A contestação aos erros das
equipas de arbitragem não é coisa recente. Uma das maiores manifestações de que
há memória aconteceu a 31 de janeiro de 1999, quando o Sporting
tomou a decisão de fazer luto devido à “morte da verdade desportiva”.
A visita da Académica
a Alvalade,
a contar para a 20.ª jornada do campeonato, coincidiu com uma tarde de luto na casa
do leão, instaurada pelo presidente José Roquete, na sequência de uma série
de jogos em que as arbitragens foram desfavoráveis aos verde e brancos. Os adeptos leoninos aderiram ao
repto e nas bancadas foi evidente uma mancha negra sobre as cadeiras verdes,
com algumas tarjas de apoio à decisão da direção. As bandeiras foram colocadas
a meia haste e os jogadores envergaram fumos negros no braço durante a entrada
em campo e até a Académica
se mostrou solidária, vestindo o equipamento alternativo branco pela primeira
vez na longa história de confrontos entre os dois clubes. Na génese da contestação sportinguista
estavam lances como o golo limpo anulado a Edmilson
no último minuto da visita a Coimbra, na terceira jornada, penáltis não
assinalados numa deslocação a Chaves e decisões polémicas no nulo polémico com
o Beira-Mar
em Alvalade.
As críticas subiram de tal forma de tom que Paulo Costa se recusou a arbitrar o
Farense-Sporting.
Apesar da conjuntura negativista,
a tarde acabou por ser de alegria para as hostes leoninas, uma vez que a equipa
então orientada pelo croata Mirko
Jozic assinou uma belíssima exibição e goleou por 5-0, com golos de Beto
(22 minutos), Edmilson
(28’), Simão
Sabrosa (58’) e Acosta (62’ e 67’).
Apesar disso, o Sporting
manteve o quarto lugar na classificação, a nove pontos do líder FC
Porto, a sete do Boavista
e a seis do rival Benfica,
que, no entender dos leões,
eram os principais beneficiados por uma “verdade desportiva minada”. Os efeitos do luto não se fizeram
sentir. Logo na jornada seguinte, o Sporting
empatou a zero em Campo Maior, num jogo em que o árbitro Isidoro Rodrigues não
assinalou penálti nem agiu disciplinarmente para punir uma mão na bola do
defesa local Quim Machado.
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