domingo, 10 de maio de 2020

Os 10 jogadores com mais jogos pelo Rio Ave na I Divisão

Dez figuras emblemáticas da história do Rio Ave na I Divisão
Fundado a 10 de maio de 1939, o Rio Ave Futebol Clube foi o nome escolhido por um grupo de vila-condenses para batizar o clube desportivo que estavam a formar, preterindo assim as designações Vilacondense Futebol Clube e Vila do Conde Sport Club.

A primeira direção do clube teve pela frente a árdua tarefa de encontrar jogadores, equipamentos e um estádio. A 29 de janeiro do ano seguinte surgiu o primeiro estádio dos rioavistas, designado de Estádio da Avenida, por se situar na Avenida Baltazar Couto. E já na década de 1940 apareceram os primeiros títulos, os de campeão promocional da AF Porto (1941-42) e de campeão regional da III Divisão da AF Porto (1942-43).

Nos anos 1950 o Rio Ave conseguiu pela primeira vez chegar aos campeonatos nacionais, mas foram quase necessários mais 30 anos para chegar à I Divisão. Esse feito foi alcançado em 1979 – dois anos antes o clube estava na III Divisão e seis anos antes participava nas competições distritais.

A década de 1980 ficou marcado por um dos momentos altos da história dos vila-condenses, a participação na final da Taça de Portugal (1983-84), mas também pelo início de um percurso oscilante, com várias subidas e descidas de divisão.

Porém, após a promoção em 2008 conseguiu estabelecer-se como nunca no patamar maior do futebol nacional. Desde então que passou a ser sempre um sério candidato aos lugares de acesso às provas europeias, tendo alcançado já por três vezes o apuramento para a Liga Europa. Em 2014 fê-lo através do estatuto de finalista vencido da Taça de Portugal e em 2016 e 2018 por via de boas classificações na I Liga – o sexto lugar no primeiro caso e a quinta posição no segundo. Pelo meio, foi também finalista vencido da Taça da Liga e da Supertaça Cândido de Oliveira em 2014.

Relativamente a futebolistas, foram 342 os que jogaram de caravela ao peito ao longo das 26 presenças do Rio Ave na I Divisão. Vale por isso a pena recordar os dez que o fizeram por mais vezes.


10. Sérgio China (125 jogos)

Sérgio China
Licenciado em educação física, chegou pela primeira vez a Portugal no verão de 1993 para reforçar a União de Leiria. Depois de ajudar os leirienses a subir à I Liga e de voltar ao Brasil para representar o Bahia, regressou ao futebol português pela porta do Rio Ave em 1995-96, quando já tinha 29 anos, e logo na época de estreia ajudou (com quatro golos) os rioavistas a conseguir a promoção ao primeiro escalão, com Henrique Calisto no comando técnico.
Médio centro de baixa estatura (1,70 m), foi quase sempre titular indiscutível nas três primeiras temporadas na I Liga: 33 jogos (30 a titular) no campeonato e três golos, a Salgueiros, Sp. Espinho e Vitória de Guimarães, em 1996-97, época marcada por uma permanência milagrosa; 31 encontros (todos a titular) e três golos, a Desp. Chaves, Campomaiorense e Belenenses em 1997-98; e 33 partidas (26 a titular) e quatro golos, a Marítimo, Salgueiros, Sp. Braga e FC Porto em 1998-99.
Na quinta e última temporadas nos Arcos, em 1999-00, perdeu influência, tendo sido titular em apenas 16 dos 28 jogos que disputou no campeonato, tendo apontado um golo, no desafio frente ao Alverca na última jornada, mas insuficiente para evitar a despromoção.
Depois voltou ao Brasil, onde pendurou as botas.



9. André Vilas Boas (127 jogos)

André Vilas Boas
Quase toda uma vida dedicada ao Rio Ave. Entrou para as escolinhas do clube em 1992 e, quase três décadas depois, continua nos rioavistas na função de diretor desportivo. As exceções foram entre 2003 e 2005, quando esteve cedido ao FC Porto, e em 2010-11, quando dividiu a temporada entre Marítimo e Portimonense.
Médio defensivo ou defesa central, estreou-se de caravela ao peito aos 18 anos, ainda júnior, na altura na II Liga. Esteve em duas subidas de divisão, em 2003 e 2008, e numa descida, em 2006, na primeira temporada pelos rioavistas na I Divisão.
Natural de Vila do Conde, nunca foi um titular indiscutível, mas foi um dos membros do núcleo duro que conseguiu consolidar os vila-condenses não só na I Liga, mas também como um sério candidato à qualificação para os lugares europeus. Em 127 jogos de caravela ao peito no primeiro escalão, foi titular em 103 e apontou um golo, num empate no terreno do Vitória de Setúbal em agosto de 2015.
Já sem a influência de outrora, encerrou a carreira em 2017, à beira de completar 34 anos.



8. Diego Lopes (131 jogos)

Diego Lopes
Médio ofensivo brasileiro, mas formado no Benfica ao lado de Bernardo Silva, João Cancelo, Rony Lopes, Ricardo Horta e Hélder Costa, entre outros, foi emprestado ao Rio Ave durante o segundo ano de júnior, em 2012-13.
Nessa temporada não foi um titular indiscutível, tendo apenas começado de início oito dos 21 jogos que disputou, mas deu logo a entender que poderia ser um jogador promissor, que chegou a ser comparado a Kaká.
Nas épocas seguintes continuou em Vila do Conde a título definitivo e afirmou-se, tendo participado na caminhada até às finais da Taça de Portugal e da Taça da Liga em 2013-14 e disputado 27 jogos no campeonato (23 a titular). Em 2014-15 foi mais além e participou em 32 encontros (25 a titular), tendo apontado cinco golos.
Entretanto foi recontratado pelo Benfica, que o cedeu aos turcos do Kayserispor, aos brasileiros do América Mineiro e aos gregos do Panetolikos, mas regressou ao Rio Ave em janeiro de 2018, a tempo de participar em 12 jogos (nove a titular) no campeonato e marcar dois golos, ajudando a equipa a obter um honroso 5.º lugar no campeonato e o consequente apuramento para a Liga Europa.  
Na temporada passada teve alguns problemas físicos, não indo além de 19 encontros (17 a titular) e dois golos na I Liga, mas nesta época tem-se afirmado no onze de Carlos Carvalhal, levando já cinco golos em 20 jogos no campeonato.



7. Álvaro Soares (143 jogos)

Álvaro Soares
Extremo esquerdo internacional pelas seleções jovens que despontou no Aliados Lordelo, deu o salto para o Rio Ave na primeira época de sempre dos vila-condenses na I Divisão, em 1979-80, participando em 20 encontros (12 a titular) e marcado um golo, ao Sp. Braga, insuficiente para evitar a despromoção.
Na temporada seguinte continuou de caravela ao peito e subiu de divisão, desta vez com mais preponderância na equipa. Em 1981-82 foi titular nos 28 jogos que disputou no primeiro escalão e apontou cinco golos, entre os quais um ao Sporting, ajudando o conjunto então orientado por Mourinho Félix a alcançar o 5.º lugar, ainda hoje a melhor classificação de sempre dos rioavistas na I Divisão - façanha entretanto repetida em 2017-18.
Nas épocas que se seguiram esteve ao serviço de Boavista e Penafiel, mas voltou ao Rio Ave em 1984-85, tendo participado nas 30 jornadas do campeonato e marcado três golos, entre os quais um ao Sporting, ainda assim insuficientes para evitar nova despromoção.
Porém, voltou a subir em 1985-86, e logo com o título de campeão nacional da II Divisão. Seguiram-se mais dois anos entre a elite do futebol português nos quais participou em 71 encontros (69 a titular) e marcou sete golos, voltando a ser despromovido em 1988. Em 1988-89 ainda continuou a jogar de caravela ao peito no segundo escalão, mas no final dessa época mudou-se para o Salgueiros.


6. Zé Gomes (146 jogos)

Zé Gomes
Lateral direito natural de Vila do Conde, fez a formação no Rio Ave, mas passou por seis clubes das regiões norte e centro nas divisões secundárias até voltar aos Arcos pela porta grande, para jogar na I Liga em 2003-04.
Nessa época enfrentou a concorrência do histórico Niquinha, mas ainda assim conseguiu participar em 23 partidas (17 a titular). Na temporada seguinte ganhou definitivamente, até porque o brasileiro voltou ao meio-campo, tendo atuado em 30 encontros (29 a titular) e marcado dois golos, curiosamente ambos ao Belenenses. Em 2005-06 foi titular nas 34 jornadas e apontou um golo, ao Gil Vicente, mas foi impotente para evitar a despromoção.
Após a descida de divisão do Rio Ave, Zé Gomes continuou na I Liga ao serviço do Marítimo até 2009, ainda que em 2007-08 tivesse representado os turcos do Konyaspor. Porém, em 2009-10 voltou aos Arcos para mais três anos de caravela ao peito no primeiro escalão, tendo nesse período disputado 60 encontros (59 a titular) e apontado um golo, ao Sp. Braga.
Entretanto perdeu a titularidade para Jean-Sony e no verão de 2012 voltou ao Bragança, clube que já tinha representado entre 1996 e 1998 e em 2000 e 2001, para terminar carreira em 2013.
Depois tornou-se treinador e nessa função já foi adjunto da equipa B e dos sub-23 do Rio Ave.



5. Lionn (147 jogos)

Lionn
Mais um lateral direito, desta vez um brasileiro que se afirmou no Rio Ave precisamente após a saída de Zé Gomes. A primeira vez que chegou aos Arcos foi em janeiro de 2011, na altura por empréstimo do Vitória de Guimarães, e em meia época disputou sete jogos (todos como titular) e revelou-se uma peça importante para a escalada na tabela classificativa durante a segunda volta, desde o 14.º ao 8.º lugar.
Entretanto transferiu-se para o Cluj, mas foi cedido pelos romenos aos rioavistas em 2012-13, iniciando aí um percurso de seis temporadas consecutivas nos Arcos, as cinco últimas como jogadores do conjunto vila-condense a titulo definitivo. Em 2013-14, sob o comando técnico de Nuno Espírito Santo, desempenhou um papel importante para as caminhadas até às finais da Taça da Liga e da Taça de Portugal, com esta última a valer o primeiro apuramento europeu de sempre do clube. Em 2015-16 voltou a participar num apuramento europeu e em 2017-18 foi titular na equipa que igualou a melhor classificação da história dos rioavistas, o 5.º lugar, o que valeu nova qualificação para a Liga Europa.
Depois partiu para o Desp. Chaves e desde o verão do ano passado que representa o surpreendente Famalicão.



4. Marcelo (152 jogos)

Marcelo
Central formado no Vasco da Gama, foi contratado ao Ribeirão, da II Divisão B portuguesa, e na primeira temporada vinculado ao Rio Ave foi emprestado ao Leixões, mas foi bem a tempo de se tornar um jogador emblemático nos vila-condenses.
Central de qualidade, pegou de estaca em 2012-13, com Nuno Espírito Santo como homem do leme, e continuou de pedra e cal no onze rioavista até 2018, quando terminou contrato e saiu para o Sporting. Em seis anos nos Arcos, formou dupla no eixo defensivo com Nivaldo, Rodríguez, Prince, André Vilas Boas, Roderick e Nélson Monte.
Titular nos 152 jogos que disputou de caravela ao peito no campeonato, apontou seis golos. Foi por isso um dos esteios da equipa que em 2013-14 chegou às finais da Taça da Liga e da Taça de Portugal, assim como dos conjuntos que em 2015-16 e 2017-18 conseguiram o apuramento para a Liga Europa.
Atualmente representa o Paços de Ferreira, depois de não ter sido bem-sucedido em Alvalade e após ter passado pelos norte-americanos dos Chicago Fire.



3. Gama (184 jogos)

Gama
Augusto Gama nasceu em Lanhas, no concelho de Vila Verde, e fez toda a formação no Sp. Braga, mas foi em Vila do Conde com a camisola do Rio Ave que se notabilizou. Sem espaço na equipa principal dos bracarenses, embora tivesse o estatuto de internacional português pelas seleções jovens, o extremo chegou aos Arcos no verão de 1992 e desde então que tem representado os rioavistas, primeiro como jogador e agora como treinador.
As quatro primeiras épocas foram passadas na II Liga, mas em 1995-96 deu um contributo importante para a subida ao primeiro escalão. Seguiram-se quatro temporadas no patamar maior do futebol português, nas quais somou 119 jogos no campeonato (78 como titular) e apontou nove golos, entre os quais um num empate em Alvalade em maio de 1998.
Manteve-se no clube após a despromoção em 2000 e voltou a estar numa subida de divisão em 2003, mais uma vez juntando a promoção ao título de campeão do segundo escalão.
Seguiram-se mais três anos na elite do futebol português, mas somente nos dois primeiros, com Carlos Brito como homem do leme, teve a utilização desejada, numa fase da carreira em que já era um veterano. Se em 2003-04 disputou 32 jogos (26 a titular) no campeonato e marcou um golo e na temporada seguinte participou em 30 encontros (21 a titular) e apontou dois, em 2005-06 não foi além de três jogos (todos como suplente utilizado), numa temporada António Sousa (primeiro) e João Eusébio (depois) orientaram os vila-condenses, que acabaram por descer de divisão.
Em 2006-07, na II Liga, fez a última época da carreira de futebolista. Depois iniciou o seu percurso de treinador, estando desde 2010-11 na equipa técnica do plantel principal, tendo em 2018-19 assumido interinamente o cargo de treinador principal durante três jogos, entre a saída de José Gomes e a entrada de Daniel Ramos.



2. Niquinha (198 jogos)

Niquinha
Chegou a Vila do Conde em 1997 como um brasileiro desconhecido proveniente dos campeonatos estaduais do seu país, despediu-se em 2009 como o “senhor Rio Ave”.
Médio centro com capacidade para jogar a lateral direito, precisou apenas da primeira época para se adaptar, tendo cumprido somente 19 jogos (12 a titular) e marcado um golo na I Liga em 1997-98. Depois tornou-se titular indiscutível, tendo competido em 65 jogos (60 a titular) e marcado quatro golos, entre os quais um ao Sporting, no primeiro escalão durante os dois anos que se seguiram.
As três épocas seguintes foram passadas na II Liga, tendo voltado à I Liga em 2003 para disputar mais 94 partidas (93 a titular) e marcar cinco golos até 2006, quando os rioavistas voltaram a ser despromovidos.
Em 2008 voltou a subir de divisão, despedindo-se do clube um ano depois, à beira de completar 38 anos, após uma última temporada entre a elite do futebol português, na qual participou em 22 encontros (16 a titular) e marcou um golo.
Depois regressou ao Brasil para encerrar a carreira.



1. Tarantini (310 jogos)

Tarantini
O jogador com mais jogos pelo Rio Ave na I Liga e um dos 100 futebolistas com mais encontros no primeiro escalão, independentemente do clube. Conhecido pelo seu percurso académico muito bem-sucedido e por projeto que passa por sensibilizar os futebolistas a prepararem-se para o fim da carreira, chegou aos Arcos no verão de 2008 depois de várias épocas na II Liga com as camisolas de Sp. Covilhã, Gondomar e Portimonense.
Médio de elevada estatura (1,88 m), todo-o-terreno e capitão de equipa há várias épocas, é talvez o rosto mais visível da consolidação dos rioavistas no primeiro escalão e na afirmação dos vila-condenses como sério candidato aos lugares europeus.
Em 310 encontros na I Liga, foi titular em 271 e marcou 24 golos. A temporada mais produtiva foi a de 2012-13, quando marcou seis golos, entre os quais dois ao FC Porto e um ao Sporting. Porém, a mais feliz terá sido época seguinte, quando ajudou o conjunto então orientado por Nuno Espírito Santo a chegar às finais da Taça da Liga e da Taça de Portugal, o que valeu o primeiro apuramento europeu da história do clube. Posteriormente, contribuiu para as qualificações para a Liga Europa em 2016 e 2018.
“Quando vim para o Rio Ave, para a I Liga, foi um passo enorme na minha vida. Quando olho para trás vejo todo este percurso realizado e sinto orgulho na escolha que fiz e no empenho que sempre depositei em cada dia. Sem esquecer as minhas raízes, sinto esta cidade, Vila do Conde, e este clube, o Rio Ave, como parte de mim. Crescemos juntos. Não importa ser ou não referência do Rio Ave, até porque há nomes como Niquinha ou o Gama que estão na história do Rio Ave”, afirmou, citado pelo site do Rio Ave.
















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