quarta-feira, 8 de abril de 2026

Hoje faz anos o herói do título europeu de sub-18 em 1999. Quem se lembra de João Paulo?

João Paulo somou 34 internacionalizações pelas seleções jovens (e B)
O autor do golo que deu a Portugal o título europeu de sub-18 em 1999. Embora precoce, acabou por ser o pináculo de uma carreira razoável, com 140 jogos e 23 remates certeiros na I Liga portuguesa e passagens pelos campeonatos de Roménia, Chipre e Azerbaijão.
 
Possante ponta de lança (1,87 m) nascido a 8 de abril de 1980 em Paredes, começou a jogar futebol nas camadas jovens do União Sport Clube Paredes, de onde saltou para o Boavista enquanto juvenil, no verão de 1995. Daí às seleções jovens nacionais foi um tirinho, estreando-se pelos sub-15 em fevereiro do ano seguinte, no Torneio Internacional do Algarve.
 
Na formação axadrezada sagrou-se campeão nacional de juniores por duas vezes, em 1996-97 e em 1998-99. No final da época do segundo título foi convocado para o Campeonato da Europa de sub-18, realizado na Suécia, tendo marcado o golo solitário na vitória sobre a Itália na final – na fase de grupos também tinha faturado num triunfo diante da seleção anfitriã (3-1). Dessa jovem equipa das quinas faziam parte jogadores como Ricardo Costa, Tonel, Duda, Filipe Teixeira, Pepa, Moreira ou Miguel.
 
 
Apesar desse trajeto promissor, não teve entrada direta no plantel principal do Boavista, então comandado por Jaime Pacheco, tendo sido emprestado a Desp. Aves (II Liga) e Feirense (II Divisão B) em 1999-00 e ao Vitória de Setúbal (II Liga) na temporada seguinte. Pelo meio foi finalista vencido do Torneio de Toulon em 2000.
 
 
Os nove golos que marcou pelos sadinos valeram-lhe o bilhete de regresso ao Bessa para integrar a equipa então campeã nacional, mas foi pouquíssimo utilizado, não indo além de cinco jogos como suplente utilizado, num total de apenas 72 minutos em campo durante toda a época 2001-02. Paralelamente, participou na qualificação portuguesa para o Europeu de sub-21 de 2002, mas ficou fora dos eleitos para a fase final.
 
Seguiram-se mais três empréstimos, a Varzim (2002-03), Beira-Mar (2003-04) e Estoril (2004-05), sempre na I Liga. Ultrapassou sempre as duas dezenas de jogos nessas temporadas, mas não apresentou grandes números em termos de golos – dois, quatro e cinco, respetivamente – e desceu de divisão nos poveiros e nos canarinhos. Ainda assim, somou uma internacionalização pela seleção B em janeiro de 2003.
 
 
No verão de 2005 terminou contrato com o Boavista e emigrou pela primeira vez, tendo assinado pelo Tenerife, então na II Liga espanhola. Apesar de ter considerado a experiência como “benéfica”, deixou os canários em janeiro de 2006, sem golos marcados e com a equipa nos últimos lugares da tabela classificativa, para reentrar em Portugal pela porta do Paços de Ferreira.
 
Acabou por passar um ano e meio na Mata Real, ajudando os pacenses a alcançar o primeiro apuramento da sua história para as provas europeias, no caso a Taça UEFA, em 2007. Ainda assim, voltou a não apresentar grandes números: apenas cinco remates certeiros em 32 jogos.
 
No início da época 2007-08 assinou pela União de Leiria, tendo vivido na cidade do Lis uma das melhores fases da carreira. Até meados de fevereiro somava onze golos em 26 jogos oficiais, apesar de os leirienses ocuparem destacadamente o último lugar na I Liga. Depois mudou-se para os romenos do Rapid Bucareste.
 
 
“Lembro-me que iniciámos muito bem a época, vencemos a Taça Intertoto e disputámos uma eliminatória com o Bayer Leverkusen na Taça UEFA, em que marquei nos dois jogos: lá perdemos 3-1 e em casa vencemos por 3-2. Individualmente foi bom, comecei a fazer golos, lembro-me que a meio da época (…) cheguei a ser pré-convocado para a seleção e era o melhor marcador português do campeonato, com oito golos. Em janeiro tive várias opções para sair, mas tinha uma cláusula de rescisão no valor de um milhão de euros. Entretanto o mercado fechou, mas nos países de Leste continuava aberto. O Rapid veio observar-me num jogo contra a Académica, vencemos por 3-1, eu fiz dois golos, e aí eles deram o 'xeque-mate'. Pagaram a cláusula e ainda acrescentaram 250 mil euros por objetivos. Foi uma decisão difícil, porque o negócio foi feito muito rapidamente, estava a atravessar uma boa fase e sentia-me bem, e também porque a União de Leiria estava a passar por uma fase complicada e não queria deixar o clube naquela situação. Ao mesmo tempo, já tinha 27 anos, e sabia que ia ter poucas oportunidades para melhorar a minha vida de forma substancial (…). E claro, sabia que com a ida para a Roménia, a possibilidade de ser chamado à seleção ia diminuir, mas optei por tomar a decisão de assinar pelo Rapid”, recordou ao blogue Prémio Carreira em novembro de 2016.
 
Na Roménia não foi particularmente feliz, tanto desportivamente como em termos pessoais, chegando a ter quatro meses de salários em atraso. Acabou por rescindir e assinar pelo Leixões em janeiro de 2010, não conseguindo impedir a despromoção dos matosinhenses nessa época.
 
Foi convidado para continuar no Estádio do Mar, mas decidiu mudar-se para Chipre, tendo brilhado ao serviço do Olympiakos Nicosia em 2010-11, com 15 golos em todas as competições, o melhor registo da carreira.
 
 
 
Valorizado, mudou-se para os azeris do Khazar-Lankaran, que pagaram a cláusula de rescisão do avançado português. O contrato era “muito bom”, mas foi a “pior experiência” da sua vida, que o fez chegar “rapidamente à conclusão de que o dinheiro não é tudo”. Os maiores problemas que viveu foi o demasiado tempo passado no centro de estágios e a forma como via os dirigentes do clube retaliarem contra colegas brasileiros que pediam para se ausentar do país.
 
Na segunda metade da época 2011-12 foi emprestado aos cipriotas do Apollon Limassol e no verão de 2012 decidiu regressar ao Estoril, então recém-promovido à I Liga e orientado por Marco Silva. Jogou pouco (nove partidas nas várias provas), mas fez parte de uma histórica equipa que conseguiu o apuramento para a Liga Europa. “Fizemos uma grande época. Em qualquer estádio que jogássemos, jogámos sempre da nossa forma, sem medos, e fizemos muitos bons jogos. O Estoril vinha da II Liga e ficou em quinto lugar, garantiu o apuramento para a Liga Europa, e isso fica para a história. O Marco Silva demonstrou e continua a demonstrar que é um grande treinador. A nível pessoal não correu muito bem, porque tive uma lesão em janeiro que se arrastou até ao final da época, e nós nunca esperamos este tipo de coisas. Mas penso que, dentro de um grupo de trabalho, somos todos importantes, cada um à sua maneira, e eu sinto que também fui importante”, lembrou.
 
A partir daí, só jogou nas divisões secundárias, tendo competido na II Liga pelo Desp. Aves, no Campeonato de Portugal pelo Famalicão e pelo Tirsense e nos distritais da AF Porto ao serviço do FC Foz antes de pendurar as botas em 2019, aos 39 anos.

 
Entretanto, tornou-se delegado do Sindicato de Jogadores Profissionais de Futebol na zona Norte e treinador, tendo já exercido as funções de adjunto e treinador principal do FC Foz. Porém, não trabalha desde 2021. 



 
 




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