quarta-feira, 30 de setembro de 2020

A minha primeira memória de… um jogo entre AC Milan e equipas portuguesas

João Pinto procura fugir a Maldini no jogo da 2.ª mão, em Alvalade
A minha primeira memória de um jogo entre o AC Milan e equipas portuguesas remonta aos últimos meses de 2001, quando o colosso italiano mediu forças com o Sporting na terceira eliminatória da Taça UEFA – infelizmente, já não fui a tempo das desavenças entre George Weah e Jorge Costa e do bis de Jardel em San Siro num encontro com o FC Porto em 1996.

Embora o AC Milan seja um nome que mete respeito no futebol europeu, a verdade é que os rossoneri não viviam um momento particularmente feliz. Carlos Ancelotti estava no comando técnico há apenas duas semanas, após o despedimento de Fatih Terim, e nem a chegada de Rui Costa estava a surtir efeitos positivos.  Na temporada anterior os milaneses não foram além de um sexto lugar no campeonato e já não venciam qualquer troféu desde que se sagraram campeões de Itália em 1998-99. Demasiado pouco para aquele que tinha sido o clube da moda do início da década de 1990.


Porém, este AC Milan, que nas rondas anteriores eliminou BATE Borisov e CSKA Sófia, apresentou nos jogos com o Sporting dez dos 14 jogadores que um ano e meio foram utilizados na final da Liga dos Campeões, ganha à Juventus em Old Trafford: os defesas Maldini, Kaladze, Costacurta e Roque Júnior, os médios Pirlo (não saiu do banco em ambos os jogos com os leões), Gattuso, Rui Costa e Serginho e os avançados Inzaghi e Shevchenko. Quanto aos outros, Dida estava cedido ao Corinthians, Nesta ainda era jogador da Lazio, Seedorf atuava no rival Inter e Ambrosini estava a contas com uma grave lesão no joelho.

Na primeira-mão, em San Siro, Ancelotti apostou num 4x3x1x2 que marcaria os seus primeiros anos no comando técnico do AC Milan, enquanto o treinador leonino Laszlo Bölöni apostou no reforço defensivo: um quinteto de defesas (César Prates, Beto, André Cruz, Babb e Rui Jorge), dois médios com características defensivas (Hugo e Paulo Bento) e apenas três homens de cariz ofensivo (João Pinto, Niculae e Jardel). Nas rondas anteriores, os leões tinham afastado os dinamarqueses do Midtjylland e os suecos do Halmstads.


De nada valeu esse reforço defensivo ao Sporting, que perdeu no Giuseppe Meazza por dois golos sem resposta e ficou com um pé fora da Taça UEFA.

Já depois de Serginho ter cabeceado em direção à trave, Albertini descobriu Shevchenko com um passe magistral que rasgou por completo a defesa leonina e o avançado ucraniano rodou sobre Phil Babb e picou a bola sobre Tiago com toda a classe do mundo, colocando assim os milaneses em vantagem aos 36 minutos.

Na segunda parte, Serginho voltou a atirar à trave, desta vez através de um remate de fora da área que ainda foi defendido por Tiago, e depois fez a assistência para o 2-0, apontado por Filippo Inzaghi, que se antecipou a Babb antes de encostar para o interior da baliza sportinguista (76’).

“’Branca’ de Jardel e... ‘branca’ do Sporting. Parece sina. Num jogo em que os leões estiveram ao nível do que de melhor já se lhes viu esta época, chegando mesmo a controlar as operações durante a primeira meia hora de segunda parte, sabe a pouco regressar a Lisboa com um resultado que dificilmente permitirá dar a volta à eliminatória, sobretudo se olharmos para o respeitoso nome do adversário: AC Milan”, resumiu o Record.


À partida para a segunda-mão a esperança leonina já não era muita, mas Laszlo Bölöni deu algum pendor ofensivo à equipa com a entrada Hugo Viana para o lugar de Hugo no meio-campo. Porém, Ancelotti mostrou enorme respeito pelo Sporting ao colocar à frente da defesa um quarteto de meio-campo inteiramente de características ofensivas: Gattuso e Donati no corredor central e os laterais Contra e Kaladze nas alas. Na frente restava Rui Costa no apoio a Shevchenko.

Após uma primeira parte sem golos em Alvalade, o Sporting chegou ao golo através de um lance tipicamente britânico: passe longo de João Pinto à entrada do meio-campo ofensivo em direção à cabeça de Jardel e amortecimento do brasileiro para um disparo fulminante de Marius Niculae (49’).

O avançado romeno colocou os verde e brancos a um golo de igualar a eliminatória, mas quem marcou até ao apito final foi o AC Milan, por intermédio do espanhol Javi Moreno, a passe de Shevchenko, já em tempo de compensação (90+4’).

“Último minuto e... lá se foi a vitória. A vitória do Sporting, que seria uma ‘vitória moral’ na eliminatória, pela proeza de ter subjugado 89 minutos o (ontem muito pouco) poderoso Milan. Mas a crueza do futebol ao mais alto nível voltou a desiludir os adeptos leoninos, quinze dias depois de terem engolido mal a derrota em San Siro (0-2) que traçou o destino da eliminatória. O golo de Moreno, instantes antes do árbitro terminar o encontro, colocou injustiça no resultado e retirou dois pontos às contas portuguesas nas competições europeias. O veneno dos contra-ataques de Shevchenko, principalmente depois da troca de Rui Costa pelo autor do golo (até porque já só havia Paulo Bento a defender no miolo), não justificou a igualdade num jogo em que o Sporting mandou em quase todos os capítulos e conseguiu fazer o primeiro golo ao Milan nesta edição da Taça UEFA, após cinco zeros”, sintetizou o Record.

























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