quarta-feira, 8 de julho de 2020

A minha primeira memória de… um jogo entre Boavista e Marítimo

Maritimista Paulo Sérgio e boavisteiro Whelliton em disputa de bola
21 de março de 2001. Uma quarta-feira, ao final da tarde. Meias-finais da Taça de Portugal. Estádio do Bessa em obras.  Transmissão televisiva a cargo da SIC. O Boavista, líder da I Liga com seis pontos de vantagem sobre FC Porto e Sporting quando estavam decorridas 25 das 34 jornadas, era claro favorito na receção ao Marítimo.

Prestes a conquistarem o primeiro título nacional da sua história, os axadrezados, orientados por Jaime Pacheco, sonhavam também com a presença no Jamor depois de terem eliminado Freamunde, Desp. Aves, Penafiel e Moreirense nas rondas anteriores.


Do outro lado, o outsider Marítimo, comandado por Nelo Vingada, a meio da tabela no campeonato e que nas eliminatórias anteriores tinham afastado Casa Pia, União de Leiria, Farense e Paços de Ferreira, os três últimos após prolongamento.

Porém, ganha quem marca mais golos do que o adversário durante um período de 90 minutos. E a única equipa a marcar viajou desde a Madeira. Com um golo solitário de livre direto do central brasileiro Paulo Sérgio pouco depois da meia hora, os madeirenses alcançaram o triunfo que os guiou para a segunda presença no Jamor, depois de já terem participado na final da Taça em 1994-95. Na baliza boavisteira estava o camaronês William, que já tinha perdido a titularidade para Ricardo, mas que na Taça foi aposta de Jaime Pacheco.


“Que grande desilusão. Com o Jamor já no horizonte, o Boavista, o atual líder destacado da I Liga, sofreu uma grande desilusão - o primeiro baque da época - diante da sua plateia (reduzida, é verdade, dada as péssimas condições atmosféricas, mas fiel) ao tombar perante o Marítimo e falhando, assim, a sua sétima final da Taça de Portugal, uma porta aberta, para a Europa do futebol. Mas como jogam duas equipas e os sentimentos são quase sempre antagónicos, o Marítimo acabou o jogo em festa e poderá ainda conquistar um lugar na Taça UEFA... se vencer, claro, a Taça de Portugal. E que leitura da meia-final do Bessa? Um golo de bola parada, muita luta e estoicismo por banda dos forasteiros - jogaram 20 minutos com dez homens -, ainda que com alguma sorte à mistura, diga-se. O estado do terreno não permitiu que o Boavista explanasse o futebol que lhe é habitual e isso foi evidente na segunda etapa, onde raramente os boavisteiros conseguiram tirar um cruzamento da linha de fundo. Usufruíram de algumas situações para empatar, mas já com o coração a sobrepor–se à cabeça e com o relógio a jogar a favor dos... verde–rubros! A desforra, essa, terá lugar nos Barreiros, quando a I Liga retomar a sua caminhada...”, escreveu O Jogo, já antecipando a jornada seguinte do campeonato, na qual os dois clubes empatariam a um golo no Funchal.

Voltando ao jogo da Taça no Bessa, Jaime Pacheco mostrou-se bastante crítico para com o trabalho da equipa de arbitragem liderada pelo setubalense João Ferreira. “Pode ser que vá passar umas férias à Madeira”, atirou, revoltado. “Árbitros destes dispenso bem. É pena precisar do futebol, senão teria algo a dizer”, concluiu.

Na outra meia-final, o FC Porto venceu o Sporting nas Antas e avançou para o Jamor, onde haveria de bater o Marítimo por 2-0.



















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