Um daqueles casos de futebolistas
dos quais ouvimos falar pela primeira vez quando são chamados a uma seleção de
Portugal. Filho de pai português e mãe marroquina, nasceu e cresceu em França,
foi internacional jovem luso em 21 ocasiões e chegou a ser convocado várias
vezes por Luiz
Felipe Scolari para os AA,
mas nunca foi a jogo. Depois optou por representar Marrocos.
Nascido a 6 de maio de 1986 em Saint-Max,
no nordeste francês, este possante defesa central (1,91 m) concluiu a formação
e iniciou o percurso como sénior no Nancy, estreando-se como profissional em
2005-06, logo a jogar na Ligue
1 e a contribuir para a conquista da Taça da Liga gaulesa, tendo marcado um
golo memorável ao Le Mans nas meias-finais.
No final dessa época foi chamado
por Rui Caçador para representar a seleção portuguesa de sub-20 no Torneio de Toulon
e contratado para o PSV
Eindhoven, que desembolsou 1,5 milhões de euros e ganhou a corrida clubes
como Bordéus
e Newcastle,
apresentando como grande atrativo a possibilidade de competir na Liga
dos Campeões. Não foi muito utilizado nos
primeiros meses nos Países
Baixos, mas gradualmente foi-se tornando numa peça importante na equipa
então às ordens de Ronald
Koeman, tendo fechado a temporada 2006-07 com 22 jogos em todas as provas e
o título neerlandês. Pelo meio foi convocado por Luiz
Felipe Scolari para os jogos da seleção
nacional A em outubro e novembro de 2006 e março de 2007, mas não chegou a
estrear-se. Teve de se contentar com os sub-21,
tendo marcado presença na fase final do Europeu da categoria em 2007 – foi selecionado
para equipa ideal do torneio, no qual a equipa das quinas não passou da fase de
grupos. Na época seguinte perdeu espaço em
Eindhoven, o que o levou a transferir-se para a Fiorentina
em janeiro de 2008. Porém, não chegou a atuar pelo emblema
de Florença em 2007-08 e não foi além de dois jogos na primeira metade da
temporada que se seguiu. No primeiro semestre de 2009 foi cedido à Sampdoria,
mas foi utilizado somente em quatro partidas. A passar uma má fase na carreira,
mudou-se para o West
Ham em agosto de 2009, mas demorou a estabelecer-se como um titular
indiscutível. Quando finalmente o conseguiu, sofreu uma lesão no tornozelo que
o afastou dos relvados durante cerca de quatro meses. Precisamente durante o
período em que recuperava de lesão, foi acusado de agressão sexual e agressão
simples a uma mulher numa discoteca em Londres, tendo sido absolvido da
acusação de apalpar, mas multado em mil libras por a ter esbofeteado.
Em junho de 2011 deixou os hammers,
após a despromoção ao Championship, e assinou pelo Lokomotiv Moscovo. Até
conseguiu estabelecer-se como titular durante o primeiro meio ano na Rússia,
mas foi perdendo espaço e acabou dispensado pelo treinador Slaven
Bilic.
A solução encontrada para
prosseguir a carreira foi um empréstimo ao Nacional
da Madeira em 2012-13, naquela que foi a única experiência de Manuel da
Costa no futebol português. Atuou em 20 partidas em todas as provas e apontou
dois golos, mas deixou de ser opção e ficou impedido de frequentar as
instalações do clube a partir de março de 2013 após ter agredido o companheiro
de equipa Candeias após um jogo diante do Rio
Ave no qual foi expulso. Como se não bastasse, foi apanhado a conduzir sob efeito
de álcool, tendo sido punido pelo Tribunal Judicial do Funchal com uma multa de
350 euros e a três meses de inibição de conduzir.
Apesar dos muitos trambolhões, o
defesa ainda foi a tempo de se redimir, com duas boas épocas no Sivasspor, clube
turco que o catapultou para a… seleção
de Marrocos. Estreou-se em maio de 2014, numa goleada sobre Moçambique
em Faro (4-0), e nos cinco anos que se seguiram somou mais 38
internacionalizações, tendo marcado presença nas edições de 2017 e de 2019 da
Taça das Nações Africanas e sobretudo no Mundial
2018.
Após esses dois anos na Turquia
assinou pelo Olympiacos, então comandado por Marco
Silva, tendo conquistado dois campeonatos gregos (2015-16 e 2016-17) em
duas temporadas ao serviço do emblema do Pireu.
Seguiu-se o regresso à Turquia
para representar Basaksehir, Trabzonspor e Erzurumspor, tendo pelo meio jogado
nos sauditas do Al Ittihad. Em 2019-20 venceu a Taça da Turquia pelo
Trabzonspor.
No ocaso da carreira representou
ainda os belgas do Waasland-Beveren e os luxemburgueses do F91 Dudelange antes
de pendurar as botas no final de 2022, aos 36 anos.
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