quinta-feira, 25 de junho de 2026

Marcos Vitória: “Quando cheguei a casa após o combate com o Knockout tentei esconder as mazelas” (parte 2)

Marcos Vitória saiu duplo campeão da Batalha Final 7 (foto: camarneiroedits)
Campeão nacional e de Honra do Wrestling Portugal, Marcos Vitória admite que os seus melhores combates são recentes, entre os quais um com Paulo “Knockout” Cruz no Novas Lendas que lhe valeu um raspanete da mãe quando lhe viu o corpo.
 
Na segunda parte desta entrevista, o wrestler de Setúbal recorda o passado como guarda-redes, com dois anos nas camadas jovens do Vitória e uma abordagem do Benfica. Também lembra os primeiros treinos de wrestling, explica porque não tem estado nos eventos do Wrestlefest e da APW e conta uma história hilariante de um show em Barcelona.
 
Como é que surgiu o clique que te fez experimentar treinar wrestling? Ofereceste uma resistência inicial ao wrestling português…
Acho que é normal. Quando comparamos a produção da WWE com a produção portuguesa, vimos uma grande diferença. E é por isso que há sempre uma resistência. Mas temos que analisar o que estamos a ver e perceber que é giro.
O ponto de transição acabou por ser no futebol, pois já me sentia bastante desmotivado e ia ir aos domingos porque sim e nos treinos também. Muitas das vezes saltava aos treinos porque não tinha vontade, talvez por a situação naquela altura, e houve um dia em que eu estava a ver um vídeo no Youtube do Seals311, que fazia vídeos sobre o FIFA, mas naquele dia fez um sobre wrestling, sobre o WWE2K, e acabou por ser esse vídeo que me deu vontade de voltar a ver wrestling e experimentar. Na altura não tínhamos transmissões de wrestling. Então tive de procurar no Youtube.
Eu via WWE, mas quando iniciei os treinos o meu horizonte começou a alargar-se e comecei a ver wrestling japonês. Aí grande parte do crédito é do RAFA — ele e o Bammer foram os meus primeiros treinadores —, que tem uma influência enorme em mim até aos dias de hoje. A joelhada do Jun Akiyama foi o RAFA que me a mostrou e disse para tentar fazer como ele. O Bammer é o meu mentor profissional, mas também a nível de wrestling, toda a minha parte técnica é mérito dele, a quem também expresso a minha gratidão.
 
Como é que os teus pais reagiram a essa ideia? Além dos riscos físicos, no teu caso havia a distância, porque és de Setúbal…
Inicialmente o meu pai levava-me, mas depois muito rapidamente passou a ser a minha mãe. O wrestling acaba por ser um ponto de muita não conversa na minha família. A minha mãe viu o título no meu quarto sem querer. Eles sabem o que eu faço e acompanham à maneira deles, mas é algo de que eu não falo muito. Por exemplo, quando cheguei a casa depois do combate com o Paulo “Knockout” Cruz [no WP Novas Lendas, a 3 de maio], fiquei todo magoado e escondi o meu corpo da minha mãe durante alguns dias, mas ela lá acabou por me apanhar e disse “olha lá o que é que está a fazer à tua vida”. Acaba por ser esse tipo de conversa. Não escondo o wrestling, mas no que toca às mazelas, escondo. Mas é engraçado quando há um momento de descoberta, porque passados quase onze anos continuou a ser aquele adolescente que foge de casa para jogar à bola e tentar entrar em casa sem os pais notarem as horas. Acaba por ser eu sair do combate e fingir que não acontecer, para ninguém notar as mazelas.
 
 
Por falar em mazelas. Como é que o teu corpo resistiu aos primeiros treinos?
As primeiras semanas de treino são as piores. Naqueles primeiros anos acabei por ter muitos problemas de dores na lombar que ainda tenho, mas hoje estão muito mais toleráveis, porque houve mais uma preocupação minha em reforçar essa zona e não estar tanto tempo sentado. E ainda bem que é na lombar, porque há lutadores em que é no joelho, o que é muito mais limitativo. Há sempre mazelas e chegamos àquele ponto em que pensamos em gerir a nossa dor e o nosso corpo. São já dez anos de wrestling e há carreiras no futebol que não chegam a dez anos.
 

“Massa adepta do Vitória não desistiu do clube e continua a ir ao estádio, não importa a divisão”

Marcos como guarda-redes do Vitória
Por falar em carreiras no futebol: ganhou-se um wrestler, mas perdeu-se um guarda-redes…
Não se perdeu um guarda-redes. Acho que atualmente, se eu tivesse a fazer os dois, eu conseguiria ser guarda-redes mais para a frente. Porquê? Eu era muito bom guarda-redes dentro dos postes, mas eu não saí dentro da pequena área, tinha muito receio. Isso era meu, tinha muito medo do contacto, e o wrestling ajudou-me no sentido de que não há problema nenhum de sentir o contacto. Se eu tivesse conjugado as duas, se calhar eu ia ser um guarda-redes profissional. Certamente não seria um nome mediático ou assim tão conhecido, mas, por exemplo, há pessoas que jogaram comigo e que acabam por ir para as segundas divisões da Suécia. Se calhar eu seria um deles. 
 
Ainda assim, jogaste dois anos nas camadas jovens do Vitória de Setúbal e foste abordado pelo Benfica
Foram abordagens em torneios. Perguntaram-me o nome. Na altura o Belenenses também chegou a falar comigo, tinham interesse. Mas eu ainda era muito miúdo, sair de Setúbal para os meus pais era uma loucura, mas acabaram por ter de sair por causa do wrestling (risos). Para os pais é um hobby, mas o que vejo hoje são jogadores que estão na seleção e muito deles fizeram formação no Benfica, no Sporting e no FC Porto e não eram de Lisboa ou do Porto, como o João Félix. Ele é de Viseu, mas acabou por ter de ir para Lisboa, ou seja, é um investimento na vida dos filhos.
 
Quais foram os jogadores mais conhecidos com quem jogaste no Vitória?
Quase todos o que estão lá. É incrível! Joguei com o André Gomes e com Leonardo Chão. Eu e o Leonardo estivemos juntos n’Os Pelezinhos e fomos juntos para o Vitória. O João Valido é, se calhar, o que atingiu um nível mais alto, está no Arouca e também é guarda-redes, mas eu sou mais velho do que ele e ele estava sempre no escalão abaixo. O João Valido era uma máquina, ele fazia pentatlo moderno e era um campeão, e era também jogador de futebol e era muito bom nos dois. Voltando ao Leo, fomos da mesma turma e estou muito feliz por ele estar de volta ao Vitória, porque houve uma altura em que eu saí, e também estou muito feliz pela dobradinha.
 
És vitoriano?
Não. Como nunca tive uma cidade fixa, desde início que sou do Benfica. Apoio o Vitória no sentido de Setúbal ter sido a cidade que me acolheu, embora não tivesse nascido em Setúbal, e tenho um enorme respeito pelo Vitória, mas o clube que eu escolhi muito cedo foi o Benfica.
 
Como vês estes últimos anos do Vitória, marcado por despromoções administrativas e problemas financeiros?
É mau eu dizer desta forma, mas desde os tempos em que eu jogava no Vitória que já era previsível, já era previsto que ia acontecer isto ao clube. É muito triste, dada a massa adepta do Vitória, porque o Vitória não desceu desportivamente da I Liga e foi obrigado a ter de ir para o terceiro escalão. Houve muito má gestão, o que já se previa, muita gente beneficiou para o próprio bolso, infelizmente. Mas destaco a massa adepta do Vitória, que não desistiu do clube e continua a ir ao estádio sempre, não importa a divisão. Estão lá sempre. É incrível os adeptos moverem-se pelo clube e aí se vê quem são os verdadeiros adeptos do clube. Acredito que se Benfica, Sporting ou FC Porto descessem, na mesma situação do Vitória, se calhar os estádios estariam vazios, porque há muitos adeptos que só querem celebrar títulos, querem um clube que ganhe. Quem é adepto a sério, vai acompanhar o clube quando está na pior divisão e acho que o Vitória é um caso excecional.
 

Sofreu um squash na estreia para… Big Chill

Voltando ao wrestling, que foi o que nos trouxe aqui. Estreaste-te ao fim de apenas oito treinos, o que se não for um recorde em Portugal andará lá perto, no WP Academia 5, a 1 de novembro de 2015, ainda com o teu nome verdadeiro, Marcos Abreu, e perdeste de forma rápida. Que memórias guardas desse momento? Estavas muito nervoso?
Foi estranho. No ponto em que eu estou, se eu tivesse a ver um Marcos a entrar para levar um squash, acho que ia bater o pé a dizer “nem pensar”, porque não estava pronto de todo. Ainda por cima naquela fase eu ainda era muito introvertido, não conseguia olhar nos olhos de ninguém. Não sei se é recorde, aposto que não é e que alguém já foi mais cedo para o ringue, principalmente naquelas alturas de tour, em que era preciso alguém para desenrascar. Se calhar estou a ser injusto a dizer que não deixava, mas na altura era a única pessoa que havia e tinha de ser eu. Atualmente temos alguns alunos no Wrestling Portugal a treinar há um, dois anos, e ainda não surgiu o momento para se estrearem, mas quando fizer sentido certamente terão a oportunidade deles.
 
 
Outra grande curiosidade é que perdeste para o Big Chill, que recentemente ganhou um combate “Eu Desisto” que o poderá colocar na rota do Título de Honra. Poderá haver uma reedição desse teu primeiro combate em breve…
Seria um duelo curioso. São percursos totalmente diferentes. O Chill acabou por sair, retomou mais tarde e eu continuei. As pessoas mais novas, se calhar, vão dizer que o Marcos já está há mais tempo que o Chill, mas não. O Chill já estava lá antes, mas houve um momento de pausa. De facto, ainda não tinha pensado nesse ponto de ele poder estar na rota do Título de Honra e poder haver um recap do que foi o meu primeiro combate, só que a diferença é que estamos a comparar o Marcos de 16 anos com o Marcos de 27. O Marcos já conquistou muitas coisas, não é um adversário fácil e, além do mais, muito bem gerido pelo Korvo. Uma coisa é o Ruben Bento, o Matador e o Drago G, lutadores que estão a começar, outra coisa é o Marcos Vitória. Estamos em níveis ainda muito diferentes e o Big Chill tem muita papinha para comer se quer ir para a rota do Título de Honra.
 
Ainda continuas a afirmar ter o dropkick mais alto do wrestling português? Como vão essas medições?
Acredita que ainda ninguém me ganhou. Continuamos a fazer o desafio dos dropkicks, o Damião vai lá, o Paulo vai lá, e ninguém me ganha, continua a ser factual que eu tenho o dropkick mais alto. Agora já há outras medições, já dizem que não é sobre o dropkick mais alto. Admito que o meu salto já não é tão grande, porque houve uma altura em que o meu salto era muito alto porque eu andava a treinar para conseguir afundar no cesto de basquetebol e então andava muito focado no meu salto, agora já não tanto, e por isso já não salto tanto como antes, mas mesmo assim ninguém consegue ter um dropkick mais alto. É factual.
 
E ainda dizem que és parecido ao Okada?
Já não tanto, mas há uns 6 meses a Cláudia [Bradstone] a falar comigo disse-me que eu era parecido a um lutador japonês, o Okada, e agora eu apresento-me de uma forma totalmente diferente do que me apresentava antes, com barba e o cabelo não tão parecido. Pode haver semelhanças, mas pensava que nunca mais ia ter de passar por isso. Sempre levei como um elogio porque o Okada é absolutamente fantástico e aquilo que ele faz é tudo mérito dele, de como um lutador com uma clothesline e um dropkick se tornou o maior do Japão e uma das maiores referências do wrestling e um dos lutadores com melhores combates que já vimos.
 
Quando jogavas futebol contraíste uma lesão grave numa coxa. E desde que fazes wrestling? Foi só esse problema lombar?
Acho que essa lesão na coxa foi mesmo por falta de reforço muscular, porque quando era guarda-redes sentia a coxa a prender quando ia bater os pontapés de baliza. Desde que faço reforço muscular e passei a treinar no ginásio, nunca mais tive esse tipo de lesão. Obviamente que já não jogo futebol federado, só em peladas com amigos, mas nunca mais tive esse tipo de lesão. A lombar não posso considerar uma lesão que me fez parar, mas é chatinha, há dias em que, por exemplo, para sair da cama pode ser mais chato, por isso não imagino tanto a minha carreira no wrestling a ser longuíssima, a chegar aos 40 anos. Quando a lesões mínimas, já tive entorses, às vezes dores no pescoço e torcicolos. Entretanto também passei por uma cirurgia normal a duas hérnias inguinais e duas semanas depois foi lutar contra o Bernardo Barreiros pelo título, ainda quase sem floculação, por isso o combate não foi bom. Culpa minha.
 

“Ausente desde setembro? O Wrestlefest sabe as minhas condições”

Marcos Vitória é campeão de Honra desde novembro de 2023
Já não participas num evento do Wrestlefest desde setembro do ano passado. É uma opção tua ou não tens sido convidado?
O Wrestlefest sabe as minhas condições, ou seja: eu e o Korvo, a dinâmica que todas as federações precisam. Nós temos dois títulos e o Wrestlefest sabe as condições. Chegando às condições, o Marcos Vitória volta ao Wrestlefest. De outra foram estou sossegado na minha mansão em Setúbal, tranquilo da vida.
 
Em relação à APW, já não participas num evento desde setembro de 2024. É a mesma situação?
A APW, sendo bem honesto, tenho uma vida tão ocupada que algumas coisas têm que ser sacrificadas, infelizmente. A APW tem a questão de, para quem vem de Lisboa ou de Setúbal, vai ter de ficar um todo fora e chegar de madrugada a casa, então acaba por ser uma gestão difícil. Mas tenho total gratidão à APW porque me deram uma oportunidade que não era esperada. A APW não tinha de o fazer e sou muito grato por toda a run que tive lá. Aliás, o último combate que eu tive na APW [tag team com Fausto contra os Worst Generation (Damião e Luís Mestre)] foi muito mais por gratidão à APW, porque havia a falta de alguém naquele combate e fazia sentido ser eu.
 
Portanto, não está nada riscado?
Não, não há nada riscado. É mais não ter a disponibilidade para estar sempre, em todos os espetáculos, e para mim acho que faz muito mais sentido colocarmos as pessoas que estão totalmente disponíveis.
 
A dada altura confessaste o sonho de ires viver para Boston com um tio para chegares às promotoras norte-americanas. Essa ideia ainda te passa pela cabeça?
Seria muito fácil para todos os aspirantes a wrestler estar nos Estados Unidos, porque não precisas de ser contratado. Facilita estar numa AEW, numa TNA, numa WWE ou no Japão, mas a realidade é que há tantas promotoras independentes nos Estados Unidos que nós nem sequer ouvimos falar do mundo e conseguem fazer um ótimo pé de meia com o wrestling e viver o sonho, porque vão a muitas cidades, embora não dê para viver confortavelmente, até porque o salário médio nos Estados Unidos é muito maior. Acabo muito por dizer que se tivesse estado logo ao início nos Estados Unidos, a fazer wrestling, teria muito mais combates e experiência e teria feito um circuito totalmente diferente de cá. Ainda bem que nasci em Portugal, mas a land of opportunity, the land of dreams, são os Estados Unidos e vão continuar a ser. Já não tenho essa oportunidade de ir para lá, porque, entretanto, esse meu tio acabou por falecer, uma história assim… da vida, mas quem quer ser wrestler e tem a oportunidade de ir para lá, que vá, porque a oportunidades vão ser muito maiores. E também para o Canadá, que tem um circuito independente não tão grande, mas que acaba por facilita.
 
Nunca passaste por algum tryout?
Nunca. Nunca me inscrevi em nada, mas tenho essa curiosidade, porque no futebol há sempre a questão dos olheiros e tenho a curiosidade se saber se os olheiros que estão pela Europa sabem sequer quem é o Marcos Vitória. Talvez não e estou tranquilo, nunca almejei um tryout. Curiosamente, quando veio cá o Jim Smallman [olheiro da WWE] a um show do Wrestlefest, eu falhei esse show, logo quando eu até estava numa onda de fazer todos os espetáculos do Wrestlefest. Se calhar não ia estar preparado, mas seria uma experiência que poderia ser enriquecedora. Se não acontecer, estou tranquilo com isso.
 
Qual é o combate ou quais são os combates de que mais te orgulhas?
Vou destacar só quase combates recentes, porque o meu melhor trabalho é todo muito mais recente. Valorizo muito toda a feud com o Mestre, o combate final que nós tivemos foi muito bom, um Last Man Standing [no WP Fora de Controlo, a 26 de janeiro de 2025]. Não era algo que as pessoas previssem que fosse uma grande feud e acabou por ser uma boa feud, com momentos muito bons, os segmentos, os quadros a ser partidos na cabeça.
Vou destacar obviamente, o mais antigo destes, Marcos Vitória contra Luís Salvador [WP Batalha da Vitória, 21 de janeiro de 2018]. Dos mais recentes destaco muito o combate com o Rafael Pedras, no qual eu ganhei o Título de Honra [WP Batalha dos Campeões, 26 de novembro de 2023]; esta quadrilha fatal que acho que foi espetacular [WP Batalha Final 7, 14 de junho de 2026]; e agora aquele que o pessoal diz ser um dos melhores combates desta season, com o Paulo “Knockout” Cruz [WP Novas Lendas, a 3 de maio de 2026].
 
 
E quem consideras ser wrestler com quem tens melhor química em ringue? Ou aquele que te faz pensar “este gajo é muito bom”?
Eu acho que só tive essa sensação de estar a viver num mundo à parte num combate de equipas, que era equipa WPT contra equipa WP, em que estava no ringue com o Alexander James. Ele agora é treinador no NXT, na Flórida, o que diz muito sobre o talento dele. Eu estava no ringue com ele e pensava: “este gajo é diferente”. Ele tem uma aura que me fez sentir muito pequeno, uma coisa absurda.
Mas estou numa onda, a gostar tanto desta minha fase, em que não há adversário com quem eu não gosto de lutar. Vou estar entusiasmado de qualquer fora. Mas obviamente que há combates com os da nova geração que entusiasmam qualquer um, porque automaticamente já sabes que vais ter um bom combate. Esse é o talento que eles têm. E atenção, o mérito de eu estar numa fase em que estou a produzir melhores combates, a dar mais de mim, o mérito é todo, vou destacar, no caso do WP, Rafael Pedras, Paulo “Knockout” Cruz e Damião, porque sem eles, o Marcos Vitória nunca se iria obrigar a fazer mais. Eles obrigaram-me a sair da minha zona de conforto quando eu estava confortável na posição em que estava. Estar no ringue com os três é uma provocação direta, como foi naquela quadrilha fatal. Eu pensei: “estão aqui os três bons e o Marcos, então vamos lá, vou provar que pertenço aqui.”
 
Por falar nesta nova geração. Estreaste-te oficialmente em novembro de 2015, ainda que só passado um ano é que te tornaste uma presença mais efetiva nos shows do WP. Surges entre a geração inaugural do WP e a nova geração, apelidado por muitos de geração de ouro. É correto falarmos em geração de ouro ou injusto para quem tinha aparecido antes? 
Eu não levo isso como ofensivo, até porque no final do dia, uma pode ser a geração de ouro e outra pode ser a geração épica, há nomes incríveis para tudo. E eles são incríveis, portanto, geração de ouro, eu acho que suits them. Não acho ofensivo para as outras gerações. Claro que há o ponto de que o que é novo tem mais interesse, mas o único ponto que pode ficar em desperdício é esquecermos daquilo que Pégaso, Bammer, Salvador, Bernardo, Cougar e os Santos já fizeram, que é incrível. Não nos podemos esquecer do que já foi feito e temos de ser gratos pelo que temos agora. E não esquecer o RAFA, que teve um combate com o Cougar que parece que é muito esquecido, face ao que estamos a ver agora de combates, mas esse ou talvez aquele do Bammer contra Ricky Santos foram combates que deram referências a estes combates da nova geração.
 

O que falta fazer com Damião, a academia em Setúbal e o “fartote” em Barcelona

Marcos Vitória com o Título de Honra e anterior gear
Com quem é que no circuito português ainda não trabalhaste e gostavas de trabalhar?
Ainda não tive um combate individual com o Damião, é algo que estou a almejar, e acho que faz todo esse sentido, é algo para o qual estou entusiasmado. Acredito que para o Damião também seja algo que o entusiasme, quando fizer sentido. O meu primeiro combate com o Damião foi numa quadrilha fatal, fizemos combates de tag team na MLW e na APW e agora esta última quadrilha fatal, mais uma vez sem estarmos um contra um. Falta esse um contra um.
 
O Gomes já confessou o sonho de abrir, daqui a uns anos, uma academia de wrestling na zona de Setúbal. Agrada-te a ideia? Já falaram os dois sobre isso?
Nunca falámos sobre isso, acabei por ainda não ver a entrevista do Gomes e não sabia desse facto, mas acho positivo. Ou seja, se o grande objetivo para o wrestling português é fazer, no caso específico do Wrestlefest, o sonho do Nélson, é fazer um show num Campo Pequeno, então o wrestling tem de ser muito mais promovido, tem de haver material para o wrestling chegar lá. Se abrir mais academias é importante? É importantíssimo. Se é para abrir em Setúbal, vamos abrir em Setúbal. Se é para abrir no Alentejo, abre-se no Alentejo. Se é para expandir o wrestling, vamos a isso.
 
Para terminarmos com chave de ouro, peço para que contes a história mais hilariante que viveste relacionada com wrestling…
Boa! Acho que vou contar a de Barcelona. Só tenho pena porque não devia ser eu a contar. Acho que um dia devia organizar-se a grupeta toda do espetáculo de Barcelona [a 14 de janeiro de 2023], porque é muito hilariante e tem muitas camadas. Estava lá eu, Baltazar, Damião, Paulo “Knockout” Cruz, Rafael Pedras, os três ainda a começar, e Pégaso como manager e Mascarenhas ainda como lutador. Esse espetáculo foi todo um fartote. O nosso combate correu bem, mas enquanto estávamos à espera do nosso combate estava a decorrer um tag team match e havia uma cortina a separar os lutadores dos fãs, que estavam no mesmo espaço, tudo numa sala. A certa altura, um dos lutadores dá um forearm para outro que está no canto e esse outro decide saltar para cima da cortina. Resultado: a cortina cai e o público vê os lutadores a combinar o combate lá atrás. Toda a gente tentou esconder-se e aí acabou o combate, os fãs tiveram de ir para fora e voltaram a montar o espaço. Para mim foi dos melhores momentos em que já estive, e acho que aquilo foi para a Botchamania, portanto posso dizer que já estive na Botchamania, indiretamente. Mas foi, sem dúvida, incrível. E depois essa noite em Barcelona foi toda muito louca, vou só contar esta história da cortina. 



 

 


 



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