domingo, 17 de março de 2024

A velha raposa que acabou com o jejum do Benfica. Quem se lembra de Trapattoni?

Trapattoni guiou o Benfica ao título nacional em 2004-05
Obviamente que é demasiado redutor resumir Giovanni Trapattoni ao treinador que acabou com o jejum de 11 anos do Benfica sem conquistar o campeonato nacional. Afinal, foi um futebolista de topo na década de 1960 e um dos técnicos mais titulados de sempre.
 
É também um dos poucos treinadores a ter vencido quatro ligas europeias (italiana, alemã, portuguesa e austríaca), o único a ter conquistado Taça dos Campeões Europeus, Taça UEFA, Taça das Taças, Supertaça Europeia e Taça Intercontinental e um dos poucos que ergueu Taça dos Campeões Europeus, Taça das Taças e Taça Intercontinental como jogador e treinador.
 
Um antigo defesa natural de uma localidade nos arredores de Milão, representou as camadas jovens e a equipa principal do AC Milan, clube pelo qual conquistou tudo o que havia para conquistar entre 1957 e 1971.
 
Após pendurar as botas começou a trabalhar como treinador na formação dos rossoneri, acabando por assumir interinamente o comando da equipa principal em 1973-74, tendo sido convidado para se tornar no treinador definitivo em 1975.
 
A primeira aventura como técnico não correu propriamente bem, mas redimiu-se quando assumiu a rival Juventus em 1976-77. Combinando o velho rigor defensivo italiano com uma liberdade de movimentos inspirada no “futebol total” neerlandês, arrebatou tudo o que havia para ganhar ao longo de uma década em Turim. Além dos troféus internacionais já citados, venceu ainda seis campeonatos e duas taças.
 
Seguiram-se cinco anos também gloriosos no Inter de Milão: uma Taça UEFA, um campeonato e uma supertaça.
 
Haveria ainda de regressar à Juventus para vencer a Taça UEFA, conquistar a Alemanha ao leme do Bayern Munique e passar pela Fiorentina e pela seleção italiana antes de ser convidado para treinar o Benfica no verão de 2004.
 
 
Pragmático, manteve a estrutura da equipa construída e oleada pelo espanhol José Antonio Camacho nos dois anos anteriores, com Moreira na baliza, Luisão e Ricardo Rocha no eixo defensivo, Miguel e Fyssas nas laterais, Petit e Manuel Fernandes no duplo pivot do meio-campo, Zahovic atrás do ponta de lança, Geovanni e Simão Sabrosa nas alas e Nuno Gomes na frente de ataque. Depois, a dinâmica da época fez com que Quim passasse a ser o guarda-redes titular, Manuel dos Santos maioritariamente escolhido para a lateral esquerda e Zahovic preterido ao ponto de até ter rescindido quando Nuno Assis foi contratado.
 
Perante a concorrência de um FC Porto instável e que havia batido no teto depois de conquistar a Liga dos Campeões e de um Sporting irregular, o treinador italiano guiou o Benfica ao primeiro título nacional desde 1993-94. Nessa época, 65 pontos em 34 jogos bastaram, num dos mais emocionantes campeonatos de sempre.
 
Para a conquista desse campeonato muito contribuíram a magia de Simão, os golos ao cair do pano da arma secreta Mantorras, os desempenhos menos conseguidos dos rivais, a vitória na penúltima jornada sobre o Sporting na Luz com golo de Luisão e um empate no jogo do título, no Bessa.  
 
Uma semana após o fim da I Liga, Trapattoni teve a possibilidade de levar o Benfica à dobradinha, mas perdeu a final da Taça de Portugal para o Vitória de Setúbal. Depois voltou a Itália, para estar mais perto dos netos.
 
 
“Era uma pessoa muito simpática, mas, digamos, já com alguma idade, o que se notava no trabalho. Falava com os jogadores mais como pai do que como treinador. Mas lá conseguiu… há muitos caminhos para se conseguir ter sucesso. Ele escolheu o dele e o que é certo é que teve”, recordou Zahovic ao Maisfutebol em março de 2017.
 
“Às vezes o Trapattoni mandava-me aquecer para acalmar os adeptos, quando as coisas não estavam a correr bem. Foi uma coisa do outro mundo. Jogar no Benfica é completamente diferente. Ser campeão no Benfica, com aquele grupo, foi incrível”, lembrou Mantorras à BTV em março de 2020.
 
“Muito mérito ao Trapattoni, que soube gerir os bons momentos e os maus durante a época. Ele tinha uma relação extraordinária connosco, as palestras eram muito engraçadas, eu era capaz de ir contra um muro por ele”, afirmou Ricardo Rocha na mesma altura.
 
“Era um treinador diferente, até pela idade. Já tinha passado por muita coisa. Sabia levar os jogadores com ele. Tínhamos um grupo pequeno, mas muito unido. Raramente o vi chateado. Estava sempre na palhaçada”, contou Nuno Assis ao Diário de Notícias em junho de 2017.









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