Hoje faz anos o brasileiro contratado para substituir Paulo Bento no Benfica. Quem se lembra de Jamir?
Jamir somou 22 jogos e dois golos pelo Benfica em 1996-97
Mais um jogador do “Vietname do Benfica”
que não deixou saudades. Foi contratado por indicação do treinador Paulo
Autuori para suceder a Paulo
Bento no meio-campo encarnado no verão de 1996. Ainda começou como titular
e fez parte da célebre tática
do pirilau, mas depois murchou e saiu da equipa.
Nascido a 13 de maio de 1972 em
Porto Alegre, no estado brasileiro de Rio Grande do Sul, concluiu a formação e
iniciou o percurso como sénior no modesto São José, de onde se mudou para o Grêmio
em 1991. Ao serviço do tricolor
gaúcho venceu o campeonato estadual em 1993 e a Copa do Brasil em 1994. Em 1995 transferiu-se para o Botafogo
e, logo nesse ano, às ordens de Paulo
Autuori, ajudou o emblema
carioca a sagrar-se campeão brasileiro.
Entretanto, Autuori
tornou-se treinador do Benfica
e, no verão de 1996, indicou a contratação de Jamir para colmatar a saída de Paulo
Bento para o Oviedo.
O médio defensivo começou por pegar de estaca no onze encarnado e até fez parte
da célebre tática
do pirilau (4x2x2x2), mas acabou por perder o lugar, num período muito
conturbado para os lados da Luz.
“Naquele Benfica
havia muitas trocas. Muitos jogadores a entrar e a sair. Havia muita
insegurança. Ninguém conseguia dizer que era titular indiscutível. Numa semana
jogava de início na outra estava na bancada. (…) No Benfica
sempre cumpriram comigo, não tenho nada a dizer. Gostava de ter dado mais ao Benfica.
Se pudesse voltar atrás tinha dado muito mais”, recordou ao Maisfutebol
em novembro de 2015. Logo na estreia, na primeira-mão
da Supertaça,
diante do FC
Porto nas Antas, foi titular, mas comprometeu, tendo estado ligado ao lance
do único golo da partida, apontado por Domingos. “Foi um início mau para mim.
Tive culpas naquele golo. Tinha a bola dominada, demorei a tirar e acabei por
perder o lance. Foi o primeiro golpe, numa altura em que ainda estava muito
emocionado por estar num clube como o Benfica”,
lembrou. Ainda assim, foi jogando sempre
até ao final de outubro. Até marcou um golo de livre direto (festejado com um
salto mortal) na goleada caseira aos polacos do Ruch Chorzów, para a Taça
das Taças, mas foi expulso numa derrota num dérbi com o Sporting
em Alvalade
(0-1) e substituído ainda na primeira parte num encontro frente ao Lokomotiv
Moscovo para prova
europeia, quando a equipa perdia por 0-1 (viria a ganhar por 3-2). A partir
daí, passou a sentar-se no banco ou na bancada, tendo voltado a jogar apenas em
fevereiro do ano seguinte, já com Manuel
José no comando técnico.
Ainda foi titular nos dois jogos
com a Fiorentina
para os quartos de final da Taça
das Taças, mas não conseguiu consolidar o lugar no onze. Perto do final da
temporada, desentendeu-se com o romeno Nica Panduru durante um treino e foi
suspenso pelo clube. Depois voltou ao Brasil, tendo sido emprestado ao Flamengo
ao fim de 22 jogos e dois golos de águia ao peito. Findo o empréstimo, voltou a
Portugal no início de 1999 para jogar no Alverca,
então em estreia na I
Liga, tendo passado pouco mais de um ano no Ribatejo, período no qual
totalizou 25 partidas e um remate certeiro. Uma experiência “bem melhor”. “Estava
muito mais à vontade. Claro que a pressão também é diferente e também já sabia
como funcionavam as coisas na Europa. Fizemos uma boa campanha e podíamos até
ter ficado mais acima”, contou. Seguiu-se uma aventura nos
peruanos do Bolognesi antes de mais um regresso ao Brasil, inicialmente para representar
o São Gabriel. Mais tarde, em 2001, Romário levou-o para o Vasco
da Gama.
Até ao final da carreira
representou ainda Portuguesa,
Portuguesa Santista, Brasiliense, CRB e novamente o São José, tendo pendurado
as botas em 2005, aos 33 anos. Após terminar a carreira abriu uma
empresa de design gráfico com o sobrinho Gustavo.
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