quinta-feira, 4 de julho de 2019

Transferência de João Félix dá razão a… Bruno de Carvalho

João Félix assinou pelo Atlético Madrid por sete temporadas
Nunca se ouviu Bruno de Carvalho a falar sobre João Félix nem tão-pouco o contrário. O jovem internacional português tinha apenas 11 anos quando o antigo presidente do Sporting concorreu pela primeira vez às eleições dos leões e 13 quando o agora ex-líder leonino foi eleito. E Félix ainda não se tinha estreado pelo Benfica quando Bruno foi destituído.


Porém, a transferência do avançado de 19 anos para o Atlético Madrid vem dar razão a uma política que se pode chamar pioneira em Portugal por parte do ex-dirigente, que quando chegou a Alvalade decidiu blindar todo e qualquer jogador com cláusulas de rescisão milionárias. A mais alta foi a de Bruno Fernandes: 100 milhões de euros. Mas quase todas, salvo raras exceções, alternavam entre os 45 e os 60 milhões. Na altura, foi questionada a sensatez dessas decisões, tendo em conta que a maior venda da história sportinguista ainda eram os 25,5 milhões encaixados com a transferência de Nani para o Manchester United.

Contudo, nos últimos seis anos o mercado tem enlouquecido. Os clubes da Premier League aumentaram o poder de compra e tornaram-se mais resilientes na hora de vender. O emergente Paris Saint-Germain tem sentido necessidade de despender centenas de milhões com o intuito de ganhar a Liga dos Campeões a breve prazo. O Real Madrid nunca descarta contratar mais um galáctico e o Barcelona tem sentido dificuldades nos últimos anos para acompanhar o nível do rival apostando apenas na prata da casa. Por outro lado, clubes que dominam as suas ligas, como Juventus e Bayern Munique, procuram não perder o comboio europeu, porque ganhar apenas o campeonato já é curto. E ainda há o mercado asiático a ganhar força e a não olhar a meios para atrair alguns craques que brilham na Europa.

Tudo isto tem levado a um perverso efeito dominó que tem aumentado cada vez mais as verbas despendidas para jogadores de qualquer tipo de posição. Se no início do século Zidane estabeleceu o recorde de transferência mais cara da história em 75 milhões quando se mudou da Juventus para o Real Madrid, hoje esse valor é pago por um guarda-redes ou defesa de topo e não por um médio ofensivo e avançado que garante assistências e golos. E na ânsia de não perder um jogador que poderá ficar ainda mais valorizado um ou dois anos depois, já não se espera muito para avaliar a consistência desse futebolista de uma época para a outra ou num contexto diverso, como uma seleção nacional. Avança-se e pronto.

Foi isso que aconteceu com João Félix. Cinco meses fantásticos no Benfica e 19 anos no cartão de cidadão bastaram para que o Atlético Madrid pagasse os 120 milhões de euros da cláusula de rescisão. Se o valor futebolístico do futebolista os justifica ou os poderá um dia justificar é algo que nem vale a pena discutir: a quantia estava definida pelos encarnados e os colchoneros pagaram, mesmo tendo outras opções no mercado. E arrependido deverá estar Luís Filipe Vieira em não ter blindado o jogador com 200 milhões de euros. Afinal, há muito mais a ganhar do que a perder ao estabelecer uma cláusula milionária.


Sistema ideal mas pouco volume ofensivo

Em termos futebolísticos, o Atlético Madrid olhou para João Félix como o substituto ideal para Antoine Griezmann, que já anunciou que vai deixar o clube mas que ainda não arranjou colocação. Olhando para os clubes de topo, a equipa de Diego Simeone é uma das poucas ou talvez a única que utiliza um sistema (4x4x2) que prevê a utilização de um segundo avançado, posição na qual o agora ex-jogador benfiquista se destacou às ordens na Bruno Lage na segunda metade da temporada 2018-19.

A qualidade técnica, a capacidade para fazer mossa no espaço entre linhas e a eficácia nos momentos de definição são atributos que o francês e o português partilham, embora o internacional gaulês já os tenha mostrado em contextos competitivos muito mais complicados como a Liga Espanhola, a Liga dos Campeões, o Campeonato da Europa e o Campeonato do Mundo. De qualquer forma, parece haver desportivamente um encaixe perfeito entre o que o Atlético procura e o que Félix pode dar.

Ainda assim, convém salientar, o clube do Wanda Metropolitano é muito provavelmente o clube europeu com a proposta menos sedutora de jogo. Já passaram quase oito anos quando Diego Simeone se viu obrigado a dar mais equilíbrio à equipa, que tinha atacantes de gabarito mundial mas que não se conseguia aproximar de Barcelona e Real Madrid precisamente pela falta de consistência defensiva, mas o argentino continua a primar por um modelo de jogo muito cínico e com a segurança como palavra-chave.

O estilo de jogo não tem acompanhado o engrandecimento do Atlético, que desde que el cholo chegou ao comando técnico conquistou um campeonato, uma Taça do Rei, uma Supertaça de Espanha, duas Ligas Europas e duas Supertaças Europeias, além de ter chegado a duas finais da Liga dos Campeões.


Por assim ser, o volume ofensivo dos colchoneros é muito mais reduzido do que o de um Benfica que marcou 103 golos no campeonato, o que vai exigir a João Félix uma eficácia e uma frieza do tamanho do mundo para aproveitar cada bola recebida nos últimos 30 metros. O mesmo se exigiu no passado a Arda Turan e Griezmann e de certa forma também a Koke ou Correa, porque não há equipas que possam ser bem-sucedidas na alta-roda sem jogadores criativos. E o Atlético não é exceção.

Resta saber como psicologicamente João Félix viverá com a sombra de Griezmann, o peso de uma das cinco transferências mais caras da história e a mudança para um novo país e campeonato. Os indicadores que tem dado ao longo do seu percurso são animadores: nasceu e cresceu em Viseu, mudou-se para o Seixal, deu-se bem, não sentiu o peso da camisola do Benfica e brilhou em alguns dos jogos mais complicados que as águias tiveram na época passada, como as visitas ao Dragão e a Alvalade, nas quais marcou, ou na receção ao Eintracht Frankfurt nos quartos-de-final da Liga Europa, na qual apontou o primeiro hat trick da carreira.















1 comentário:

  1. Isso seria verdade, se continua-se com a politica desportiva do Leonardo jardim e não tivesse ido buscar o jesus

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