segunda-feira, 30 de agosto de 2021

Da formação do Almada à Seleção A. Os antecessores de Gonçalo Inácio

Cinco canteranos do Almada que chegaram à seleção A
Convocado na quinta-feira por Fernando Santos para os encontros da seleção nacional A com a República da Irlanda e o Azerbaijão, de qualificação para o Mundial 2022, e o particular com o Qatar, o defesa central Gonçalo Inácio está a um pequeno passo de se tornar no quinto jogador com passagem pela formação do Almada Atlético Clube a jogar pela principal equipa das quinas. Um motivo de orgulho para um clube que milita presentemente na II Divisão Distrital da AF Setúbal, mas que até à viragem no milénio foi presença assídua nos campeonatos nacionais.
 
António Simões
O primeiro desta lista restrita é o antigo extremo esquerdo António Simões, que brilhou com a camisola do Benfica durante as décadas de 1960 e 1970. Nascido na Cruz de Pau, concelho do Seixal, mas residente em Almada desde tenra idade, começou a jogar nas camadas jovens do Almada em 1957-58.
“Eu jogava muito na rua, joguei uma vez por uma equipa de ciganos num torneio popular. Começaram todos a falar de mim, foram ter com o meu irmão mais velho para lhe dizer que eu era bom, diabólico no campo. Porque eu jogava contra os adultos e driblava os homens. Isto começou a ser falado, os meios eram mais pequenos do que hoje. O scouting da altura eram os sócios dos clubes que telefonaram a dizer: ‘Atenção que há um miúdo assim, assim’. Comecei a jogar através de um senhor que foi campeão de Portugal pelo Sporting, chamado professor Rodrigues Dias, é ele que é o meu treinador no Almada. Tudo começa aí”, explicou à Tribuna Expresso em dezembro de 2018.
Ainda chegou a treinar no Sporting, mas os verde e brancos nunca quiseram pagar os 50 contos [250 euros] exigidos pelo emblema do Pragal. O Benfica também não, mas chegou-se à frente com 40 contos [200 euros], proposta que os almadenses acabaram por aceitar.
Na época de estreia pela equipa principal dos encarnados, em 1961-62, não só venceu a Taça dos Campeões Europeus como também acabou por somar os primeiros jogos ao serviço da seleção nacional A, estrando-se num particular diante do Brasil a 6 de maio de 1962, quando tinha apenas 18 anos e quatro meses. Quatro anos depois, foi um dos magriços que guiou Portugal ao terceiro lugar no Campeonato do Mundo de Inglaterra.
 
 
 
João António Galo
Quase duas décadas depois, surgiram na formação do Almada dois jovens que viriam a atingir a seleção A. Comecemos pelo lateral direito Galo, que jogou pelos juniores do Almada entre 1978 e 1980 e depois pela equipa principal até 1984, sempre na III Divisão.
Depois de uma passagem de dois anos pelo Atlético, ingressou no Belenenses em 1986 e fez parte do melhor período dos azuis do Restelo no pós-Matateu, com a conquista da Taça de Portugal em 1988-89 e boas campanhas nas competições europeias.
A 29 de agosto de 1990 acabou mesmo por disputar um jogo pela seleção nacional, um empate a um golo numa partida de preparação diante da campeã mundial Alemanha, no antigo Estádio da Luz. Galo foi rendido ao intervalo por José Carlos, enquanto do outro lado estavam Andreas Brehme, Lothar Matthäus, Rudi Völler e Jürgen Klinsmann.
 
 
 
Oceano
Um ano e meio mais novo do que Galo, o médio defensivo Oceano, nascido em Cabo Verde, ingressou nos iniciados do Almada aos 13 anos, a meio da década de 1970. “[Fui lá parar] através dos colegas da escola, que já jogavam juntos lá e disseram-me para ir fazer os treinos de captação. Fui e fiquei nos iniciados”, recordou em maio de 2018, em entrevista à Tribuna Expresso, um jogador que no Pragal atuava como… extremo esquerdo.
“Faço iniciado, juvenil, júnior e, no meu primeiro ano de sénior, o Almada apresenta-me uma proposta, ainda me lembro do valor: 17 contos e 500 por mês. Mas eu disse que não aceitava porque já havia jogadores no Almada a ganhar 25, 30 contos por mês. Disse-lhes que por 20 contos assinava. Como júnior já era titular da equipa, mas eles achavam que não me davam esse dinheiro. Entretanto apareceu uma proposta do Odivelas, que me oferecia 26 contos por mês e, no ato da assinatura, dava-me 50 contos. Ficava rico, multimilionário, com aqueles 50 contos. Avisei o Almada: ‘Têm dois dias, porque daqui a dois dias eu vou assinar por outro clube’. Passaram dois dias, o Almada não me disse nada, liguei para o Odivelas e disse que aceitava a proposta deles. Entretanto, depois, o Almada já me dava 35 contos por mês. Eu ainda não tinha assinado pelo Odivelas, mas, lá está, por causa da educação que os meus pais me deram, disse: ‘Já dei a minha palavra ao Odivelas, por isso não há hipótese nenhuma’. E acabei por ir para o Odivelas. No Almada ficaram ofendidíssimos comigo”, prosseguiu, sobre um episódio ocorrido em 1982.
Dois anos depois, Oceano assinou pelo Sporting, tendo feito o primeiro de 54 jogos pela seleção nacional a 30 de janeiro de 1985, numa derrota caseira ante a Roménia (2-3). Ao longo desse percurso internacional, que só terminaria em 1998 e que contou com uma participação no Euro 1996 pelo meio, o centrocampista apontou oito golos.
 
 
 
Edinho
Cerca de duas décadas depois, voltou a sair do Pragal um futuro internacional A, desta vez um ponta de lança: Edinho. Filho de Arnaldo Silva, que era treinador da formação do Almada, percorreu as camadas jovens do clube desde os infantis aos juniores – apesar de uma passagem de um ano pelo Vitória de Setúbal –, tendo ainda jogado pelos seniores.
“A partir dos nove anos comecei a gostar mesmo de futebol. O meu pai levava-me, porque era treinador da formação do Almada. Comecei a ganhar o bichinho e com ele a incentivar-me… Ao sábado jogava no meu escalão e ao domingo no escalão acima, que era o que ele treinava. E é curioso, porque com o meu pai nunca fui titular. Chegou uma altura em que até os pais dos meus colegas diziam que eu tinha de jogar. Mas o meu pai sempre teve aquele complexo, ‘é meu filho, não posso pôr a jogar, vão pensar outras coisas’. Só que eu era o melhor marcador, fazia sempre golo e até o presidente perguntava. Mas o meu pai dizia-lhe: ‘Se a gente precisar ele depois ajuda, não há problema. Ele está bem’. Mas eu não estava, como é óbvio, ficava chateado”, contou à Tribuna Expresso em novembro de 2019.
Em 2000 transitou para a equipa principal, tendo competido na III Divisão Nacional e na I Distrital da AF Setúbal antes de se mudar para o Barreirense, em 2002, tendo protagonizado uma ascensão a pulso na hierarquia do futebol português, passando por todas as divisões antes de ajudar o Vitória de Setúbal a ganhar a Taça da Liga em 2007-08.
Em 2009, quando jogava num dos principais clubes gregos, o AEK Atenas, fez a estreia na seleção nacional a 31 de março, numa vitória sobre a África do Sul, num jogo particular. Acabou por somar mais cinco internacionalizações e dois golos, diante de Malta e Camarões.
 
 
 
Gonçalo Inácio
Agora, é a vez de Gonçalo Inácio, um defesa central canhoto nascido em Almada e que iniciou a sua formação nos benjamins do Almada Atlético Clube em 2010. “Tinha quatro anos quando fui para a escolinha do Chalana. Depois fui para o Almada, um clube onde aprendi muita coisa”, recordou ao Diário de Notícias, em maio deste ano.
Dois anos depois mudou-se para o Sporting, tendo feito a estreia pela equipa principal em outubro de 2020, pouco tempo após ter comemorado o 19.º aniversário. Entretanto conquistou a titularidade e tornou-se um dos esteios do conjunto que em 2021 conquistou campeonato, Taça da Liga e Supertaça.  
Com apenas sete internacionalizações pelas seleções jovens – nenhuma das quais pelos sub-21 –, tem agora a possibilidade de estrear pela seleção A.
 

Os internacionais jovens e por seleções estrangeiras

Além dos que chegaram à seleção A de Portugal, o Almada produziu talentos que passaram pelas seleções jovens lusas ou por seleções estrangeiras.
 
Também o lateral esquerdo André Marques (66 internacionalizações dos sub-16 à seleção B), o central Germano (20 dos sub-16 aos sub-21), o médio Tomás Azevedo (sete pelos sub-18), o lateral direito Rafael Fonseca (sete pelos sub-18), o médio Spencer (seis pelos sub-18), o lateral Mano (21 dos sub-19 aos sub-21), o médio Paulo Monteiro (cinco dos sub-21 à seleção olímpica), o lateral esquerdo Rodrigo Rego (29 dos sub-15 aos sub-18), o avançado Nelinho (sete dos sub-18 aos sub-21), o médio Bonacho (duas pelos sub-15), o guarda-redes Gonçalo Pinto (uma pelos sub-19), o central Figueiredo (uma pela seleção B) e o avançado Jorge Paixão (sete dos sub-16 aos sub-18) jogaram de quinas ao peito, mas nas seleções jovens.
 
Já o avançado Cafú jogou pela seleção principal de Cabo Verde, enquanto Jardel Nazaré representa a equipa nacional de São Tomé e Príncipe.














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