segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Os 10 jogos mais marcantes de sempre no Estádio do Bonfim

Estádio do Bonfim é a casa do Vitória Futebol Clube

Inaugurado a 16 de setembro de 1962, o Estádio do Bonfim sucedeu ao antigo Campo dos Arcos como casa do Vitória Futebol Clube. Situado no centro de Setúbal, junto ao Parque do Bonfim, o palco sadino já recebeu públicos de mais de 30 mil pessoas, mas atualmente está homologado com uma capacidade total para 15.497 espetadores.


Construído a mando do histórico presidente Mário Ledo, com grande ajuda do povo setubalense e de empresas da região, recebeu tem recebido ao longo de várias décadas jogos da I Liga, Taça de Portugal, competições europeias e até das seleções nacionais. Em 2002, foi mesmo palco da Supertaça Cândido de Oliveira.

Além do campo principal, o Complexo do Bonfim alberga ainda dois campos de relvado sintético para o futebol de formação e o Pavilhão Antoine Velge para as modalidades indoor, com principal destaque para o andebol, que tem grande tradição no clube.


16 de setembro de 1962 – Jogo de inauguração
Vitória FC 0-1 Académica
Dia de grande festa para Setúbal. O Presidente da República, o almirante Américo Thomaz, estava na cidade para inaugurar o Estádio do Bonfim, colocando no estandarte vitoriano a Medalha de Mérito Desportivo e recebendo o diploma de honra do clube vitoriano. A cerimónia, que começou pela manhã com alvorada de foguetes e morteiros e a chegada de excursionistas vestidos a rigor, estendeu-se pela tarde, com o desfile de todas as modalidades do Vitória e um jogo entre os sadinos e a Académica.
Os estudantes ganharam por 1-0, mas nem por isso as festividades azedaram. Na altura, apenas existia a bancada poente e os jogadores equipavam-se nos balneários do pavilhão. “O Estádio do Bonfim que foi ontem inaugurado pelo chefe do estado reflete o esforço de um clube – o Vitória – e de uma cidade – Setúbal”, podia ler-se na capa do Diário de Notícias no dia seguinte.



30 de outubro de 1968 – Taça das Cidades com Feiras (primeira-mão da 2.ª eliminatória)
Vitória FC 5-0 Lyon
Depois de ter despachado os norte-irlandeses do Linfield na primeira ronda, na segunda os sadinos defrontaram o carrasco da Académica, os franceses do Lyon. Com uma exibição categórica, a equipa de Fernando Vaz goleou por 5-0, com um hat trick de Tomé (32’, 57’ e 70’) depois do golo inaugural de Carriço (30’) e antes de Petita sentenciar o resultado final na conversão de uma grande penalidade (81’), para gáudio dos cerca de 10 mil espetadores que estiveram no Bonfim nessa quarta-feira à tarde.
“Recordo-me que nesse jogo até poderia ter feito quatro golos, pois pedi ao Sr. Fernando Vaz para me deixar marcar a grande penalidade, mas ele preferiu que fosse o Petita a fazê-lo. Só mais tarde compreendi a sua decisão. O Petita era um avançado que fazia golos e como nesse jogo tinha sido suplente precisava de ganhar moral. Em primeiro lugar está a equipa”, afirmou Tomé, em declarações reproduzidas pelo site oficial do Vitória.
No dia seguinte, o jornal desportivo gaulês L’Equipe apelidou Tomé de “Fachetti de Setúbal” e considerou a exibição da equipa do seu país uma “deceção”.
Na segunda mão, os vitorianos foram a França vencer por 2-0.



18 de dezembro de 1968 – Taça das Cidades com Feiras (primeira-mão dos oitavos de final)
Vitória FC 3-0 Fiorentina
Depois do Lyon, a Fiorentina, que nessa época até se haveria de sagrar campeã de Itália e era uma presença assídua nas competições europeias. Porém, no Bonfim só deu Vitória, que precisou de pouco mais de 50 minutos para construir uma vitória por 3-0. José Maria bisou (13 e 52 minutos) e pelo meio Arcanjo (36’) também marcou.
Na segunda-mão, os sadinos foram derrotados em Florença por 2-1 mas seguiram em frente.



22 de agosto de 1970 – Jogo de inauguração da iluminação artificial
Vitória FC 2-1 Sporting Gijón
Apenas oito anos depois da inauguração do estádio é que o recinto recebeu iluminação artificial, depois de um grupo de sócios se ter juntado, criado uma comissão e oferecido a luz. De acordo com o site do Vitória, a instalação a cargo da Philips “compreendia quatro postes de iluminação com 46 metros de altura” e “era composta por 96 projetores, equipados com 96 lâmpadas de vapor de mercúrio com a potência de 2 kw cada e que seria considerada, para a época, como a tecnologicamente mais avançado do nosso país”.
Antes do jogo com os espanhóis do Sporting de Gijón, foi descerrada uma lápide junto a um dos postes de iluminação, pelo então Subsecretário de Estado da Juventude e do Desporto, Augusto Ataíde. Depois disso, os sadinos venceram por 2-1, com golos de Wagner e Vítor Batista. “Setúbal viveu uma grande noite. Vitória (equipa) é que demorou mais a acender a luz”, destacou A Bola.



4 de novembro de 1971 – Taça UEFA (segunda-mão da segunda eliminatória)
Vitória FC 4-0 Spartak Moscovo
Na altura ainda não havia registo de espetadores, mas muitos acreditam que a maior enchente do Bonfim foi na receção ao Spartak Moscovo, naquela que foi a primeira vez que uma equipa soviética visitou Portugal. Foi a primeira vez que uma bandeira da União Soviética foi içada em solo nacional, porém, por imposição do regime que então vigorava, foi proibido de ser tocado o hino soviético, tendo este sido substituído pela “Internacional”.
“Quando o Spartak Moscovo veio cá jogar para a Taça das Cidades com Feira, o estádio encheu. As pessoas pensavam que os russos vinham de saia, não sei…. Veio gente de todo o distrito e até de Lisboa. Acho que foi o jogo que levou mais gente ao Bonfim. Deviam estar umas 32 mil pessoas no estádio”, afirmou o ex-dirigente Rui Salas ao jornal O Setubalense, em setembro de 2016.
Os sadinos golearam por 4-0, com dois golos de José Torres, um de Jacinto João e outro de Octávio Machado, depois de terem empatado a zero em Moscovo.



23 de setembro de 1973 – I Divisão (3.ª jornada)
Vitória FC 9-0 Olhanense
O Vitória vivia o seu período áureo e, no arranque do campeonato de 1973/74, tinha derrotado o Sporting em casa (1-0) e a Académica em Coimbra (3-0). Seguiu-se a receção ao recém-promovido Olhanense, naquela que acabou por ser a maior goleada de sempre dos sadinos na I Divisão. Dois golos do uruguaio Henrique Câmpora (16 e 41 minutos), outros dois de Augusto Matine (49’ e 82’), três do brasileiro Duda (60’, 77’ e 90’) e um de José Torres (32’) e ouro de José Maria (78’) construíram um recorde que ainda hoje perdura.


12 de dezembro de 1973 – Taça UEFA (segunda-mão da 3.ª eliminatória)
Vitória FC 3-1 Leeds
Depois de ter eliminado duas equipas belgas nas rondas anteriores, o Beerschot e o Molenbeek, calhou em sorte ao Vitória os ingleses do Leeds, que nessa época se haveriam de sagrar campeões do seu país. Perante o finalista vencido da Taça das Taças da temporada anterior, os sadinos de José Maria Pedroto foram derrotados em Elland Road na primeira-mão.
No entanto, no segundo jogo, os vitorianos fizeram valer a fortaleza Bonfim e venceram por 3-1, tendo chegado a estar a ganhar por três golos de vantagem. O brasileiro Duda bisou (51 e 74 minutos) e pelo meio José Torres fez o outro golo (62’). Na reta final do encontro, o recém-entrado Gary Liddell ainda deu alguma esperança aos whites.



21 de novembro de 1993 – I Divisão (10.ª jornada)
Vitória FC 5-2 Benfica
Ao cabo das nove primeiras jornadas, o Vitória de Raul Águas era último classificado e o Benfica de Toni primeiro. Quando as duas equipas se defrontaram no Bonfim, as águias eram claras favoritas, mas durante os 90 minutos foram os sadinos a mostrar grande categoria.
O avançado nigeriano Rashidi Yekini foi a grande figura do encontro, ao apontar dois golos, o primeiro (29’) e o penúltimo da tarde (73’). Com o resultado ainda a zeros, o jogador africano protagonizou um grande momento, ao arrancar com a bola a meio do seu meio-campo e, na cara de Neno, a rematar ao poste. E já com os sadinos a vencer por 1-0, acertou com estrondo na trave. O estreante brasileiro Sérgio Araújo (39’) e o esquerdino Paulo Gomes de livre direto (52’) dilataram a vantagem, Vítor Paneira (55’) e Aílton (66’) reduziram-a, antes de Chiquinho Conde dar a estocada final (82’).
“Lembro-me de o Vitória de Setúbal ter dois jogadores muito importantes. Sobre a direita tinha um brasileiro muito rápido que era o Sérgio Araújo e depois um ponta-de-lança nigeriano, que infelizmente já morreu, que era o Yekini. Não era um jogador muito dotado do ponto de vista técnico, mas fisicamente era impressionante… O Vitória de Setúbal chega de forma muito fácil ao 3-0, depois houve uma reação e chegamos ao 3-2 e estamos perto do 3- 3, mas aparece o 4-2 que sentencia o jogo. Realmente, houve Vitória de Setúbal a mais para Benfica a menos”, afirmou Toni ao jornal I duas décadas depois.
“Não houve uma preparação especial. Éramos uma equipa de vocação ofensiva, mas no início as coisas não estavam a sair. Depois acabámos em sexto. Podíamos ter marcado mais golos. Éramos fortes no contra-ataque e o Benfica apostou tudo na frente, mas não aproveitámos”, recordou Raúl Águas ao Record em 2014.



27 de maio de 2001 – II Liga (34.ª jornada)
Vitória FC 2-1 Naval
Depois de ter descido de divisão na época anterior, o Vitória procurava rapidamente fugir ao inferno da II Liga e regressar ao patamar maior do futebol português. À entrada para a última jornada, os sadinos eram os segundos classificados, com os mesmos pontos que o Varzim, que era terceiro e também estava em zona de promoção, e o Maia. Nos últimos minutos do campeonato, a equipa de Jorge Jesus empatava em casa com a Naval, enquanto varzinistas e maiatos cumpriu o seu trabalho. Porém, um golo de Meyong mesmo a acabar deu um triunfo por 2-1, depois de Wender ter adiantado os figueirenses e Fernando Mendes empatado logo a seguir de grande penalidade.
Seguiu-se a festa no lotado Bonfim e pelas ruas de Setúbal. “Queria dedicar esta vitória a esta massa associativa. Esta cidade tem uma paixão pelo futebol que tirando Benfica, Sporting e FC Porto mais ninguém tem. Ninguém consegue arrastar tanta gente atrás como o Vitória arrastou aqui hoje, 30 mil pessoas, todos eles vitorianos. Esta subida à I Liga vai inteiramente para os sócios e simpatizantes”, afirmou Jorge Jesus após o encontro decisivo.



19 de abril de 2005 – Taça de Portugal (meias-finais)
Vitória FC 2-1 Boavista
Depois de 32 anos sem qualquer presença em finais de Taça de Portugal, o Vitória tinha a possibilidade de decidir no Bonfim o apuramento para o Jamor frente a um Boavista que já não era o Boavistão do início do milénio. Os axadrezados até se adiantaram no marcador logo aos 8 minutos, com um golo de Zé Manel de grande penalidade, mas os sadinos, orientados por José Rachão, haveriam de responder. Meyong empatou ainda na primeira parte, a passe de Bruno Ribeiro, mas desperdiçou um penálti no segundo tempo. Com uma igualdade no fim dos 90 minutos mas com o Boavista já em desvantagem numérica devido à expulsão de João Pedro, os setubalenses completaram a reviravolta no início do prolongamento com um golo memorável de Bruno Ribeiro, que do meio da rua rematou muito forte e levou a bola a embater na trave antes de entrar na baliza de Carlos. A imagem do remate do lateral/extremo esquerdo e os festejos efusivos do treinador são imagens que perduram na memória dos adeptos vitorianos.
























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