quinta-feira, 28 de maio de 2026

O extremo que despontou no Boavista e ganhou uma Taça pela Académica. Quem se lembra de Diogo Valente?

Diogo Valente foi futebolista profissional ao longo de 23 anos
Portista ferrenho desde pequeno, mostrou-se na I Liga ao serviço do Boavista, que o catapultou para as seleções jovens. Chegou ao clube do coração, foi campeão, mas pouco jogou. Depois ajudou o Leixões a ser a surpresa da época 2008-09, foi vice-campeão nacional pelo Sp. Braga, ganhou uma Taça de Portugal pela Académica e ainda se aventurou na Roménia, na Turquia e nas divisões secundárias portuguesas antes de colocar um ponto final à longa carreira em 2026, aos 41 anos.
 
Extremo esquerdino nascido a 23 de setembro de 1984 em Aveiro, fez grande parte da formação no Beira-Mar, mas concluiu-a no Boavista, tendo integrado a equipa júnior dos axadrezados campeã nacional da categoria em 2002-03.
 
Quando transitou para sénior, em 2003-04, começou por ser emprestado ao Desp. Chaves, então na II Liga, mas depois voltou ao Bessa para se afirmar. Em dois anos na equipa principal dos boavisteiros somou 49 jogos e oito golos.
 
     
 
As boas atuações valeram-lhe as primeiras chamadas à seleção nacional de sub-21, incluindo a convocatória para a fase final do Europeu da categoria em 2006, e o salto para o FC Porto. “Foi a realização de um sonho. Era portista ferrenho desde pequeno. Por outro lado, foi deixar um clube muito importante no meu percurso profissional, o Boavista, onde terminei a minha formação e onde era um menino querido. Tive muito sucesso lá, fui revelação e despertei o interesse dos grandes”, recordou ao jornal A Bola em abril de 2026.
 
No entanto, encontrou concorrência pesada no Dragão: Ricardo Quaresma, Tarik Sektioui e Lisandro López. Além disso, chegou sem o ritmo desejado, porque praticamente não foi opção nos últimos meses de Boavista desde que se comprometeu com o FC Porto em janeiro de 2006; e havia sido contratado por indicação de Co Adriaanse, treinador neerlandês que saiu ainda na pré-época por divergências com a direção liderada por Pinto da Costa, e não foi alvo de aposta por parte do sucessor, Jesualdo Ferreira.
 
Após apenas um jogo oficial na primeira metade da época 2006-07, curiosamente num clássico diante do Sporting – o suficiente para ter sido considerado campeão nacional no final da temporada –, foi emprestado ao Marítimo em janeiro de 2007, mas ao fim de mês e meio nos Barreiros, quando levava seis jogos e um golo pelos insulares, sofreu uma grave lesão muscular na coxa esquerda que o afastou dos relvados durante mais de nove meses.
 
 
Quando voltou a jogar, fê-lo já na condição de jogador do Leixões, clube que representou durante duas temporadas, a primeira por empréstimo do FC Porto e a segunda já como futebolista leixonense a título definitivo. Se em 2007-08 alternou entre a titularidade e o banco de suplentes, na época seguinte foi um dos indiscutíveis para José Mota, ajudando os bebés do Mar a alcançar um honroso sexto lugar na I Liga, a cinco pontos dos lugares europeus.
 
 
Depois de 55 jogos e sete golos pelo Leixões, deu o salto para o Sp. Braga no verão de 2009, tendo feito parte da equipa de Domingos Paciência que se sagrou vice-campeã nacional, embora não tivesse ido além de 13 partidas em todas as provas. “Cheguei a um Sp. Braga muito forte, com uma base deixada pelo Jorge Jesus. Tínhamos uma excelente equipa e lutámos pelo título até à última jornada com o Benfica. Foi uma época em que comecei a jogar, depois tive uma lesão... Foi oscilante para mim. O Sp. Braga já tinha uma estrutura muito profissional e organizada, muito semelhante à do FC Porto”, recordou ao jornal A Bola.
 
Seguiram-se dois anos na Académica, clube no qual foi orientado por dois antigos centrais do FC Porto, Jorge Costa (primeiro) e Pedro Emanuel (depois). “Fiz uma boa época em Coimbra [em 2010-11], conquistei as pessoas e fui feliz. Consegui voltar a mostrar o meu valor, senti que precisava de mais uma época ali. Acabei por ficar e foi das melhores da minha carreira”, lembrou, em alusão à conquista da Taça de Portugal em 2012. “Foi, foi a maior conquista da minha carreira. Marcou-me muito por tudo: pela época que fiz, pelo grupo fantástico que tínhamos e por todos os momentos que vivemos na Taça. Foi especial”, acrescentou.
 
 
 
O jogo do Jamor foi o último do contrato de Diogo Valente, que ficou livre para assinar pelos romenos do Cluj, que lhe deu a oportunidade de jogar na Liga dos Campeões. No entanto, só chegou a atuar 13 minutos na prova. “O Cluj é um clube grande, ao nível dos nossos três grandes em termos financeiros, mas depois falha muito a nível organizacional. Lembro-me de que íamos jogar o primeiro jogo da fase de grupos da Champions contra o Sp. Braga e, 15 dias antes, o clube não tinha fatos para os jogadores. Então fomos divididos em grupos e mandaram-nos à Zara comprar fatos e tirar medidas. Uma equipa que ia jogar a Liga dos Campeões a ir à Zara tirar medidas... surreal”, recordou.
 
 
 
Embora tivesse mais dois anos de contrato com o Cluj, só passou uma época na Roménia, na sequência de desinvestimento no plantel após o não apuramento para as competições europeias. Apesar do interesse do Estoril de Marco Silva, o “coração falou mais alto” e fê-lo voltar à Académica, por empréstimo.
 
No regresso a Coimbra apanhou Sérgio Conceição, um treinador “extremamente exigente e obsessivo pelo sucesso”, o que causou atritos porque “os objetivos da Académica não são os mesmos do FC Porto”. “Tive muitas pegas com ele, mas sempre com muito respeito e com uma ótima relação. Foi um treinador com quem tive uma evolução muito grande aos 28 anos, a nível tático e de rigor, quando já tinha oito anos de I Liga. Senti que, para estar ao alto nível, o jogador tem de ser assim. A partir daí, ativei ali um chip de competitividade, ética e capacidade de trabalho que, sem dúvida, foi o segredo para esta minha longevidade”, confessou o extremo.
 
Por sentir que já não estava ao seu melhor nível, decidiu não continuar em Académica, “para não prejudicar a boa imagem que tinha em Coimbra”, e rumou ao Gil Vicente, também por empréstimo do Cluj. A experiência em Barcelos, porém, correu muito mal. Tudo porque o clube romeno entrou em insolvência, o que gerou no emblema de Barcelos dúvidas sobre a legalidade do contrato de empréstimo. Receando um novo Caso Mateus, os gilistas não quiseram correr riscos e afastaram Diogo Valente do plantel a partir de fevereiro, tendo-o chegado a impedir de frequentar as instalações do clube.
 
 
Seguiu-se uma temporada no Sanliurfaspor, da II Liga da Turquia. Chegou a ter uma proposta de renovação, mas não aceitou, e na fase final da época sofreu uma lesão e aí foi o clube que já não quis renovar.
 
 
Mais uma vez livre, reentrou no futebol português pela porta do Freamunde, da II Liga. Embora se tivesse comprometido com os capões em setembro de 2016, só foi inscrito em janeiro de 2017 e mostrou-se impotente para impedir a despromoção ao Campeonato de Portugal.
 
 
Depois voltou ao distrito de Aveiro para representar a Oliveirense, também do segundo escalão. Na primeira época em Oliveira de Azeméis, 2017-18, apontou nove golos e ajudou a equipa a atingir as meias-finais da Taça da Liga. “Essa época foi muito boa. Em termos de números, foi a época em que fiz mais golos na carreira. Foi algo que faltou um pouco no meu percurso. As pessoas sempre reconheceram a minha qualidade, mas sinto que se tivesse sido mais goleador teria atingido outro nível”, reconheceu, admitindo que era melhor a cruzar: “Só um é que cruzava melhor, o meu ídolo, o Drulovic. Esse sim, cruzava melhor, era imbatível.”
 
 
 
Os derradeiros sete anos do seu percurso como futebolista profissional foram passados nas divisões não profissionais, dois ao serviço do Sp. Espinho (2019 a 2021) e os últimos cinco com a camisola do Salgueiros (2021 a 2026). “Foi numa altura em que ponderei terminar a carreira. Tinha dúvidas se teria motivação para andar em escalões mais baixos. Mas na altura pesei tudo. Fisicamente sentia-me bem, adorava futebol e o treino ainda me dava um prazer enorme. Muitos colegas perguntavam-me se eu tinha necessidade de continuar a jogar, mas a verdade é que a paixão era muito grande. Se parasse, ia fazer o quê? Nós andamos na vida para sermos felizes e eu era feliz a jogar e, por isso, não fazia sentido parar”, confessou Diogo Valente, que teve um final de carreira que nunca imaginou “ser tão feliz”. “Vivi momentos muito bons. Faltou apenas a tão ambicionada subida de divisão [à Liga 3]”, frisou.
 
 
 
No final da época 2025-26 decidiu pendurar as botas, aos 41 anos. 



 




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