sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Hoje faz anos o açoriano vencedor da Taça das Taças e campeão pelo Sporting como jogador e treinador. Quem se lembra de Mário Lino?

Mário Lino é uma das maiores lendas vivas do Sporting
Uma das maiores lendas vivas do Sporting, que ajudou a estabelecer a tradição do leão campeão em ano de Mundial. Como jogador venceu dois campeonatos e uma Taça de Portugal e foi um dos heróis da conquista da Taça da Taças; e como treinador ganhou um título nacional e a duas Taças de Portugal, além de um campeonato e uma Taça na condição de adjunto.
 
Nascido a 9 de janeiro de 1937 na cidade da Horta, na ilha açoriana do Faial, foi o primeiro futebolista de relevo natural dos Açores. Começou a jogar no Fayal Sport como médio ofensivo com apenas 13 anos e chegou a atuar pela equipa principal, mas em 1954 mudou-se para o Lusitânia, tornando-se no primeiro futebolista a transferir-se entre clubes açorianos, numa transação avaliada em… 15 contos.
 
Ao Sporting chegou em 1958, ao abrigo da lei militar, e por indicação do treinador húngaro Janos Biri, que na altura orientava o Lusitânia. Em Alvalade transformou-se num defesa direito competente, que rapidamente agarrou a titularidade, aliando a elevada qualidade técnica à capacidade física (embora fosse relativamente baixo) e de desarme.
 
De leão ao peito ganhou dois campeonatos (1961-62 e 1965-66), uma Taça de Portugal (1962-63) e o único troféu internacional dos verde e brancos, a Taça da Taças (1963-64), curiosamente numa época em que perdeu o lugar para Pedro Gomes. Paralelamente somou uma internacionalização pela seleção B (em dezembro de 1960) e seis pela seleção A (todas em 1961).
 
Pouco utilizado nas últimas três temporadas no Sporting, pendurou as botas em 1967, aos 30 anos, passando imediatamente para treinador dos juniores.
 
 
Em 1968-69 passou para adjunto de Fernando Caiado na equipa principal, tendo chegado a orientar interinamente a equipa na segunda metade da época.
 
Voltaria a ser adjunto após a chegada de Fernando Vaz, tendo vencido o título nacional de 1969-70 e a Taça de Portugal de 1970-71 nessa função, mas em fevereiro de 1972 foi novamente chamado para assumir o comando técnico, guiando os leões à final da Taça de Portugal, perdida para o Benfica (2-3).
 
Na temporada seguinte também começou como adjunto, mas do inglês Ronnie Allen, mas em abril de 1973 acabou uma vez mais por assumir o comando técnico, conseguindo atingir novamente a final da Taça, desta feita para ganhar ao Vitória de Setúbal (3-2), o que lhe valeu a continuidade no cargo.
 
 
Já como treinador principal em definitivo conquistou a dobradinha e atingiu as meias-finais da Taça das Taças em 1973-74, naquela que foi uma das melhores épocas da história leonina. “Tive a felicidade de treinar excelentes jogadores. Essa equipa foi, sem dúvida, das melhores do historial do clube”, contou ao jornal A Bola em abril de 2024.
 
Nessa época, o goleador argentino Héctor Yazalde somou 46 remates certeiros só no campeonato, o que lhe valeu a Bota de Ouro europeia: “O Yazalde era o meu Gyokeres! Na influência que tinha na equipa sim, nas características e estilos eram completamente diferentes. Mas, há 50 anos, acontecia o que está a acontecer atualmente. Ele contribuía muito para a equipa, mas a equipa também contribuía muito para ele, tanto que alcançou números incríveis, cujo recorde de golos ainda não foi batido, e não vai ser fácil, embora os recordes sejam para se baterem.”
 
Contudo, um desentendimento com a direção liderada por João Rocha, relacionado com a preparação da temporada seguinte, que Mário Lino considerou que estava a ser mal feita, precipitou a sua saída de Alvalade.
 
Prosseguiu a carreira de treinador em clubes importantes do futebol português, tendo conquistado o título da II Divisão Nacional pelo Portimonense em 1978-79 e a edição inaugural da Supertaça ao leme do Boavista em 1979. Paralelamente, orientou Farense, Vitória de Setúbal, Sp. Braga e Marítimo na I Divisão e ainda Olhanense, Recreio de Águeda, Beira-Mar, Barreirense e Peniche na II Divisão.
 
Em 1991 regressou ao Sporting pela mão de Sousa Cintra, tendo exercido as funções de secretário técnico, chefe do departamento de futebol profissional e coordenador do futebol juvenil, permanecendo no clube para lá da edificação da Academia de Alcochete, onde continuou a trabalhar até se reformar.







  

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