Hoje faz anos o brasileiro que jogou pelo Belenenses e pela seleção… espanhola. Quem se lembra de Catanha?
Catanha teve duas passagens pelo Belenenses e jogou por Espanha
O protagonista de uma história de
subida a pulso na carreira e também de uma improvável naturalização. Chegou ao Belenenses
após passar apenas por modestos clubes brasileiros, destacou-se e seguiu para
Espanha. Continuou a evoluir até se tornar opção para la
roja.
Henrique Guedes da Silva,
conhecido no mundo do futebol por Catanha, nasceu a 6 de março de 1972 em
Recife, maior cidade do estado brasileiro de Pernambuco. No país de nascimento
vestiu as camisolas de São Cristóvão, União São João, CSA e Paysandu,
tendo chegado a Portugal no início de 1996. Em meia época apontou cinco golos
em 14 jogos, ajudando os azuis
do Restelo a alcançar um honroso sexto lugar na I
Liga. “Cheguei aos 23 anos, depois de receber uma proposta do empresário
Rogério Lopes, pois o treinador da equipa, João
Alves, precisava de um avançado. Inicialmente, seria um período de testes
de uma semana, mas, passados três dias, o treinador disse-me que ficaria. A
adaptação foi maravilhosa. Senti-me parte da equipa com muita facilidade”, recordou
ao portal Fútbol
Portugués desde España em maio de 2020.
No começo da temporada seguinte,
o treinador João
Alves mudou-se para o Salamanca e reforçou-se no mercado português com
cerca de uma dezena de jogadores, entre os quais Ivkovic,
Taira,
César
Brito, Giovanella
e… Catanha, que o acompanharam desde Belém.
Curiosamente, o atacante
brasileiro até teve um impacto pouco significativo na subida à I
Liga Espanhola em 1997, tendo anotado apenas um golo em 14 jogos. Por isso,
continuou no segundo escalão, emprestado ao Leganés,
desatando a faturar, tendo somado 14 remates certeiros na II Liga espanhola em
1997-98.
No verão de 1998 deu o salto para
o Málaga
e reforçou a veia goleadora, com 26 golos que fizeram dele o melhor marcador da
II Liga Espanhola e que ajudaram os andaluzes
a sagrarem-se campeões do segundo escalão logo na época de estreia.
Somente em 1999-00 debutou em La
Liga, mas deixou a sua marca, terminando o campeonato como segundo
melhor marcador, com 24 golos, tendo sido apenas superado por Salva, do Racing
Santander (27). Marcou tanto quanto Jimmy
Floyd Hasselbaink (Atlético
Madrid) e superou Roy Makaay (Deportivo),
Savo Milosevic (Saragoça),
Diego Tristán (Maiorca),
Raúl (Real
Madrid) e Patrick Kluivert (Barcelona).
No verão de 2000 transferiu-se,
por 14,42 milhões de euros, para o Celta
de Vigo, na altura um cliente assíduo das provas europeias, e em outubro do
mesmo ano estreou-se pela… seleção
espanhola, a 7 de outubro. Disputou três partidas por la
roja, o último dos quais a 15 de novembro, numa altura em que se jogava
a fase de qualificação para o Mundial
2002. Rapidamente desapareceu das
contas do selecionador José Antonio Camacho, mas não por falta de desempenhos
convincentes ao serviço do novo clube, tendo superado as duas dezenas de golos
em todas as provas (21) em 2000-01, época em que os galegos
ficaram em sexto lugar no campeonato e atingiram a final da Taça do Rei e os
quartos de final da Taça
UEFA. Na temporada seguinte apresentou
números parecidos (19), tendo atuado em cerca de menos uma dezena de encontros,
ajudando o Celta
a fechar o top5 de La
Liga. Em 2002-03 perdeu fulgor e
protagonismo, não indo além de cinco remates certeiros, mas coletivamente viveu
uma época inesquecível, com o apuramento para a Liga
dos Campeões. Na época seguinte jogou na Champions,
no canto do cisne da sua aventura de três anos e meio em Vigo, marcada por uma
cada vez menor utilização e por uma impensável despromoção à II Liga.
No primeiro semestre de 2004
representou os russos do Krylya Sovetov e, após meio ano sem jogar, voltou ao Belenenses
na segunda metade da temporada de 2004-05, mas não foi além de um golo ao Sp.
Pombal, para a Taça
de Portugal, em dez jogos disputados. “Eu estava a passar por um momento
muito difícil. Estava deprimido (…). Estava em Málaga e queria voltar a jogar.
Encontrei um grupo que misturava a experiência com a juventude. Os jogadores
queriam aprender, crescer. Joguei ao lado de tipos como o Eliseu e o Rolando,
por exemplo, que estavam a começar. O Carlos Carvalhal era o nosso treinador e
sabia muito bem como nos gerir”, lembrou. Nos derradeiros meses de 2005
ainda representou um clube importante, o Atlético
Mineiro, mas a partir de então foi prosseguindo a carreira nas divisões
secundárias de Espanha e do Brasil, tendo chegado a partilhar o balneário com o
filho Pedro, até pendurar as botas em 2017, aos 45 anos.
Desde então que tem trabalhado
como treinador ou diretor desportivo. Recentemente assinou pelo Conquense, da Segunda Federación (quarto escalão do
futebol espanhol), a poucos dias de comemorar o 54.º aniversário.
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