Recrutado ao então campeão
francês Lille no verão de 2011, o defesa brasileiro mostrou estar a
anos-luz da vocação ofensiva do antecessor, algo essencial numa equipa que
tantas e tantas vezes no campeonato jogava instalada no meio-campo adversário. A
solidez defensiva que acrescentava era um atributo considerado insuficiente aos
olhos dos adeptos, mas a aposta em 2011-12 recaiu quase sempre sobre Emerson,
que relegou para o banco um campeão do mundo em título, Joan
Capdevila. Na única temporada que passou na Luz,
o lateral nascido em São Paulo a 23 de fevereiro de 1986 até venceu a Taça
da Liga, mas não foi além de uma assistência (e zero golos) em 39 jogos, uma
contribuição para golos bastante inferior à de Coentrão
tanto na temporada anterior (cinco golos e cinco assistências) como em 2009-10
(três golos e nove assistências). “O Fábio
era um jogador da seleção
portuguesa, estava numa fase boa, tinha saído…não era fácil substituí-lo.
Eu pensei que tinha de trabalhar o dobro para ser titular no Benfica,
e fui à procura do meu futebol, nos treinos e nos jogos”, recordou ao Maisfutebol
em maio de 2020. “Não é qualquer um que substitui
o Coentrão,
como eu disse. Mas apesar das críticas da torcida, de dizerem que eu não tinha
encaixado, eu não via as coisas assim. Estamos lá dentro para obedecer às
ordens do treinador. A torcida estava no seu direito de cobrar e de apoiar. E
quando vinha a cobrança eu ficava tranquilo, não via o lado negativo. Pensava
em melhorar cada vez mais para dar uma resposta aos adeptos”, acrescentou. De titular indiscutível passou a
dispensável, tendo sido colocado a treinar à parte até arranjar uma solução
para perseguir a carreira, que passou por uma transferência para os turcos de
Trabzonspor. “Quando estava para voltar de férias disseram-me que não ia fazer
parte do plantel, que ia ser negociado, e até lá ia treinar com a equipa
B. Mas também não fiquei chateado, a vida é mesmo assim. Tinha de ser forte
e continuar a caminhar…”, lembrou. Paralelamente, Jesus
apostou na adaptação do ex-extremo Melgarejo, que também não foi propriamente
bem-sucedida. Os erros de casting para a posição continuaram com Bruno
Cortez, um problema que só ficou resolvido com a contratação de Siqueira,
já no final do mercado de verão de 2013. Quanto a Emerson, que em janeiro
de 2007 havia saltado do modesto J. Malucelli para o Lille,
clube pelo qual venceu a dobradinha francesa em 2010-11, ainda chegou a voltar
ao futebol
gaulês para vestir a camisola do Rennes em 2013-14 após a passagem pela
Turquia.
Depois regressou ao Brasil para
representar o Atlético
Mineiro – pelo qual venceu a Copa do Brasil em 2014 e a Recopa
Sul-Americana em 2014 e o campeonato mineiro em 2015 –, Coritiba
e os modestos Rio Branco e Cianorte antes de pendurar discretamente as botas em
2019, aos 33 anos.
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