terça-feira, 6 de janeiro de 2026

O mundialista colombiano contratado pelo Belenenses por WhatsApp. Quem se lembra de Abel Aguilar?

Abel Aguilar disputou nove jogos pelo Belenenses em 2015-16
Uma daquelas contratações surpresa, dignas de videojogo. Afinal, falamos de um habitual convocado e por vezes titular de uma grande seleção colombiana na qual pontificavam nomes como Radamel Falcao, James Rodríguez ou Juan Cuadrado, a reforçar um Belenenses a lutar pela permanência. Mas aconteceu mesmo, no final de janeiro de 2016.
 
Verdade seja dita que o contexto ajudou, porque este médio de características defensivas, que atuou em três jogos na caminhada cafetera até aos quartos de final do Mundial 2014, estava sem jogar há cerca de meio ano e tinha acabado de rescindir os franceses do Toulouse. E também ajudou o facto de o treinador dos azuis, o espanhol Júlio Velásquez, conhecer bem o jogador. “O Júlio conhecia Aguilar dos tempos em que ele jogava em Espanha e até têm amigos em comum, por isso o mérito é todo do nosso treinador, que fez um excelente trabalho”, adiantou ao Diário de Notícias o presidente da SAD, Rui Pedro Soares, revelando que as negociações foram “bastante fáceis” e até… originais. “O empresário do jogador estava em Londres e as negociações foram todas feitas através de mensagens de WhatsApp. Nós dissemos o que podíamos oferecer e eles aceitaram de imediato”, contou o dirigente, acrescentando que “foi determinante a influência do treinador e o facto de o Abel Aguilar gostar muito de Lisboa”.
 
A surpresa desta contratação foi tão grande que Rui Pedro Soares até se viu obrigado a dar explicações à concorrência. “Outros clubes com maior poderio financeiro do que nós ficaram surpreendidos e perguntaram-me como foi possível, porque se soubessem também tinham tentado contratá-lo", prosseguiu, dois anos e meio antes da separação entre clube e SAD do Belenenses.  
 
Embora tivesse sido uma contratação sonante, a passagem de Abel Aguilar pelo Restelo pautou pela discrição. Foi utilizado em nove jogos (todos na condição de titular), marcou um golo ao Moreirense e viu quatro cartões amarelos na segunda metade da temporada 2015-16. Ainda assim, o regresso à competição permitiu-lhe voltar aos convocados da seleção da Colômbia após um ano de ausência.
 
 
Antes dessa aventura no futebol português, este centrocampista nascido em Bogotá a 6 de janeiro de 1985 havia despontado no Deportivo Cali, clube que o projetou para as jovens seleções colombianas. Capitaneou, por exemplo, a seleção de sub-20 que alcançou o terceiro lugar no Mundial da categoria em 2003. No ano seguinte, quando tinha apenas 19 anos, teve uma estreia de fogo pela seleção principal, na Copa América, tendo apontado dois golos que ajudaram os cafeteros a atingir as meias-finais.
 
 
O salto para o futebol europeu tornou-se inevitável e concretizou-se no verão de 2005, após ter participado em mais um Campeonato do Mundo de sub-20, quando a Udinese o contratou e emprestou-o imediatamente ao Ascoli.
 
Voltaria a ser cedido nas épocas seguintes, mas aos espanhóis do Xerez, Hércules e Saragoça, estreando-se na I Liga Espanhola em 2009-10 ao serviço dos aragoneses. Seguiram-se dois anos no Hércules e um num Deportivo da Corunha recheado de portugueses: Sílvio, Roderick, Zé Castro, Tiago Pinto, André Santos, Pizzi, Bruno Gama, Nélson Oliveira e Diogo Salomão.
 
 
Depois, entre 2013 e 2015, representou os franceses do Toulouse, que pagou dois milhões de euros pela sua contratação. Pelo meio marcou presença na Copa América 2011 e no Mundial 2014.
 
 
Após o meio ano em Lisboa voltou ao Deportivo Cali, num regresso que durou dois anos e culminou na participação no Mundial 2018, despedindo-se da seleção após o torneio disputado na Rússia ao fim de 72 jogos e oito golos. Seguiram-se pouco mais de dois meses nos norte-americanos do FC Dallas antes de voltar à Colômbia para vestir a camisola do Unión Magdalena em 2019.
 
 



 
 






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