Hoje faz anos o herói do título europeu de sub-18 em 1999. Quem se lembra de João Paulo?
João Paulo somou 34 internacionalizações pelas seleções jovens (e B)
O autor do golo que deu a
Portugal o título
europeu de sub-18 em 1999. Embora precoce, acabou por ser o pináculo de uma
carreira razoável, com 140 jogos e 23 remates certeiros na I
Liga portuguesa e passagens pelos campeonatos de Roménia, Chipre e
Azerbaijão.
Possante ponta de lança (1,87 m)
nascido a 8 de abril de 1980 em Paredes, começou a jogar futebol nas camadas
jovens do União
Sport Clube Paredes, de onde saltou para o Boavista
enquanto juvenil, no verão de 1995. Daí às seleções jovens nacionais foi um
tirinho, estreando-se pelos sub-15 em fevereiro do ano seguinte, no Torneio
Internacional do Algarve. Na formação axadrezada
sagrou-se campeão nacional de juniores por duas vezes, em 1996-97 e em 1998-99.
No final da época do segundo título foi convocado para o Campeonato da Europa
de sub-18, realizado na Suécia, tendo marcado o golo solitário na vitória sobre
a Itália
na final – na fase de grupos também tinha faturado num triunfo diante da
seleção anfitriã (3-1). Dessa jovem
equipa das quinas faziam parte jogadores como Ricardo Costa, Tonel, Duda, Filipe
Teixeira, Pepa, Moreira
ou Miguel.
Apesar desse trajeto promissor,
não teve entrada direta no plantel principal do Boavista,
então comandado por Jaime
Pacheco, tendo sido emprestado a Desp.
Aves (II
Liga) e Feirense
(II Divisão B) em 1999-00 e ao Vitória
de Setúbal (II
Liga) na temporada seguinte. Pelo meio foi finalista vencido do Torneio de
Toulon em 2000.
Os nove golos que marcou pelos sadinos
valeram-lhe o bilhete de regresso ao Bessa para integrar a equipa então campeã
nacional, mas foi pouquíssimo utilizado, não indo além de cinco jogos como
suplente utilizado, num total de apenas 72 minutos em campo durante toda a
época 2001-02. Paralelamente, participou na qualificação portuguesa para o
Europeu de sub-21 de 2002, mas ficou fora dos eleitos para a fase final. Seguiram-se mais três
empréstimos, a Varzim
(2002-03), Beira-Mar
(2003-04) e Estoril
(2004-05), sempre na I
Liga. Ultrapassou sempre as duas dezenas de jogos nessas temporadas, mas
não apresentou grandes números em termos de golos – dois, quatro e cinco,
respetivamente – e desceu de divisão nos poveiros
e nos canarinhos.
Ainda assim, somou uma internacionalização pela seleção B em janeiro de 2003.
No verão de 2005 terminou
contrato com o Boavista
e emigrou pela primeira vez, tendo assinado pelo Tenerife, então na II Liga
espanhola. Apesar de ter considerado a experiência como “benéfica”, deixou os
canários em janeiro de 2006, sem golos marcados e com a equipa nos últimos
lugares da tabela classificativa, para reentrar em Portugal pela porta do Paços
de Ferreira. Acabou por passar um ano e meio
na Mata Real, ajudando os pacenses
a alcançar o primeiro apuramento da sua história para as provas europeias, no
caso a Taça
UEFA, em 2007. Ainda assim, voltou a não apresentar grandes números: apenas
cinco remates certeiros em 32 jogos. No início da época 2007-08
assinou pela União
de Leiria, tendo vivido na cidade do Lis uma das melhores fases da
carreira. Até meados de fevereiro somava onze golos em 26 jogos oficiais,
apesar de os leirienses
ocuparem destacadamente o último lugar na I
Liga. Depois mudou-se para os romenos do Rapid Bucareste.
“Lembro-me que iniciámos muito
bem a época, vencemos a Taça Intertoto e disputámos uma eliminatória com o Bayer
Leverkusen na Taça
UEFA, em que marquei nos dois jogos: lá perdemos 3-1 e em casa vencemos por
3-2. Individualmente foi bom, comecei a fazer golos, lembro-me que a meio da
época (…) cheguei a ser pré-convocado para a seleção
e era o melhor marcador português do campeonato, com oito golos. Em janeiro
tive várias opções para sair, mas tinha uma cláusula de rescisão no valor de um
milhão de euros. Entretanto o mercado fechou, mas nos países de Leste
continuava aberto. O Rapid veio observar-me num jogo contra a Académica,
vencemos por 3-1, eu fiz dois golos, e aí eles deram o 'xeque-mate'. Pagaram a
cláusula e ainda acrescentaram 250 mil euros por objetivos. Foi uma decisão
difícil, porque o negócio foi feito muito rapidamente, estava a atravessar uma
boa fase e sentia-me bem, e também porque a União
de Leiria estava a passar por uma fase complicada e não queria deixar o
clube naquela situação. Ao mesmo tempo, já tinha 27 anos, e sabia que ia ter
poucas oportunidades para melhorar a minha vida de forma substancial (…). E claro,
sabia que com a ida para a Roménia, a possibilidade de ser chamado à seleção ia
diminuir, mas optei por tomar a decisão de assinar pelo Rapid”, recordou ao
blogue Prémio
Carreira em novembro de 2016. Na Roménia não foi
particularmente feliz, tanto desportivamente como em termos pessoais, chegando
a ter quatro meses de salários em atraso. Acabou por rescindir e assinar pelo Leixões
em janeiro de 2010, não conseguindo impedir a despromoção dos matosinhenses
nessa época. Foi convidado para continuar no
Estádio do Mar, mas decidiu mudar-se para Chipre, tendo brilhado ao serviço do
Olympiakos Nicosia em 2010-11, com 15 golos em todas as competições, o melhor
registo da carreira.
Valorizado, mudou-se para os
azeris do Khazar-Lankaran, que pagaram a cláusula de rescisão do avançado
português. O contrato era “muito bom”, mas foi a “pior experiência” da sua
vida, que o fez chegar “rapidamente à conclusão de que o dinheiro não é tudo”.
Os maiores problemas que viveu foi o demasiado tempo passado no centro de
estágios e a forma como via os dirigentes do clube retaliarem contra colegas
brasileiros que pediam para se ausentar do país. Na segunda metade da época
2011-12 foi emprestado aos cipriotas do Apollon Limassol e no verão de 2012
decidiu regressar ao Estoril,
então recém-promovido à I
Liga e orientado por Marco
Silva. Jogou pouco (nove partidas nas várias provas), mas fez parte de uma
histórica equipa que conseguiu o apuramento para a Liga
Europa. “Fizemos uma grande época. Em qualquer estádio que jogássemos,
jogámos sempre da nossa forma, sem medos, e fizemos muitos bons jogos. O Estoril
vinha da II
Liga e ficou em quinto lugar, garantiu o apuramento para a Liga
Europa, e isso fica para a história. O Marco
Silva demonstrou e continua a demonstrar que é um grande treinador. A nível
pessoal não correu muito bem, porque tive uma lesão em janeiro que se arrastou
até ao final da época, e nós nunca esperamos este tipo de coisas. Mas penso
que, dentro de um grupo de trabalho, somos todos importantes, cada um à sua
maneira, e eu sinto que também fui importante”, lembrou. A partir daí, só jogou nas
divisões secundárias, tendo competido na II
Liga pelo Desp.
Aves, no Campeonato
de Portugal pelo Famalicão
e pelo Tirsense
e nos distritais da AF
Porto ao serviço do FC Foz antes de pendurar as botas em 2019, aos 39 anos.
Entretanto, tornou-se delegado do
Sindicato de Jogadores Profissionais de Futebol na zona Norte e treinador,
tendo já exercido as funções de adjunto e treinador principal do FC Foz. Porém,
não trabalha desde 2021.
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