sexta-feira, 1 de maio de 2020

Os 10 jogadores com mais jogos pelo Amora na I Divisão

Dez jogadores que brilharam com a camisola do Amora na I Divisão
Fundado a 1 de maio de 1921 durante um dos habituais piqueniques comemorativos do dia do trabalhador realizados pela comunidade amorense na Quinta da Princesa, o Amora Futebol Clube viveu o ponto alto da sua história no início da década de 1980, quando participou por três vezes (consecutivas) na I Divisão.

Desde sempre com o azul como cor predominante, o clube do concelho de Seixal viveu durante largos anos nos patamares secundários e terciários do futebol português, mas na década de 1970 não só conseguiu estabilizar nas competições nacionais como ascender ao primeiro escalão.


Entre a elite, a melhor classificação foi o 11º lugar obtido em 1981-82. Antes, terminou na 12.ª posição na época de estreia. E depois, não foi além do 15.º e penúltimo lugar na temporada de despedida. No entanto, foi sempre uma equipa difícil de bater, sobretudo quando chegava em casa, no pelado da Medideira.

Agora no Campeonato de Portugal, depois de ter vivido grande parte da última década na I Divisão Distrital da AF Setúbal, o Amora foi representado por 52 jogadores durante os três anos que passou entre a elite. Vale por isso a pena recordar os dez futebolistas com mais jogos pelos amorenses no primeiro escalão.


10. Alfredo Herlein (41 jogos)

Alfredo Herlein
Defesa central argentino, mas com a esmagadora maior parte da carreira feita em Portugal, chegou ao nosso país em 1978 para representar o Académico Viseu, mas foi no Amora que notabilizou, entre 1981 e 1983.
Em duas épocas na I Divisão com a camisola dos amorenses, disputou 41 jogos no campeonato. Se em 1981-82 foi importante para assegurar a permanência, na temporada seguinte foi impotente para evitar a despromoção.
Depois prosseguiu a carreira na II Divisão, ao serviço de União da Madeira, Recreio de Águeda, Beira-Mar e Estoril Praia, antes de voltar à Medideira no verão de 1988, para atuar na III Divisão. Depois de contribuir para a subida à II B, despediu-se em 1990-91, numa época em que foi orientado por Jorge Jesus.
O seu filho, Miguel Herlein, nasceu em fevereiro de 1993 e jogou nas camadas jovens do Amora. Hoje é agente na empresa Proeleven, enquanto o pai voltou a Buenos Aires.


9. Pereirinha (46 jogos)

Pereirinha
Um dos três jogadores oriundos do Benfica que reforçaram o Amora na época de estreia na I Divisão, 1980-81, juntamente com Jorge Silva e Diamantino.
Depois de um percurso nas seleções jovens portuguesas e de ter contribuído para a conquista da Taça de Portugal por parte das águias, o baixinho (1,68 m) e polivalente Pereirinha, capaz de atuar nas laterais da defesa ou no meio-campo, foi um elemento importante para assegurar a permanência nas duas temporadas que passou na Medideira. Na primeira participou em 26 jogos (24 a titular) no campeonato e marcou um golo, na receção à Académica. Na segunda não foi tão utilizado, mas ainda assim disputou 19 encontros (18 a titular).
Após esses dois anos mudou-se para o Belenenses, que pela primeira vez na história tinha caído para a II Divisão. Não só contribuiu para a promoção dos azuis à elite em 1984 como depois ajudou o Farense a subir ao primeiro escalão em 1986 e 1990.
O seu filho, Bruno Pereirinha, também seguiu a carreira de futebolista, tendo atuado em clubes como Sporting, Vitória de Guimarães, Belenenses e os italianos da Lazio.


8. Caio Cambalhota (46 jogos)

Caio Cambalhota
Disputou 46 jogos tal como Pereirinha, mas foi utilizado em quase mais 200 minutos – 4030 contra 3833. Ponta de lança brasileiro, com um currículo promissor no Brasil, que incluía passagens por Botafogo e Flamengo, chegou ao Amora no verão de 1981 para aquela que seria a sua segunda passagem em Portugal, depois ter passado fugazmente pelo Sp. Braga em 1976-77.
Na primeira temporada, apontou 14 golos em 28 jogos, todos a titular, tendo bisado frente ao Sporting e apontado um hat trick ao Sp. Braga, embora Benfica e FC Porto também tenham o seu veneno. A 28 de fevereiro de 1982, em pleno dia de aniversário das águias, gelou a Luz ao inaugurar o marcador logo aos quatro minutos, porém, os encarnados deram a volta ao resultado.
Na segunda época caiu um pouco de produção, tendo faturado por apenas cinco vezes em 18 jogos. Porém, bisou ao Rio Ave e voltou a marcar ao Benfica.
Depois prosseguiu a carreira na II Divisão, com as camisolas de União da Madeira, Nacional e Cova da Piedade, antes de se aventurar nos campeonatos de Hong Kong e Qatar e regressar em definitivo ao Brasil.



7. Nélson (47 jogos)

Nélson
Defesa central/Lateral esquerdo brasileiro, chegou ao Amora no verão de 1981 para a segunda temporada da formação do concelho do Seixal na I Divisão. Embora não tivesse jogado nas primeiras cinco jornadas, estreou-se à sexta ronda e pegou de estaca no onze José Moniz, tendo participado em 25 encontros.
Na época seguinte manteve a titularidade, tendo apenas falhado um jogo durante as primeiras 23 jornadas. Porém, perdeu o lugar no onze já na reta final do campeonato, numa altura em que António Medeiros já tinha assumido o comando técnico.
Após a descida de divisão manteve-se na margem sul do Tejo ao serviço do Barreirense, clube pelo qual atuou no segundo escalão entre 1983 e 1985.


6. José Rafael (48 jogos)

José Rafael
Ponta de lança algarvio, natural de Faro, despontou no Farense, integrou as seleções jovens portuguesas e estreou-se na I Divisão com a camisola do Portimonense antes de chegar à Medideira, no verão de 1981.
Avançado irreverente e oportuno na área, apontou cinco golos em 23 jogos (18 a titular) em 1981-82. Na época seguinte foi mais além e faturou por sete vezes em 25 partidas (20 a titular), tendo marcado na vitória caseira sobre o FC Porto em janeiro de 1983 (2-1) e nas derrotas com Sporting em Alvalade (1-4) e Benfica em casa (1-3). Porém, não conseguiu evitar a descida de divisão.
“Gostei bastante de jogar no Amora. Tínhamos um bom lote de jogadores, malta nova com muito valor: vários acabaram por chegar à seleção, como o Jaime, o Jorge Plácido, o Ribeiro, além de mim. Os problemas nesse clube eram outros: a falta de pagamentos, por exemplo. Acabámos por descer em 1982-83 por causa disso”, afirmou a um blogue alusivo ao Farense em abril de 2014.
Apesar da despromoção, valorizou-se e continuou na I Divisão ao serviço do seu Farense, do Boavista e do Vitória de Setúbal. Em 1983 fez parte da seleção nacional que tentou o apuramento para os Jogos Olímpicos de Los Angeles e em 1985 estreou-se pela principal equipa das quinas, participando nas decisivas vitórias sobre Malta e Alemanha que ajudaram Portugal a apurar-se para o Mundial 1986. Terminaria a carreira em 1989, aos 30 anos, vítima de lesão grave.



5. Jaime Mercês (48 jogos)

Jaime Mercês
Disputou 48 jogos tal como José Rafael, mas amealhou mais 188 minutos em campo do que o companheiro – 3808 contra 3620. Médio ofensivo/extremo natural da Cova da Piedade, não muito longe da Amora, transitou dos juniores para os seniores em 1981, estreando-se na I Divisão ainda com 17 anos, numa derrota caseira com o Vitória de Setúbal (0-1). A ampará-lo em campo teve o irmão Hélder das Mercês, 11 anos mais velho.
Apesar da tenra idade, foi titular nos 24 encontros que disputou nessa temporada, tendo apontado um golo, à União de Leiria. Paralelamente, passou a ser chamado regularmente à seleção nacional de sub-18, pela qual jogou ao lado de jogadores como Venâncio e Futre.
Na época seguinte foi maioritariamente titular, mas perdeu alguma influência. Voltou a disputar 24 jogos, mas seis foram na condição de suplente utilizado, tendo voltado a marcar um golo, frente ao Portimonense. Ainda assim foi chamado aos trabalhos da seleção sub-21, pela qual jogou ao lado de Silvino, Bandeirinha, Alberto Bastos Lopes, Carlos Xavier e do então companheiro de equipa Jorge Plácido.
Após a descida de divisão prosseguiu a carreira no Belenenses, onde se notabilizou e catapultou para a seleção nacional “AA”. Depois de ajudar os azuis do Restelo a conquistar o título nacional da II Divisão, foi parte ativa daquele que é considerado o melhor período do clube no pós-Matateu, no final da década de 1980, coroado com a conquista da Taça de Portugal em 1988-89.
Haveria de regressar ao Amora em 1994-95, então na II Liga, depois de passagens de uma época por Vitória de Setúbal e Ovarense, não conseguindo evitar a descida à II Divisão B. Entretanto passou por Desportivo de Beja e Atlético e chegou a encerrar a carreira em 1998.
No entanto, o então presidente do Amora, José Mendes, apelou-lhe ao coração e Jaime Mercês voltou à Medideira para em março de 2000 para mais um ano e meio. “Cheguei a pensar que já estava acabado para o futebol de onze e não pensava voltar a jogar a este nível. Mas como me sinto em perfeitas condições físicas e acredito que posso fazer mais uma ou duas épocas, resolvi aceitar a proposta do presidente. Aliás, o ingresso no Amora deve-se à amizade com José Mendes, que me pediu para ajudar a equipa”, afirmou ao Record.
Em três meses às ordens de Manuel Bento não conseguiu evitar a descida à III Divisão, mas na época seguinte, em grande parte com José Carvalho à frente da equipa, ajudou os amorenses a sagrarem-se campeões e a voltarem à II B.
Após pendurar as botas continuou a jogar futebol… de praia. Como treinador desta modalidade, orientou o Amora naquela que foi a primeira participação do clube no Campeonato Nacional, em 2013.


4. Rebelo (48 jogos)

Rebelo
Também disputou 48 encontros, mas somou 4103 – quase mais 300 do que Jaime Mercês. Lateral direito experiente e internacional português (por oito vezes), chegou ao pelado da Medideira no verão de 1980, para reforçar o então estreante Amora na I Divisão, deixando para trás um percurso de uma vida no Vitória de Setúbal – tal como José Mendes e Rebelo -, após mais de 200 jogos na I Divisão e 30 nas competições europeias ao serviço dos sadinos.
Maioritariamente titular nas duas épocas que passou no emblema do concelho do Seixal, disputou 20 jogos em 1980-81 e 27 na temporada seguinte, sempre como elemento do onze inicial. Em janeiro de 1982 este defesa setubalense marcou um golo numa vitória caseira sobre o Académico de Viseu (4-2).
Apesar da muita utilização, no verão de 1982 regressou a Setúbal para representar o Comércio e Indústria na última época da carreira.


3. Alberto (49 jogos)

Alberto Hernández
Um dos três jogadores que jogaram pelo Amora durante as três épocas na I Divisão, a par de Marlon Alves e Amadeu. Argentino com grande parte da carreira feita em Portugal tal como Alfredo Herlein, também chegou à Medideira proveniente do Académico de Viseu, mas alguns meses antes.
A estreia só aconteceu em março de 1981, mas o médio Alberto Rodolfo Hernández ainda foi a tempo de participar em seis jogos na reta final do campeonato, três dos quais como titular.
Nas temporadas seguintes foi alvo de mais utilização, ainda que nunca se tenha fixado propriamente como um titular indiscutível. Em 1981-82 participou em 19 encontros (12 a titular) e marcou um golo, num empate caseiro com o Penafiel. E na época seguinte disputou 23 partidas (17 a titular), mas não evitou a despromoção à II Divisão.
Apesar da descida continuou no clube por mais uma época no segundo escalão. Em 1984-85 passou pelo União da Madeira, mas voltou na temporada seguinte à Medideira, numa altura em que os amorenses estavam na III Divisão.
Em 1986-87 vestiu a camisola do Desp. Aves e depois voltou à margem sul do Tejo para representar o Seixal, clube pelo qual encerraria a carreira em 1989.
Desde que pendurou as botas que vive na Amora, onde atualmente trabalha no ramo imobiliário.


2. Hélder das Mercês (50 jogos)

Hélder das Mercês
Um histórico do Amora, que esteve na subida à II Divisão em 1977, que garantiu o regresso dos azuis ao segundo escalão após três décadas de ausência, e na inédita promoção ao patamar maior do futebol português em 1980 – pelo meio teve uma curta passagem pelo vizinho Seixal (1979-80).
Em duas temporadas ao serviço dos amorenses na I Divisão este polivalente defesa somou 50 jogos (49 a titular), tendo apadrinhado a estreia do irmão Jaime, 11 anos mais novo, em agosto de 1981.
No verão de 1982 rumou ao Belenenses juntamente com Pereirinha e Simões, reencontrando Mourinho Félix, que o tinha orientado na Medideira. Pelos azuis do Restelo voltaria a jogar ao lado do mano, ajudando o emblema da Cruz de Cristo a voltar ao primeiro escalão em 1984.
Entretanto jogou um ano no Recreio de Águeda e depois voltou à margem sul do Tejo para representar o Seixal, onde terminaria a carreira em 1990.


1. Baltazar (52 jogos)

Baltazar
Médio centro guineense e com passagem pela formação do Sporting, foi um dos quatro jogadores que o treinador José Moniz levou consigo do Académico de Viseu para o Amora no verão de 1981, juntamente com Simões, Alfredo e José Pereira.
Baltazar sentiu algumas dificuldades para se impor nos primeiros meses na Medideira, mas depois conquistou a titularidade e terminou a época com 27 jogos (20 a titular) no campeonato e três golos, marcados a Académico de Viseu, Rio Ave e Belenenses. Na época seguinte disputou 25 encontros (21 a titular) e faturou por duas vezes, diante de FC Porto e Marítimo.
Após a despromoção voltou ao União da Madeira, clube que já tinha representado em 1978-79, e depois vestiu as camisolas de Paredes e Torreense antes de pendurar precocemente as botas à beira dos 29 anos.





















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