quarta-feira, 18 de julho de 2018

Mundial 2018 | Onze Ideal

Cinco franceses, três belgas, dois ingleses e um croata



Terminou o Mundial da Rússia. A França conquistou o título vencendo todos os jogos da fase a eliminar e sem recurso a prolongamento, e naturalmente surge neste onze como a seleção mais representada. Os outros semifinalistas, Bélgica, Inglaterra e Croácia, são as outras formações que dão jogadores a esta equipa ideal.



Guarda-redes:

Se Thibaut Courtois andava esquecido nos debates acerca do melhor guarda-redes do mundo, recolocou o seu nome na discussão depois deste Campeonato do Mundo. O gigante belga de 1,99 m agigantou-se ainda mais na fase a eliminar, tendo acumulado intervenções fantásticas nos jogos frente a Japão, Brasil, França e Inglaterra. A defesa a remate do brasileiro Neymar, na partida dos quartos-de-final, é uma séria candidata a melhor do torneio.
Além da beleza das suas estiradas, importa realçar a quantidade: foi o guarda-redes que mais defesas fez ao longo do torneio (27). Segundo o GoalPoint, defendeu 55,6% dos remates aos ângulos da sua baliza e travou ainda 81,8% dos disparos enquadrados que enfrentou, o máximo entre os guardiões dentro do critério dos 480 minutos. No total registou 3,9 defesas a cada 90 minutos.


Centrais:


Depois de ter falhado o Euro 2016 devido a lesão, Raphael Varane confirmou no Mundial 2018 o que já vinha a mostrar há várias temporadas no Real Madrid: é um dos melhores centrais do planeta. Sem a companhia de Sergio Ramos, liderou o sólido quarteto defensivo gaulês e revelou-se decisivo também na área adversária, ao marcar de cabeça na vitória sobre o Uruguai, nos quartos-de-final. 
Por falar em jogo aéreo, o GoalPoint escreve que o central francês ganhou 76 por cento dos duelos aéreos defensivos, tendo participado, em média, em 4,1 por jogo.



Um Campeonato do Mundo em crescendo para Samuel Umtiti. Hoje, poucos se lembrarão do erro infantil que ditou uma grande penalidade favorável à Austrália no jogo de estreia da França. Ao lado de Varane, formou uma dupla sólida e que se complementou muito bem, apesar da juventude de anos, o que significa que les bleus têm centrais para muitos e bons anos. O momento alto do defesa do Barcelona no Mundial foi o golo à Bélgica que valeu o apuramento para a final.


Laterais:


Habitual suplente de Daniel Alves no Paris Saint-Germain, Thomas Meunier brilhou no Mundial 2018, tal como já o havia feito no Euro 2016. Com a missão de fazer todo o corredor direito de uma seleção belga disposta em 3x4x3, mostrou pulmão para os constantes vaivéns entre áreas. Com um golo a Inglaterra no jogo de atribuição do 3.º lugar e duas assistências (para Lukaku diante da Tunísia e para Chadli frente ao Japão), foi o defesa que participou em mais golos durante o torneio, a par do colombiano Yerry Mina.



Tenho observado vários trabalhos do género deste em que os autores têm colocado Lucas Hernández como melhor lateral esquerdo do Mundial. Admito que sim, mas considero que essa escolha é mais por exclusão de partes do que propriamente por se ter destacado muito. Por isso, tal como no onze de revelações, vou optar por adaptar um lateral direito ao corredor contrário. Pavard era um candidato, mas a minha escolha recaiu no inglês Kieran Trippier, talvez o melhor jogador da sua seleção durante o torneio. Tal como Meunier, teve a missão de fazer todo o corredor num sistema de três centrais e destacou-se pela enorme capacidade para levar a cabo os constantes vaivéns entre áreas.
De acordo com o GoalPoint, o jogador do Tottenham foi o que mais passes para finalização fez ao longo do Campeonato do Mundo (24) e o segundo lateral com mais desarmes por 90 minutos – cerca de 2,4, apenas atrás do francês Lucas Hernández. Fez uma assistência para John Stones na goleada ao Panamá (6-1), ainda na fase de grupos, e colocou a cereja no topo do bolo com um golo de livre à Croácia, ainda assim insuficiente para apurar Inglaterra para a final.


Médios:


1,68 m de altura basta para N’Golo Kanté encher o campo. Foi assim no Leicester campeão inglês em 2015/16, no Chelsea nas últimas duas épocas e agora também na seleção francesa. Uma autêntica formiguinha sempre em alta rotação, um recuperador de bolas incansável e por excelência – terminou no pódio do torneio no que a esse item diz respeito -, que além da enorme capacidade defensiva tem muita qualidade com bola, no passe e na condução. Libertou Paul Pogba para momentos de brilho que já não se viam desde os tempos da Juventus. Curiosamente, o jogo menos conseguido de Kanté até foi a final – soube-se depois que estava a contas com uma gastroenterite.



Finalmente, um grande palco para Luka Modric sem a sombra de um Cristiano Ronaldo. Ao cabo de 12 anos de seleção e de mais de uma centena de internacionalizações, finalmente conseguiu aparecer pelo menos numa meia-final de um torneio internacional. Mesmo com a braçadeira de capitão no braço esquerdo, manteve a postura antivedeta que exibe no Real Madrid e liderou a Croácia até à final, apontando dois golos – um remate de fora da área à Argentina e um penálti à Nigéria – e assinando uma assistência – para Vida, diante da Rússia. A FIFA elegeu-o melhor jogador do torneio e, mesmo que haja opiniões contrárias, é uma decisão que não choca.
Segundo o GoalPoint, encerrou a sua participação na prova com uma média de 7,3 recuperações de posse de bola – apenas atrás de Kanté, Pogba e Brozovic – e 2,4 passes para finalização a cada 90 minutos, e uma percentagem de passes eficazes no meio-campo adversário de 78 por cento.



Antoine Griezmann esteve uns furos abaixo do que mostrou no Euro 2016, andou desaparecido durante grande parte de todos os jogos, mas não deixou de terminar o Mundial 2018 com um desempenho positivo – era raro o ataque gaulês que não passava pelos seus pés - e números de fazer inveja. Afinal, apontou quatro golos (ainda que três tivessem sido de grande penalidade) e somou duas assistências, para os cabeceamentos certeiros de Varane diante do Uruguai, nos quartos de final, e de Umtiti frente à Bélgica, nas meias.


Extremos:


Kylian Mbappé foi eleito o melhor jogador jovem do torneio e ainda foi o autor, no meu ponto de vista, da melhor performance individual deste Mundial, na partida dos oitavos de final frente à Argentina. Nesse encontro diante da seleção sul-americana, apontou dois golos, ganhou uma grande penalidade e destruiu a defesa albiceleste com uma exibição que há-de perdurar na memória dos adeptos de futebol. Nos restantes encontros foi oscilando entre longos períodos em que esteve apagado e esporádicas arrancadas e momentos de magia. Marcou mais dois golos, diante do Peru ainda na fase de grupos e frente à Croácia na final, tornando-se o segundo mais jovem de sempre a marcar no jogo decisivo, sendo apenas superado por Pelé (1958).
De acordo com o GoalPoint, registou uma média de 1,5 passes para finalização e tentou 10,3 vezes o drible (com 53 por cento de sucesso) a cada 90 minutos.



A ausência da final o estatuto inferior ao de Modric terão sido os motivos que impediram Eden Hazard de ser eleito pela FIFA como o melhor jogador do Mundial 2018, mas o extremo belga foi aquele que, em minha opinião, mais fez notar o seu talento e de uma forma consistente ao longo de toda a competição, jogo após jogo, diante de todos os adversários.  Encerrou o torneio com três golos - bisou frente à Tunísia e marcou um a Inglaterra no jogo de atribuição 3.º lugar - e duas assistências – para Lukaku frente ao Panamá e para Fellaini diante do Japão -.
Foi igualmente o MVP do Campeonato do Mundo para o GoalPoint, tendo terminado em primeiro lugar nos rankings de dribles eficazes (40) e faltas sofridas (27).


Ponta de lança:

Verdade seja dita que Harry Kane esteve muito apagado durante a fase eliminar, tendo apontado apenas um golo à Colômbia (e de grande penalidade), mas quando se é o melhor marcador do torneio, tem que se ser incluído no onze ideal. O ponta de lança não só guiou Inglaterra às meias-finais com os seus seis golos em outros tantos jogos – o brasileiro Ronaldo foi o último a fazer melhor (oito em 2002) -, como ainda capitou a histórica seleção dos três leões apesar de ter somente 24 anos.
O GoalPoint revela que o avançado do Tottenham converteu 100 por cento das ocasiões flagrantes de que dispôs, o que pode querer dizer que durante o mata-mata, afinal, o problema de Kane foi ter sido mal alimentado.


Treinador:

Quando se deixa de fora da convocatória nomes como Benzema, Rabiot, Lacazette, Martial, Coman ou Martial, só para citar alguns, a pressão aumenta e a margem de erro fica cada vez mais reduzida. Mas Didier Deschamps, embora tivesse à sua disposição um lote de jogadores de fazer inveja a outro qualquer selecionador, nunca se deixou guiar pelo estatuto deste ou daquele. Atribuiu a titularidade ao desconhecido Pavard e ao pouco consensual Giroud porque entendeu que eram os jogadores mais adequados para as respetivas posições (lateral direito e ponta de lança) e não teve problemas em retirar Griezmann de campo quando as coisas corriam mal ao craque do Atlético Madrid. Montou uma equipa equilibrada, com as doses certas de irreverência e de consistência, assente num 4x2x3x1 assimétrico, em que Mbappé tinha ordem para acelerar pela direita e Matuidi para fechar pela esquerda.
O facto de Zlatko Dalic ter conduzido a sensacional Croácia até à final e o mérito de Roberto Martínez em conjugar as estrelas todas da Bélgica num equilibrado 3x4x3 também faziam desses selecionadores candidatos a melhores do Campeonato do Mundo, mas a minha escolha recaiu no campeão.








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