segunda-feira, 31 de março de 2025

O internacional sub-21 e B português que jogou no Arsenal. Quem se lembra de Amaury Bischoff?

Amaury Bischoff disputou quatro jogos pela equipa principal do Arsenal
Um daqueles casos de jogadores dos quais só ouvimos falar e percebemos que têm nacionalidade portuguesa quando são convocados para as seleções lusas.
 
Médio de características ofensivas nascido em Colmar, no nordeste de França, bem perto da fronteira com a Alemanha, Amaury Armindo Bischoff é filho de pai francês e mãe portuguesa e fez todo o seu percurso formativo fora de Portugal e chegou a ser internacional sub-18 gaulês.
 
Começou a jogar futebol no SR Colmar, passou pelas camadas jovens do Estrasburgo e, aos 18 anos, mudou-se para a Alemanha para assinar pelo Werder Bremen, que pagou 300 mil euros pelo seu passe, mas entre 2005 e 2008 praticamente só jogou pela equipa secundária do emblema germânico. Pela equipa principal só disputou um jogo, a 14 de março de 2007, tendo entrado aos 74 minutos para o lugar de Diego numa vitória caseira sobre o Celta de Vigo para a Taça UEFA (2-0). Pouco tempo depois, em maio, foi chamado a integrar pela primeira vez os trabalhos de uma jovem seleção portuguesa, no caso a de sub-20.
 
Apesar da escassa utilização e de um histórico de lesões, continuou a ser visto como uma promessa. Após rejeitar uma proposta de renovação de contrato, deixou o Werder Bremen em julho de 2008 para assinar a custo zero pelo… Arsenal. “Tem talento, mas teremos de esperar dois ou três meses para o tornar competitivo. Foi submetido a duas cirurgias na virilha, por isso é uma aposta no seu talento”, afirmou na altura o treinador dos gunners, Arsène Wenger.
 
Depois de ter feito jogos pela equipa de reservas dos londrinos, estreou-se pela equipa principal a 11 de novembro de 2008, numa vitória caseira sobre o Wigan para a Taça da Liga (3-0), tendo entrado aos 75 minutos. Voltou a ser suplente utilizado na derrota no terreno do Burnley para a Taça da Liga em dezembro de 2008 (0-2), na goleada caseira ao Cardiff para a Taça de Inglaterra em fevereiro de 2009 (4-0) e no triunfo em casa do Portsmouth para a Premier League em maio de 2009 (3-0). Nestes encontros atuou ao lado de jogadores como Alex Song, Aaron Ramsey, Carlos Vela, Mikaël Silvestre, Nicklas Bendtner, Bacary Sagna, Kolo Touré, William Gallas, Eduardo da Silva, Robin van Persie ou Andrei Arshavin.
 
Na mesma época estreou-se pelas seleções lusas, tendo sido utilizado e inclusivamente marcado um golo numa vitória dos sub-21 sobre a Suíça, em Fátima, em fevereiro de 2009 (3-1). A 1 de abril atuou pela seleção B num triunfo sobre a Roménia em Rio Maior (2-0).
 
 
A 30 de junho de 2009 terminou contrato com o Arsenal – em 2014 foi eleito pelo The Telegraph uma das piores contratações de sempre da era Wenger – e decidiu prosseguir a carreira em Portugal, ao serviço da Académica, apesar de se ter falado num suposto interesse do Sporting. “O Wenger queria que eu ficasse, mas não garantia que ia jogar, então saí. O selecionador [Carlos Queiroz] dizia que eu era um jogador muito interessante, mas que tinha de jogar ao mais alto nível regularmente”, recordou ao Maisfutebol em março de 2018.
 
Porém, foi pouco feliz em Coimbra. Depois de apenas ter disputado quatro jogos na primeira metade de 2009-10, foi emprestado ao Desportivo das Aves, então na II Liga, no primeiro semestre de 2010, tendo atuado em dez partidas e apontado um golo. Já em 2010-11 não foi além de 15 jogos e dois remates certeiros pelos estudantes, tendo sabido a consolação um extraordinário golo de livre direto que eliminou o Cesarense na Taça de Portugal no último minuto do prolongamento.
 
 
 
Em junho de 2011 terminou contrato com a briosa e assinou a título definitivo pelo Desportivo das Aves, clube pelo qual atuou em 25 partidas e marcou dois golos em 2011-12, mais uma vez numa temporada em que os avenses competiram na II Liga. Nessa temporada defrontou a Académica e teve a oportunidade de aplicar uma pequena vingança, ao marcar em Coimbra numa derrota para a Taça de Portugal. “Na Académica foi muito difícil, estive lá um ano e meio e tivemos uns seis treinadores nesse período. Para um jogador não é fácil: um gosta de ti, outro já não gosta”, lembrou.
 
 
Desvalorizado, o centrocampista que outrora jogou pelo Werder Bremen na Taça UEFA, atuou ao lado de grandes craques no Arsenal e foi internacional jovem por França e Portugal decidiu mudar-se para o Preußen Münster, da III Liga da Alemanha. Num patamar competitivo mais baixo, viveu as épocas mais produtivas da carreira em 2012-13 e 2014-15, quando apontou dez golos, tendo chegado a capitão de equipa.
 
 
Na fase final da carreira representou o Hansa Rostock e do Bahlinger, também da III Liga, e voltou ao SR Colmar, então nos campeonatos amadores de França, tendo encerrado a carreira no verão de 2023, aos 36 anos. 







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