segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Eterno suplente e primeiro cliente de Jorge Mendes. Quem se lembra de Nuno Espírito Santo?

Nuno Espírito Santo atuou em 61 jogos pelo FC Porto
Hoje mais conhecido pelo trabalho como treinador, viveu durante grande parte da carreira na sombra de outros guarda-redes. Foi assim durante meia dúzia de anos tanto no Deportivo da Corunha como no FC Porto. E mesmo no Vitória de Guimarães, que o catapultou para a alta-roda, nunca foi um titular indiscutível.  
 
Nascido a 25 de janeiro de 1974 em São Tomé e Príncipe, mudou-se para Portugal aos oito anos e começou a jogar futebol nas camadas jovens de dois clubes do Barreiro, o Santoantoniense e a Quimigal (antiga CUF, atual Fabril). Depois rumou a norte para prosseguir a formação nos Caçadores “Os Torreenses”, de Valença, tendo-a concluído no Vitória de Guimarães.
 
A primeira época na equipa principal, 1992-93, foi vivida na sombra de Madureira e Jesus, tendo apenas atuado no jogo da última jornada do campeonato, uma derrota em Barcelos às mãos do Gil Vicente (0-2). Por essa altura, já era internacional sub-18 por Portugal.
 
Na temporada seguinte esteve emprestado ao Vila Real, na antiga II Divisão B, o que lhe permitiu jogar com regularidade, apesar de ter descido de divisão.
 
No regresso ao Dom Afonso Henriques parecia destinado a ser o terceiro guarda-redes, atrás de Zé Carlos e Madureira na hierarquia, mas acabou por agarrar a titularidade em janeiro de 1995, a tempo de disputar um total de 20 jogos (e sofrer 22 golos) até ao final da época.


Em 1995-96 começou como suplente de Neno, mas voltou a tornar-se no dono da baliza a meio da época, tendo-a terminado com 17 jogos e 13 golos sofridos.


No verão de 1996 foi o guarda-redes titular da seleção olímpica portuguesa que obteve um quarto lugar nos Jogos de Atlanta, e transferiu-se de forma surpreendente para o Deportivo da Corunha por 450 mil contos (2,250 milhões de euros). O negócio foi intermediado por Jorge Mendes, na altura um mero desconhecido que Nuno Espírito Santo conheceu numa discoteca em Caminha.
 
Em seis anos de ligação ao emblema galego, só não foi habitual suplente de Jacques Songo'o (1996 a 1998) ou José Francisco Molina (2001-02) quando esteve emprestado a Mérida (1998 a 2000) e Osasuna (2000-01). Em 2001-02 até foi o habitual titular nos jogos da Taça do Rei, que o Depor acabou por conquistar, mas Javier Irureta entregou a baliza a Molina na final diante do Real Madrid.

 
Ainda assim, os empréstimos foram produtivos. Em 1999-00 recebeu o troféu Ricardo Zamora, atribuído ao guarda-redes menos batido da II Liga Espanhola, e na época seguinte ajudou o Osasuna a assegurar a permanência no primeiro escalão. Paralelamente, foi chamado a representar a seleção nacional B em três encontros particulares entre abril de 2000 e janeiro de 2001.


No verão de 2002, já com Jorge Mendes estabelecido como um dos principais agentes FIFA do futebol português, transferiu-se para o FC Porto no âmbito da transferência que levou Jorge Andrade para a Corunha.
 
Na primeira passagem pelos dragões foi quase sempre suplente de Vítor Baía. Ainda chegou a destronar o eterno 99 durante os primeiros meses, quando o veterano guarda-redes teve um desentendimento com José Mourinho, mas viria a perder o posto ainda em novembro de 2002, só o reavendo em partidas de menor importância. Tal como na época anterior, foi o dono da baliza durante toda a caminhada na taça, tendo inclusivamente marcado um golo de penálti numa goleada ao Varzim nas Antas (7-0), mas foi relegado para o banco na final, um triunfo sobre a União da Leiria. Ainda assim, adicionou ao palmarés a conquista desse troféu, do campeonato e da Taça UEFA.
 
 
Em 2003-04 voltou a ser o guarda-redes da Taça de Portugal, desta feita com direito a atuar na final, perdida para o Benfica (1-2). No campeonato só atuou após estar garantida a conquista do título e na Liga dos Campeões não chegou a ir a jogo.
 
No início da época seguinte, mais do mesmo. No entanto, aproveitou em novembro e dezembro 2004 problemas físicos de Vítor Baía para atuar em sete jogos às ordens do espanhol Victor Fernández. Uma taquicardia do habitual titular permitiu-lhe mesmo jogar na Taça Intercontinental, tendo mantido a baliza a zero antes do triunfo sobre o Once Caldas no desempate por penáltis.
 
No verão de 2005 transferiu-se para o Dínamo Moscovo, emblema russo que nessa altura também recrutou Costinha, Maniche, Derlei, Frechaut, Danny, Thiago Silva, Seitaridis e Cícero no futebol português. Até começou por jogar com regularidade na Rússia, destronando o arménio Roman Berezovsky, mas em 2006 passou para a sombra do lituano Zydrunas Karcemarskas.
 
Em janeiro de 2007 regressou a Portugal para defender a baliza do Desp. Aves. Embora tivesse atuado em toda a segunda volta – 15 jogos, 19 golos sofridos –, não conseguiu impedir a despromoção à II Liga.
 
Ainda assim, no final dessa época voltou ao FC Porto, desta vez para ser suplente de Helton, precisamente após Vítor Baía ter pendurado as luvas.
 
Nesta segunda passagem pelo Dragão, que coincidiu com os últimos três anos na carreira, disputou 30 jogos – a juntar aos 31 da primeira passagem – e venceu mais dois campeonatos (2007-08 e 2008-09, a juntar aos de 2002-03 e 2003-04) e uma Taça de Portugal (2008-09, a juntar à de 2002-03) e tornou-se um líder no balneário. Nesse período os dragões também venceram a Supertaça de 2009 e a Taça de Portugal de 2009-10, mas Nuno não foi utilizado nessas competições. Pelo meio foi convocado para o Euro 2008, devido à lesão de Quim, mas não chegou a jogar de quinas ao peito.
 
 
No verão de 2010 terminou a carreira de jogador e iniciou a de treinador, aos 36 anos. Começou como adjunto de Jesualdo Ferreira no Málaga e no Panathinaikos e estreou-se como técnico principal no Rio Ave, um clube muito bem relacionado com Jorge Mendes, em 2012-13.
 
Na segunda época ao leme dos vila-condenses atingiu as finais da Taça de Portugal e da Taça da Liga, guiando o clube pela primeira vez às competições europeias.
 
Valorizado, deu o salto para o Valencia. Na primeira temporada em Espanha conseguiu a qualificação para a Liga dos Campeões, tendo vencido o Real Madrid em casa e empatado no Santiago Bernabéu. Paralelamente, foi eleito treinador do mês da liga espanhola por três vezes (setembro e dezembro de 2014 e fevereiro de 2015), numa altura em que Jorge Mendes tinha bastante influência no clube, que na altura tinha como proprietário Peter Lim. Acabou por deixar o cargo a 29 de novembro de 2015, na sequência dos maus resultados no início da segunda época no clube.
 
 
Em 2016-17 orientou o FC Porto, mas não conseguiu ganhar qualquer troféu. Foi segundo classificado no campeonato, eliminado na fase de grupos da Taça da Liga e afastado precocemente da Taça de Portugal pelo Desp. Chaves. Na Liga dos Campeões, caiu aos pés da Juventus nos oitavos de final.
 
 
Seguiram-se quatro anos muito produtivos à frente do Wolverhampton. Em 2017-18 sagrou-se campeão e treinador do ano do Championship (segundo escalão). Na época seguinte guiou o Wolves à 7.ª posição da liga inglesa, a melhor classificação de sempre do clube na era Premier League, e às competições europeias – o que já não acontecia desde 1980-81. Em 2019-20 atingiu os quartos de final da Liga Europa – o melhor desempenho europeu do clube desde que foi finalista da Taça UEFA em 1971-72 – e na quarta e última temporada no Molineux Stadium tornou-se no treinador com mais jogos no clube. Paralelamente, foi eleito treinador do mês da Premier League em setembro de 2018 e junho e outubro de 2020.
 
No verão de 2021 foi anunciado como treinador do Tottenham e até começou muito bem a aventura no norte de Londres, tendo sido eleito treinador do mês da Premier League em agosto, mas foi demitido no início de novembro, após cinco derrotas em sete jogos.
 
Entre julho de 2022 e novembro de 2023 orientou o Al-Ittihad, tendo vencido a Supertaça saudita de 2022 e o título nacional (o primeiro do clube em 14 anos) em 2022-23.
 
Em dezembro de 2023 assumiu o comando técnico do Nottingham Forest. Na primeira época no City Ground conseguiu assegurar a permanência e na segunda qualificou a equipa para as competições europeias pela primeira vez em 30 anos, mas acabou demitido em setembro de 2025, no culmina de um relacionamento complicado com o proprietário Evangelos Marinakis. Pelo meio foi eleito treinador do mês da Premier League em outubro e dezembro de 2024 e em março de 2025.
 
18 dias após deixar o Nottingham Forest, assumiu o comando técnico do West Ham. Não conseguiu salvar os hammers da despromoção, tendo experienciado a primeira descida de divisão da carreira, mas a evolução da equipa permitiu-lhe continuar no cargo na época seguinte, que está a decorrer, tendo sido eleito treinador do mês do Championship em setembro de 2026.
 










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