sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

O “feijão” que abriu caminho à noite mágica do FC Porto em Gelsenkirchen. Quem se lembra de Carlos Alberto?

Carlos Alberto somou 39 jogos e cinco golos pelo FC Porto
Chegou, viu e venceu no FC Porto de José Mourinho que viria a ganhar a Liga dos Campeões. Marcou até o golo inaugural da vitória sobre o Mónaco, em Gelsenkirchen, na final da Champions. Tinha 19 anos. Era suposto ser apenas o início, mas acabou por ser o ponto alto de uma carreira que ficou muito aquém do esperado.
 
Nascido a 11 de dezembro de 1984 numa clínica no Bairro das Laranjeiras, no Rio de Janeiro, Carlos Alberto fez a formação no Fluminense, clube no qual ganhou a alcunha de “feijão”, devido ao facto de adorar a comida típica brasileira.
 
Em 2002 subiu à equipa principal do tricolor carioca, tendo conquistado o título estadual logo nos primeiros meses. No ano seguinte deu continuidade ao seu desenvolvimento, tendo sido convocado para jogar a Gold Cup pela seleção do Brasil, que se apresentou com uma seleção de sub-23 e foi finalista vencida.
 
Em janeiro de 2004 entrou no futebol europeu pela porta do FC Porto de José Mourinho, por 2,5 milhões de euros. Numa altura em que os dragões lideravam a I Liga com alguma margem pontual sobre Sporting e Benfica, Carlos Alberto foi pouco impactante para a conquista do campeonato, tendo sido titular somente uma vez em 12 jogos disputados, encontrando pouco espaço no 4x3x3 do técnico setubalense para consumo interno.
 
 
No entanto, na Liga dos Campeões os portistas apresentavam-se em 4x4x2 losango, com o meio-campo reforçado. Já o jovem brasileiro, então com 19 anos, foi sempre escolhido para integrar a dupla de ataque, ao lado de Benni McCarthy ou Derlei.  Antes de defrontar o Manchester United nos oitavos de final, Mourinho perguntou-lhe se ele sabia quem era Paul Scholes e obteve uma resposta desconcertante: “Mister, a pergunta não é se eu sei quem é Paul Scholes. A pergunta é se esse tal de Scholes sabe quem é o ‘Feijão'.”
 
 
Mas o momento alto ficou guardado para a final, diante do Mónaco, na cidade alemã de Gelsenkirchen, quando Carlos Alberto inaugurou o marcador no final da primeira parte, num remate à meia volta na ressaca de um cruzamento de Paulo Ferreira – no segundo tempo Deco e Alenichev completaram o triunfo azul e branco (3-0). É, ainda hoje, o terceiro jogador mais jovem a marcar no jogo decisivo da Champions, aos 19 anos e 167 dias – apenas é superado por Patrick Kluivert (18 anos e 327 dias) e Senny Mayulu (19 anos e 14 dias).
 
 
Depois Mourinho saiu para o Chelsea, a equipa campeã europeia ficou desfeita e o nível exibicional de Carlos Alberto ficou quase sempre aquém do esperado. Ainda venceu uma Supertaça Cândido de Oliveira e uma Taça Intercontinental pelo FC Porto e marcou um golo ao Sporting numa vitória no Dragão, mas acabou por voltar ao Brasil em janeiro de 2005, numa transferência para o Corinthians que rendeu dez milhões de euros aos cofres portistas. Por essa altura, estava em rota de colisão com o treinador Victor Fernández, acusando-o de não gostar de jogadores brasileiros.
 
 
No timão, fez parte de uma equipa recheada de craques, como os argentinos Carlos Tévez e Javier Mascherano, graças a uma parceria com a empresa Media Sports Investment (MSI), detida por um grupo de investidores britânicos e russos e que era representada no Brasil pelo iraniano Kia Joorabchian. Em 2005 os corintianos venceram o campeonato brasileiro e Carlos Alberto assinou algumas boas exibições, o que lhe valeu uma chamada à seleção principal do Brasil no final de abril, num jogo contra Guatemala (3-0) que marcou a despedida de Romário do escrete.
 
Entretanto, o atacante caiu de produção e teve problemas com o treinador Emerson Leão, tendo-o insultado após ter sido substituído ainda na primeira parte num jogo diante do Lanús na Copa Sul-Americana, em outubro de 2006. Foi o último encontro que disputou pelo clube paulista.
 
 
No início de 2007 voltou ao Fluminense, por empréstimo. Embora tivesse vencido a Copa do Brasil nesse ano, não correspondeu às expetativas, sofreu várias lesões e foi alvo de críticas por, alegadamente, estar acima do peso ideal. Por isso, em julho voltou ao futebol europeu para reforçar o Werder Bremen, que pagaram 7,8 milhões de euros pelo seu passe… à MSI, detentora dos direitos económicos do atleta.
 
 
Porém, também na Alemanha não foi feliz. Envolveu-se numa briga com o companheiro de equipa Boubacar Sanogo e foi suspenso pela direção do clube, não indo além de cinco encontros pelo emblema germânico.
 
Continuou contratualmente ligado ao Bremen até ao verão de 2010, mas esteve sucessivamente emprestado a clubes brasileiros. Começou pelo São Paulo nos primeiros meses de 2008, mas foi afastado do plantel após desacatos com o companheiro de equipa Fábio Santos. Seguiu-se o Botafogo, clube do qual o pai era adepto, tendo até somado boas atuações, sobretudo na Copa Sul-Americana, mas deixou o fogão antes do final do contrato devido a salários em atraso. Já em 2009 e no primeiro semestre de 2010 foi cedido ao Vasco da Gama, brilhando na caminhada que culminou na conquista do título da Série B.
 
  
 
Enquanto andava de empréstimo em empréstimo, Mourinho referiu-se a ele numa conferência de imprensa, enquanto orientava o Inter de Milão, quando lhe perguntaram se tinha convivido com jovens jogadores como Mario Balotelli anteriormente. “Treinei um jogador que é ainda hoje o mais jovem da história a marcar numa final da Liga dos Campeões. Tinha 18 anos em 2004, agora deve estar com 23. Não sei onde joga hoje. Sei que ganhou a Champions em 2004, em 2005 foi para o Corinthians, em 2006 para o Werder Bremen, em 2007 voltou ao Corinthians e em 2008 esteve no Flamengo ou no Fluminense. É um jogador espetacular, absolutamente espetacular, mas não sei onde joga hoje. É significativo”, afirmou o português, com várias imprecisões pelo meio.
 
 
Após ter rescindido com o Werder Bremen, Carlos Alberto assinou a título definitivo pelo Vasco, mas voltou a cair de produção, o que lhe escancarou a porta de saída. Esteve emprestado ao Grêmio durante cerca de dois meses e meio no início de 2011, mas saiu na sequência de maus comportamentos. Depois foi cedido ao Bahia, em mais uma aventura que terminou abruptamente devido às muitas lesões e aos maus desempenhos.
 
Ainda regressou ao Vasco e até apresentou alguns sinais de retoma, mas acabou dispensado em julho de 2013. Entretanto esteve suspenso após ter testado positivo num controlo antidoping e teve passagens discretas e conturbadas por Goiás, Botafogo, Figueirense, Atlético Paranaense e Boavista do Rio de Janeiro antes de anunciar o fim da carreira em junho de 2019, aos 34 anos.
 
  
 
Entretanto tornou-se comentador televisivo, tendo já trabalhado para Fox Sports Brasil, SBT, Rede Bandeirantes e Band Rio.



 
 




  

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