sexta-feira, 20 de setembro de 2019

A minha primeira memória de... um jogo entre Benfica e Moreirense

Nuno Gomes em duelo com João Duarte no jogo de Braga
A minha primeira memória de um jogo entre Benfica e Moreirense foi precisamente relativa ao primeiro jogo de sempre entre os dois clubes, a 14 de setembro de 2002, a contar para a 3.ª jornada da I Liga. Creio que até nem terei assistido ao encontro através da televisão, mas lembro-me do resultado e do local do encontro e tinha uma vaga ideia da marcha do marcador.


À entrada para essa ronda, o Benfica de Jesualdo Ferreira liderava o campeonato e ainda não tinha sofrido golos. Já o Moreirense, orientado por Manuel Machado, estava na época de estreia no patamar maior do futebol português e ainda não tinha somado qualquer ponto.

Não se previa um final de tarde muito complicado para as águias no Estádio Municipal 1.º de Maio, em Braga, casa emprestada dos cónegos para esse encontro. Porém, a formação axadrezada complicou muito a vida aos encarnados, que tiveram de suar para sair do Minho com os três pontos.


O jogo até começou bem para os benfiquistas, que inauguraram o marcador logo aos 3 minutos, por Nuno Gomes, que surgiu desmarcado pelo lado esquerdo a passe de Zahovic e colocou a bola por baixo do corpo do guarda-redes internacional angolano João Ricardo. Foi o primeiro golo do avançado após o regresso ao clube da Luz, após duas temporadas na Fiorentina.


Depois, só deu Moreirense durante a primeira parte. Aos 17', o avançado brasileiro Demétrius, que tinha sido campeão pelo Boavista em 2000-01, baixou-se para cabecear para o fundo das redes na sequência de uma série de ressaltos na área dos encarnados.


À beira do intervalo, Armando deu a volta ao resultado através de mais um cabeceamento, ao aproveitar da melhor maneira um cruzamento milimétrico de Afonso Martins após Demétrius ter roubado a bola a João Manuel Pinto em zona proíbida (42').


A perder ao intervalo, Jesualdo Ferreira retirou de campo o lateral brasileiro Éder, contratado nesse verão ao Grêmio Anápolis, e o médio ofensivo Roger, que prometeu sempre mais do que cumpriu de águia ao peito, para lançar Miguel e Miki Fehér, com o intuito de dar mais poder de fogo ao corredor direito e reforçar a frente de ataque.

No entanto, só aos 70 minutos é que o Benfica chegou à igualdade, com Simão Sabrosa a converter em golo numa grande penalidade a castigar falta de João Duarte sobre Fehér na área minhota e que valeu o segundo amarelo ao defesa do Moreirense. Foi o terceiro golo do extremo em outros tantos jogos até aí decorridos nesse campeonato, todos de penálti – e ainda haveria de marcar da mesma forma na 4.ª jornada, à União de Leiria, em partida em que marcou também de bola corrida pela primeira vez nessa época.


A grande penalidade foi muito contestado por Manuel Machado, bastante nos comentários após a partida. “Se dissesse o que me vai na alma, tinha o salário hipotecado até ao final da época. Coisas como as que aconteceram nesta partida, só se resolvem com pau de marmeleiro. O melhor é não falar, porque não tenho dinheiro para pagar multas. O que interessa é que o Benfica vai à frente. E por este andar, de certeza que vai continuar...”, atirou o técnico.

Porém, o jogo ainda não tinha acabado. A jogar com mais um e balanceado para o ataque, já com Drulovic em campo no lugar de Ednilson, as águias chegaram ao terceiro golo por intermédio do malogrado Fehér, que saltou mais alto do que toda a gente na área dos minhotos após grande cruzamento de Ricardo Rocha na esquerda (78').


“O minuto 69 marcou a reviravolta num jogo em que o Benfica sentiu dificuldades inesperadas para vencer o Moreirense quando parecia ter tudo a seu favor, desde jogar num estádio repleto de benfiquistas a defrontar um adversário sem traquejo no escalão principal, que somara duas derrotas em dois jogos. Quando Nuno Gomes, logo aos 3', pôs o Benfica em vantagem mais se acentuou a atmosfera de confiança no sentido em que tudo se conjugava para uma vitória tranquila. O que não aconteceu por culpa própria do Benfica”, escreveu o Record na crónica do jogo.

No encontro da segunda volta, houve empate a um golo no velhinho Estádio da Luz. Aliás, o Moreirense saiu com 1-1 nas duas vezes em que visitou o Benfica. Quantos clubes poderão dizer o mesmo?






















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