terça-feira, 18 de agosto de 2020

Do extremo que virou golfista aos dois campeões. Os espanhóis no Sporting

Dez dos espanhóis que passaram pelo Sporting Clube de Portugal
Anunciado este sábado como reforço do Sporting por empréstimo do Manchester City, o lateral direito Pedro Porro vai tornar-se o 12.º espanhol a jogar pela equipa principal leonina e terá certamente o objetivo de contrariar a tendência geral dos compatriotas, que habitualmente saem de Alvalade pela porta pequena, embora dois se tenham sagrado campeões nacionais e outros tantos conquistado a Taça de Portugal.


A história de nuestros hermanos no Sporting começou na longínqua temporada de 1944-45, quando o extremo esquerdo Andrés Mosquera vestiu a camisola verde e branca em dois jogos no campeonato, não tendo marcado qualquer golo.
O atacante até ingressou nas camadas jovens leoninas em 1942, numa altura em que a sua família viveu em Lisboa, mas só fez a estreia pela equipa principal três anos depois.
Juan Santos
Posteriormente regressou a Espanha, mas acabou por se destacar mais no golpe, tendo sido jogador, árbitro, dirigente e fundador e sócio de mérito do Real Club de Golf de La Coruña. Viria a falecer na Corunha a 7 de fevereiro de 2015.


Onze anos depois, chegou ao Sporting o guarda-redes Juan Santos, proveniente do Espanyol. Porém, esteve sempre tapado pelo titularíssimo Carlos Gomes e não foi além de um jogo, uma vitória no terreno do Sp. Braga (3-2) em partida do campeonato.
Depois voltou a Espanha, onde viria a representar Las Palmas, Tenerife e Recreativo Huelva.

O treinador que lançou Damas, mas não deixou saudades

Fernando Argila
Em 1966, surge em Avalade não um jogador, mas sim um treinador espanhol, Fernando Argila, antigo guarda-redes de Barcelona, Oviedo e Atlético Madrid e ex-técnico de Oviedo, Granada, Racing Santander e Espanyol.
Porém, as coisas não lhe correram bem, uma vez que foi eliminado da Taça dos Campeões Europeus pelos húngaros do Vasas com goleada na Hungria (0-5) e derrota em Alvalade (0-2), afastado da Taça de Portugal pelo FC Porto e não foi além de quatro vitórias (e seis empates e seis derrotas) em 16 partidas na I Divisão. Quando deixou o cargo, em fevereiro de 1967, o Sporting ocupava o sétimo lugar, com os mesmos pontos do oitavo e do nono classificados. O único aspeto positivo foi ter lançado Vítor Damas.
Entretanto voltou a Espanha para prosseguir a carreira no Córdoba.
Viria a falecer me janeiro de 2015, aos 95 anos.


Dois campeões

Talvez por as experiências anteriores terem corrido mal, foi necessário esperar até ao verão de 1999 para que se voltasse a falar castelhano em Alvalade. E logo em dose dupla.


Robaina
Comecemos por Antonio Robaina, extremo esquerdo internacional espanhol pelas seleções jovens e herói da final do Europeu de sub-16 em 1991, ao marcar os dois golos à Alemanha que valeram o triunfo à roja.
Sem conseguir afirmar-se nem nos Las Palmas nem no Tenerife, não foi além de uns míseros dez minutos, distribuídos por três jogos, no campeonato português – na Taça de Portugal todo o tempo em campo numa eliminatória no terreno do Canelas. Porém, foi o que bastou para ser considerado campeão nacional, uma vez que foi precisamente em 1999-00 que os leões colocaram um ponto final a 18 anos de jejum.
Sem surpresa, prosseguiu a carreira de forma discreta nas divisões secundárias de Espanha.


Toñito
No mesmo verão, transferiu-se de forma polémica para o Sporting o médio Toñito, proveniente do Vitória de Setúbal. O Tenerife, que reclamava ser detentor dos direitos desportivos do futebolista e vendeu-os aos leões, enquanto o Vitória estava a negociar com o FC Porto por entender que tinha direito de opção sobre o jogador e que este tinha assinado por quatro anos. O processo arrastou-se pelos tribunais nos anos seguintes, mas isso em nada afetou a carreira do jogador.
Centrocampista polivalente, que atuava preferencialmente como médio ofensivo, mas que podia fazer qualquer posição do ataque e até podia atuar mais atrás, como lateral direito, disputou um total de 113 jogos pelos leões entre 1999 e 2004 – ainda que tivesse estado cedido ao Santa Clara em 2001-02 -, mas foi mais vezes suplente utilizado (68) do que titular (45), tendo apontado 13 golos.
Embora nunca tivesse sido propriamente uma das figuras da equipa, conquistou a simpatia dos sportinguistas, venceu o título nacional em 1999-00 e a Supertaça de 2002 e fez a assistência para o primeiro golo da carreira de Cristiano Ronaldo, frente ao Moreirense em outubro de 2002.
Em 2004 deixou o Sporting, mas continuou a jogar no futebol português, tendo passado por Boavista e União de Leiria.
Entretanto fundou uma escola de futebol em Tenerife e assinou um protocolo com o Sporting. “Tento devolver ao Sporting tudo aquilo que me deu como jogador, como pessoa. Os meus melhores anos foram aqui. Através desta parceria vamos tentar ter sorte e ver se surge algum talento para o Sporting”, afirmou em abril de 2017.



Koke
Já depois da saída de Toñito, o Sporting precisava de mais uma opção para o ataque e reforçou-se em janeiro de 2006 com Koke, emprestado pelo Marselha, que até nem deixou Alvalade com um mau registo: sete jogos, três golos.
Quase sempre na sombra de jogadores como Liedson, Deivid e Sá Pinto, marcou na primeira vez (em três) em que foi titular, numa receção ao Paredes para a Taça de Portugal. Os outros dois golos foram marcador na ocasião seguinte em que foi a jogo, ainda que como suplente utilizado, tendo entrado a 25 minutos do fim e bisado numa vitória sofrida sobre o Gil Vicente (2-0).
Depois prosseguiu a carreira na Grécia ao serviço do Aris Salónica.
Em novembro de 2019 voltou a ser notícia ao ser detido em Málaga por suspeitas de tráfico de droga.



Angulo
Entre todos os espanhóis que jogaram no Sporting, o mais mediático terá sido Miguel Ángel Angulo. Quando chegou a Alvalade, aos 32 anos, trazia um palmarés recheado: dois títulos espanhóis, duas Taças do Rei, uma Supertaça de Espanha, uma Taça UEFA e uma Supertaça Europeia, além de duas finais da Liga dos Campeões pelo Valencia; e um título europeu de sub-18 e outro de sub-21 pelas seleções jovens espanholas, tendo ainda somado 11 internacionalizações pelos “AA”.
Porém, o desempenho deste médio ofensivo espanhol com a camisola verde e branca foi inversamente proporcional ao seu currículo, não indo além de oito jogos (quatro a titular) em todas as competições entre setembro e novembro de 2009, saindo poucos meses após ter chegado, o que fez dele um dos maiores flops da história leonina.


Zapater
Um ano depois de Angulo, foi a vez do médio Alberto Zapater chegar a Alvalade, proveniente do Génova, no âmbito da transferência que levou Miguel Veloso para Itália. Médio possante, internacional espanhol pelas seleções jovens, com um percurso interessante ao serviço do Saragoça e que ficou na história ao apontar o primeiro golo de sempre da Liga Europa, não aqueceu nem arrefeceu muito os sportinguistas.
Em apenas um ano de leão ao peito disputou um total de 34 jogos (25 a titular) e marcou quatro golos, curiosamente dois bis no espaço de quatro dias, frente ao Penafiel para a Taça da Liga e diante do Marítimo para o campeonato.
Depois rumou aos russos do Lokomotiv Moscovo, onde reencontrou José Couceiro, mas também não foi particularmente feliz na Rússia, muito por culpa de problemas físicos e de saúde.
“Passei uma etapa no Sporting que esperava ter sido mais longa porque no fim da época disseram-me que contavam comigo. Recebi uma oferta do Olympiacos e proibiram-me de treinar. Agradeço aos adeptos, a todas as pessoas que me ajudaram e aos colegas dos quais não me pude despedir. Se não fosse o Sporting não estaria na Rússia porque o José Couceiro foi o meu treinador em Alvalade”, afirmou, em setembro de 2011.



Na época seguinte, não houve Zapater, mas surgiu em Alvalade uma dupla que prometia dar alegrias ao Sporting.

Jeffrén
Comecemos por Jeffrén, uma promessa do futebol espanhol lançada por Pep Guardiola no Barcelona e que tinha acabado de conquistar a Liga dos Campeões pelos catalães e o Europeu de sub-21 por Espanha.
Sem espaço por ter jogadores de grande qualidade à sua frente em Camp Nou, foi contratado por 3,75 milhões de euros e prometeu muito, mas a passagem deste extremo por Alvalade ficou marcada por inúmeros problemas físicos e alguma pobreza a nível exibicional.
Em dois anos não foi além de 39 jogos (19 a titular), tendo apontado cinco golos. “A minha passagem pelo Sporting foi uma etapa bastante complicada da qual prefiro nem falar, mas continuo a desejar o melhor ao clube”, afirmou, em dezembro de 2017.
Numa altura em que já não contava para a equipa principal, rescindiu contrato em janeiro de 2014 e voltou a Espanha para representar o Valladolid.



Dois vencedores da Taça de Portugal

Diego Capel
Na mesma altura de Jeffrén, o Sporting contratou o internacional espanhol Diego Capel ao Sevilha por 3,5 milhões de euros. Igualmente extremo canhoto e recém-sagrado campeão europeu de sub-21, trazia na bagagem algumas épocas de muito bom nível dos andaluzes, pelos quais venceu duas Taças UEFA, duas Taças do Rei, uma Supertaça de Espanha e uma Supertaça Europeia.
Se o antigo jogador do Barcelona prometeu, mas não cumpriu, Capel conquistou a simpatia dos sportinguistas, apesar da forma curvada como conduzia a bola e das épocas irregulares que viveu em Alvalade a nível coletivo, marcadas para uma enorme desvantagem pontual para os primeiros classificados.
A melhor temporada que viveu foi a de 2011-12, quando participou ativamente para as caminhadas até às meias-finais da Liga Europa e até à final da Taça de Portugal, tendo apontado um total de sete golos em todas as competições. O estilo de jogo valeu-lhe comparações com Paulo Futre.
“Para ter sido uma época perfeita só faltou um título, no meu primeiro ano em Portugal. Tínhamos um plantel com muitos de jogadores novos e demorou algum tempo a conhecermo-nos. Mas creio que temos de estar confiantes para o futuro. Claro que ficar às portas de um título, como a Taça de Portugal, para um clube tão grande como Sporting, não foi bom”, afirmou, na altura.
Depois foi progressivamente perdendo algum espaço, nomeadamente após as chegadas de Leonardo Jardim e Marco Silva ao comando técnico. Ainda chegou a fazer a pré-época com Jorge Jesus, que rapidamente o tentou adaptar a lateral esquerdo, mas saiu no verão de 2015 para os italianos do Génova por 1,3 milhões de euros, despedindo-se pela porta pequena, mas com a conquista da Taça de Portugal.
“Não ter sido campeão é uma espinha atravessada”, lamentou, em entrevista ao Record em junho de 2020.



Oriol Rosell
O señor que se seguiu foi Oriol Rosell, um médio defensivo formado nas camadas jovens do Barcelona, mas que na altura em que foi contratado, no verão de 2014, encontrava-se a jogar nos norte-americanos do Sporting Kansas City.
Apontado como alternativa a William Carvalho, mostrou alguma qualidade de passe, mas pouco mais, não indo além de 22 jogos oficiais pelos leões durante os quatro anos em que esteve vinculado ao Sporting, embora só tenha jogado em Alvalade em 2014-15, temporada em que venceu uma Taça de Portugal ao lado do compatriota Diego Capel.
Depois esteve cedido ao Vitória de Guimarães, Belenenses e Portimonense, sempre sem convencer o treinador Jorge Jesus a repescá-lo.
Haveria de se desvincular do Sporting em 2018 para voltar aos Estados Unidos, desta feita para representar o Orlando City.


Jesé Rodríguez
Por último, mas não menos importante no que a desilusões diz respeito, Jesé Rodríguez, uma eterna promessa adiada do futebol espanhol. Apesar do palmarés impressionante, que incluía títulos como duas Liga dos Campeões, um Mundial de Clubes, um Europeu de sub-19 ou uma Liga Francesa, e de ter surgido em Alvalade por empréstimo de um colosso europeu como é o caso do Paris Saint-Germain, foi um autêntico flop.
Chegou com peso a mais, nunca atingiu a forma física ideal e não foi além de 17 jogos oficiais (nove a titular), tendo apenas apontado um golo, numa vitória caseira sobre o Vitória de Guimarães que festejou com um show de reggaeton no balneário.
Acabou dispensado ainda antes do final da temporada.



Além destes doze espanhóis que passaram pela equipa principal do Sporting, o médio Nauzet jogou pela equipa B em 2000-01 e o lateral esquerdo Echedey Carpintier está desde 2017 e até 2023 vinculado aos leões, tendo já atuado pelos juniores e pelos sub-23.

















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