Estamos a pouquíssimos dias do
SummerSlam,
o histórico maior evento de verão da WWE e também uma altura até há bem pouco
tempo habitual para a promotora norte-americana mostrar algum arrojo na
elevação de estrelas emergentes.
A edição deste ano, com
Roman
Reigns,
Seth
Rollins,
CM
Punk e
Cody
Rhodes a discutir entre eles os dois títulos principais, é a antítese do
que o
SummerSlam
costumava ser e algo bem mais ao estilo do que
WrestleMania
geralmente é. Basta recordar que foi neste
premium live event que
Brock
Lesnar (2002) e
Randy
Orton (2004), entre outros, se sagraram campeões mundiais pela primeira
vez.
Era um evento em que muitas vezes
alguns dos combates principais não tinham títulos em disputa, de forma a, em sentido
contrário, reforçar a relevância de outros duelos e de outras estrelas em que o
cinturão estava metido ao barulho. Lembro-me, por exemplo, do
John
Cena vs.
Batista
do
SummerSlam
2008, naquele que foi o primeiro combate entre ambos como estrelas
estabelecidas, ao passo que o
World
Heavyweight Championship foi defendido por um
CM
Punk recém-coroado campeão pela primeira vez frente a JBL.
JBL e
Chris
Benoit (ambos em 2004),
John
Cena e
Batista
(2005), Booker T (2006), The Great Khali (2007),
CM
Punk (2008),
Alberto
Del Rio (2011),
Seth
Rollins (2015),
Dean
Ambrose e
Finn
Bálor (2016), Jinder Mahal (2017), Kofi Kingston (2019),
Braun
Strowman (2020) e Damian Priest e
Gunther
(2024) são outros casos, já no século XX, de lutadores que viviam o primeiro
reinado como campeões mundiais por altura do
SummerSlam
ou que conquistaram o primeiro título mundial da carreira nesse evento.
Mas esse experimentalismo e arrojo
que a WWE foi mostrando ao longo dos anos tem estado a cair em desuso. Os
títulos mundiais parecem cada vez mais confinados a um simbolismo e a um
elitismo que só faz sentido em algumas promotoras independentes, sendo que os
reinados estão cada vez mais enfadonhos e previsíveis. E quando parece haver um
rasgo criativo que faz finalmente de um
Sami
Zayn campeão, em nove dias percebemos que tudo não passava de uma manobra
de transição para levar o
WWE
Championship de
Cody
Rhodes para
CM
Punk.
Paralelamente,
Bron
Breakker perdeu
momentum,
Gunther
não capitalizou as reformas de
John
Cena e
AJ
Styles,
Sami
Zayn não teve direito a desforra, Oba Femi adiou um
title match que estava
certo para o
SummerSlam,
LA Knight continua sem a oportunidade de ser campeão, Jacob Fatu foi
despromovido a
enforcer de uma
stable, Jey Uso foi relegado
novamente a um papel muito secundário,
Drew
McIntyre e
Randy
Orton estão afastados da programação,
Dominik Mysterio estagnou, Royce Keys
ficou sem ímpeto e Penta e Trick Williams já terão tocado no teto enquanto
campeões de
mid-card.
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