segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

O pesadelo dos adversários do Sp. Braga na década de 1990. Quem se lembra de Karoglan?

Karoglan brilhou ao serviço do Sp. Braga entre 1993 e 1999
A prova de que é possível sentir nostalgia acerca do período pré-António Salvador do Sp. Braga. Um avançado croata que deixou a antiga Jugoslávia em guerra para se refugiar no futebol português, onde entrou pela porta do Desp. Chaves antes de meia dúzia de anos marcantes Cidade dos Arcebispos.
 
Nascido a 6 de fevereiro de 1964 em Imotski, uma pequena cidade no sul da Croácia, perto da fronteira com a Bósnia e Herzegovina, começou por representar, ainda nos tempos da antiga Jugoslávia, um dos maiores clubes croatas, o Hajduk Split, em 1982-83. Seguiram-se cinco anos nos bósnios do Iskra, ajudando-os a subir ao primeiro escalão jugoslavo em 1984 – mas sem conseguir evitar a despromoção no ano seguinte – e a vencer a Taça Mitropa em 1985.
 
Entre 1988 e 1990 representou o Dinamo Vinkovci [atual HNK Cibalia Vinkovci], tendo ainda passado pelo NK Zagreb em 1990-91, época marcada pela conquista do título da Segunda Liga da Jugoslávia.
 
Depois eclodiu a guerra na antiga Jugoslávia e Karoglan radicou-se em Portugal. “Se não fosse a guerra nunca tinha ido. Tinha 26 anos e não me passava pela cabeça sair daqui, ainda por cima para um país como Portugal, tão longe. É a vida. É a guerra e é a vida…”, recordou ao Maisfutebol em dezembro de 2014.
 
Começou por Chaves, uma cidade “diferente de todas” as que conhecia e na qual passou dias “muito difíceis”, pois “não conhecia ninguém” nem “sabia a língua”. Mas dentro de campo expressou-se bem, com 17 golos em 65 jogos ao longo de dois anos.
 
Após a despromoção à II Liga, em 1993, mudou-se para o Sp. Braga, apesar do alegado interesse de outros clubes. “Chegaram a dizer-me que o FC Porto também me queria. Nunca soube se era verdade. Eu não sabia muitas coisas. Não tinha empresário, veja lá. Sempre fui eu que tratei de tudo, hoje em dia era impossível”, lembrou.
 
No Minho tornou-se um ídolo e um pesadelo para as defesas adversárias. Somou 65 remates certeiros em 212 encontros, tendo contribuído para a obtenção do quarto lugar na I Liga em 1996-97 e para a caminhada até à final da Taça de Portugal na época seguinte, tendo marcado ao Sporting nos quartos de final e bisado diante do Benfica nas meias – “o melhor jogo da minha carreira em Portugal”, confessou.
 
 
Apesar disso, o avançado croata encontrou, à chegada ao Estádio 1º de Maio, um clube “cheio de problemas”. “Era uma confusão. Quando cheguei estava numa situação muito má. Não havia presidente, era só diretores e mais diretores. Era incrível. Naquela altura parecia uma equipa condenada a descer. Tínhamos de entrar em campo para jogar sempre, mas não era fácil. Recebíamos ordenado de três em três meses. Era muito mau. Havia uns 50 diretores. Era um grupo que mandava no Sp. Braga, mas se perguntasse ao António Oliveira [treinador] quem era o presidente ele não sabia responder. Se precisasse de alguma coisa não sabia com quem falar”, descreveu o antigo atacante, que pendurou as botas quando deixou os arsenalistas, em 1999, aos 35 anos.


  





  

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