quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Os 10 jogadores portugueses com mais jogos na Ligue 1

Dez futebolistas portugueses que fizeram história na liga francesa
O primeiro dos cinco principais campeonatos europeus a dar início à edição 2020-21, a Ligue 1 vai voltar a ser jogada após cinco meses de interrupção, o que levou a que a temporada passada fosse precocemente dada como concluída.

Fundada em 1932, a liga francesa já foi disputada por 77 clubes e coroou 19 como campeões: Saint-Étienne (dez), Marselha (dez), Paris SG (nove), Mónaco (oito), Nantes (oito), Lyon (sete), Bordéus (seis) e Reims (seis) foram as equipas que mais vezes venceram a competição.


Para encontrar pela primeira vez a presença de um jogador português no Championnat é preciso recuar até 1970-71, quando Mário Coluna trocou o Benfica pelo Lyon e Valter Ferreira deixou o Belenenses para reforçar o Red Star. Seguiram-se Humberto Coelho e João Alves (ambos Paris SG), Fernando Barbosa (Paris FC) ainda durante a década de 1970.

No total, 83 futebolistas portugueses atuaram na Ligue 1 e oito venceram a prova: Tiago (duas vezes pelo Lyon), Gonçalo Guedes (uma pelo Paris SG), Ivan Cavaleiro, Bernardo Silva, Chalana, João Moutinho e Costinha (uma pelo Mónaco) e Mário Silva (uma pelo Nantes).

Vale por isso a pena recordar os 10 jogadores portugueses com mais jogos no campeonato francês.


10. Rui Barros (98 jogos)

Rui Barros
A formiga atómica. Médio ofensivo de baixa estatura (1,59 m), já tinha brilhado no FC Porto e na Juventus quando no verão de 1990 reforçou o Mónaco, então orientado por Arsène Wenger.
“Eu nem imaginava o que era o Mónaco, o principado, não conhecia. Optei mais pela distância, de Turim a Mónaco, eram pouco mais de 200km, estava perto de gente que conhecia, tinha amigos ali, podia visitá-los. Antes de assinar tenho uma reunião com o Arsène Wenger, porque é ele que me quer. Estamos numa sala, com um quadro grande, sozinhos, eu e ele, ele começa a fazer uns desenhos, uns riscos e diz-me: ‘Eu vou contratar-te porque preciso de um jogador para esta posição, consegues fazer?’. Era a ala direito. ‘Ó mister, consigo, sabe que eu jogo nesta posição’. ‘E aqui também consegues jogar?’. Era atrás do ponta de lança: ‘Jogo’. Eram as posições onde eu gostava de jogar, como médio ofensivo. E pronto, assinei”, contou à Tribuna Expresso.
Era para ficar um ano no Principado, mas ficou três, tendo disputado 81 jogos (78 a titular) e apontado 14 golos no campeonato, além de ter vencido uma Taça de França logo na época de estreia (1990-91) e de ter participado na caminhada até à final da Taça das Taças na temporada seguinte. Nesses primeiros dois anos foi vice-campeão gaulês em ambos e formou uma boa dupla de ataque com o liberiano George Weah.
“Magoo-me no final do segundo ano, lesiono-me duas semanas antes da final da Taça das Taças. Faço um carrinho, o pé fica preso na bola e o meu pé rodou. Senti logo no tendão de Aquiles uma fissura qualquer. Joguei mais cinco minutos, saí fora. Só que passadas três semanas como havia a final da Taça das Taças no Estádio da Luz contra o Werder Bremen e eu queria estar presente, naquelas três semanas praticamente só fiz um pouco de ginásio, bicicleta, corria devagarinho e depois fui infiltrado, joguei infiltrado. Acabei o jogo e passadas duas semanas fui operado”, recordou.
No verão de 1993 mudou-se para o Marselha, onde teve Paulo Futre como companheiro de equipa. Dentro de campo atuou em 17 partidas (15 a titular) e marcou quatro golos na Ligue 1, ajudando os marselheses a concluir o campeonato em segundo lugar, mas depois viu o clube ser despromovido devido a um escândalo de manipulação de resultados e voltou ao FC Porto.
“No Marselha, o único problema era o presidente, o Tapie. Agora já posso dizer, a equipa não saía enquanto o Tapie não chegasse. O treinador dava a palestra antes do jogo, no final, dava-nos a equipa e quem dava a parte final da palestra era o Bernard Tapie [risos]. E mais. Nós éramos cinco estrangeiros, só podíamos jogar três, durante a semana aparecia lá um diretor e dizia: ‘Rui, no próximo domingo vais jogar’. Eu fazia o treino de conjunto e o treinador nem me metia na equipa que ia jogar, mas eu sabia que no fim de semana a seguir ia jogar [risos]. Era o Tapie que controlava quem ia jogar, dos estrangeiros. Fora jogava eu, o Futre jogava muitas vezes em casa”, revelou.



9. Bernardo Silva (101 jogos)

Bernardo Silva
Sem espaço no Benfica de Jorge Jesus, Bernardo Silva foi emprestado ao Mónaco no verão de 2014, tendo feito a estreia na Ligue 1 poucos dias após ter comemorado o seu 20.º aniversário.
“Foi uma mudança difícil para mim, porque foi a primeira vez que saí de casa, do meu país e da minha cidade. Foi uma decisão que tomei a pensar na minha carreira e correu muito bem. Fui muito feliz em Mónaco e estou muito feliz por ter tomado essa decisão. Passei três temporadas fantásticas, a última em particular foi maravilhosa. No início foi muito difícil, porque eu estava longe dos meus pais, dos meus amigos, da minha cidade”, afirmou, em entrevista à UEFA.
Paulatinamente, o médio/extremo português foi ganhando o seu espaço, ao ponto de em janeiro do ano seguinte os monegascos terem adquirido o seu passe por 15,75 milhões de euros. Dois meses depois, já de pedra e cal no onze da equipa então orientada por Leonardo Jardim, fez a estreia na seleção nacional.
Após ter contribuído para a caminhada até aos quartos de final da Liga dos Campeões em 2014-15 e sofrido uma lesão que o afastou do Euro 2016, viveu uma época de sonho em 2016-17 com a conquista do título francês, quebrando assim a hegemonia do Paris SG – e as campanhas até às meias-finais da Champions e da Taça de França e até à final da Taça da Liga.
“Foi uma das melhores temporadas da minha carreira. O Mónaco tinha uma equipa de jovens e ninguém esperava que nós conquistássemos troféus no início da temporada, mas no final chegamos à meia-final da Liga dos Campeões. Vencemos o PSG na corrida pelo campeonato, algo que era impensável na altura. Gostei mesmo de lá estar. Fomos uma equipa que jogou sempre sem medo”, recordou.
Durante essas três temporadas, participou em 101 encontros na Ligue 1, 80 na condição de titular, e apontou 24 golos, tendo sido escolhido para a equipa ideal da temporada da liga francesa em 2016-17.
Valorizado pelos magníficos desempenhos no Principado, transferiu-se no final de maio de 2017 para o Manchester City de Pep Guardiola por 50 milhões de euros (mais objetivos).



8. Raphael Guerreiro (102 jogos)

Raphael Guerreiro
Nasceu em Le Blanc-Mesnil, nos subúrbios de Paris, e tem mãe francesa, mas pai português.  Depois de ter dado nas vistas no Caen, na Ligue 2, este lateral/médio esquerdo transferiu-se para o Lorient no verão de 2013 e desde cedo se assumiu como um titular indiscutível.
Tanto assim foi que, na primeira época na Ligue 1, em 2013-14, disputou 34 jogos no campeonato e todos foram na condição de titular.
Nas duas temporadas seguintes voltou a repetir a dose de 34 partidas na liga francesa, mas foi-se afirmando como especialista na execução de livres diretos, tendo apontado sete golos em 2014-15 e três na época seguinte. Paralelamente, foi passando cada vez mais a fazer parte das convocatórias da seleção nacional “AA”, tendo feito a estreia a 14 de novembro de 2014 numa vitória sobre a Arménia no Algarve.
No verão de 2016, após três anos em cheio no Lorient e o título europeu conquistado ao serviço da equipa das quinas, transferiu-se para os alemães do Borussia Dortmund por 12 milhões de euros.



7. Bruno Basto (122 jogos)

Bruno Basto
Mais um lateral esquerdo, neste caso um jogador que embora tivesse jogado em clubes como Benfica, Bordéus, Feyenoord e Saint-Étienne nunca conseguiu chegar à seleção nacional “AA”.
Transferido do Benfica para o Bordéus no verão de 2000 por pouco mais de dois milhões de euros, realizou quatro boas temporadas no campeonato francês ao serviço dos girondinos, tendo disputado 114 jogos (79 a titular) na liga francesa. Nunca foi campeão, mas contribuiu para a conquista da Taça da Liga em 2001-02 e para a caminhada até aos quartos de final da Taça UEFA em 2003-04.
“Tudo o que passei lá, mesmo no último ano em que entrei em conflito com aquele que tinha sido meu capitão e que era meu treinador, o Michele Pavon, ou mesmo quando cheguei no primeiro ano, em que eu ia a pensar que ia ser o titular indiscutível e tive que trabalhar para ter o meu lugar e só fiz 15, 20 jogos na altura, foi tudo bom”, contou à Tribuna Expresso.
Em 2004-05 ainda começou a época no Bordéus, mas transferiu-se ainda no mercado de verão para os holandeses do Feyenoord. Porém, regressou a França a meio da época seguinte para atuar em oito encontros (sete a titular) pelo Saint-Étienne. “O Saint-Étienne tinha um treinador que tinha sido meu treinador no Bordéus, o Elie Baup, que começou a insistir para eu ir para lá. Disse-lhe que ia tentar, mas que só ia por seis meses, que depois também acabava o contrato”, recordou.
No verão de 2006 regressou a Portugal para representar o Nacional da Madeira.



6. Pedro Mendes (122 jogos)

Pedro Mendes
Disputou 122 jogos tal como Bruno Basto, mas amealhou mais 2351 minutos em campo – 10 404 contra 8053.
Central formado no Sporting e com passagem pela equipa B do Real Madrid e pelos italianos do Parma e do Sassuolo, mudou-se para o futebol francês no verão de 2015, então para reforçar o Rennes.
“Era uma liga que não conhecia. Em Portugal, na altura, não passavam muitos jogos da Ligue 1. Na altura do Pauleta davam alguns jogos do PSG, então conhecia pouco da Liga. É um país enorme e quando assim é tens mais talentos jovens que possam sobressair. Todos os anos saem jovens com talento, irreverentes e é um futebol muito físico”, afirmou em entrevista ao zerozero.
Em duas temporadas no emblema da região da Bretanha atuou em 41 jogos (40 a titular) na liga francesa, mas não estava a jogar tanto quanto gostava por isso e transferiu-se para o Montpellier em julho de 2017. “Quando saí do Rennes não estava a jogar muito devido a algumas lesões. Na altura decidi sair para jogar. É o que se costuma dizer, dar um passo atrás para dar dois em frente. Em pouco tempo consegui impor-me, renovar o meu contrato, ter uma melhoria salarial e devido às boas prestações consegui chegar à seleção. Era o meu sonho”, contou.
No clube do sul de França disputou mais 81 partidas (79 a titular) e apontou três golos no campeonato, frente ao Troyes em setembro de 2017, ao Dijon em agosto de 2018 e ao Mónaco em outubro de 2019.
As boas campanhas na Ligue 1 valeram-lhe a estreia na seleção nacional “AA” em outubro de 2018, num jogo particular com a Escócia.



5. Paulo Machado (124 jogos)

Paulo Machado
Médio bastante promissor, sagrou-se campeão europeu de sub-17 em 2003, mas não conseguiu afirmar-se no FC Porto, clube que o emprestou ao Saint-Étienne em 2008-09, no âmbito do negócio que levou Fredy Guarín para os dragões.
Com uma adaptação rápida ao futebol francês, fez uma época em cheio, tendo disputado 35 jogos (29 a titular) e apontado três golos no campeonato, ajudando les verts a assegurar a permanência e a atingir os oitavos de final da Taça UEFA.
“Nos primeiros três meses em Saint-Étienne perdi 10 quilos. Era comida sem sal, sem azeite, comida que não era temperada. Depois o trabalho físico era incrível. Dificilmente vejo um país que trabalhe o físico como em França. Estive três meses fechado no centro de estágio, parecia que estava na cadeia [risos]. Só ia para o treino, comia, quarto, não fazia mais nada. Fui sozinho, como era para o estrangeiro já não era tão fácil a família acompanhar-me. Foi mesmo difícil, cheguei a querer vir embora. Mas depois pensava que fui lá para vingar e não podia abandonar”, contou à Tribuna Expresso.
Valorizado, saiu para o Toulouse, clube pelo qual se destacou ao longo de três temporadas, tendo disputado um total de 89 partidas (75 a titular) e apontado 12 golos na Ligue 1.
Os bons desempenhos valeram-lhe as primeiras convocatórias à seleção nacional no segundo semestre de 2010 e a transferência para os gregos do Olympiacos por 2,7 milhões de euros em agosto de 2012.



4. Rony Lopes (125 jogos)

Rony Lopes
Médio ofensivo luso-brasileiro formado no Benfica e no Manchester City, foi emprestado pelos citizens ao Lille em 2014-15 e deixou logo boa impressão na Ligue 1, tendo disputado 23 jogos (18 a titular) e marcado três golos no campeonato, apesar de alguns problemas físicos.
“Não foi o meu melhor ano porque tive o azar de ter duas lesões, uma logo a seguir à outra. Ambas no mesmo local, no músculo posterior na coxa. Fiquei de fora durante um mês e meio e no primeiro jogo em que regresso lesionei-me outra vez e fiquei mais um mês e meio parado. Isso prejudicou a minha primeira época no Lille”, recordou à Tribuna Expresso.
Na temporada seguinte ainda fez a pré-época no City às ordens de Manuel Pellegrini, mas acabou por transferir-se para o Mónaco por 12 milhões de euros. Porém, não foi além de dois jogos como suplente utilizado na primeira metade da época e em janeiro foi novamente cedido ao Lille, indo a tempo de atuar em 12 partidas (sete a titular) e marcar dois golos ao lado do compatriota Éder até final do campeonato, contribuindo ainda para a caminhada até à final da Taça da Liga.
“Fiz seis meses no Mónaco, mas nem cheguei a fazer dois jogos completos. Vi que iria ser complicado, não estava a jogar, não estava satisfeito. Quando cheguei, fiquei fora da lista para a Liga Europa e logo aí fiquei um pouco desanimado. Depois, como não estava a jogar e o Lille sempre se mostrou interessado em mim, decidi que seria uma boa opção para mim. Surgiu esse interesse do Lille e o Leonardo Jardim também estava de acordo porque sabia que eu precisava de jogar. Como estava toda a gente de acordo, voltei para o Lille”, contou.
Em 2016-17 voltou a estar emprestado ao Lille, falhando assim a conquista do título gaulês por parte do Mónaco, mas voltou a estar em bom plano ao serviço de les dogues, participando em 25 encontros (22 a titular) e marcando quatro golos na liga francesa.
Depois regressou ao Principado para se afirmar em definitivo, tendo disputado 63 jogos (55 a titular) e apontado 17 golos entre 2017 e 2019 no campeonato, afirmando-se como um dos melhores jogadores da Ligue 1 na altura, além de ter contribuído para o segundo lugar na liga e na Taça da Liga em 2017-18. Os bons desempenhos valeram-lhe também a estreia na seleção nacional em novembro de 2017.
Em agosto de 2019 transferiu-se para o Sevilha num negócio que levou Wissam Ben Yedder para o Mónaco, mas a experiência em Espanha não correu bem e por isso estará emprestado ao Nice em 2020-21.



3. João Moutinho (158 jogos)

João Moutinho
À beira dos 27 anos e com uma carreira até então feita totalmente em Portugal, João Moutinho transferiu-se do FC Porto para o recém-promovido Mónaco num pacote que incluiu James Rodríguez e rondou os 70 milhões de euros, ainda que se estime que 25 milhões eram referentes ao médio português.
No Principado reencontrou Radamel Falcao e ambos reeditaram uma dupla que já tinha tido sucesso de dragão ao peito, tendo atuado em 31 jogos (30 a titular) e apontado um golo, contribuindo para o segundo lugar no campeonato e para a caminhada até às meias-finais da Taça de França.
No verão de 2014 passou a ser orientado pelo compatriota Leonardo Jardim e às ordens do treinador madeirense viveu alguns dos melhores momentos da carreira, tendo conquistado o título nacional gaulês e atingido as meias-finais da Liga dos Campeões e a final da Taça da Liga em 2016-17. Nesses quatro anos com Jardim disputou mais 127 encontros (109 a titular) e somou oito remates certeiros.
Após meia década ao serviço dos monegascos, transferiu-se para os ingleses do Wolverhampton por 5,6 milhões de euros em julho de 2018, numa altura em que estava prestes a comemorar o 32.º aniversário.



2. Anthony Lopes (242 jogos)

Anthony Lopes
Guarda-redes nascido em Givors, perto de Lyon, e filho de pais portugueses, fez grande parte da formação no Lyon, único clube que conheceu na carreira. E embora nunca tivesse atuado em Portugal, esteve sempre presente nos radares das seleções nacionais.
Em março de 2009, quando tinha apenas 18 anos, foi convocado pela primeira vez para um jogo da equipa principal, mas não saiu do banco. Tapado por Hugo Lloris, mas também por Rémy Vercoutre, viu a estreia ser adiada por quatro anos, quando o guardião luso-francês conseguiu finalmente destronar Vercoutre, numa altura em que Lloris já tinha rumado ao Tottenham. Em 2012-13 ainda foi a tempo de disputar os últimos cinco jogos, sofrer três golos e agarrar definitivamente o lugar.
Na época seguinte começou como titular e desde então que não tem dado hipóteses à concorrência, tendo disputado mais 235 encontros e encaixado mais 260 golos.
Ainda não conquistou qualquer troféu pelo clube, mas sagrou-se vice-campeão em 2014-15 e 2015-16, foi finalista vencido da Taça da Liga em 2013-14 e 2019-20 e atingiu as meias-finais da Liga Europa em 2016-17. Pelo meio somou sete internacionalizações pela seleção portuguesa, tendo marcado presença no Euro 2016 e no Mundial 2018, ainda que sem jogar.



1. Pauleta (266 jogos)

Pedro Pauleta
Não só o jogador português com mais jogos na liga francesa, mas também o que deixou maior marca no futebol gaulês, apesar de nunca se ter sagrado campeão.
Após um trajeto ascendente em Espanha, que culminou com a conquista do título ao serviço do Deportivo, onde ficou tapado por Roy Makaay, Diego Tristán e Wálter Pandiani, transferiu-se para os franceses do Bordéus no verão de 2000, apesar da cobiça de vários clubes ingleses.
O avançado açoriano mostrou desde cedo ao que ia na Ligue 1. “Chego a França numa segunda, viajo para Bordéus numa terça de manhã, treinei à tarde, viajei com a equipa para Nantes e faço três golos em Nantes no dia a seguir, quarta-feira. Um jogador que chega na terça e na quarta faz três golos... Até mesmo eu fiquei... A adaptação a partir daí foi fácil. No jogo a seguir fiz mais dois golos contra o PSG, depois fiz mais três golos para a Taça UEFA contra o Liège, da Bélgica. Os golos é que fizeram a minha adaptação ser muito fácil”, recordou à Tribuna Expresso.
Em três anos nos girondinos, não foi além de um quarto lugar no campeonato em 2000-01 e 2002-03, mas sagrou-se melhor marcador da liga francesa (com 22 golos) e venceu a Taça da Liga em 2001-02, tendo apontado 65 golos em 98 encontros pelo Bordéus no Championnat entre 2000 e 2003, numa altura em que ganhou a titularidade na seleção nacional. Em 2002 e 2003 foi eleito melhor futebolista da época em França.
“Foram se calhar as melhores três épocas da minha vida. Fiz quase 100 golos em três anos, fui o melhor jogador de França dois anos seguidos, ganhei a Taça da Liga, estava mesmo no auge da minha carreira. Foi um clube a que me adaptei facilmente e que me deu condições fantásticas. Um clube que só peca um pouco por falta de ambição, porque tem condições para ser melhor. Sentia-me tão bem que não queria sair mais de Bordéus”, confessou.
No verão de 2003 rumou ao Paris Saint-Germain por 12 milhões de euros e confirmou o que tinha mostrado no sudoeste do país. Em cinco temporadas na capital gaulesa o melhor que logrou em termos de campeonato foi o segundo lugar em 2003-04, tendo inclusivamente ficado perto da despromoção em 2006-07 e 2007-08, mas marcou mais 76 golos em 168 jogos na liga francesa e venceu ainda a Taça de França em 2003-04 e 2005-06 e a Taça da Liga em 2007-08. Em 2005-06 (21 golos) e 2006-07 (15 golos) sagrou-se melhor marcador da Ligue 1.
Enquanto representava o PSG viveu a sua melhor fase na seleção nacional, tendo sido finalista vencido do Euro 2004 e semifinalista do Mundial 2006.
Em 2008 pendurou as botas, aos 35 anos, e assumiu o papel de embaixador do clube, e manteve durante sete anos o estatuto de melhor marcador de sempre do clube, com 109 golos, um recorde batido pelo sueco Zlatan Ibrahimović em outubro de 2015.



















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