quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Hoje faz anos o “Labreca” que esteve no título do Boavista e em grandes jornadas da seleção. Quem se lembra de Ricardo?

Ricardo somou 79 internacionalizações pela seleção A
Foi campeão pelo Boavista, finalista da Taça UEFA pelo Sporting e finalista do Euro 2004 e semifinalista do Mundial 2006 pela seleção nacional. Especialista a defender penáltis e com qualidade a jogar com os pés, foi um dos mais marcantes guarda-redes portugueses de sempre.
 
Ricardo Alexandre Martins Soares Pereira nasceu a 11 de fevereiro de 1979 no Montijo, filho de pai camionista e mãe empregada de escritório, e começou a jogar futebol nas ruas da sua cidade. O estilo irreverente com que se exibia entre os postes valeu-lhe a alcunha de “Labreca”, em alusão a um antigo guarda-redes daquela zona.
 
Fez toda a formação no Clube Desportivo do Montijo, mas dividiu-a entre a baliza e… o ataque. Só aos 16 anos é que se estabeleceu como guardião, mas tal não o impediu de conquistar a titularidade da equipa principal, na altura na II Divisão B, aos 19, ainda com idade de júnior.
 
A qualidade e o potencial despertaram o interesse de alguns dos principais emblemas nacionais. Quinito esteve perto de o levar para o Vitória de Guimarães, mas o Boavista contou com a ajuda de um amigo de Manuel José, na altura treinador dos axadrezados, para levar Ricardo para o Bessa, tendo passado uma semana à experiência antes de assinar contrato.
 
A afirmação na Invicta, porém, esteve longe de ser imediata. Passou o primeiro ano e meio em branco, na sombra do histórico Alfredo e de Tó Luís, mas conseguiu tornar-se titular em fevereiro de 1997, a tempo de contribuir para a conquista da Taça de Portugal, com vitória sobre o Benfica na final, a 10 de junho desse ano.
 
 
No final dessa temporada estreou-se também de quinas ao peito, tendo atuado num empate da seleção de sub-21 com a Albânia em Aveiro (1-1).
 
Em 1997-98 manteve o posto durante toda a época, marcada pela conquista da Supertaça Cândido de Oliveira e pela obtenção de um sexto lugar no campeonato que ficou aquém das expetativas.
 
Porém, em 1998-99 perdeu a titularidade para o camaronês William, não indo além de sete jogos oficiais disputados. Na temporada seguinte atuou apenas em 15 partidas e tudo indicava que o banco de suplentes fosse também o seu destino em 2000-01, mas à 7.ª jornada Jaime Pacheco começou a apostar nele. Na altura, os axadrezados ocupavam o 7.º lugar e haviam sofrido seis golos em seis jornadas. No final da época, sagraram-se campeões, com um total de 22 golos sofridos em 34 jogos.
 
 
Com naturalidade, Ricardo passou também a figurar nas convocatórias para a seleção nacional A. Foi chamado pela primeira vez pelo selecionador António Oliveira para uma vitória sobre Andorra nos Barreiros (3-0), a 28 de fevereiro de 2001, mas só se estreou a 2 de junho, num empate em Dublin com a República da Irlanda (1-1), destronando Quim até ao final da fase de qualificação para o Mundial 2002.
 
 
Em 2001-02 ajudou o Boavista a lutar pelo título até ao fim, sagrando-se vice-campeão nacional, e a atingir a segunda fase de grupos da Liga dos Campeões. Defensivamente, os axadrezados voltaram a ser os menos batidos do campeonato, tendo sofrido apenas 20 golos em 34 jornadas.
 
Tudo indicava para que fosse o dono da baliza portuguesa no Campeonato do Mundo disputado na Coreia do Sul e no Japão, mas Oliveira preferiu apostar em Vítor Baía, que havia regressado recentemente aos relvados após ano e meio a recuperar de lesão. Contudo, o histórico guardião portista deixou de figurar nas convocatórias da seleção após o Mundial, o que permitiu a Ricardo assumir, durante cerca de meia dúzia de anos, a titularidade.
 
Depois de ajudar o Boavista a atingir as meias-finais da Taça UEFA e de ter marcado um golo de penálti na I Liga em 2003, esteve com um pé no Benfica, mas acabou por assinar pelo Sporting.
 
 
Foi sempre, à exceção de um curto período entre setembro e outubro de 2005, o dono da baliza verde e branca ao longo dos quatro anos que passou em Alvalade. Contribuiu para a caminhada até à final da Taça UEFA em 2004-05 e para a conquista da Taça de Portugal em 2006-07, mas o seu nível exibicional esteve quase sempre uns furos abaixo daquele que havia apresentado no Bessa.
 
Paralelamente, foi brilhando ao serviço da seleção nacional. No Euro 2004 foi o rosto do apuramento para as meias-finais, ao defender um penálti sem luvas antes de assumir a execução do pontapé que acabou por eliminar Inglaterra no Estádio da Luz, mas ficou mal na fotografia no golo que deu a vitória à Grécia na final, no mesmo palco.
 
 
Dois anos depois, no Mundial da Alemanha, voltou a ser o carrasco dos ingleses, ao defender três grandes penalidades em novo desempate.
 
 
No verão de 2007, numa altura em que os jogadores de futebol passaram a pagar IRS sobre a totalidade dos seus rendimentos, transferiu-se para os espanhóis do Bétis por cerca de quatro milhões de euros. Em Sevilha viveu dos piores momentos da carreira: perdeu a titularidade, desceu de divisão e foi afastado do plantel tal como outros futebolistas estrangeiros. Pelo meio marcou presença no Euro 2008, a última fase final que disputou.
 
 
Após um ano e meio sem jogar, o selecionador de Inglaterra no Euro 2004 e no Mundial 2006, Sven-Göran Eriksson, convenceu-o a assinar pelo Leicester City, então no Championship, mas não foi além de oito encontros pelos foxes, muito por culpa de uma grave lesão num ombro.
 
Em agosto de 2011 voltou a Portugal para representar o maior clube da sua região, o Vitória de Setúbal, mas nunca conseguiu destronar o brasileiro Diego. Seguiram-se dois anos no Olhanense, clube no qual foi quase sempre suplente de Rafael Bracali e Vid Belec, tendo encerrado a carreira em 2014, aos 38 anos, com uma despromoção à II Liga.
 
 
 
Após pendurar as luvas continuou a viver no Algarve, onde se dedicou ao ramo imobiliário, ao golfe e à família. Porém, passados alguns anos voltou a estar ligado ao futebol, primeiro como comentador televisivo na Sport TV e desde 2022 como treinador de guarda-redes na estrutura da Federação Portuguesa de Futebol.
  


 




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