Por trás da cuidada pintura está
Marisa Gomes, 30 anos, fã de wrestling desde 2005 e fanática por Cody
praticamente desde que o filho do malogrado Dusty se estreou no main roster,
em 2007. Cerca de 48 horas depois de ter concretizado o sonho, ainda estava a
processar o que aconteceu e toda a empatia que sentiu por parte de quem
assistiu ao momento. “Estou meio em choque e estou
super overwhelmed com o apoio dos fãs portugueses, porque eu não estava
à espera que fossem tão simpáticos, a enviar-me fotos e vídeos de vários
ângulos e a darem-me os parabéns. É surreal, parece que ainda não caí em mim
que eu conheci o Cody
Rhodes, que é tipo o meu preferido desde sempre”, contou Marisa ao O
Blog do David. Conseguir dormir, dado o estado
de euforia, “está a ser difícil”. “Fico acordada um bocado ainda, até mais ou
menos às 2h, a ver o que me mandam. Eu fico do género: não acho que isto é
real. Fico a olhar para o cinto que ele me deu, numa estante mesmo à frente da
minha cama. Está a ver-me a dormir, basicamente. E eu penso: não, não é a sério,
não é a sério”, confessou, emocionada. A “Stardust Girl” portuguesa até
nem estava na primeira fila. Tinha “umas cinco ou seis filas” à frente. Porém,
aproveitou o corredor que havia para se chegar um pouco mais à frente durante a
entrada de Cody.
E foi aí que ambos tiveram o primeiro contacto visual. “Eu estava lá à frente a
chorar, a minha maquilhagem ficou toda mal, começou a sair tudo. Ele viu-me e apontou
para mim, do género: ‘tens a maquilhagem? Ok, uau.’ Depois fez aquela taunt
que ele fazia como Stardust, com a mão, e eu fiz de volta e pensei: ‘ok, está
ótimo, já tive o meu momento, boa, a noite está feita’. Mas afinal não”,
narrou, puxando a cassete atrás.
Ídolo tem sido terapia após a
morte do pai
No final do combate, Marisa
voltou a chegar-se à frente, “só para ver se ele consegue ver melhor”, e foi aí
que o momento mágico aconteceu: “Ele começou a dizer que havia alguém lá no
público que tinha um certo tipo de maquilhagem específica, e eu pensei: ‘hum,
posso até ser eu, ok, boa’. Depois ele disse: ‘há alguém, a young lady with
Stardust face paint’. E eu: ‘oh meu Deus, ok, sou mesmo eu’. Ele disse: ‘get
here girl’. E eu fiquei… eu não sei o que é que eu senti”, prosseguiu,
tendo contado com a mão da simpática Lilian Garcia para subir a grade.
“Depois a minha amiga, que vinha
com a pintura do Danhausen, é que me disse: ‘não tens noção, as pessoas estavam
atrás de ti, durante esse momento estavam a apontar para ti, porque queriam que
o Cody
te visse e que tu fosses lá’. É surreal”, aditou a jovem fã, que assim que
subiu ao ringue viu o seu wrestler favorito fazer a cartwheel à Stardust. Seguiu-se uma breve conversa
entre ambos antes de um abraço sentido. “Ele começou a perguntar-me se eu era
daqui, se tinha estado no show da véspera, se tinha sido eu a fazer a
maquilhagem. E eu: ‘sim, estive duas horas a fazer isto’. Enquanto ele
levantava a bandeira de Portugal, que ele pediu uma ajuda para a bandeira ficar
direita, para não estar a levantar aquilo mal, eu perguntei-lhe: ‘can I tell
you something?’ Ele: ‘claro, sure, sure’. E eu aí contei-lhe que aquilo era
muito especial para mim, porque eu já vejo o Cody
desde que ele fez o debut, em 2007, portanto estou cá há algum tempo,
mas tem sido especialmente bom e uma terapia, digamos assim, no último ano,
porque coincidiu com a morte do meu pai no ano passado. E eu disse-lhe: ‘tu
tens-me ajudado imenso neste último ano, desde que o meu pai faleceu’. E ele
ficou meio comovido, deu-me mais um abraço, e esse abraço foi mesmo sentido,
porque eu percebi: ‘ok, ele ouviu-me, ele percebeu que, ok, isto significa
alguma coisa para esta miúda’. Não foi só aquela coisa de: ok, vês aqui ao
palco, está bem, estás aí. Eu percebi que ele estava mesmo, estava a preocupar-se,
digamos. Não estou a dizer que sou especial, não é nada disso, mas ele quer
saber dos fãs, é isso que eu quero dizer”, desvendou Marisa, que se tem
inspirado em aspetos como o facto de Cody
também já não ter o pai vivo e de o theme song dele fazer referência ao progenitor. “Eu pensei: ok, ele vai perceber
quando eu disser que ele me ajuda nesta situação com o pai, ele vai entender um
bocado a situação, também pensei nisso. A música também, e é mesmo só
simplesmente eu ver os combates dele, ver promos, ver o que ele já
passou, toda a história dele, porque eu o acompanho desde sempre. Ver o quão
longe ele chegou, agora ser o top guy da WWE, isso deixa-me feliz. E
todos os combates dele são muito entertaining para mim, ajuda-me a
distrair, ajuda-me a estar feliz, a ter algum entusiasmo na minha vida, a tirar
a minha cabeça desse buraco em que às vezes posso cair, ajuda-me nesse sentido”,
explicou a fã portuguesa, que planteia criar na estante onde está o cinto uma
espécie de altar dedicado ao ídolo, com uma action figure e funko pop
a condizer.
“Stardust? Adorava, tal como
adorei todas as fases do Cody”
O abraço entre Cody e a "Stardust Girl" portuguesa
Ao contrário da maioria dos fãs,
Marisa, que esteve pela segunda vez num evento da WWE depois de também ter
marcado presença no Campo
Pequeno em 2017, diz que gostava da personagem Stardust.
“Eu adorava a personagem, mas eu
via imensos e imensos fãs a não gostarem, e não davam credibilidade nenhuma ao Cody
com a mudança da personagem, gozavam com ele. Eu adorava, tal como adorei todas
as fases do Cody.
Portanto, eu pensei: olha, sabes o que mais? Eu vou com a pintura dele, porque
eu não era para fazer nada à cara e ia somente normal. Depois eu pensei: A
minha amiga é queria ir de Danhausen, faz sentido. Eu gosto tanto do Cody,
vou de Stardust para ele perceber que pelo menos alguém gostou dessa fase da
carreira dele, mesmo que tenha sido muito difícil para ele na altura, só para
perceber que alguém aprecia o que ele fez. Está aqui uma amiga que gosta do teu
trabalho, mesmo tendo sido aqui um trabalho um bocado mais... não tanto o que
ele gostava de fazer”, acrescentou a felizarda da noite, que tomou a decisão da
pintura facial poucas semanas antes do show. “Eu não tenho grande jeito para
fazer maquilhagem, mas vamos lá, ninguém vai querer saber, ninguém vai notar em
mim, é só aquela ali que quis vir com a cara pintada, tudo certo”, contou,
modesta. Fã de wrestling há 21 anos,
começou a ver WWE com nove de idade, com o malogrado pai, ao lado do qual se
lembra de assistir ao Royal Rumble 2008, curiosamente o primeiro em que Cody
participou: “Lembro-me perfeitamente de ver aquilo com o meu pai.” Ao início, Cody
passava-lhe “um bocadinho mais despercebido, porque estava a começar, ainda não
se destacava”. “Mas indo acompanhando, ele estando lá durante muitos anos, foi
tendo cada vez mais relevância e eu comecei a gostar cada vez mais dele. Quando
ele era Dashing Cody Rhodes, toda essa gimmick,
eu adorava. Adorava! A partir daí foi mesmo aquele amor: ‘está assente, eu
adoro este homem’”, confessou. A paixão não foi interrompida
após a saída de Cody
da WWE em maio de 2016. Bem pelo contrário. Marisa nunca lhe perdeu o rasto e
continuou a segui-lo, principalmente na All Elite Wrestling (AEW), promotora da
qual o “American
Nightmare” foi um dos fundadores. A devoção e a lealdade foram
premiadas na quarta-feira, com um momento a dois que ainda é incapaz de descrever:
“Nem sei descrever a sensação, é algo que nem nunca senti. É qualquer outra
coisa.”
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