 |
| Pedro Santos marcou quatro golos em 34 jogos pelo Vitória FC |
Numa conversa em que passou toda
a carreira em revista, o médio ofensivo/extremo Pedro Santos recordou no
programa
Ukra By Night, da
Sport TV, a época 2012-13, na qual
representou o
Vitória
de Setúbal.
O jogador até tinha começado a
temporada no
Leixões,
clube no qual vivia
salários em atraso, mas a uma semana do início do
campeonato ficou acertada a mudança para o
Bonfim.
“Acabei por rescindir com o
Leixões
e o
Leixões
chegou a acordo com o
Vitória
de Setúbal, onde estava o
mister José Mota. Houve um acordo em que me
deixaram ir e receberam dois jogadores por empréstimo do
Vitória
de Setúbal”, começou por contar, em meados de janeiro deste ano.
Inicialmente foi-lhe falado num
contrato de três anos, mas na hora de assinar só lhe foi apresentado um ano. Ainda
que de pé atrás, não desperdiçou a oportunidade de se mudar de um clube da
II
Liga com salários em atraso para outro que lhe iria possibilitar a estreia no
patamar
maior do futebol português.
“Muita gente não sabe, mas agora
acho que já posso falar, porque já muita coisa passou. Acusaram-me de muita
coisa, e o clube também fez de forma a eu parecer o culpado das coisas, mas quando
eu assino pelo
Vitória
de Setúbal, o
Vitória
oferece-me três anos de contrato, a receber no primeiro ano a mesma coisa que
eu estava a receber no
Leixões,
nem mais nem menos… mas quando chego para assinar, apresentam-me um ano de
contrato e dizem-me: ‘vamos assinar por um ano e depois lá mais para a frente
assinamos por mais dois’. Achei aquilo um bocado estranho, mas disse que estava
bem, que podia ser. Quando cheguei, era a uma semana de começar o campeonato,
não tinha feito pré-época, e viajámos para a Madeira para jogar com o
Nacional.
Assinei e deixaram aquilo andar. Nesse primeiro jogo, estávamos a perder 2-0,
eu entrei a faltar 30 minutos, sofri penálti e empatámos 2-2. Depois comecei a titular
com o
Benfica,
mas aos onze minutos o Amoreirinha levou vermelho e sobrou para mim. Depois jogámos
com o
Gil
Vicente lá, entrei com energia e empatámos 0-0. A partir daí as coisas
foram começando a correr bem, o mister começou a apostar em mim a titular.
Começou a aproximar-se dezembro e começou-se a falar que havia interessados. A
partir daí o
Vitória
passou a estar sob pressão, e começaram a prometer-me a renovação, a dar muito
mais do que aquilo que estavam a dar, quase para ser um dos mais bem pagos do
plantel, e em conversa com os meus empresários concluímos que naquela altura
não valia a pena, para esperarmos o que dava o mercado de janeiro. Depois foi a
minha vez de adiar. Pensaram: ‘se correr bem a gente renova, se não correr não
gastamos mais dinheiro’. Mas as coisas começaram a correr-me muito bem. Em
janeiro acabou por não aparecer nada. Depois houve um momento em que me podem
apontar alguma coisa, porque aceitei renovar e quando ia para renovar apareceu
o
Sp.
Braga, que naquela época tinha jogado na
Liga
dos Campeões. A minha prioridade foi o
Sp.
Braga”, lembrou Pedro Santos, autor de quatro golos e três assistências
pelos
sadinos
na
I
Liga em 2012-13, ajudando a equipa a assegurar a permanência.
À beira-Sado, o antigo
futebolista do
Casa
Pia teve companheiros de equipa jogadores como “o
Ricardo Silva, que já era
o dinossauro da equipa; o Zé Pedro, o Amoreirinha, o Miguel Pedro, o
Meyong…”
Foi precisamente Ricardo Silva,
na altura com 37 anos, o protagonista da história mais hilariante que Pedro
Santos viveu no
Vitória:
“Estávamos no meeting a rever o jogo anterior, que tínhamos perdido por 0-3 com
o
Estoril.
O jogo não tinha corrido nada bem e o mister José Mota, na azia, estava a dar
uma dura no balneário, a mandar vir, e quase que a culpar o Ricardo pelo
resultado. Começaram os dois a discutir. O Ricardo já estava a perder a cabeça
e disse: ‘o mister está aí a querer arranjar bode expiatório, mas em quatro
centrais que nós temos, eu sou o quinto’. Vira-se o José Mota: ‘O quê, rapaz? Vou-te
já dizer: tu não és o quinto, tu até atrás do roupeiro estás!’. Estava tudo em
silêncio e nós num cantinho só a rir, com a mão à frente.”
Sem comentários:
Enviar um comentário