Hoje faz anos o açoriano vencedor da Taça das Taças e campeão pelo Sporting como jogador e treinador. Quem se lembra de Mário Lino?
Mário Lino é uma das maiores lendas vivas do Sporting
Uma das maiores lendas vivas do Sporting,
que ajudou a estabelecer a tradição do leão
campeão em ano de Mundial. Como jogador venceu dois campeonatos e uma Taça
de Portugal e foi um dos heróis da conquista
da Taça da Taças; e como treinador ganhou um título nacional e a duas Taças
de Portugal, além de um campeonato e uma Taça
na condição de adjunto.
Nascido a 9 de janeiro de 1937 na
cidade da Horta, na ilha açoriana do Faial, foi o primeiro futebolista de
relevo natural dos Açores. Começou a jogar no Fayal Sport como médio ofensivo
com apenas 13 anos e chegou a atuar pela equipa principal, mas em 1954 mudou-se
para o Lusitânia,
tornando-se no primeiro futebolista a transferir-se entre clubes açorianos,
numa transação avaliada em… 15 contos. Ao Sporting
chegou em 1958, ao abrigo da lei militar, e por indicação do treinador húngaro
Janos Biri, que na altura orientava o Lusitânia.
Em Alvalade
transformou-se num defesa direito competente, que rapidamente agarrou a
titularidade, aliando a elevada qualidade técnica à capacidade física (embora fosse
relativamente baixo) e de desarme. De leão ao peito ganhou dois
campeonatos (1961-62 e 1965-66), uma Taça
de Portugal (1962-63) e o único
troféu internacional dos verde e brancos, a Taça da Taças (1963-64),
curiosamente numa época em que perdeu o lugar para Pedro Gomes. Paralelamente
somou uma internacionalização pela seleção B (em dezembro de 1960) e seis pela seleção
A (todas em 1961). Pouco utilizado nas últimas três
temporadas no Sporting,
pendurou as botas em 1967, aos 30 anos, passando imediatamente para treinador
dos juniores.
Em 1968-69 passou para adjunto de
Fernando Caiado na equipa principal, tendo chegado a orientar interinamente a
equipa na segunda metade da época. Voltaria a ser adjunto após a
chegada de Fernando Vaz, tendo vencido o título nacional de 1969-70 e a Taça
de Portugal de 1970-71 nessa função, mas em fevereiro de 1972 foi novamente
chamado para assumir o comando técnico, guiando os leões
à final da Taça
de Portugal, perdida para o Benfica
(2-3). Na temporada seguinte também
começou como adjunto, mas do inglês Ronnie Allen, mas em abril de 1973 acabou
uma vez mais por assumir o comando técnico, conseguindo atingir novamente a
final da Taça,
desta feita para ganhar ao Vitória
de Setúbal (3-2), o que lhe valeu a continuidade no cargo.
Já como treinador principal em
definitivo conquistou a dobradinha e atingiu as meias-finais
da Taça das Taças em 1973-74, naquela que foi uma das melhores épocas da
história leonina. “Tive a felicidade de treinar excelentes jogadores. Essa
equipa foi, sem dúvida, das melhores do historial do clube”, contou ao jornal A
Bola em abril de 2024. Nessa época, o goleador argentino
Héctor Yazalde somou 46 remates certeiros só no campeonato, o que lhe valeu a
Bota de Ouro europeia: “O Yazalde era o meu Gyokeres! Na influência que tinha
na equipa sim, nas características e estilos eram completamente diferentes.
Mas, há 50 anos, acontecia o que está a acontecer atualmente. Ele contribuía
muito para a equipa, mas a equipa também contribuía muito para ele, tanto que
alcançou números incríveis, cujo recorde de golos ainda não foi batido, e não
vai ser fácil, embora os recordes sejam para se baterem.” Contudo, um desentendimento com a
direção liderada por João Rocha, relacionado com a preparação da temporada
seguinte, que Mário Lino considerou que estava a ser mal feita, precipitou a
sua saída de Alvalade. Prosseguiu a carreira de
treinador em clubes importantes do futebol português, tendo conquistado o
título da II Divisão Nacional pelo Portimonense
em 1978-79 e a edição inaugural da Supertaça
ao leme do Boavista
em 1979. Paralelamente, orientou Farense,
Vitória
de Setúbal, Sp.
Braga e Marítimo
na I
Divisão e ainda Olhanense,
Recreio
de Águeda, Beira-Mar,
Barreirense
e Peniche
na II Divisão. Em 1991 regressou ao Sporting
pela mão de Sousa
Cintra, tendo exercido as funções de secretário técnico, chefe do
departamento de futebol profissional e coordenador do futebol juvenil, permanecendo
no clube para lá da edificação da Academia de Alcochete, onde continuou a
trabalhar até se reformar.
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