quarta-feira, 16 de setembro de 2020

Uruguaios no Benfica. Cebola, Maxi e as promessas que ficaram por cumprir

Cinco dos sete jogadores uruguaios no Benfica atuaram na equipa principal
Contratado aos espanhóis do Almería por 24 milhões de euros, Darwin Núñez não só se tornou no jogador mais caro da história do Benfica como passou a ser na passada terça-feira, em Salónica, o oitavo jogador uruguaio a jogar por equipas dos encarnados.

Embora a seleção celeste tenha conquistado os seus dois títulos mundiais em 1930 e 1950, foi necessário esperar até ao século XXI para encontrar pela primeira vez futebolistas naturais do Uruguai a jogar de águia ao peito.

Apesar da demora, no verão de 2007 surgiram de uma assentada na Luz dois jogadores uruguaios. Curiosamente, ambos fizeram a estreia com a camisola encarnada na mesma partida, tiveram uma passagem positiva pelo clube e haveriam de rumar ao rival FC Porto quando deixaram o Benfica, embora com percursos distintos.


Cristián Rodríguez jogou um ano no Benfica
Comecemos pelo que passou menos tempo em Lisboa, o médio ofensivo/extremo Cristián Rodríguez, que reforçou o Benfica em 2007-08 por empréstimo do Paris Saint-Germain, depois de ter iniciado a carreira no Peñarol e de se ter tornado uma presença assídua nas convocatórias da seleção uruguaia.
Na única temporada que passou na Luz foi uma das poucas notas positivas de uma equipa que não foi além de um quarto lugar no campeonato, que foi surpreendentemente eliminada da Taça UEFA pelos espanhóis do Getafe e afastada da Taça de Portugal com uma derrota pesada em Alvalade (3-5).
El cebolla [o cebola], alcunha que herdou do pai, que adorava cebolas, apontou sete golos em 36 jogos oficiais de águia ao peito.
“Precisava de jogar, de ter minutos e a liga portuguesa pareceu-me muito bem. Fiz uma época bastante boa, havia até a possibilidade de continuar na Luz, mas as coisas não andavam e, entretanto, fui abordado pelo FC Porto. O Benfica era um clube… confuso. Toda a gente reclamava muito. Ficámos no quarto lugar, trocámos de treinador logo no início da época [Fernando Santos por Camacho] e senti que era no FC Porto que podia ser feliz e ganhar tudo”, recordou ao Maisfutebol em outubro de 2019.
Na altura da mudança para o Dragão proferiu uma frase que ficou lapidada na história do futebol português: “Assinei pelo FC Porto em cinco minutos.”



Maxi Pereira
O primeiro jogo de Cristián Rodríguez pelo Benfica aconteceu a 2 de setembro de 2007, numa vitória sobre o Nacional na Choupana (3-0) que também marcou a estreia de águia ao peito de Maxi Pereira. Na realidade, Maxi até acabou por começar a jogar com a camisola encarnada mais de uma hora antes de Rodríguez, que só entrou em campo aos 63 minutos.
Na altura um médio que atuava preferencialmente pelo corredor direito, chegou à Luz proveniente do Defensor Sporting, o único clube que tinha conhecido até então. “Sofri muito no meu primeiro ano no Benfica. Foi uma mudança brutal na minha vida. Eu já tinha 23 anos, mas o Benfica necessitava desesperadamente de bons resultados e a exigência era altíssima. O treinador era o José António Camacho. Tive de trabalhar muito e acho que evoluí bastante logo no primeiro ano”, recordou ao Maisfutebol em 2020.
Já uma presença habitual nas convocatórias da seleção uruguaia, um estatuto que reforçou após chegar ao Benfica, foi adaptado com sucesso à lateral direita por Quique Flores em 2008-09 e foi titularíssimo nessa posição na equipa benfiquista até 2015.
Em oito anos nos encarnados disputou um total de 333 jogos oficiais – é o segundo estrangeiro com mais encontros pelo Benfica e o 20.º no total –, apontou 21 golos e conquistou três campeonatos, seis Taças da Liga, uma Taça de Portugal, uma Supertaça Cândido de Oliveira e chegou a duas finais da Liga Europa. Pelo meio venceu a Copa América pelo Uruguai em 2011.
Jogador raçudo, com mais vontade do que talento, terminou contrato com o Benfica em 2015 e acabou por rumar ao FC Porto, tal como… Cristián Rodríguez. “Estive oito anos no Benfica e na última época, quando estava prestes a terminar o contrato, não fizeram muito para o renovar. Se queriam tanto um jogador – como diziam – esperavam que terminasse o contrato? Afinal, não sei se me queriam assim tanto”, lamentou em outubro de 2015 em declarações ao diário uruguaio Ovácion.



Jonathan Urretaviscaya
Um ano depois de Maxi Pereira e Cristián Rodríguez chegou à Luz outro uruguaio, Jonathan Urretaviscaya, mais conhecido por Urreta. Jogador capaz de atuar em várias posições no ataque, aterrou em Lisboa aos 18 anos, proveniente do River Plate do Uruguai, e com o rótulo de uma das maiores promessas do futebol uruguaio, mas não conseguiu cumprir o que tanto prometeu de água ao peito.
A temporada de maior utilização até foi a primeira, em 2008-09, quando disputou 17 jogos e marcou um golo às ordens de Quique Flores, tendo vencido a Taça da Liga. A partir da chegada de Jorge Jesus foi perdendo espaço, ao ponto de só ter somado mais dez encontros (e dois golos) pela equipa principal até 2014, quando terminou a sua ligação aos encarnados. Ainda assim, foi campeão e venceu a Taça da Liga em 2009-10.
Durante o tempo em que o amadorense esteve no comando técnico, o sul-americano acabou até por ser mais utilizado nos bês, pelos quais atuou em 27 encontros e faturou por quatro vezes. Pelo meio esteve cedido ao Peñarol, ao Deportivo da Corunha e ao Vitória de Guimarães.
“A verdade é que no Benfica joguei muito pouco. Porquê? Não posso responder a essa questão. O mister Jorge Jesus é quem pode responder a isso. Treinei-me sempre a 100 por cento”, atirou Urreta em novembro de 2014, numa fase em que já era jogador do Paços de Ferreira. Porém, meses antes mostrou-se agradecido aos encarnados, durante uma entrevista concedida ao zerozero: “Joguei muitos anos no Benfica e estou muito agradecido. Aprendi muito e deixei lá muitos amigos. Estou feliz porque o clube deu-me a possibilidade de jogar na Europa. Nunca me vou esquecer disso.”
Embora não tenha atingido um nível muito elevado na sua carreira, o extremo viveu o ponto alto da carreira em 2017 e 2018, quando se estreou pela seleção uruguaia e foi convocado para o Campeonato do Mundo.



Rodrigo Mora
O senhor que se seguiu foi Rodrigo Mora, um jogador com um percurso interessantíssimo na América do Sul – embora nunca tenha chegado a jogar pela seleção uruguaia –, apesar de não ter conseguido vingar na Luz.
Contrato no verão de 2011 ao Defensor Sporting, não deu boas indicações na pré-época e acabou por disputar apenas três jogos oficiais, dois dos quais na Taça de Portugal.
Sem espaço no plantel de Jorge Jesus, regressou ao seu país para representar o Peñarol, voltando a apresentar bons números. Em 2012-13 chegou a fazer a pré-temporada no Benfica, mas depois foi emprestado aos argentinos do River Plate, acabando depois por assinar em definitivo pelo emblema de Buenos Aires. “Tinha de me apresentar [no Benfica], mas não sabia qual seria o meu futuro. Fiz toda a pré-temporada, mas não falei com o técnico [Jorge Jesus] em nenhum momento, apesar de ter participado em quatro jogos e de ter marcado cinco golos”, revelou o avançado em agosto de 2012.
Nos millonarios viveu o período de maior fulgor da carreira: venceu uma Copa Sul-Americana (2014) e duas Libertadores (2015 e 2018).



Gianni Rodríguez
No início de 2013 surgiu na Luz outra promessa do futebol uruguaio, o lateral esquerdo Gianni Rodríguez, internacional jovem pelas seleções celestes e vice-campeão mundial de sub-17 em 2011 – feito que viria a repetir na categoria de sub-20 em 2013.
Durante o primeiro ano e meio de contrato no Benfica não foi além de 24 jogos na equipa B, tendo sido depois emprestado ao Peñarol em 2015 e 2016, ainda que a cedência não tenha colhido grandes frutos. “É muito difícil jogar no Benfica. Custa-me não jogar no clube e querem-me na equipa B”, afirmou, em janeiro de 2015.
Entretanto assinou em definitivo pela formação de Montevideu, mas acabou por não vingar, rodando depois em clubes de menor dimensão no Uruguai.


Elbio Álvarez
No arranque de 2015 o Benfica contratou mais dois jovens uruguaios. Mais discreto, o médio de características ofensivas Elbio Álvarez foi a tempo de disputar oito jogos pela equipa B em 2014-15 e mais cinco na época seguinte.
Proveniente do Peñarol, também foi vice-campeão mundial de sub-17 em 2011 e até chegou a ser comparado a Cristiano Ronaldo, mas não passou de uma promessa adiada, tendo depois voltado ao seu país para atuar pelo Fénix. Desde 2018, quando representou o Uruguay Montevideo, que está sem clube.



Jonathan Rodríguez
Elbio Álvarez foi levado para a Luz no mesmo pacote de Jonathan Rodríguez, avançado que já tinha o estatuto de internacional “A” pelo Uruguai. Emprestado pelo Peñarol, partiu atrás de jogadores como Jonas, Lima, Gonçalo Guedes e Derley e por isso foi relegado para equipa B, tendo tido impacto imediato.
Em seis jogos pela formação secundária apontou sete golos e chegou a estrear-se pela equipa principal do Benfica às ordens de Jorge Jesus. Ainda assim convenceu o selecionador uruguaio a chamá-lo para a Copa América 2015.
Na época seguinte fez a pré-temporada já com Rui Vitória como treinador, mas não convenceu e por isso acabou por ser emprestado ao Deportivo da Corunha.
“Sei que será muito difícil ficar no Benfica. Gostaria de continuar a jogar na Europa, numa equipa onde possa ser titular e jogar mais tempo”, afirmou ao jornal A Bola no verão de 2016, pouco antes de se vincular a título definitivo aos mexicanos do Santos Laguna. Desde então que joga no México.























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