Nascido a 30 de março de 1972 em
Porto Alegre, no estado brasileiro de Rio Grande do Sul, Emerson Thome ganhou
estatuto na Premier
League com o próprio nome, mas em Portugal sempre foi conhecido pela
alcunha de Paredão. Formado no Internacional,
clube no qual também iniciou a carreira profissional, reforçou a Académica,
então na II
Liga, em 1992-93, não indo além de três jogos até final da época, uma
escassa utilização justificada por motivos burocráticos. “Por causa da antiga
lei dos estrangeiros só tive condições de jogar quando libertaram um jogador
que era o Earl, de Trinidad e Tobago, numa altura em que lá estavam também o
Latapy e o Lewis. Ele depois saiu e entrei na vaga dele quase a meio de março.
Fiz apenas três jogos na Académica,
na II
Liga, na altura. A Académica
tinha uma equipa espetacular. Acabámos em quarto lugar, quase a subir de divisão.
Tinha o Zé do Carmo, Latapy, Lewis, Tó Luís. Uma equipa engraçada”, recordou ao
Maisfutebol
em outubro de 2017. No verão de 1993 deu o salto para
o Tirsense
e logo na primeira época sagrou-se campeão da II
Liga. Na temporada seguinte ajudou os jesuítas
a alcançar o 8.º lugar no primeiro
escalão, a melhor classificação da história do clube. “Tenho muito a
agradecer ao mister Eurico
Gomes. Ele descobriu-me num amigável da Académica
em Paranhos, contra o Salgueiros.
Contou-me que ainda nem tinha clube para o ano seguinte, mas estava a ver jogos
para descobrir jogadores e por casualidade viu aquele jogo e chamei a atenção
dele. Quando foi para o Tirsense,
falou com o falecido Manuel
Barbosa e trouxe-me para o Tirsense.
A Académica
queria que ficasse, mas na altura o senhor Manuel
Barbosa era quem, para dizer de uma forma sintética, tomava conta da minha
carreira. E ele achou que era melhor mudar. Na altura veio também o Marcelo,
meu grande amigo”, começou por contar.
Valorizado, deu o salto para o Benfica
no verão de 1995, ao fim de 57 jogos e quatro golos pelo emblema
de Santo Tirso. Foi abordado pelo FC
Porto, mas a ligação mais forte de Manuel
Barbosa ou Benfica
fez com que rumasse à Luz.
“Era um Benfica
grandioso, como o de hoje. Sedento de troféus. Mas em turbulência. Um Benfica
em fase de transição, que exigia que qualquer jogador que chegasse desse a
resposta à altura, com um grupo de adeptos extremamente exigente. E sem margem
de erro, para que um jogador tivesse tempo de crescer. Tinha perdido jogadores
de prestígio, como o Vítor
Paneira, Isaías,
Mozer, Caniggia,
Neno, Silvino.
Foi uma fase de reconstrução do clube. Isso leva tempo para que os jogadores
pudessem por em prática a sua qualidade. Não se faz de uma hora para a outra.
Ainda para mais com jogadores jovens. Não se deu tempo”, lembrou o central brasileiro,
que não foi além de 12 encontros e um golo de águia ao peito, tendo vencido a Taça
de Portugal em 1995-96. “Independentemente das circunstâncias, havia o
Ricardo Gomes que era capitão da seleção
brasileira, um ídolo do clube e um senhor central. Um gentleman
dentro e fora do campo. Depois havia o Hélder,
meu amigo até hoje. Era internacional por Portugal. Depois havia o Paulo
Pereira, que tinha vindo do FC
Porto campeão. E depois havia as migalhas: eu, o King e o Veríssimo que
estava a subir aos seniores. Fui jogando naquilo que ia sobrando, passe a
expressão”, explicou.
Apesar das propostas de
Valladolid e Salamanca e de outros clubes da I
Liga portuguesa, foi “obrigado” a rumar ao Alverca,
então clube-satélite do Benfica
que militava na II
Liga. “não havia entendimento entre o meu empresário e o clube. Acabei por
ser prejudicado. Fiquei seis meses sem jogar, fui depois obrigado a jogar no Alverca
que estava a lutar para não descer na II
Liga”, lembrou. No início da temporada 1997-98
não foi inscrito nas competições oficiais nem por Benfica
nem por Alverca.
Acabou por rescindir em finais de janeiro de 1998 e assinar pelos ingleses do
Sheffield Wednesday, então na Premier
League, poucos meses depois.
Em Inglaterra deixou de ser “Paredão”
para passar a ser Emerson Thome, seu nome de batismo, após não deixar colocar
na sua camisola o nome “The Wall”, temendo a virilidade dos pontas de lança
ingleses: “Disse logo: ‘Bota aí o meu nome, porque o Paredão precisa de
desaparecer. Se não quando entrar em campo, vai ser uma luta...’”
Apesar do muito tempo que esteve
parado, deu-se bem no futebol britânico, tendo somado 151 jogos na Premier
League no espaço de oito anos ao serviço de Sheffield Wednesday, Chelsea,
Sunderland e Bolton. Também chegou a atuar na Liga
dos Campeões ao serviço do emblema
de Stamford Bridge em 1999-00.
“O Sheffield Wednesday foi o
clube que me abriu a porta. O Chelsea
levou-me para a ribalta. O Sunderland foi o clube que mais investiu para me
contratar. Fui a contratação mais cara do clube durante quatro ou cinco anos.
No Wigan e no Bolton também foi muito bom. O Bolton era um clube ioiô e acabámos
por acabar o campeonato em sétimo e ir à final da Taça da Liga [em 2003-04]”,
recordou. Pendurou as botas em 2007, aos 35
anos, após quase dois anos ao serviço dos japoneses do Vissel Kobe. Depois tornou-se olheiro. Já
trabalhou para Everton
e West
Ham, mas desde 2018 que está vinculado ao Leipzig.
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