Hoje faria anos o polivalente que partiu cedo demais. Quem se lembra de Tengarrinha?
Vitória FC e Boavista foram os clubes em que Tengarrinha jogou mais
Internacional jovem português em
29 ocasiões, era um daqueles jogadores polivalentes capazes de desempenhar
eficientemente várias posições. Jogou mais vezes como trinco, mas tanto poderia
aparecer também numa linha intermédia a meio-campo como atuar como defesa central.
E, ao longo da carreira, chegou a desenrascar também como lateral direito.
Nascido em Lisboa a 17 de
fevereiro de 1989, Bernardo Tengarrinha começou a jogar futebol nas escolinhas
do Odivelas,
de onde saltou para o Benfica
na transição para infantil, em 2000. Cinco anos depois somou as primeiras
internacionalizações, pelos sub-16, e mudou-se para o FC
Porto, clube no qual concluiu a formação. Em 2008-09 foi integrado no plantel
principal dos dragões,
às ordens de Jesualdo
Ferreira, mas não foi além de dois jogos disputados, ambos para a Taça
de Portugal, o que fez dele um vencedor da competição nessa época, mas que
não fez com que fosse considerado campeão nacional, pois não atuou no campeonato
pelos azuis
e brancos. No segundo semestre de 2009 foi
para o Estrela
da Amadora ganhar minutos e experiência na I
Liga, ajudando os tricolores,
fustigados com problemas de salários em atraso que vieram até a motivar a
despromoção administrativa à II Divisão B, a atingir as meias-finais da Taça
de Portugal. No final da época, representou a seleção
nacional de sub-21 no prestigiado Torneio de Toulon. Ainda por empréstimo do FC
Porto passou toda a temporada de 2009-10 no Olhanense
antes de dividir a época seguinte entre Santa
Clara na II
Liga e Vitória
de Setúbal no primeiro
escalão. Continuou no Bonfim
em 2011-12, já a título definitivo, mas nunca conseguiu afirmar-se como um
titular indiscutível, não indo além de 25 jogos (14 dos quais como titular) em
ano e meio à beira-Sado.
Seguiu-se a única aventura no
estrangeiro, ao serviço dos búlgaros do CSKA Sófia, antes de um regresso a
Portugal através da porta da II
Liga, patamar competitivo no qual defendeu as cores de Freamunde
e Desp.
Chaves. Entre 2014 e 2016 viveu a melhor
fase da carreira no Boavista,
chegando inclusivamente a capitão de equipa, mas aos 28 anos viu-se obrigado a suspender
a carreira devido a um linfoma de Hodgkin, uma doença com sintomas similares
aos da leucemia e que lhe ceifou a vida a 30 de outubro de 2021, aos 32 anos.
Após pendurar as botas colaborou
com o Sindicato de Jogadores Profissionais de Futebol (SJPF) num projeto que
visava combater o declínio da saúde mental dos atletas e voltou ao Vitória
de Setúbal como treinador-adjunto da equipa de sub-23, tendo estado no
cargo durante as temporadas 2018-19 e 2019-20.
Sem comentários:
Enviar um comentário