Tudo porque preferia ficar num
emblema da zona norte, para estar mais perto da família, e pela desconfiança em
relação ao projeto
sadino,
que no início dessa temporada promoveu captações, com dezenas de jogadores à
experiência.
“Demoraram-me a convencer, porque
não é muito normal um clube da
I
Divisão fazer captações. O
Vitória
estava a fazer captações nesse ano. Tinha outras propostas de
I
Liga e era uma situação um bocado estranha, lia nos jornais que estavam lá
30 ou 40 jogadores. Comecei a ficar de pé atrás. Era bom porque o mister
Carlos
Azenha me queria, ele já me conhecia, mas o presidente
Pinto
da Costa é que decidiu. Eu estava mais inclinado para outras propostas da
I
Liga, mais perto de casa, como o
Leixões,
e eu preferia um projeto que me parecia mais saudável e perto de casa.
Chamaram-me à Torre das Antas, estava lá o
Carlos
Azenha e o Antero Henrique, e
Pinto
da Costa disse: ‘Vais para o
Vitória!
Vais fazer um grande campeonato lá, o mister também vai fazer um grande
campeonato e vai ser bom para toda a gente.’ Ainda disse baixinho ao presidente
que aquilo lá em baixo estava difícil, mas ele disse-me que eu fazia um grande
campeonato e que íamos ficar na
I
Liga”, começou por contar o extremo esquerdino no podcast
90+3, no
início de fevereiro deste ano.
Pinto
da Costa acertou em duas previsões: o
Vitória
assegurou a permanência e Hélder Barbosa fez um bom campeonato, ao ponto de ter
dado o salto para o
Sp.
Braga logo a seguir. Mas enganou-se em relação a
Azenha.
“Nessa época ficámos na
I
Liga, mas já não foi com o mister
Carlos
Azenha. Foi com o
Manuel
Fernandes. Não sei como foi a época do
Leixões,
mas lembro-me que fomos ganhar ao
Estádio do Mar, não sei se chegaram a cair ou
não, mas ficaram ali a lutar até ao fim e nós ainda nos safámos. Acabou por ser
uma escolha acertada e eu adorei as pessoas de Setúbal”, contou Hélder Barbosa,
autor de dois golos e seis assistências pelos
sadinos
em 2009-10, temporada em que o
Leixões…
foi último classificado e desceu mesmo de divisão.
Embora
Azenha
já o conhecesse das épocas em que foi adjunto de
Jesualdo
Ferreira no
FC
Porto, é de
Manuel
Fernandes que o extremo guarda grandes recordações: “Incrível a maneira
como ele levava tudo. Vivenciei coisas com o mister que nunca pensei na minha
vida. Em todos os estágios em que íamos para o Porto, no autocarro só havia uma
televisãozinha ligada e o mister metia vídeos dele a fazer golos. Numa viagem
de Setúbal para o Norte levávamos três horas a ver vídeos de golos e jogadas.
De repente estava tudo calado e ele: ‘olha para este lance. É assim que se faz!’.
Na altura tínhamos o Keita e o Rui Fonte como pontas de lança e ele para eles: ‘toma
lá, vê como se faz miúdo’. Acho que no primeiro jogo dele em Setúbal, não sei
se não foi com o
Leixões,
o Luís Carlos, nosso extremo, falhou um golo de caras, e ele começou a rebolar
no chão. Toda a gente ficou a olhar para ele. Ele vivia aquilo, puxava os
cabelos e nos treinos era muito assim. Mas tinha um lado humano incrível.
Chamavam-nos sempre para falar: ‘está tudo bem, menino? Se precisares…’. Era
muito próximo, terra-a-terra.”
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