segunda-feira, 30 de março de 2026

Hoje faz anos o central brasileiro que brilhou no Tirsense e em Inglaterra mas não no Benfica. Quem se lembra de Paredão?

Paredão brilhou no Tirsense antes de não vingar no Benfica
Entrou em Portugal pela porta da Académica, ajudou a construir o melhor Tirsense da história e deu-se mal no Benfica, mas depois foi para Inglaterra fazer épocas interessantes ao serviço de clubes como Sheffield Wednesday, Chelsea, Sunderland ou Bolton.
 
Nascido a 30 de março de 1972 em Porto Alegre, no estado brasileiro de Rio Grande do Sul, Emerson Thome ganhou estatuto na Premier League com o próprio nome, mas em Portugal sempre foi conhecido pela alcunha de Paredão.
 
Formado no Internacional, clube no qual também iniciou a carreira profissional, reforçou a Académica, então na II Liga, em 1992-93, não indo além de três jogos até final da época, uma escassa utilização justificada por motivos burocráticos. “Por causa da antiga lei dos estrangeiros só tive condições de jogar quando libertaram um jogador que era o Earl, de Trinidad e Tobago, numa altura em que lá estavam também o Latapy e o Lewis. Ele depois saiu e entrei na vaga dele quase a meio de março. Fiz apenas três jogos na Académica, na II Liga, na altura. A Académica tinha uma equipa espetacular. Acabámos em quarto lugar, quase a subir de divisão. Tinha o Zé do Carmo, Latapy, Lewis, Tó Luís. Uma equipa engraçada”, recordou ao Maisfutebol em outubro de 2017.
 
No verão de 1993 deu o salto para o Tirsense e logo na primeira época sagrou-se campeão da II Liga. Na temporada seguinte ajudou os jesuítas a alcançar o 8.º lugar no primeiro escalão, a melhor classificação da história do clube. “Tenho muito a agradecer ao mister Eurico Gomes. Ele descobriu-me num amigável da Académica em Paranhos, contra o Salgueiros. Contou-me que ainda nem tinha clube para o ano seguinte, mas estava a ver jogos para descobrir jogadores e por casualidade viu aquele jogo e chamei a atenção dele. Quando foi para o Tirsense, falou com o falecido Manuel Barbosa e trouxe-me para o Tirsense. A Académica queria que ficasse, mas na altura o senhor Manuel Barbosa era quem, para dizer de uma forma sintética, tomava conta da minha carreira. E ele achou que era melhor mudar. Na altura veio também o Marcelo, meu grande amigo”, começou por contar.
 
 
Valorizado, deu o salto para o Benfica no verão de 1995, ao fim de 57 jogos e quatro golos pelo emblema de Santo Tirso. Foi abordado pelo FC Porto, mas a ligação mais forte de Manuel Barbosa ou Benfica fez com que rumasse à Luz. “Era um Benfica grandioso, como o de hoje. Sedento de troféus. Mas em turbulência. Um Benfica em fase de transição, que exigia que qualquer jogador que chegasse desse a resposta à altura, com um grupo de adeptos extremamente exigente. E sem margem de erro, para que um jogador tivesse tempo de crescer. Tinha perdido jogadores de prestígio, como o Vítor Paneira, Isaías, Mozer, Caniggia, Neno, Silvino. Foi uma fase de reconstrução do clube. Isso leva tempo para que os jogadores pudessem por em prática a sua qualidade. Não se faz de uma hora para a outra. Ainda para mais com jogadores jovens. Não se deu tempo”, lembrou o central brasileiro, que não foi além de 12 encontros e um golo de águia ao peito, tendo vencido a Taça de Portugal em 1995-96. “Independentemente das circunstâncias, havia o Ricardo Gomes que era capitão da seleção brasileira, um ídolo do clube e um senhor central. Um gentleman dentro e fora do campo. Depois havia o Hélder, meu amigo até hoje. Era internacional por Portugal. Depois havia o Paulo Pereira, que tinha vindo do FC Porto campeão. E depois havia as migalhas: eu, o King e o Veríssimo que estava a subir aos seniores. Fui jogando naquilo que ia sobrando, passe a expressão”, explicou.
 
 
Apesar das propostas de Valladolid e Salamanca e de outros clubes da I Liga portuguesa, foi “obrigado” a rumar ao Alverca, então clube-satélite do Benfica que militava na II Liga. “não havia entendimento entre o meu empresário e o clube. Acabei por ser prejudicado. Fiquei seis meses sem jogar, fui depois obrigado a jogar no Alverca que estava a lutar para não descer na II Liga”, lembrou.
 
No início da temporada 1997-98 não foi inscrito nas competições oficiais nem por Benfica nem por Alverca. Acabou por rescindir em finais de janeiro de 1998 e assinar pelos ingleses do Sheffield Wednesday, então na Premier League, poucos meses depois.
 
 
Em Inglaterra deixou de ser “Paredão” para passar a ser Emerson Thome, seu nome de batismo, após não deixar colocar na sua camisola o nome “The Wall”, temendo a virilidade dos pontas de lança ingleses: “Disse logo: ‘Bota aí o meu nome, porque o Paredão precisa de desaparecer. Se não quando entrar em campo, vai ser uma luta...’”
 
 
Apesar do muito tempo que esteve parado, deu-se bem no futebol britânico, tendo somado 151 jogos na Premier League no espaço de oito anos ao serviço de Sheffield Wednesday, Chelsea, Sunderland e Bolton. Também chegou a atuar na Liga dos Campeões ao serviço do emblema de Stamford Bridge em 1999-00.
 
 
“O Sheffield Wednesday foi o clube que me abriu a porta. O Chelsea levou-me para a ribalta. O Sunderland foi o clube que mais investiu para me contratar. Fui a contratação mais cara do clube durante quatro ou cinco anos. No Wigan e no Bolton também foi muito bom. O Bolton era um clube ioiô e acabámos por acabar o campeonato em sétimo e ir à final da Taça da Liga [em 2003-04]”, recordou.
 
Pendurou as botas em 2007, aos 35 anos, após quase dois anos ao serviço dos japoneses do Vissel Kobe.
 
Depois tornou-se olheiro. Já trabalhou para Everton e West Ham, mas desde 2018 que está vinculado ao Leipzig.







 
  

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