quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Hoje faz anos o brasileiro vencedor de uma Taça da Liga pelo Vitória FC e vice-campeão pelo Sp. Braga. Quem se lembra de Matheus?

Matheus afirmou-se em Braga após brilhar em Setúbal
Um jogador talhado para façanhas improváveis: venceu uma Taça da Liga pelo Vitória de Setúbal, foi vice-campeão pelo Sp. Braga e decisivo para o primeiro apuramento dos bracarenses para a fase de grupos da Liga dos Campeões, bisou numa vitória dos minhotos sobre o Arsenal e foi finalista da Liga Europa pelo Dnipro.
 
Matheus Leite Nascimento nasceu a 15 de janeiro de 1983 em Ribeirópolis, no estado brasileiro de Sergipe. Avançado móvel capaz de desempenhar várias funções no ataque, começou por jogar… futsal. No futebol só se iniciou aos 20 anos, na Associação Olímpica de Itabaiana, de onde se mudou para o futebol português, mais precisamente para o Marco, no verão de 2005.
 
Após seis golos em seis jogos pelo conjunto nortenho, que na altura militava na II Liga, deu o salto para o Sp. Braga em janeiro de 2006, mas demorou a impor-se. “Tinha jogadores que estavam muito bem no Sp. Braga, eu ia-me adaptando a um campeonato diferente, que era a I Liga, também teve isso. Havia mais qualidade e menos espaço, era um trabalho mais tático. E também porque o Jesualdo confiava muito nos outros jogadores, eu tinha pouco espaço. Mas sempre que me chamava eu tentava fazer o meu melhor”, recordou à Tribuna Expresso em janeiro de 2022.
 
Após apenas nove partidas pelos arsenalistas no primeiro ano de contrato, foi cedido ao Beira-Mar na segunda metade de 2006-07. Em Aveiro não marcou qualquer golo em 19 encontros e até desceu de divisão. Curiosamente, nessa época foi orientado em ambos os clubes por Carlos Carvalhal, treinador que o viria a levar para o Vitória de Setúbal na temporada seguinte. “O Carvalhal tinha ido para o Beira-Mar e acabou por pedir o meu empréstimo e do Eduardo. Eu não tive muito tempo para trabalhar com ele no Sp. Braga, então ele acabou por pedir o meu empréstimo. (…) Quando cheguei ao Beira-Mar, treinei uma semana com ele, depois chegou uma empresa espanhola de Maiorca e acabou por despedi-lo. Veio um espanhol [Paco Soler]”, lembrou.
 
No Bonfim, ao longo de cerca de seis meses, mostrou finalmente num clube de I Liga aquilo que valia. Em 23 jogos em todas as provas, marcou onze golos, deixando a equipa em quinto lugar no campeonato, nos oitavos de final da Taça de Portugal e com o apuramento para a final da Taça da Liga muito bem encaminhado. Já não esteve no jogo de atribuição do troféu, que os sadinos viriam a ganhar, mas foi a tempo de marcar cinco golos – dois deles ao Benfica – que lhe valeram o estatuto de melhor marcador da edição inaugural da Taça da Liga.
 
“O Carvalhal foi um grande homem, chegou e falou: ‘Matheus, peço desculpa, porque eu fui para o Beira-Mar, havia um projeto, mas eles não fizeram aquilo que combinámos e vou sair, mas tenho um projeto muito bom daqui a dois meses e queria saber se terias vontade de me acompanhar’. E eu falei: ‘Carvalhal, vou para onde você for. É só falar com o presidente do Sp. Braga e eu acompanho’. Quando faltava acho que uma semana para acabar, descemos à II Liga, eu e o Carvalhal voltámos a falar e fomos falar depois com o Sp. Braga porque eu estava emprestado e acabei por ir para o Vitória de Setúbal. Foi uma das melhores decisões. Esse período em Setúbal com o Carvalhal para mim acho que foi o salto”, prosseguiu o brasileiro, que viveu um período “fenomenal” à beira-Sado: “O peixe, os restaurantes, os adeptos, o balneário… Nesse balneário, nós realmente brincávamos muito, com o Sandro, o Pitbull, Paulinho, até o Robson que era o tipo mais sossegado. Acho que foi dos melhores lugares onde estive na minha vida.”
 
E Matheus não acabou a época no Vitória de Setúbal porque o Sp. Braga ordenou o regresso a casa. Embora tivesse regressado com o estatuto reforçado, demorou a tornar-se num titular indiscutível, tendo começado mais jogos no banco do que em campo entre 2007-08 e 2009-10. Nesse período contribuiu para a conquista da Taça Intertoto em 2008 e para a melhor classificação de sempre dos bracarenses, o segundo lugar, em 2009-10. “Para o Jorge Jesus [treinador dos arsenalistas em 2008-09] eu era como se fosse o 12.º jogador. Ele sempre me colocava, mas não jogava a titular. Eu e ele, no dia a dia, não nos dávamos muito bem. Chocávamos muito”, contou.
 
 
Por fim, na primeira metade da temporada 2010-11, já sem a concorrência de Roland Linz ou Wason Rentería, explodiu, com oito golos em 23 encontros. Foi decisivo para o apuramento para a fase de grupos da Liga dos Campeões ao faturar diante de Celtic e Sevilha (no Minho e na Andaluzia) nas pré-eliminatórias e mostrou-se em bom plano na Champions a sério, com um golo numa vitória caseira sobre o Partizan (2-0) e um bis num triunfo sobre o Arsenal na Pedreira (2-0).
 
    
 
Os bons desempenhos valeram-lhe uma transferência para os ucranianos do Dnipro, por um milhão de euros. Falhou a caminhada bracarense até à final da Liga Europa em 2010-11, mas redimiu-se ao ajudar a equipa da Ucrânia a atingir o jogo decisivo da competição em 2014-15. Matheus foi mesmo um dos protagonistas da final dessa época, disputada em Varsóvia diante do Sevilha (2-3), ao perder os sentidos a poucos minutos do fim do jogo, pouco depois de um choque entre cabeças com um adversário, o que lhe causou a fratura no nariz.
 
 
No verão de 2016 esteve com um pé nos gregos do PAOK, mas acabou por assinar pelos chineses do Shijiazhuang Ever Bright. Na primeira época na China desceu de divisão, mas na segunda contribuiu para a promoção à Super Liga.
 
 
Após cinco anos no país asiático, onde também representou o Zhejiang Professional (2021 e 2022), voltou ao Brasil e ao seu estado-natal para regressar ao Itabaiana e vestir a camisola do Sergipe.



  
 




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