Uma daquelas contratações
surpresa, dignas de videojogo. Afinal, falamos de um habitual convocado e por
vezes titular de uma grande seleção
colombiana na qual pontificavam nomes como Radamel
Falcao, James Rodríguez ou Juan Cuadrado, a reforçar um Belenenses
a lutar pela permanência. Mas aconteceu mesmo, no final de janeiro de 2016.
Verdade seja dita que o contexto
ajudou, porque este médio de características defensivas, que atuou em três
jogos na caminhada cafeteraaté aos quartos de final do Mundial
2014, estava sem jogar há cerca de meio ano e tinha acabado de rescindir os
franceses do Toulouse. E também ajudou o facto de o treinador dos azuis,
o espanhol Júlio
Velásquez, conhecer bem o jogador. “O Júlio
conhecia Aguilar dos tempos em que ele jogava em Espanha e até têm amigos em
comum, por isso o mérito é todo do nosso treinador, que fez um excelente
trabalho”, adiantou ao Diário
de Notícias o presidente da SAD, Rui Pedro Soares, revelando que as
negociações foram “bastante fáceis” e até… originais. “O empresário do jogador
estava em Londres e as negociações foram todas feitas através de mensagens de
WhatsApp. Nós dissemos o que podíamos oferecer e eles aceitaram de imediato”, contou
o dirigente, acrescentando que “foi determinante a influência do treinador e o
facto de o Abel Aguilar gostar muito de Lisboa”. A surpresa desta contratação foi
tão grande que Rui Pedro Soares até se viu obrigado a dar explicações à
concorrência. “Outros clubes com maior poderio financeiro do que nós ficaram
surpreendidos e perguntaram-me como foi possível, porque se soubessem também
tinham tentado contratá-lo", prosseguiu, dois anos e meio antes da
separação entre clube e SAD do Belenenses.
Embora tivesse sido uma
contratação sonante, a passagem de Abel Aguilar pelo Restelo pautou pela
discrição. Foi utilizado em nove jogos (todos na condição de titular), marcou
um golo ao Moreirense
e viu quatro cartões amarelos na segunda metade da temporada 2015-16. Ainda
assim, o regresso à competição permitiu-lhe voltar aos convocados da seleção
da Colômbia após um ano de ausência.
Antes dessa aventura no futebol
português, este centrocampista nascido em Bogotá a 6 de janeiro de 1985 havia
despontado no Deportivo
Cali, clube que o projetou para as jovens seleções colombianas. Capitaneou,
por exemplo, a seleção de sub-20 que alcançou o terceiro lugar no Mundial da
categoria em 2003. No ano seguinte, quando tinha apenas 19 anos, teve uma
estreia de fogo pela seleção
principal, na Copa América, tendo apontado dois golos que ajudaram os cafeteros
a atingir as meias-finais.
Depois, entre 2013 e 2015,
representou os franceses do Toulouse, que pagou dois milhões de euros pela sua
contratação. Pelo meio marcou presença na Copa América 2011 e no Mundial
2014.
Após o meio ano em Lisboa voltou
ao Deportivo
Cali, num regresso que durou dois anos e culminou na participação no Mundial
2018, despedindo-se da seleção
após o torneio
disputado na Rússia ao fim de 72 jogos e oito golos. Seguiram-se pouco mais
de dois meses nos norte-americanos do FC Dallas antes de voltar à Colômbia para
vestir a camisola do Unión Magdalena em 2019.
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