segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Hoje faz anos o patinho feio que sucedeu a Coentrão no Benfica. Quem se lembra de Emerson?

Emerson atuou em 39 jogos pelo Benfica em 2011-12
A posição de lateral esquerdo foi, durante vários anos, uma dor de cabeça para os vários treinadores do Benfica. Quique Flores insistiu em desviar David Luiz para lá e Jorge Jesus experimentou Shaffer e César Peixoto antes de se decidir pela adaptação, com grande sucesso, de Fábio Coentrão. Após a saída do canhoto das Caxinas para o Real Madrid, o problema voltou a colocar-se, com Emerson a não convencer.
 
Recrutado ao então campeão francês Lille no verão de 2011, o defesa brasileiro mostrou estar a anos-luz da vocação ofensiva do antecessor, algo essencial numa equipa que tantas e tantas vezes no campeonato jogava instalada no meio-campo adversário. A solidez defensiva que acrescentava era um atributo considerado insuficiente aos olhos dos adeptos, mas a aposta em 2011-12 recaiu quase sempre sobre Emerson, que relegou para o banco um campeão do mundo em título, Joan Capdevila.
 
Na única temporada que passou na Luz, o lateral nascido em São Paulo a 23 de fevereiro de 1986 até venceu a Taça da Liga, mas não foi além de uma assistência (e zero golos) em 39 jogos, uma contribuição para golos bastante inferior à de Coentrão tanto na temporada anterior (cinco golos e cinco assistências) como em 2009-10 (três golos e nove assistências). “O Fábio era um jogador da seleção portuguesa, estava numa fase boa, tinha saído…não era fácil substituí-lo. Eu pensei que tinha de trabalhar o dobro para ser titular no Benfica, e fui à procura do meu futebol, nos treinos e nos jogos”, recordou ao Maisfutebol em maio de 2020.
 
“Não é qualquer um que substitui o Coentrão, como eu disse. Mas apesar das críticas da torcida, de dizerem que eu não tinha encaixado, eu não via as coisas assim. Estamos lá dentro para obedecer às ordens do treinador. A torcida estava no seu direito de cobrar e de apoiar. E quando vinha a cobrança eu ficava tranquilo, não via o lado negativo. Pensava em melhorar cada vez mais para dar uma resposta aos adeptos”, acrescentou.
 
De titular indiscutível passou a dispensável, tendo sido colocado a treinar à parte até arranjar uma solução para perseguir a carreira, que passou por uma transferência para os turcos de Trabzonspor. “Quando estava para voltar de férias disseram-me que não ia fazer parte do plantel, que ia ser negociado, e até lá ia treinar com a equipa B. Mas também não fiquei chateado, a vida é mesmo assim. Tinha de ser forte e continuar a caminhar…”, lembrou.
 
Paralelamente, Jesus apostou na adaptação do ex-extremo Melgarejo, que também não foi propriamente bem-sucedida. Os erros de casting para a posição continuaram com Bruno Cortez, um problema que só ficou resolvido com a contratação de Siqueira, já no final do mercado de verão de 2013.
 
Quanto a Emerson, que em janeiro de 2007 havia saltado do modesto J. Malucelli para o Lille, clube pelo qual venceu a dobradinha francesa em 2010-11, ainda chegou a voltar ao futebol gaulês para vestir a camisola do Rennes em 2013-14 após a passagem pela Turquia.
 
 
Depois regressou ao Brasil para representar o Atlético Mineiro – pelo qual venceu a Copa do Brasil em 2014 e a Recopa Sul-Americana em 2014 e o campeonato mineiro em 2015 –, Coritiba e os modestos Rio Branco e Cianorte antes de pendurar discretamente as botas em 2019, aos 33 anos.
 



 








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