinas ao peito ao serviço dos sub-18, sub-21 e “B”.
Em 1983 deixou a casa-mãe e rumou ao Algarve para representar o Portimonense, também no primeiro escalão.


1. N´Dinga (285 jogos)

N'Dinga
Nascido no antigo Zaire, atual República Democrática do Congo, trocou o AS Vita Club, do seu país, pelo Vitória de Guimarães no verão de 1986. “A ideia inicial era jogar em França [Nice], mas passámos por Portugal e disseram-nos que havia o interesse de um clube. Dissemos logo que não havia problema. E ainda bem que ficámos, o Vitória foi das melhores coisas que me aconteceu na vida”, contou ao Maisfutebol em julho de 2020.
“O primeiro treino que fiz no Vitória foi o último treino da época 1985-86. Voltei para casa e perguntei ‘o que é que eu vim fazer aqui?’. Eu era tão lento e eles [os colegas] voavam! Felizmente fui de férias e quando voltei estávamos todos a começar do zero. Aí senti que podia ter condições de ajudar o Vitória”, acrescentou.
Mal sabiam os adeptos vimaranenses que este desconhecido então congolês se tornaria um ídolo no reino vitoriano, tendo atuado num total de 285 jogos (260 a titular) e apontado 16 golos ao longo de uma década. E o recorde jogos pelos conquistadores na I Divisão só não é maior porque N’Dinga participou nas edições de 1988, 1992, 1994 e 1996 da Taça das Nações Africanas.
Nesse período contribuiu para a obtenção do 3.º lugar e para a caminhada até aos quartos de final da Taça UEFA na época de estreia, foi finalista vencido da Taça de Portugal na temporada seguinte, conquistou a Supertaça Cândido de Oliveira em 1988 e ajudou os conquistadores a apurarem-se por seis vezes para as competições europeias.
“Fui mais bem tratado em Guimarães do que no meu país, o RD Congo. O Vitória faz parte do meu coração”, afirmou, nostálgico. “Obrigado aos vitorianos por tudo o que fizeram por mim. Só peço ao Vitória que dê a alegria máxima a este povo: ser campeão de Portugal. Tudo de bom para o Vitória, os vitorianos e os vimaranenses”, rematou.
Porém, nem tudo foram rosas. O centrocampista africano protagonizou ainda um dos casos mais polémicos de sempre do futebol português. Em 1987-88 a Académica foi despromovida com os mesmos 33 pontos do que o Vitória, mas a formação de Coimbra apresentou queixa por alegada inscrição irregular de N’Dinga por via de um carimbo falso. O caso sofreu várias reviravoltas, mas desportivamente não houve consequências.
Em 1996 deixou Guimarães e rumou ao AS Vita Club, clube que representou durante quatro anos, até se radicar no Canadá.


















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