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| Nelo Vingada está ligado ao treino desde a década de 1980 |
Marcou o último golo do
Atlético
na
I
Divisão, em 1977, naquela que foi a sua única época no
primeiro
escalão enquanto futebolista. Depois tornou-se não só treinador, mas também
um dos pioneiros a conciliar conhecimento empírico adquirido dentro das quatro
linhas com a formação académica.
Nascido a 30 de março de 1953 em
Serpa, no Baixo Alentejo, fez uma carreira modesta enquanto jogador. Após
concluir a formação no
Belenenses
representou
Sintrense,
Atlético
e
Vilafranquense,
tendo apenas jogado na
I
Divisão ao serviço dos
alcantarenses
na temporada 1976-77. A 22 de maio de 1977, numa derrota às mãos do
Belenenses
no Restelo (1-2), marcou o último golo do
Atlético
no
patamar
maior do futebol português.
Entretanto, começou a estudar no
então denominado Instituto Nacional de Educação Física (INEF), que em 1975 se
passou a designar Instituto Superior de Educação Física (ISEF), instituição que
em 1989 viria a dar origem à Faculdade de Motricidade Humana da Universidade
Técnica de Lisboa. Foi mesmo um dos primeiros licenciados do ISEF, onde passou
a lecionar e a pensar futebol juntamente com
Carlos
Queiroz,
Jesualdo
Ferreira e Mirandela da Costa.
Paralelamente, começou a treinar
equipas, iniciando-se nas camadas jovens do
Vilafranquense
e do
Atlético.
Em 1981-82 orientou o
Belenenses
durante alguns jogos, depois pertenceu à equipa técnica de Mário Wilson quando
este comandou
Académica
e
Estoril
e orientou
Sintrense
e
Vilafranquense
antes de entrar na Federação Portuguesa de Futebol (FPF).
Como adjunto de
Carlos
Queiroz guiou a seleção nacional de sub-20 ao título mundial da categoria
em 1989 e 1991 e ajudou a reestruturar e reorganizar o futebol português, um
trabalho refletido na emancipação do futebolista luso e nas participações
assíduas das seleções em fases finais.
Em meados da década de 1990, já
depois de ter levado as seleções jovens a provas como os Europeus de sub-21 de
1994 e 1996, o
Mundial de sub-20 de 1995 e os Jogos Olímpicos de Atlanta (1996),
deixou a FPF e começou a aventurar-se pelo mundo.
Começou pela
Arábia Saudita, o
primeiro de onze países estrangeiros onde trabalhou. Guiou a seleção nacional à
conquista da
Taça Asiática de 1996 e deixou o apuramento para o Mundial 1998
muitíssimo bem encaminhado, mas foi despedido por se ter recusado a fazer uma
substituição ordenada pelo Príncipe, que também era presidente da Federação e
ministro do Desporto e havia exigido a entrada do jogador mais emblemático do
país,
Sami Al Jaber, ao intervalo de um encontro com o Qatar.
Depois reentrou em Portugal pela
porta do
Benfica,
para ser adjunto de
Graham
Souness e coordenador do futebol jovem durante a presidência de
Vale
e Azevedo, num período conturbado na existência do clube.
Seguiu-se uma das páginas mais bonitas
da carreira de
Nelo
Vingada, a passagem pelo comando técnico do
Marítimo
entre janeiro de 1999 e março de 2003. Nesse período alcançou um sexto lugar na
I
Liga em 1999-00 e 2001-02, atingiu a final da
Taça
de Portugal em 2000-01 e potenciou jogadores como Bruno,
Kenedy,
Pepe
ou Alan.
Já em 2003-04 pegou nos egípcios
do
Zamalek e tornou-se no primeiro treinador português a sagrar-se campeão no
estrangeiro sem derrotas, tendo averbado 21 vitórias e cinco empates ao longo
das 26 jornadas do campeonato.
Após ter sido selecionador
olímpico do
Egito
orientou a
Académica
entre janeiro de 2005 e junho de 2006, tendo conseguido assegurar a permanência
em duas épocas.
Seguiu-se uma curta passagem
pelos marroquinos do Wydad Casablanca (WAC), cerca de ano e meio como
selecionador da Jordânia, uma temporada ao leme dos iranianos do Persepolis e
cinco dias enquanto treinador do Al Ahly, tendo deixado o gigante egípcio alegando
problemas familiares.
Voltou a Portugal para iniciar a
temporada de 2009-10 como treinador do
Vitória
de Guimarães, mas deixou o cargo após a 7.ª jornada devido aos maus
resultados.
Entretanto aventurou-se no
futebol sul-coreano, sagrando-se campeão pelo
FC Seoul em 2010, uma experiência
que antecedeu dois anos ao leme dos chineses do Dalian Shide.
Em janeiro de 2016 voltou ao
Marítimo
e, apesar de algumas dificuldades no campeonato, voltou a levar os
madeirenses
a uma final, a da
Taça
da Liga, perdida para o
Benfica
em Coimbra (2-6).
Depois regressou à Ásia para comandar
os indianos do NorthEast United e do Kerala Blasters e a seleção da Malásia e para
ser adjunto de
Carlos
Queiroz na seleção de Omã, tendo ainda sido observador da
seleção
iraniana quando esta era orientada por
Queiroz.
Pelo meio foi coordenador técnico na Federação do
Egito.
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