quinta-feira, 19 de setembro de 2019

A minha primeira memória de... um jogo entre FC Porto e clubes suíços

Capucho perante um oponente helvético
Falar do primeiro jogo que tenho memória entre o FC Porto e equipas suíças é sinónimo de recuar até ao início da temporada de 2001-02, uma época que não correu bem aos azuis e brancos mas que serviu para fazer a ponte entre dois períodos ganhadores do clube, após a saída de Fernando Santos e antes da entrada de José Mourinho. Pelo meio, já sem jogadores com alguma importância como Aloísio, Drulovic, Esquerdinha ou Chaínho e ainda com Vitor Baía lesionado durante um largo período, sentou-se no banco portista Octávio Machado.


Uma das primeiras missões do palmelão foi precisamente a qualificação para a fase de grupos da Liga dos Campeões. Na segunda pré-eliminatória, goleou em casa os galeses do Barry Town por 8-0 e deu-se ao luxo de perder por 1-3 no País de Gales. Na ronda decisiva, encontrou o Grasshopper, que naquela altura tinha hegemonia na Suíça, tendo vencido cinco dos sete últimos campeonatos. No plantel dos gafanhotos, os nomes mais conhecidos eram os do guarda-redes do Liechtenstein, Peter Jehle, que anos mais tarde haveria de passar pelo Boavista; o médio senegalês Papa Bouba Diop, que meses depois chocou o mundo ao apontar o golo que deu a vitória à sua seleção diante da campeã mundial e europeia França no jogo inaugural do Mundial 2002; e o já veterano avançado Stéphane Chapuisat, uma lenda do futebol suíço.

Sinceramente, não me recordo de ter assistido aos dois jogos, mas lembro-me perfeitamente de terem acontecido e dos seus resultados, só não conseguia precisar qual tinha sido nas Antas e qual em Zurique.


Felizmente, há toda uma Internet para me auxiliar. No primeiro jogo, empate a dois golos na Invicta, uma surpresa atendendo à diferença de estatutos das duas formações. O médio paraguaio Carlos Paredes inaugurou o marcador para os azuis e brancos logo aos 6 minutos, o uruguaio Richard Nuñez (50') e o croata Mladen Petric (57') deram a volta no início da segunda parte, mas o recém-entrado Hélder Postiga, então um jovem com 19 anos acabados de completar, restabeleceu a igualdade aos 59'. Foi o primeiro golo do avançado pela equipa principal dos dragões, que quatro dias antes tinham batido o Boavista na decisão da Supertaça.

“Salvou-se o miúdo. O FC Porto partiu para esta eliminatória como favorito, mas deixou que os papéis se invertessem, pois agora está obrigado a ir jogar para ganhar na Suíça para estar na Liga dos Campeões. Ganhar no terreno do Grasshoppers não será nem fácil nem uma coisa de outro mundo”, escreveu O Jogo no dia seguinte.


A segunda mão não foi propriamente um passeio pelos Alpes, mas o FC Porto conseguiu impor a lei do mais forte. Clayton (14') e Capucho (43') colocaram os dragões a vencer por 2-0 ao intervalo, Petric reduziu à entrada da reta final (78'), mas Deco sentenciou a eliminatória logo a seguir (80'). Chapuisat ainda reduziu para os helvéticos não evitaram a derrota por 2-3.


“De faca na Liga. Um FC Porto igual mas diferente ao da primeira mão garantiu ontem uma vitória esclarecedora sobre o Grasshoppers. Deco atuou até ao fim, Nuñez e Morales nunca conseguiram jogar e Octávio Machado cumpriu, perante milhares de emigrantes portugueses, uma promessa feita há duas semanas: O FC Porto está na Liga dos Campeões”, podia ler-se na edição do dia seguinte do jornal O Jogo.


Entre os dois encontros da eliminatória, os azuis e brancos perderam em Alvalade no arranque do campeonato (0-1) e golearam em casa o Boavista (4-1) na 2.ª jornada.
























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