Hoje faz anos o lateral riscado das seleções após ser expulso no Mundial sub-20. Quem se lembra de Mano?
Mano somou 33 internacionalizações pelas seleções jovens
Fez uma carreira bonita, com mais
de 200 jogos na I
Liga com as camisolas de Belenenses,
Estoril
e Vitória
de Setúbal. Foi também presença assídua nas seleções jovens até ao
Campeonato do Mundo de sub-20 em 2007, quando empurrou um jogador chileno que
se tinha envolvido com Fábio
Coentrão e foi expulso. Depois a Federação suspendeu-o por três meses e
nunca mais foi chamado.
Lateral com raízes cabo-verdianas
nascido a 9 de abril de 1987 em Lisboa, Luís Miguel Lopes Mendes, conhecido no
mundo do futebol como Mano, começou a jogar futebol nas camadas jovens do Almada,
tendo ainda passado pelos juvenis do Corroios antes de se mudar para os
juniores do Belenenses. Em abril de 2006 foi pela
primeira vez convocado para um jogo da equipa principal, então comandada por José
Couceiro, não saindo do banco numa derrota às mãos do Nacional
na Choupana (0-4). Dias depois estreou-se pelas seleções jovens portugueses, no
caso a de sub-19. Meses mais tarde foi convocado para o Campeonato da Europa da
categoria. Na época seguinte integrou o
plantel dos azuis
do Restelo, às ordens de Jorge
Jesus, que o lançou às feras num triunfo sobre o Vitória
de Setúbal no Bonfim
a 4 de fevereiro de 2007 (1-0), tendo tido uma curta participação na caminhada
até à final da Taça
de Portugal. No verão desse ano foi convocado
pelo selecionador José
Couceiro não só para o Torneio de Toulon, mas também para o Campeonato do
Mundo de sub-20, disputado no Canadá. Foi titular em três dos quatro jogos de
Portugal na prova, no qual se despediu de forma inglória das seleções nacionais
ao ser expulso na partida diante do Chile,
nos oitavos de final, após empurrar um adversário que se havia envolvido numa
altercação com Fábio
Coentrão. Quando o árbitro lhe mostrava o cartão vermelho, o companheiro de
equipa Zequinha
tirou a cartolina ao juiz e também acabou expulso. O incidente custou caro a
ambos, com a Federação Portuguesa de Futebol a recomendar a todos os
selecionadores que não convocassem Zequinha
por 12 meses e Mano por três. Contudo, nem um nem outro voltaram a atuar de
quinas ao peito, com o lateral a dizer adeus ao fim de 33 internacionalizações
pelas seleções jovens.
Entretanto, Mano foi
paulatinamente ganhando espaço no plantel do Belenenses,
beneficiando do facto de ser polivalente, uma vez que desempenhou as funções de
lateral direito e esquerdo, extremo direito e médio centro. Quando atuou no
centro do miolo, Jorge
Jesus chegou a apelidá-lo de “Makélélé do Restelo”, mas a verdade é que o treinador
amadorense raramente apostou nele. Só após a saída de JJ
é que Mano passou a ser um habitual titular nos azuis.
Em 2009-10 viveu a época de maior utilização com a Cruz de Cristo ao peito, mas
não conseguiu impedir a descida de divisão. No final da temporada terminou
contrato e chegou a ser apontado ao Benfica,
mas acabou por assinar pelo Villarreal,
tendo sido integrado na equipa B do submarino
amarillo, que competia na II Liga Espanhola.
Após época e meia no segundo
escalão espanhol, mudou-se para os gregos do Levadiakos no início de 2012, numa
fase em que estava a ser pouco utilizado, mas também não foi particularmente feliz
no futebol helénico. Mesmo não vivendo uma frase de
grande fulgor, o Estoril
de Marco Silva, então recém-promovido à I
Liga portuguesa, acreditou nele e ofereceu-lhe um contrato de dois anos. Na
primeira temporada no António Coimbra da Mota não jogou muito, por estar tapado
pelos brasileiros Anderson Luís e Jefferson, donos das laterais, mas contribuiu
para o primeiro apuramento europeu da história do clube para as provas
europeias, no caso a Liga
Europa. Já em 2013-14 tirou partido da
saída de Jefferson para o Sporting
para agarrar a titularidade, ajudando os canarinhos
a alcançar um brilhante quarto lugar na I
Liga e igualar assim a melhor classificação de sempre no primeiro
escalão (obtida anteriormente em 1947-48), o que valeu nova qualificação
para a Liga
Europa.
Após rescindir com o Estoril,
assinou pelo Vitória
de Setúbal, afirmando-se como um habitual titular dos sadinos
durante a época 2018-19, tendo no plantel a companhia de… Zequinha.
Já na temporada seguinte esteve tapado por Sílvio no corredor direito e pelo jovem
André Sousa e pelo regressado Nuno
Pinto (após vencer um linfoma) na esquerda.
Em ambas as épocas, ajudou os setubalenses
a assegurarem a permanência em campo, mas no verão de 2020 uma decisão
administrativa atirou o clube para o Campeonato
de Portugal. Houve debandada no plantel, mas Mano ficou no Bonfim
por mais dois anos, tendo contribuído para o apuramento para a Liga 3 em 2021.
No verão de 2022 terminou não só
a ligação ao Vitória,
após 87 encontros, como deixou de jogar futebol, quando tinha 35 anos. Uma
curiosidade: nunca marcou um golo ao longo da carreira.
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