segunda-feira, 30 de março de 2026

Hoje faz anos o autor do último golo do Atlético na I Divisão e treinador em 12 países. Quem se lembra de Nelo Vingada?

Nelo Vingada está ligado ao treino desde a década de 1980
Marcou o último golo do Atlético na I Divisão, em 1977, naquela que foi a sua única época no primeiro escalão enquanto futebolista. Depois tornou-se não só treinador, mas também um dos pioneiros a conciliar conhecimento empírico adquirido dentro das quatro linhas com a formação académica.
 
Nascido a 30 de março de 1953 em Serpa, no Baixo Alentejo, fez uma carreira modesta enquanto jogador. Após concluir a formação no Belenenses representou Sintrense, Atlético e Vilafranquense, tendo apenas jogado na I Divisão ao serviço dos alcantarenses na temporada 1976-77. A 22 de maio de 1977, numa derrota às mãos do Belenenses no Restelo (1-2), marcou o último golo do Atlético no patamar maior do futebol português.
 
Entretanto, começou a estudar no então denominado Instituto Nacional de Educação Física (INEF), que em 1975 se passou a designar Instituto Superior de Educação Física (ISEF), instituição que em 1989 viria a dar origem à Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Técnica de Lisboa. Foi mesmo um dos primeiros licenciados do ISEF, onde passou a lecionar e a pensar futebol juntamente com Carlos Queiroz, Jesualdo Ferreira e Mirandela da Costa.
 
Paralelamente, começou a treinar equipas, iniciando-se nas camadas jovens do Vilafranquense e do Atlético. Em 1981-82 orientou o Belenenses durante alguns jogos, depois pertenceu à equipa técnica de Mário Wilson quando este comandou Académica e Estoril e orientou Sintrense e Vilafranquense antes de entrar na Federação Portuguesa de Futebol (FPF).
 
Como adjunto de Carlos Queiroz guiou a seleção nacional de sub-20 ao título mundial da categoria em 1989 e 1991 e ajudou a reestruturar e reorganizar o futebol português, um trabalho refletido na emancipação do futebolista luso e nas participações assíduas das seleções em fases finais.
 
Em meados da década de 1990, já depois de ter levado as seleções jovens a provas como os Europeus de sub-21 de 1994 e 1996, o Mundial de sub-20 de 1995 e os Jogos Olímpicos de Atlanta (1996), deixou a FPF e começou a aventurar-se pelo mundo.
 
Começou pela Arábia Saudita, o primeiro de onze países estrangeiros onde trabalhou. Guiou a seleção nacional à conquista da Taça Asiática de 1996 e deixou o apuramento para o Mundial 1998 muitíssimo bem encaminhado, mas foi despedido por se ter recusado a fazer uma substituição ordenada pelo Príncipe, que também era presidente da Federação e ministro do Desporto e havia exigido a entrada do jogador mais emblemático do país, Sami Al Jaber, ao intervalo de um encontro com o Qatar.
 
Depois reentrou em Portugal pela porta do Benfica, para ser adjunto de Graham Souness e coordenador do futebol jovem durante a presidência de Vale e Azevedo, num período conturbado na existência do clube.
 
Seguiu-se uma das páginas mais bonitas da carreira de Nelo Vingada, a passagem pelo comando técnico do Marítimo entre janeiro de 1999 e março de 2003. Nesse período alcançou um sexto lugar na I Liga em 1999-00 e 2001-02, atingiu a final da Taça de Portugal em 2000-01 e potenciou jogadores como Bruno, Kenedy, Pepe ou Alan.
 
Já em 2003-04 pegou nos egípcios do Zamalek e tornou-se no primeiro treinador português a sagrar-se campeão no estrangeiro sem derrotas, tendo averbado 21 vitórias e cinco empates ao longo das 26 jornadas do campeonato.
 
Após ter sido selecionador olímpico do Egito orientou a Académica entre janeiro de 2005 e junho de 2006, tendo conseguido assegurar a permanência em duas épocas.
 
Seguiu-se uma curta passagem pelos marroquinos do Wydad Casablanca (WAC), cerca de ano e meio como selecionador da Jordânia, uma temporada ao leme dos iranianos do Persepolis e cinco dias enquanto treinador do Al Ahly, tendo deixado o gigante egípcio alegando problemas familiares.
 
Voltou a Portugal para iniciar a temporada de 2009-10 como treinador do Vitória de Guimarães, mas deixou o cargo após a 7.ª jornada devido aos maus resultados.
 
Entretanto aventurou-se no futebol sul-coreano, sagrando-se campeão pelo FC Seoul em 2010, uma experiência que antecedeu dois anos ao leme dos chineses do Dalian Shide.
 
Em janeiro de 2016 voltou ao Marítimo e, apesar de algumas dificuldades no campeonato, voltou a levar os madeirenses a uma final, a da Taça da Liga, perdida para o Benfica em Coimbra (2-6).
 
Depois regressou à Ásia para comandar os indianos do NorthEast United e do Kerala Blasters e a seleção da Malásia e para ser adjunto de Carlos Queiroz na seleção de Omã, tendo ainda sido observador da seleção iraniana quando esta era orientada por Queiroz. Pelo meio foi coordenador técnico na Federação do Egito







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