quarta-feira, 10 de março de 2021

Tino Bala. O refugiado de guerra que virou referência dos anos dourados do Leça

Constantino jogou no Leça entre 1993 e 1998
Sobrinho do antigo craque portista Seninho, Constantino veio para Portugal com sete anos para se refugiar da Guerra Civil de Angola, começou na formação no FC Porto e destacou-se a marcar golos no Leça, onde ficou conhecido por Tino Bala.
 
Em entrevista, o antigo avançado passa a carreira em revista, revela a convicção que merecia ter sido chamado à seleção nacional portuguesa e recorda o dia em que uma intoxicação alimentar de toda a equipa deixou os jogadores com mais vontade de estarem sentados numa sanita do propriamente que para irem dentro de campo, mas que culminou na subida do Leça à I Liga.
 
ROMILSON TEIXEIRA - Falar de Constantino é falar de Leça e vice-versa. Sente-se uma referência do emblema leceiro?
CONSTANTINO – Sinto-me uma referência. Ainda hoje falam dos meus golos no clube, os adeptos no Facebook dizem-me sempre que fui o goleador Tino Bala, mas foi com a ajuda de todos os meus companheiros que atingi o estatuto de goleador.
 
Como surgiu a oportunidade para representar o Leça e qual foi a primeira impressão com que ficou do clube, sua estrutura e adeptos?
A oportunidade de ir para o Leça surgiu depois de uma época fantástica na antiga II Divisão, no União de Lamas, pelo qual marquei 28 golos e fui o melhor marcador da II Divisão B. Tínhamos uma equipa fabulosa, o já falecido professor Pedro Nery era o nosso treinador e jogávamos muito mesmo.
Quem me diz para ir para o Leça foi o Reinaldo Teles, do FC Porto, que teve uma reunião comigo e me aconselhou a ir para o Leça, mas com contrato apenas com o Leça, porque o treinador desse primeiro ano na II Liga é o Frasco, antiga glória do FC Porto. Fui muito bem-recebido por todos, o Leça tinha um relvado fantástico, boas instalações e os adeptos sempre gostaram de mim. Marquei 12 golos nessa época, depois saiu o Frasco e entrou o mister Joaquim Teixeira, conseguimos a manutenção facilmente e no ano seguinte fomos campeões da II Liga com o Teixeira a treinador. Era uma equipa de sonho, unida e com uma qualidade impressionante, esmagávamos os adversários. Nessa equipa jogava o Sérgio Conceição, entre muitos outros. Toda a equipa marcou golos, o ambiente era fantástico, com muitos jantares pelo meio, o que também aumenta o espírito de grupo e a união entre jogadores, equipa técnica, direção e adeptos. Grande época essa!
 
Em três anos na I Liga pelo Leça marcou 42 golos, algo raro num clube com a dimensão dos leceiros. Qual foi para a sua exibição mais marcante e do que sente mais saudades daqueles tempos?
A exibição mais marcante foi um jogo na primeira época no Leça na I Liga, contra Tirsense, num jogo decisivo, pois quem perdesse esse jogo praticamente descia, pois só faltavam três jornadas para terminar. Ganhámos por 3-1 e fiz os três golos.
Do que sinto saudades? Tudo! Do ambiente, de jogar, do convívio, de marcar golos - adorava marcar golos, claro! É a idade. Sinto falta de jogar, mas isso acabou. O Leça tinha uma união fantástica. Mesmo com muitos problemas, todos juntos com muito sofrimento demos a volta.
 

A intoxicação alimentar que não impediu vitória sobre Jesus e subida à I Liga

Tem alguma história mais engraçada que tenha vivido no balneário do Leça que possa partilhar?
Na nossa segunda época tivemos um jogo com o Felgueiras em que se ganhássemos subíamos à I Liga. Apanhámos todos uma intoxicação alimentar na noite antes do jogo, durante o estágio, e era uma risota, com tudo a correr para o WC, tudo a beber coca-cola e tudo a perguntar como íamos jogar com o Felgueiras, que tinha uma grande equipa com Jorge Jesus a treinador, mas lá ganhámos por 1-0 e subimos mesmo a jogar debilitados. Lá está, a união fazia a diferença. Foi lindo, mas estávamos todos doentes a jogar.  Agora dá vontade de rir, mas na altura foi demais, tudo a querer ir ao WC.
 
O Constantino marcou ao FC Porto em quatro jogos seguidos entre o Leça e os dragões. Sentia um gostinho especial em marcar aos portistas?
Marca sempre! Eles diziam ‘hoje não marcas!’, mas marcava sempre. Não adiantava era de nada porque perdíamos sempre. Eu dizia ao Reinaldo Teles, ao Aloísio e ao Jorge Costa para me irem buscar que assim já não lhes marcava golos.
 
 
 

Chegou a ser convocado à seleção angolana mas nunca jogou

Embora apresentasse um registo assinalável de golos e tivesse nacionalidade angolana, nunca chegou a jogar pelos Palancas Negras. Porquê? Numa entrevista referiu um problema relacionado com a sua filha…
Na altura fui à seleção de Angola com o Prof. Neca, um grande treinador e um homem fantástico. Estava já em Angola e recebi a noticia de que a minha filha tinha sido atropelada e estava em coma no hospital. O Prof. Neca dispensou-me, claro, e depois estive algum tempo a acompanhar a recuperação da minha filha. Foram momentos horríveis, o Prof. Neca mostrou-se sempre preocupado, a ligar para saber do estado de saúde dela. Depois ela foi recuperando, o Prof. Neca voltou a falar comigo meses mais tarde para ir à seleção, mas nessas duas semanas a I Liga não parava, tínhamos dois jogos decisivos no Leça e pediram-me para não ir à seleção, que corríamos o risco de perder os jogos e descer de divisão. Falei com Prof. Neca, agradeci, mas fiquei em Portugal, joguei nesses jogos, marquei e o Leça ganhou e não desceu, mas claro que fiquei triste na altura por não ter ido à seleção. Depois infelizmente o Prof. Neca saiu e a oportunidade foi-se. Agradeço ao Prof. Neca e a toda gente da seleção de Angola por terem entendido na altura, mas perdi a oportunidade de me tornar internacional naquela altura e depois nunca mais fui sondado.
 

“Toda a gente dizia que merecia ser chamado à seleção portuguesa”

Avançado Tino Bala com a camisola do Leça
Ainda assim, os números do Constantino eram superiores aos de alguns avançados que eram convocados para a seleção portuguesa nessa altura, como Paulo Alves e em algumas épocas Domingos e Cadete. Nunca houve a possibilidade de jogar de quinas ao peito? Chegou a receber algum contacto da Federação?
Na altura toda a gente dizia que merecia ir à seleção portuguesa. Na altura, o nosso treinador era o Rodolfo Reis e chegou a dar uma entrevista a dizer que eu merecia ir à seleção, até porque os avançados estavam todos aleijados, mas o mister Artur Jorge não me chamou. Se estivesse lá o Fernando Santos naquela altura, teria sido chamado, mas são opções que temos de aceitar.
 
Como viveu o Caso Guímaro e a queda que o Leça sofreu nos anos seguintes?
O Caso Guímaro foi uma injustiça para o Leça numa altura em que o Leça estava estabilizado na I Liga. Isso quase que acabou com o clube, que caiu para os distritais. Agora está em recuperação no Campeonato de Portugal, onde está a fazer uma grande campanha, claro que com dificuldades pois não há receitas com jogos à porta fechada. A descida foi uma injustiça muito grande.
 

Recorda férias com Sérgio Conceição: “Até a jogar às cartas odeia perder”

Constantino no jogo de fim de carreira de Conceição
No Leça partilhou o balneário com Sérgio Conceição e Paulo Fonseca, dois grandes treinadores portugueses da atualidade. Como era na altura cada um deles? Imaginava que ambos chegassem a este nível como treinadores?
O sucesso deles não me espanta. O Sérgio é um vencedor, já quando jogava odiava perder, tem uma personalidade muito forte, está a fazer um trabalho notável no FC Porto, foi um grande jogador, é um treinador fantástico e um grande homem. As pessoas nem imaginam, mas tem um coração enorme.  Envio-lhe sempre mensagens depois dos jogos, nunca mais me esqueço que casou, foi de lua-de-mel para o Algarve e curiosamente eu nessa altura também estava de férias com amigos e o Sérgio passou toda a semana connosco num convívio fantástico, a jogarmos às cartas à noite com as famílias, ate aí ele odeia perder. É um ganhador nato, um amigo!
O Fonseca era um grande central, um homem fantástico, muito tranquilo, está a fazer um trabalho notável na Roma. Já o tinha feito no Paços e no Shakhtar, fico contente com o seu sucesso. É um ganhador, um homem de trabalho.

"Vim de Angola quando estalou a Guerra Civil em 1975" 

Constantino marcou 42 golos pelo Leça na I Liga
Voltemos atrás no tempo. Nasceu em Angola na cidade do Lubango. Como foi a sua infância e quais as melhores memórias que guarda de Angola?
Regressando a Angola, as memórias que tenho é de jogar futebol com meus tios, o meu pai também foi um grande jogador e o meu avô que já faleceu passava muito tempo com ele a jogar futebol e à malha - adorava e adoro jogar à malha! -, a minha família é do futebol, o meu falecido tio Seninho era um craque que brilhou no FC Porto e no Cosmos, um ser humano fantástico, que me ensinou muita coisa tal como o meu pai.  Foram os meus grandes conselheiros no futebol.
 
Com que idade se mudou para Portugal e quais foram os motivos que o levou a emigrar?
Vim de Angola com sete anos, quando estalou a Guerra Civil em 1975. O meu pai decidiu vir para Portugal com receio. Foi triste, adorava Angola até ia à caça com meu pai.
 
Alguma vez houve a possibilidade de regressar a Angola para jogar no Girabola? Foi algo que gostava de ter feito?
Nunca fui convidado para jogar no Girabola.
 
Começou a jogar futebol aos seis anos, nas escolinhas do FC Porto, mas foi no Salgueiros que fez toda a sua formação. Como era o Constantino naquela altura? Sempre jogou como avançado?
Na minha formação jogava a extremo direito, marcava muitos golos e tinha liberdade para não defender muito. Era rápido e finalizava bem.
 

Salgueiros merecia estar na I Liga pelos adeptos que tem”

Constantino iniciou trajeto no futebol sénior no Salgueiros
Foi ao serviço do Salgueiros que se estreou no futebol sénior, numa altura em que o emblema de Paranhos começava a construir as bases que o levariam a uma memorável década de 1990. Que balanço faz da sua passagem pela equipa principal dos salgueiristas? O que correu mal para não ter jogado tanto?
Joguei na I Liga com Rodolfo Reis, António Fidalgo e Festas, todos eles apostaram em mim. O Festas tinha sido meu capitão de equipa, foi meu treinador várias vezes, apostou sempre em mim no Salgueiros e no Leça, era um grande treinador e um homem fantástico. O Rodolfo Reis também apostou sempre, aliás, com o Leça na I Liga fiz grande épocas com ele a treinador. E o Festas também.
 
O Salgueiros acabou por extinguir o futebol sénior em 2004 e regressar em 2008, estando presentemente a militar no Campeonato de Portugal. Como viu a queda e o renascimento de um clube que lhe diz tanto? O que o Salgueiros representa para si?
Fico contente com o renascer do Salgueiros, é um clube de que gosto e que muito merecia estar na I Liga pelos adeptos que o seguem para todo lado, independentemente da divisão em que jogue.
 
Passou por Recreio de Águeda e Desp. Aves, mas foi no União de Lamas, com 21 golos em 35 jogos, que relançou verdadeiramente a carreira. Quais as principais memórias que tem do tempo que passou em cada um destes clubes?
No Recreio de Águeda fui emprestado pelo Salgueiros, foi o Fidalgo que me levou, depois de ter sido meu treinador no Salgueiros, o primeiro ano da II Liga. Depois o Fidalgo saiu e entrou o grande capitão Mário Wilson. Foi um prazer ter sido seu jogador, um ser humano fantástico, ensinou-me muita coisa, tinha um relacionamento fantástico com ele, íamos sempre almoçar às quartas-feiras – eu, ele e o Jorge Amaral, que era nosso guarda-redes e hoje comentador desportivo na CMTV, um amigo ia com ele de boleia e um grande ser humano.
No ano seguinte fui emprestado ao Desp. Aves, um grande clube. Fico triste de ver o Desp. Aves na situação em que está, pois era um clube, que pagava a tempo e horas. Enfim, investidores…
No União de Lamas renasci novamente com Prof. Nery a treinador e fiz 28 golos já sem contrato com Salgueiros. Fui dispensado pelo mister Filipović, com quem fui campeão na II Divisão e subimos à I Divisão. O Salgueiros tinha um plantel forte e por isso fui dispensado, com tristeza minha, mas entendi. Naquela altura tive dois anos de empréstimo e as opções foram outras, o Filipović é um homem fantástico, mas saí chateado porque gostava do Salgueiros.
Acordei no União de Lamas, fiz uma grande época. Agradeço a todos, mas em especial ao Prof. Nery, que infelizmente já faleceu, e ao meu amigo e compadre Jorge Faria, foi ele na altura que me indicou ao União de Lamas quando estava sem clube após acabar contrato com Salgueiros. Ele jogava a lateral direito e é um amigo para toda vida. Do União de Lamas salto para o Leça, a melhor opção da minha vida.
 

“No Levante chamavam-me pequeno Romário”

Constantino festejou uma subida de divisão no Levante
Depois de ter brilhado no Leça, mudou-se para os espanhóis do Levante e ajudou o clube de Valência a subir à II Liga. Como foi a adaptação a um novo país e a um futebol diferente e que balanço faz da sua aventura por Espanha?
No Levante fui muito feliz. Na altura fui para a II Divisão B espanhola e subimos à II Liga facilmente. Tínhamos uma grande equipa, um ambiente fabuloso e uma união enorme. Fui colega de dois portugueses, Juba e o Veiga, este último um grande guarda-redes e um amigo para toda a vida.
Ainda ano passado estive em Valência numa homenagem do clube à equipa que subiu de divisão em 1999. Foi impressionante. Fomos homenageados antes do jogo Levante-Leganés para a Liga Espanhola. Foi impressionante 35 mil pessoas de pé a gritar por nós ao fim de 20 anos. Os adeptos pediram para tirar fotos, diziam ‘Tino, una foto’ e chamavam-me de pequeno Romário. Eu dizia que Romário é muito grande, mas ficava contente compararem Tino Bala e Romário. Adoro o Levante, fico feliz de as pessoas ainda hoje se recordarem de mim, no Facebook tenho muitos seguidores do clube.
 
Em Espanha partilhou o balneário com o luso-guineense Juba, que em 2008 foi dado como morto, vítima de acidente de viação, mas que, segundo sabemos, está vivo. Mantém contacto com ele? O que aconteceu ao certo?
Falei com ele há cerca de seis anos, não sabia nada dele. Na altura a morte dele foi uma polémica enorme, mas foi mentira.
 

“Campomaiorense é um grande clube e a família Nabeiro é gente fantástica”

Constantino jogou no Campomaiorense em 2000
Em 2000 regressou a Portugal para jogar no Campomaiorense, mas foi pouco utilizado. O que se passou e que recordações tem do ano em que jogou no Alentejo?
O Campomaiorense é um clube muito grande, com gente fantástica e umas condições como poucos clubes tinham, era o mister Carlos Manuel o treinador e foi ele que pediu para eu ir para o clube. Joguei pouco mas marquei três golos e todos eles valeram pontos. Dizia-lhe a ele e ao Abílio, esse grande craque e amigo de quem sou adjunto há alguns anos, que se não fosse para o Campomaiorense a equipa tinha descido.
Tínhamos uma grande equipa e ficámos na I Liga. O Carlos Manuel é um grande treinador e um homem fantástico, ainda fui ao Bar Sport TV com o Abílio e fartámo-nos de rir com as histórias do balneário. O Campomaiorense é grande clube, com o grande Rui Nabeiro e a família, gente fantástica da Delta Cafés que nunca se esquecem de mim. Fui convidado para o aniversário do clube e para a inauguração de uma herdade em Campo Maior.
 
 
No Campomaiorense partilhou o balneário com outro grande treinador português da atualidade, Marco Silva. Como era ele na altura?
Era humildade como pessoa e já se via que ia ser treinador pelas conversas que tinha. Vai ter sucesso novamente. É um grande treinador um amigo.
 
Depois do Campomaiorense voltou a jogar por União de Lamas e Leça, passando posteriormente por Tondela, onde foi campeão distrital? Como era o emblema beirão naquele tempo? Quando lá jogou em 2004-05, pensou ser possível o clube atingir a I Liga dez anos depois?
Para o Tondela fui convidado pelo presidente Gilberto Coimbra, grande homem que adora o Tondela. Subimos e fomos campeões, mas na altura o campo estava em obras, treinávamos no pelado e eu dizia vou matar as minhas costas a jogar num pelado aos 37 anos no pelado. Também treinávamos na relva, mas apanhávamos campos prelados e claro que tínhamos que treinar no pelado. Não terminei lá a época, mas fui campeão. Tínhamos uma grande equipa no Tondela, um grande clube que hoje está na I Liga com grande mérito e condições fantásticas.
 

Treinou Bruno Fernandes no Boavista: “Adorava treinar e jogar. É um ser humano fantástico e humilde”

Constantino e Abílio Novais no Boavista
Entretanto abraçou a carreira de treinador, tendo desempenhado funções de treinador-adjunto no Leça, Boavista, Sport Canidelo e Avintes. Como tem corrido a nova carreira?
Comecei no Leça, onde estive três anos, tendo sido adjunto de Jorge Goncalves e Madureira, com quem subimos da III Divisão à II B. Depois fui adjunto do Madureira nos seniores do Boavista na II Divisão B. O Boavista é um clube fantástico, mesmo na II Divisão B arrastava muita gente, com adeptos fantásticos.
Mais tarde o meu grande amigo Abílio Novais levou-me para os juniores do Boavista, mantivemos a equipa no campeonato nacional e quem era nosso jogador era o Bruno Fernandes, hoje no Manchester United. O seu sucesso não me surpreende, pois adorava treinar e jogar, é um ser humano fantástico e sempre humilde. Estivemos cerca de quatro anos nos juniores do Boavista. Foi um orgulho trabalhar naquele clube.
Depois fui com Abílio para o Canidelo e subimos de divisão de Honra para a de Elite. Foi um clube que gostei muito, com condições fantásticas. Estivemos lá ano e meio.
De seguida fomos para o Vila FC, onde fizemos na Divisão de Elite uma época fantástica, interrompida devido à pandemia de covid-19. Ainda estávamos na taça distrital, mas foi tudo suspenso. Adorei estar no clube, as pessoas eram fantásticas e os adeptos acompanham sempre o clube.
Presentemente estou no Avintes, mais uma vez como adjunto do Abílio. Temos um plantel fantástico, íamos em 1.º lugar, mas a covid-19 interrompeu o campeonato. Espero que recomece e que consigamos subir, pois o Avintes é um grande clube, com condições e gente fantástica, que merece outra divisão.
Ser treinador adjunto é algo que adoro e que é a minha cara, brincar com os jogadores, dizer-lhes ‘tranquilo, não jogas hoje, mas isto dá voltas’. Ser adjunto é ser amigo dos jogadores, dar concelhos e, claro, ajudar o treinador. Adoro ser adjunto do Abílio Novais, merece outos palcos e é um grande treinador e um ser humano fantástico. Temos um grande preparador físico, o Francisco, que é um menino, mas sabe muito; e o Valdemar, um grande treinador de guarda-redes. Uma equipa técnica que termina com Tino Bala a adjunto. Adoro ser adjunto do Abílio, ele é como o Sérgio Conceição: odeia perder! Alem de ser seu adjunto, é um amigo de muitos anos.
 
E relativamente a treinadores, quais os que mais o marcaram?
No Leça tive grandes treinadores e todos eles foram importantes, mas destaco Carlos Manuel, Rodolfo Reis, Festas, Joaquim Teixeira, Vitor Manuel e prof Nery; na formação do Salgueiros, o Zé da Costa; no Recreio de Águeda o Mário Wilson e no FC Porto o Costa Soares. O mister Vítor Manuel obrigava-me no Leça a ficar no fim treino a fazer finalização e dizia que eu ia ser o melhor marcador do campeonato. Fui bota de bronze no Leça com 15 golos, com a ajuda de toda uma equipa fantástica.
 
Fale-nos um pouco sobre o seu trabalho na gestão de infraestruturas desportivas municipais em Matosinhos. O que faz ao certo e quando surgiu essa possibilidade?
A Matosinhosport é empresa de desporto da Câmara Municipal de Matosinhos. Na altura foi o meu amigo Miguel Vaz que me disse que a Matosinhosport precisa de um funcionário, então enviei o meu currículo e fui chamado. Adoro o que faço, estou no Pavilhão de Leça do Balio, onde há treinos de patinagem e futsal. Assisto aos jogos e tenho um relacionamento fantástico com todos. Agradeço à Matosinhosport a oportunidade ser seu funcionário.
 
Acompanha o futebol angolano? Que opinião tem sobre o nível do Girabola e da seleção angolana?
Acompanho sempre resultados da seleção e recordo aquele Mundial em que defrontou Portugal. Angola tinha uma grande seleção e jogou também com o Irão. Está lá o meu amigo Fernando Pereira a treinador também. Ultimamente não tenho seguido campeonato, que também teve o Carlos Manuel e o Vitor Manuel a treinadores.
 
Entrevista realizada por Romilson Teixeira









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