quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Hélder Barbosa lembra ano no Vitória: “Não é muito normal um clube da I Liga fazer captações…”

Hélder Barbosa marcou dois golos em 28 jogos pelo Vitória
Internacional A por Portugal, duas vezes campeão nacional pelo FC Porto e finalista da Liga Europa ao serviço do Sp. Braga, Hélder Barbosa andou de empréstimo em empréstimo até se afirmar num nível alto no futebol português. Após ter estado cedido a Académica e Trofense, em 2009-10 foi emprestado ao Vitória de Setúbal, ainda que tivesse rumado ao Bonfim de nariz torcido.
 
Tudo porque preferia ficar num emblema da zona norte, para estar mais perto da família, e pela desconfiança em relação ao projeto sadino, que no início dessa temporada promoveu captações, com dezenas de jogadores à experiência.
 
“Demoraram-me a convencer, porque não é muito normal um clube da I Divisão fazer captações. O Vitória estava a fazer captações nesse ano. Tinha outras propostas de I Liga e era uma situação um bocado estranha, lia nos jornais que estavam lá 30 ou 40 jogadores. Comecei a ficar de pé atrás. Era bom porque o mister Carlos Azenha me queria, ele já me conhecia, mas o presidente Pinto da Costa é que decidiu. Eu estava mais inclinado para outras propostas da I Liga, mais perto de casa, como o Leixões, e eu preferia um projeto que me parecia mais saudável e perto de casa. Chamaram-me à Torre das Antas, estava lá o Carlos Azenha e o Antero Henrique, e Pinto da Costa disse: ‘Vais para o Vitória! Vais fazer um grande campeonato lá, o mister também vai fazer um grande campeonato e vai ser bom para toda a gente.’ Ainda disse baixinho ao presidente que aquilo lá em baixo estava difícil, mas ele disse-me que eu fazia um grande campeonato e que íamos ficar na I Liga”, começou por contar o extremo esquerdino no podcast 90+3, no início de fevereiro deste ano.
 
 
Pinto da Costa acertou em duas previsões: o Vitória assegurou a permanência e Hélder Barbosa fez um bom campeonato, ao ponto de ter dado o salto para o Sp. Braga logo a seguir. Mas enganou-se em relação a Azenha. “Nessa época ficámos na I Liga, mas já não foi com o mister Carlos Azenha. Foi com o Manuel Fernandes. Não sei como foi a época do Leixões, mas lembro-me que fomos ganhar ao Estádio do Mar, não sei se chegaram a cair ou não, mas ficaram ali a lutar até ao fim e nós ainda nos safámos. Acabou por ser uma escolha acertada e eu adorei as pessoas de Setúbal”, contou Hélder Barbosa, autor de dois golos e seis assistências pelos sadinos em 2009-10, temporada em que o Leixões… foi último classificado e desceu mesmo de divisão.
 
 
Embora Azenha já o conhecesse das épocas em que foi adjunto de Jesualdo Ferreira no FC Porto, é de Manuel Fernandes que o extremo guarda grandes recordações: “Incrível a maneira como ele levava tudo. Vivenciei coisas com o mister que nunca pensei na minha vida. Em todos os estágios em que íamos para o Porto, no autocarro só havia uma televisãozinha ligada e o mister metia vídeos dele a fazer golos. Numa viagem de Setúbal para o Norte levávamos três horas a ver vídeos de golos e jogadas. De repente estava tudo calado e ele: ‘olha para este lance. É assim que se faz!’. Na altura tínhamos o Keita e o Rui Fonte como pontas de lança e ele para eles: ‘toma lá, vê como se faz miúdo’. Acho que no primeiro jogo dele em Setúbal, não sei se não foi com o Leixões, o Luís Carlos, nosso extremo, falhou um golo de caras, e ele começou a rebolar no chão. Toda a gente ficou a olhar para ele. Ele vivia aquilo, puxava os cabelos e nos treinos era muito assim. Mas tinha um lado humano incrível. Chamavam-nos sempre para falar: ‘está tudo bem, menino? Se precisares…’. Era muito próximo, terra-a-terra.”
 
 
 







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