quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Espanhóis no Vitória FC. Um treinador e seis jogadores antes de Velázquez

Cinco dos sete espanhóis que representaram o Vitória FC
A amostra da presença de espanhóis no Vitória de Setúbal ainda é curta e remonta a dois períodos: início da década de 1960 e final da de 1990, com ventos e casamentos para todos os gostos para os lados do Bonfim. Antes de Julio Velázquez, apresentado esta segunda-feira como novo treinador dos sadinos, houve um treinador e seis jogadores que passaram pelo emblema sadino, um com mais sucesso do que os outros.

Embora os setubalenses tenham mais de um século de história, só no início da década de 1960 entre 1997 e 1999 contou realmente com representantes do país de nuestros hermanos. Curiosamente,  dois deles naturais das canárias. Vale a pena recordá-los.


José Antonio Barrios
22 anos antes de Velázquez, o Vitória foi orientado por José Antonio Barrios, antigo jogador de Tenerife, Granada, Barcelona, Hércules e Levante, que chegou à beira-Sado com 58 anos. Após pendurar as botas, Barrios dedicou-se aos trabalhos de campo e de gabinete, tendo dado um forte contributo para o ressurgimento do Tenerife na década de 1980, que culminou com a promoção à I Liga espanhola em 1989, e passado por clubes mais modestos como San Lorenzo, Orotava, Mensajero e Atlético Arona.
Foi treinador dos sadinos entre novembro de 1997 e abril de 2008, tendo recebido e entregado a equipa em 14.º lugar. Entre suceder a Manuel Fernandes após a 9.ª jornada e ser substituído por Carlos Cardoso depois da 28.ª, somou seis vitórias, quatro empates e nove derrotas (e um saldo 21-24 em golos) em 19 jogos para o campeonato, numa fase em que o conjunto vitoriano já tinha sido eliminado da Taça de Portugal. El Tigre, como é carinhosamente tratado em Santa Cruz de Tenerife, deixou o cargo após duas derrotas consecutivas fora de casa, às mãos de Belenenses e Académica. Teve como principal destaque, pela positiva, uma vitória no Bonfim sobre o Sporting (2-0), com golos de Carlos Manuel e Chiquinho Conde.



Toñito
Uns meses antes de Barrios, chegou a Setúbal outro canário, António Jesús García González, mais conhecido por Toñito. Médio ofensivo de 20 anos descoberto por Manuel Fernandes na equipa B do Tenerife, teve algumas dificuldades em impor-se durante a primeira época, 1997-98, tendo atuado em 22 jogos em todas as condições, mas apenas 12 na condição de titular, tendo apontado dois golos. Na temporada seguinte deu nas vistas pela garra, polivalência e velocidade e assumiu-se como titular indiscutível e marcou cinco golos, um dos quais numa vitória sobre o Benfica no Bonfim em maio de 1999. No total, efetuou 47 partidas e faturou por sete vezes com a camisola sadina.
Depois, transferiu-se de forma polémica para o Sporting, pois o Tenerife reclamava ser detentor dos direitos desportivos do futebolista e vendeu-os aos leões, enquanto o Vitória estava a negociar com o FC Porto por entender que tinha direito de opção sobre o jogador e que este tinha assinado por quatro anos. Na altura, o presidente sadino José Sousa e Silva estimou em “mais de um milhão de contos [cerca de cinco milhões de euros]” os prejuízos decorrentes da perda do médio. O processo arrastou-se pelos tribunais nos anos seguintes, mas o jogador mostrou-se grato ao clube, em declarações proferidas ao Record em setembro de 2014: “O Vitória de Setúbal foi muito importante para a minha carreira e nunca me esqueço do clube.”



Arroyo
Já com Barrios à frente da equipa, o Vitória recrutou o central Arroyo, que atuava no Granada, na II Divisão B espanhola. Natural de Alicante, apenas disputado cinco partidas pelos sadinos, mas quase todas de seguida, entre 25 de janeiro e 1 de março de 1998. Nesses cinco jogos, os setubalenses somaram quatro derrotas, salvando-se um ponto no empate caseiro com o Varzim. A gota de água para o defesa de 24 anos foi uma expulsão por acumulação de amarelos nas Antas, não tendo voltado a jogar até final da época. Depois prosseguiu a carreira nas divisões inferiores espanholas, em clubes como Benidorm, Novelda, Lanzarote, Mazarrón, Dénia e Dolores.



Carlos Gómez
Na época seguinte, já sem Barrios e Arroyo mas ainda com Toñito, a formação então orientada por Carlos Cardoso recrutou Carlos Gómez, guarda-redes espanhol mas filho do antigo guarda-redes internacional português Carlos Gomes, que se notabilizou no Sporting antes de defender as balizas de Granada e Oviedo. Ainda que sem grande currículo, o portero de 25 anos chegou ao Bonfim depois de ter passado pelos juniores do Sporting, pelos espanhóis de Granada, Jaén e Córdoba, todos na II Divisão B espanhola, e pelo Trofense, na II B portuguesa. Pelos sadinos disputou somente três encontros, os três primeiros do campeonato de 1998-99. após oito golos sofridos e apenas um pontosomado, Carlos Cardoso decidiu dar a titularidade a um jovem chamado Marco Tábuas. Depois de um ano em Setúbal, Gómez voltou a Espanha para representar o Motril (II B).




Mais difícil de descortinar foi a presença espanhola no Vitória no início da década de 1960, uma vez que não existem registos na Internet de três jogadores que representaram o clube nesse período. Vale-nos esse enorme arquivo que é a memória de Fernando Tomé

Victoriano Suárez
O mais mediático desse tempo é Victoriano Suárez, que jogou em Setúbal em 1961-62, depois de ter brilhado no Sp. Covilhã. Natural de Redondela, nos arredores de Vigo, terá marcado oito golos em 21 jogos à beira-Sado, ajudando a equipa a subir à I Divisão e a chegar à final da Taça de Portugal, jogo que Suárez não disputou. Antes de chegar aos serranos em 1955-56, este possante avançado representou o Hércules na I Liga espanhola.

Também em 1961-62 representaram o emblema vitoriano os espanhóis Faustino (guarda-redes) e Liz.





















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