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Amaury Bischoff disputou quatro jogos pela equipa principal do Arsenal |
Um daqueles casos de jogadores
dos quais só ouvimos falar e percebemos que têm nacionalidade portuguesa quando
são convocados para as seleções lusas.
Médio de características
ofensivas nascido em Colmar, no nordeste de França, bem perto da fronteira com a
Alemanha, Amaury Armindo Bischoff é filho de pai francês e mãe portuguesa e fez
todo o seu percurso formativo fora de Portugal e chegou a ser internacional
sub-18 gaulês.
Começou a jogar futebol no SR
Colmar, passou pelas camadas jovens do Estrasburgo e, aos 18 anos, mudou-se
para a Alemanha para assinar pelo
Werder
Bremen, que pagou 300 mil euros pelo seu passe, mas entre 2005 e 2008
praticamente só jogou pela equipa secundária do
emblema
germânico. Pela equipa principal só disputou um jogo, a 14 de março de
2007, tendo entrado aos 74 minutos para o lugar de Diego numa vitória caseira
sobre o
Celta
de Vigo para a
Taça
UEFA (2-0). Pouco tempo depois, em maio, foi chamado a integrar pela
primeira vez os trabalhos de uma jovem seleção portuguesa, no caso a de sub-20.
Apesar da escassa utilização e de
um histórico de lesões, continuou a ser visto como uma promessa. Após rejeitar
uma proposta de renovação de contrato, deixou o
Werder
Bremen em julho de 2008 para assinar a custo zero pelo…
Arsenal.
“Tem talento, mas teremos de esperar dois ou três meses para o tornar
competitivo. Foi submetido a duas cirurgias na virilha, por isso é uma aposta
no seu talento”, afirmou na altura o treinador dos
gunners,
Arsène
Wenger.
Depois de ter feito jogos pela
equipa de reservas dos
londrinos,
estreou-se pela equipa principal a 11 de novembro de 2008, numa vitória caseira
sobre o Wigan para a
Taça da
Liga (3-0), tendo entrado aos 75 minutos. Voltou a ser suplente utilizado
na derrota no terreno do Burnley para a
Taça da
Liga em dezembro de 2008 (0-2), na goleada caseira ao Cardiff para a Taça
de Inglaterra em fevereiro de 2009 (4-0) e no triunfo em casa do
Portsmouth
para a
Premier
League em maio de 2009 (3-0). Nestes encontros atuou ao lado de jogadores
como Alex Song, Aaron Ramsey, Carlos Vela, Mikaël Silvestre, Nicklas Bendtner, Bacary
Sagna, Kolo Touré, William Gallas, Eduardo da Silva, Robin van Persie ou Andrei
Arshavin.
Na mesma época estreou-se pelas
seleções lusas, tendo sido utilizado e inclusivamente marcado um golo numa
vitória dos
sub-21
sobre a
Suíça,
em Fátima, em fevereiro de 2009 (3-1). A 1 de abril atuou pela seleção B num
triunfo sobre a
Roménia
em Rio Maior (2-0).
A 30 de junho de 2009 terminou
contrato com o
Arsenal
– em 2014 foi eleito pelo
The
Telegraph uma das piores contratações de sempre da era
Wenger
– e decidiu prosseguir a carreira em Portugal, ao serviço da
Académica,
apesar de se ter falado num
suposto
interesse do Sporting. “O
Wenger
queria que eu ficasse, mas não garantia que ia jogar, então saí. O selecionador
[
Carlos
Queiroz] dizia que eu era um jogador muito interessante, mas que tinha de
jogar ao mais alto nível regularmente”, recordou ao
Maisfutebol
em março de 2018.
Porém, foi pouco feliz em
Coimbra. Depois de apenas ter disputado quatro jogos na primeira metade de
2009-10, foi emprestado ao
Desportivo
das Aves, então na
II
Liga, no primeiro semestre de 2010, tendo atuado em dez partidas e apontado
um golo. Já em 2010-11 não foi além de 15 jogos e dois remates certeiros pelos
estudantes,
tendo sabido a consolação um extraordinário golo de livre direto que eliminou o
Cesarense na
Taça
de Portugal no último minuto do prolongamento.
Em junho de 2011 terminou
contrato com a
briosa
e assinou a título definitivo pelo
Desportivo
das Aves, clube pelo qual atuou em 25 partidas e marcou dois golos em
2011-12, mais uma vez numa temporada em que os
avenses
competiram na
II
Liga. Nessa temporada defrontou a
Académica
e teve a oportunidade de aplicar uma pequena vingança, ao marcar em Coimbra
numa derrota para a
Taça
de Portugal. “Na
Académica
foi muito difícil, estive lá um ano e meio e tivemos uns seis treinadores nesse
período. Para um jogador não é fácil: um gosta de ti, outro já não gosta”,
lembrou.
Desvalorizado, o centrocampista
que outrora jogou pelo
Werder
Bremen na
Taça
UEFA, atuou ao lado de grandes craques no
Arsenal
e foi internacional jovem por França e Portugal decidiu mudar-se para o Preußen
Münster, da III Liga da Alemanha. Num patamar competitivo mais baixo, viveu as
épocas mais produtivas da carreira em 2012-13 e 2014-15, quando apontou dez
golos, tendo chegado a capitão de equipa.
Na fase final da carreira
representou o Hansa Rostock e do Bahlinger, também da III Liga, e voltou ao SR
Colmar, então nos campeonatos amadores de França, tendo encerrado a carreira no
verão de 2023, aos 36 anos.
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