domingo, 24 de março de 2024

“Esta época as outras equipas vão ter de lutar pelo 2.º lugar”. Recorde as melhores pérolas de Joaquim Meirim

Joaquim Meirim orientou 16 equipas entre 1968 e 1997
Arrojado, polémico e inovador. Joaquim Meirim foi uma espécie de primeira versão, a preto e branco, de José Mourinho. E digo preto e branco porque não só surgiu quando ainda a televisão e as fotografias não eram a cores como não conseguiu colorir o currículo com títulos.

Nascido em Monção e filho de um professor primário que ficou proibido pelo regime de Salazar de exercer a profissão e que se radicou em Alcântara para trabalhar como sapateiro, praticou natação no Sport Algés e Dafundo e futebol no Atlético e correu mundo ao serviço da marinha mercante, tendo vivido em Buenos Aires e Havana, o que certamente o influenciou a filiar-se no Partido Comunista Português.
 
Em 1962 tirou o curso de treinador de futebol na Cruz Quebrada, com Fernando Vaz e José Maria Pedroto como preletores, e surgiu pela primeira vez no comando técnico de uma equipa em 1967-68, na CUF, quando tinha apenas 32 anos. Apanhou a equipa no fundo da tabela e guiou-a ao 9.º lugar.

sexta-feira, 22 de março de 2024

A minha primeira memória de… um jogo entre Vitória FC e Fabril

Sadinos foram derrotados no Lavradio em jogo particular
25 de agosto de 2010. Um final de tarde de verão quente, no qual o clube do qual era (e ainda sou!) associado e que acompanhava presencialmente há dez anos, o Fabril, se apresentava aos adeptos diante do primodivisionário Vitória de Setúbal, clube com que sempre simpatizei e do qual me haveria de tornar sócio em novembro de 2022.
 
Curiosamente, os sadinos eram orientados por uma antiga glória da CUF (anterior designação do Fabril), Manuel Fernandes, que nesse jogo de caráter particular optou por rodar a equipa. O Fabril, comandado por Lívio Semedo e que militava na III Divisão Nacional, aproveitou essa rotação para vencer por 2-1.
 
Se a memória não me atraiçoa, a glória benfiquista Toni esteve nas bancadas do Estádio Alfredo da Silva a assistir ao jogo, pois o filho – também conhecido por Toni – representava o Fabril. Por outro lado, jogou pelo Vitória o seu atual treinador, Zé Pedro.

O antigo goleador do Sporting a quem faltou disciplina. Quem se lembra de Leandro?

Leandro Machado somou 18 golos em 48 jogos pelo Sporting
Um daqueles casos de “falta de cabeça”, como em Portugal se designa um jogador talentoso, mas que revelou profissionalismo para ter uma carreira ao nível da qualidade que tem. Reconhecido como um avançado com faro para o golo, dinâmica e alguma classe, Leandro Machado apresentou uma boa média de golos e… problemas disciplinares em vários dos clubes que representou.
 
Formado no Avaí, começou a dar nas vistas no Brasil ao serviço do Internacional de Porto Alegre, clube pelo qual apontou 60 jogos em 125 jogos entre 1994 e 1996. Enquanto jogou no colorado representou as seleções jovens brasileiras que venceram o Torneio de Toulon em 1995 e o Torneio Pré-Olímpico em 1996 e foi chamado à seleção principal do escrete que participou na Gold Cup em 1996, tendo nesse torneio somado as duas internacionalizações que tem no currículo e apontado um golo ao Canadá.   

quinta-feira, 21 de março de 2024

O refugiado que brilhou no Benfica e jogou nas grandes ligas. Quem se lembra de Hélder?

Hélder somou 230 jogos e 16 golos pelo Benfica
Um dos bons valores do futebol português na década de 1990 e um exemplo de subida a pulso no desporto-rei, desde os juniores da União de Tires à seleção nacional e aos campeonatos de Espanha, Inglaterra e França.
 
Filho de pai funcionário ferroviário e com cargo importante na Unita e de mãe doméstica, Hélder Cristóvão nasceu em Angola, mais precisamente na capital Luanda, veio viver para Portugal aos quatro anos na condição de refugiado, inicialmente para uma estalagem na Ericeira, tendo depois passado pela Praia das Maçãs, em Sintra, antes de a família se radicar na Abóboda, no concelho de Cascais.

Os 10 jogadores com mais jogos pelo Leça na II Liga

Dez futebolistas importantes na história do Leça
Fundado a 21 de março de 1912, o Leça Futebol Clube viveu o seu período áureo na segunda metade da década de 1990, quando se sagrou campeão da II Liga e somou três presenças consecutivas na I Liga, tendo apenas descida de divisão por via administrativa, devido ao Caso Guímaro.
 
Na altura, o árbitro José Guímaro foi condenado por corrupção passiva após ter sido encontrado em sua casa um cheque de 500 contos passado pelo presidente leceiro, Manuel Rodrigues. Em causa terá estado um jogo frente ao Académico de Viseu em 1993, para o apuramento do campeão nacional da II Divisão B, que terá sido falseado através da intervenção do juiz da partida. No entanto, a história centenária do Leça está longe de se esgotar nesse acontecimento menos feliz.
 
Em 1941-42 o emblema do concelho de Matosinhos participou pela primeira vez na I Divisão após ter terminado o Campeonato do Porto na segunda posição, atrás do Académico do Porto e à frente do FC Porto. Porém, os verde e brancos não foram além do 12.º e último lugar.
 
Nas cinco décadas que se seguiram o Leça competiu quase sempre nos campeonatos nacionais, mas afastado das luzes da ribalta. Porém, viria a voltar ao convívio dos grandes entre 1995 e 1998, no culminar de uma ascensão meteórica iniciada em 1991-92 com a subida da III à II Divisão B. Em 1997-98 alcançou a melhor classificação da sua história, o 12.º lugar, mas acabou por descer de divisão na secretaria.
 
A partir dessa despromoção, os leceiros entraram numa espiral negativa que os haveria de levar em 2013 e depois em 2023 até aos distritais da AF Porto, onde presentemente competem.
 
Paralelamente, o melhor que o clube conseguiu na Taça de Portugal foi atingir os quartos de final em 1994-95, época em que se sagrou campeão da II Liga, prova em que somam sete presenças (1993 a 1995 e 1998 a 2003).
 
Vale por isso a pena recordar os dez jogadores com mais jogos pelo Leça na II Liga.

quarta-feira, 20 de março de 2024

O rebelde croata que não vingou no FC Porto, mas marcou em dois clássicos. Quem se lembra de Maric?

Silvio Maric somou 19 jogos e três golos pelo FC Porto
Silvio Maric teve um ano atípico no FC Porto. Contratado numa altura em que os dragões tinham acabado de ficar sem Mário Jardel, transferido para o Galatasaray, sofreu uma rotura de ligamentos no joelho direito logo aos 23 minutos do primeiro jogo oficial da temporada, diante do Anderlecht em Bruxelas na terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões, e ficou afastado dos relvados durante cinco meses, contrariando as expetativas mais pessimistas que apontavam para meio ano.
 
Regressou em janeiro, a tempo de disputar mais 18 partidas (nove a titular), mas só apontou três golos, um registo fraco para um atacante de uma equipa grande. Contudo, dois desses golos foram em clássicos, ambos nos derradeiros minutos – um ao Benfica na Luz numa eliminatória da Taça de Portugal que atirou a decisão para as Antas, precisamente no jogo em que voltou à competição; o outro numa receção ao Sporting, para o campeonato, evitando a derrota e consequente ultrapassagem dos leões na tabela classificativa. Ou seja, foi uma espécie de flop que… deu duas grandes alegrias. E o terceiro golo que marcou foi numa vitória sobre o Gil Vicente nas Antas.

O primeiro bielorrusso do futebol português. Quem se lembra de Kutuzov?

Kutuzov foi cedido pelo AC Milan ao Sporting em 2002-03
Em 2001-02 o Sporting foi campeão sobretudo devido ao grande entendimento entre Mário Jardel e João Vieira Pinto. Nos meses que se seguiram, o português foi castigado durante vários meses após ter dado um soco no árbitro do Portugal-Coreia do Sul do Mundial 2002, enquanto o brasileiro desertou. Na tentativa de remediar a situação, os leões receberam, por empréstimo do AC Milan, Vitali Kutuzov, que assim se tornou no primeiro bielorrusso a atuar nas ligas profissionais portuguesas.
 
O atacante havia dado nas vistas pelo BATE Borisov num jogo frente aos milaneses na Taça UEFA em setembro de 2001, tendo os rossoneri avançado de imediato para a sua contratação, juntando Kutuzov aos ex-compatriotas soviéticos Andriy Shevchenko e Kakha Kaladze. Mas, aos contrários destes dois, o bielorrusso não se afirmou em San Siro, não indo além de 37 minutos na época de estreia em Itália.

Moreira destronou Enke no Benfica mas ficou aquém do esperado. Quem se lembra dele?

Moreira esteve no Benfica entre 1999 e 2011
Moreira está seguramente entre os dez melhores guarda-redes portugueses no século XXI. Mas quem o viu destronar Robert Enke para se tornar no titular da baliza do Benfica aos 19 anos, manter essa titularidade ao longo de mais de dois anos e meio, estar associado ao crescimento dos encarnados sob o comando de Jose Antonio Camacho e ser convocado (com toda a legitimidade) para o Euro 2004 certamente imaginava que as águias e a seleção nacional teriam ali o dono da baliza para muitos e bons anos. O que não aconteceu.
 
Natural da freguesia portuense de Massarelos, filho de um talhante e de uma doméstica, cresceu em Baguim do Monte, concelho de Gondomar, foi às captações do Salgueiros quando tinha dez anos e ficou.
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