quinta-feira, 9 de abril de 2026

Hoje faz anos o lateral riscado das seleções após ser expulso no Mundial sub-20. Quem se lembra de Mano?

Mano somou 33 internacionalizações pelas seleções jovens
Fez uma carreira bonita, com mais de 200 jogos na I Liga com as camisolas de Belenenses, Estoril e Vitória de Setúbal. Foi também presença assídua nas seleções jovens até ao Campeonato do Mundo de sub-20 em 2007, quando empurrou um jogador chileno que se tinha envolvido com Fábio Coentrão e foi expulso. Depois a Federação suspendeu-o por três meses e nunca mais foi chamado.
 
Lateral com raízes cabo-verdianas nascido a 9 de abril de 1987 em Lisboa, Luís Miguel Lopes Mendes, conhecido no mundo do futebol como Mano, começou a jogar futebol nas camadas jovens do Almada, tendo ainda passado pelos juvenis do Corroios antes de se mudar para os juniores do Belenenses.
 
Em abril de 2006 foi pela primeira vez convocado para um jogo da equipa principal, então comandada por José Couceiro, não saindo do banco numa derrota às mãos do Nacional na Choupana (0-4). Dias depois estreou-se pelas seleções jovens portugueses, no caso a de sub-19. Meses mais tarde foi convocado para o Campeonato da Europa da categoria.
 
Na época seguinte integrou o plantel dos azuis do Restelo, às ordens de Jorge Jesus, que o lançou às feras num triunfo sobre o Vitória de Setúbal no Bonfim a 4 de fevereiro de 2007 (1-0), tendo tido uma curta participação na caminhada até à final da Taça de Portugal.
 
No verão desse ano foi convocado pelo selecionador José Couceiro não só para o Torneio de Toulon, mas também para o Campeonato do Mundo de sub-20, disputado no Canadá. Foi titular em três dos quatro jogos de Portugal na prova, no qual se despediu de forma inglória das seleções nacionais ao ser expulso na partida diante do Chile, nos oitavos de final, após empurrar um adversário que se havia envolvido numa altercação com Fábio Coentrão. Quando o árbitro lhe mostrava o cartão vermelho, o companheiro de equipa Zequinha tirou a cartolina ao juiz e também acabou expulso. O incidente custou caro a ambos, com a Federação Portuguesa de Futebol a recomendar a todos os selecionadores que não convocassem Zequinha por 12 meses e Mano por três. Contudo, nem um nem outro voltaram a atuar de quinas ao peito, com o lateral a dizer adeus ao fim de 33 internacionalizações pelas seleções jovens.
 
 
Entretanto, Mano foi paulatinamente ganhando espaço no plantel do Belenenses, beneficiando do facto de ser polivalente, uma vez que desempenhou as funções de lateral direito e esquerdo, extremo direito e médio centro. Quando atuou no centro do miolo, Jorge Jesus chegou a apelidá-lo de “Makélélé do Restelo”, mas a verdade é que o treinador amadorense raramente apostou nele.
 
Só após a saída de JJ é que Mano passou a ser um habitual titular nos azuis. Em 2009-10 viveu a época de maior utilização com a Cruz de Cristo ao peito, mas não conseguiu impedir a descida de divisão. No final da temporada terminou contrato e chegou a ser apontado ao Benfica, mas acabou por assinar pelo Villarreal, tendo sido integrado na equipa B do submarino amarillo, que competia na II Liga Espanhola.
 
 
Após época e meia no segundo escalão espanhol, mudou-se para os gregos do Levadiakos no início de 2012, numa fase em que estava a ser pouco utilizado, mas também não foi particularmente feliz no futebol helénico.
 
Mesmo não vivendo uma frase de grande fulgor, o Estoril de Marco Silva, então recém-promovido à I Liga portuguesa, acreditou nele e ofereceu-lhe um contrato de dois anos. Na primeira temporada no António Coimbra da Mota não jogou muito, por estar tapado pelos brasileiros Anderson Luís e Jefferson, donos das laterais, mas contribuiu para o primeiro apuramento europeu da história do clube para as provas europeias, no caso a Liga Europa.
 
Já em 2013-14 tirou partido da saída de Jefferson para o Sporting para agarrar a titularidade, ajudando os canarinhos a alcançar um brilhante quarto lugar na I Liga e igualar assim a melhor classificação de sempre no primeiro escalão (obtida anteriormente em 1947-48), o que valeu nova qualificação para a Liga Europa.
 
 
Viria a permanecer na Amoreira até 2018, quando os estorilistas desceram à II Liga, despedindo-se do emblema do concelho de Cascais ao fim de 143 jogos oficiais.
 
 
Após rescindir com o Estoril, assinou pelo Vitória de Setúbal, afirmando-se como um habitual titular dos sadinos durante a época 2018-19, tendo no plantel a companhia de… Zequinha. Já na temporada seguinte esteve tapado por Sílvio no corredor direito e pelo jovem André Sousa e pelo regressado Nuno Pinto (após vencer um linfoma) na esquerda.
 
 
Em ambas as épocas, ajudou os setubalenses a assegurarem a permanência em campo, mas no verão de 2020 uma decisão administrativa atirou o clube para o Campeonato de Portugal. Houve debandada no plantel, mas Mano ficou no Bonfim por mais dois anos, tendo contribuído para o apuramento para a Liga 3 em 2021.
 
 
No verão de 2022 terminou não só a ligação ao Vitória, após 87 encontros, como deixou de jogar futebol, quando tinha 35 anos. Uma curiosidade: nunca marcou um golo ao longo da carreira. 



 




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