Matheus Leite Nascimento nasceu a
15 de janeiro de 1983 em Ribeirópolis, no estado brasileiro de Sergipe.
Avançado móvel capaz de desempenhar várias funções no ataque, começou por jogar…
futsal. No futebol só se iniciou aos 20 anos, na Associação Olímpica de
Itabaiana, de onde se mudou para o futebol português, mais precisamente para o Marco,
no verão de 2005. Após seis golos em seis jogos
pelo conjunto
nortenho, que na altura militava na II
Liga, deu o salto para o Sp.
Braga em janeiro de 2006, mas demorou a impor-se. “Tinha jogadores que
estavam muito bem no Sp.
Braga, eu ia-me adaptando a um campeonato diferente, que era a I
Liga, também teve isso. Havia mais qualidade e menos espaço, era um
trabalho mais tático. E também porque o Jesualdo
confiava muito nos outros jogadores, eu tinha pouco espaço. Mas sempre que me
chamava eu tentava fazer o meu melhor”, recordou à Tribuna
Expresso em janeiro de 2022. Após apenas nove partidas pelos arsenalistas
no primeiro ano de contrato, foi cedido ao Beira-Mar
na segunda metade de 2006-07. Em Aveiro não marcou qualquer golo em 19
encontros e até desceu de divisão. Curiosamente, nessa época foi orientado em ambos
os clubes por Carlos Carvalhal, treinador que o viria a levar para o Vitória
de Setúbal na temporada seguinte. “O Carvalhal tinha ido para o Beira-Mar
e acabou por pedir o meu empréstimo e do Eduardo. Eu não tive muito tempo para
trabalhar com ele no Sp.
Braga, então ele acabou por pedir o meu empréstimo. (…) Quando cheguei ao Beira-Mar,
treinei uma semana com ele, depois chegou uma empresa espanhola de Maiorca e
acabou por despedi-lo. Veio um espanhol [Paco Soler]”, lembrou. No Bonfim,
ao longo de cerca de seis meses, mostrou finalmente num clube de I
Liga aquilo que valia. Em 23 jogos em todas as provas, marcou onze golos,
deixando a equipa em quinto lugar no campeonato, nos oitavos de final da Taça
de Portugal e com o apuramento para a final da Taça
da Liga muito bem encaminhado. Já não esteve no jogo de atribuição do
troféu, que os sadinos
viriam a ganhar, mas foi a tempo de marcar cinco golos – dois deles ao Benfica
– que lhe valeram o estatuto de melhor marcador da edição inaugural da Taça
da Liga. “O Carvalhal foi um grande homem,
chegou e falou: ‘Matheus, peço desculpa, porque eu fui para o Beira-Mar,
havia um projeto, mas eles não fizeram aquilo que combinámos e vou sair, mas
tenho um projeto muito bom daqui a dois meses e queria saber se terias vontade
de me acompanhar’. E eu falei: ‘Carvalhal, vou para onde você for. É só falar
com o presidente do Sp.
Braga e eu acompanho’. Quando faltava acho que uma semana para acabar,
descemos à II
Liga, eu e o Carvalhal voltámos a falar e fomos falar depois com o Sp.
Braga porque eu estava emprestado e acabei por ir para o Vitória
de Setúbal. Foi uma das melhores decisões. Esse período em Setúbal com o Carvalhal
para mim acho que foi o salto”, prosseguiu o brasileiro, que viveu um período “fenomenal”
à beira-Sado: “O peixe, os restaurantes, os adeptos, o balneário… Nesse
balneário, nós realmente brincávamos muito, com o Sandro, o Pitbull, Paulinho,
até o Robson que era o tipo mais sossegado. Acho que foi dos melhores lugares
onde estive na minha vida.” E Matheus não acabou a época no Vitória
de Setúbal porque o Sp.
Braga ordenou o regresso a casa. Embora tivesse regressado com o estatuto
reforçado, demorou a tornar-se num titular indiscutível, tendo começado mais
jogos no banco do que em campo entre 2007-08 e 2009-10. Nesse período
contribuiu para a conquista da Taça Intertoto em 2008 e para a melhor
classificação de sempre dos bracarenses,
o segundo lugar, em 2009-10. “Para o Jorge
Jesus [treinador dos arsenalistas
em 2008-09] eu era como se fosse o 12.º jogador. Ele sempre me colocava, mas
não jogava a titular. Eu e ele, no dia a dia, não nos dávamos muito bem.
Chocávamos muito”, contou.
Por fim, na primeira metade da
temporada 2010-11, já sem a concorrência de Roland
Linz ou Wason Rentería, explodiu, com oito golos em 23 encontros. Foi
decisivo para o apuramento para a fase de grupos da Liga
dos Campeões ao faturar diante de Celtic
e Sevilha
(no Minho e na Andaluzia) nas pré-eliminatórias e mostrou-se em bom plano na Champions
a sério, com um golo numa vitória caseira sobre o Partizan (2-0) e um bis num
triunfo sobre o Arsenal
na Pedreira (2-0).
Os bons desempenhos valeram-lhe
uma transferência para os ucranianos do Dnipro, por um milhão de euros. Falhou
a caminhada bracarense
até à final
da Liga Europa em 2010-11, mas redimiu-se ao ajudar a equipa da Ucrânia a
atingir o jogo decisivo da competição em 2014-15. Matheus foi mesmo um dos
protagonistas da final dessa época, disputada em Varsóvia diante do Sevilha
(2-3), ao perder os sentidos a poucos minutos do fim do jogo, pouco depois de um
choque entre cabeças com um adversário, o que lhe causou a fratura no nariz.
No verão de 2016 esteve com um pé
nos gregos do PAOK, mas acabou por assinar pelos chineses do Shijiazhuang Ever
Bright. Na primeira época na China desceu de divisão, mas na segunda contribuiu
para a promoção à Super
Liga.
Após cinco anos no país asiático,
onde também representou o Zhejiang Professional (2021 e 2022), voltou ao Brasil
e ao seu estado-natal para regressar ao Itabaiana e vestir a camisola do
Sergipe.
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