sábado, 23 de maio de 2020

Formando muito com pouco #3 – Da união nasceu o Renascer do Estoril

Nelson Metelo (à esq.), fundador e presidente da MAG do FUCRE
Nesta terceira entrevista da série "Formando muito com pouco", fomos até ao Kilamba Kiaxi, município da província de Luanda, que viu nascer o Futebol Clube Renascer do Estoril, também conhecido por FUCRE.

Fundado a 5 de janeiro de 2016 por Nelson Metelo e Adão Neto, o clube teve como cofundadores Pedro Barros, Hota Nelson, Valente, Fila e comporta quatro modalidades desportivas: futebol, voleibol, futsal e andebol. Sedeado no Golf II, Vila Estoril Travessa Angolatelecom, zona 20, casa 17, rua 6, município do Kilamba Kiaxi, Luanda.


É no Campo da Vila Estoril, vulgo Campo da Cabeko, onde são formados os jovens futebolistas desta agremiação. O FUCRE tem Adão Neto como presidente, Adriano Gonçalves e Hélder Kasanda como vice-presidentes e Manuel Torres como secretário-geral.

O FUCRE tem como prata da casa Carlos Munhondo, Beatriz e Sónia Munhondo no voleibol e Nelinho, Silva e Boa no futsal, enquanto Mazembe, Mário Jamba, Afonso, Jó, Mario Gomes Virgílio, Silly, Rui, Tequila e Sousa João são as referências no que ao futebol diz respeito.

Em entrevista, o fundador e atual presidente da mesa da Assembleia Geral (MAG) do FUCRE, fala da realidade do clube.


ROMILSON TEIXEIRA - Quem é Nelson Metelo? Onde nasceu e cresceu?
NELSON METELO - Sou um gestor de empresas e consultor, natural da província da Lunda-Norte, Município do Dundo. Tenho 43 anos de idade, sou filho de um operário mineiro e de empregada doméstica, cresci na Lunda-Norte e fiz a minha formação na Lunda-Norte até ao ensino médio. Já o ensino superior fiz no estrangeiro, licenciei-me em direito e agora estou a fazer uma nova licenciatura em Serviços Sociais, na Universidade Católica de Angola (UCA).

Fruto da fusão de cinco núcleos de futebol

Quando e como surgiu a paixão pelo desporto e como entrou para o dirigismo desportivo?
A paixão pelo Desporto surgiu no Dundo, no desporto escolar, cheguei a jogar pelos escalões de formação do Sagrada Esperança. A paixão pelo futebol surgiu por influência da minha esposa, que organizava os miúdos do bairro, dava-lhes alimentação e apoios para que eles jogassem futebol, e chegou a uma altura em que ela já não tinha condições para continuar a apoiar, então eu sentia que tinha de assumir esta responsabilidade. Com o decorrer do tempo fundei o Futebol Clube Estoril, sem compromissos para competir nas competições federadas, era apenas por recreio, até que comecei a receber várias solicitações para ampliar o projeto. Vários núcleos de futebol da zona do Golfe solicitaram-me: Real Golfe, Argentina, Amigos do Kabuscorp e 28 de Agosto. Foi da fusão destas equipas que surgiu o Futebol Clube Renascer Estoril.

No inicio quais foram as principais dificuldades do clube? Sendo o clube resultante da fusão de vários núcleos de futebol, nunca houve conflitos de interesse?
As dificuldades no início foram vários, desde logo a criação de uma estrutura física e a construção de uma estrutura administrativa organizada. Mas graças a Deus passo a passo as dificuldades têm sido superadas. Quanto aos conflitos de interesses, existem até aos dias de hoje, mas tentamos sempre de forma cordial e democrática resolver os problemas e agradar à sensibilidade de todas as partes envolvidas na fusão do clube. Hoje em dia já temos uma estrutura mais madura e que encara as coisas com mais responsabilidade. Continuamos fortes e há tranquilidade na estrutura do clube.

Quatro modalidades e mil atletas

Futebol Clube Renascer do Estoril tem cerca de mil atletas
O clube começou apenas com o futebol. Quando e como é que surgiram as outras modalidades?
Sim o clube inicialmente começou com o futebol.  As modalidades surgiram por força dos estatutos e da lei que regula os requisitos para se tornar um clube. No futebol temos equipas dos infantis aos seniores, no voleibol de infantis a juniores, no futsal somente seniores e no andebol de infantis a juvenis.

Atualmente quais têm sido as maiores dificuldades e desafios do clube?
As dificuldades e desafios têm sido vários para manter o clube nas competições em que está envolvido, tendo em conta a conjuntura económica atual que afeta todos e a pouca produtividade do principal patrocinador, direta ou indiretamente não deixa de afetar os clubes.  Digo os clubes porque temos também o Futebol Clube Renascer do Tchioco na província do Lubango, que financeiramente depende do mesmo patrocinador. Os principais desafios passam por implementar parcerias e escoamento da produção, criar melhorias para o ABC.

Quais são as principais fontes de rendimento do clube?
As principais fontes de rendimento são a empresa Matelo Prestação de Serviços & Relações Públicas, algumas contribuições com quotas e algumas doações da Saller - produtora de material desportivo da Alemanha - e alguma solidariedade da Benel Desportos.

Quantos atletas e funcionários é que o clube tem?
Temos mil atletas e 25 funcionários, incluindo pessoal técnico.

O clube existe há sensivelmente quatro anos. que avaliação fazem do trabalho efetuado? Os objetivos estão a ser alcançados?
A avaliação é boa, mas as expectativas ainda não foram alcançadas porque ainda há muito a fazer em torno do clube em projetos a curto, médio e longo prazo.

Construção de orfanato entre os projetos

FUCRE tem todos os escalões no futebol a partir dos infantis
Quais são os projetos ou objetivos do Clube a curto e médio prazo?
Os projetos são vários:  Construção de um orfanato, colégio, centro de rendimento desportivo, centro social e loja de vendas de material desportivo e da marca Renascer do Estoril. Tudo isto se enquadra nos objetivos de curto e a médio prazo, assim que existam condições financeiras.

Participar nos campeonatos seniores da I Divisão fazem parte dos objetivos do clube?
Ainda é prematuro pensar nisso porque precisamos de consolidar as bases.

Quais são os atletas que mais referenciados que já passaram pelo clube em todas as modalidades?
Temos no voleibol Carlos Munhondo, Beatriz e Sónia Munhondo. No futsal Nelinho, Silva e Boa.  No futebol Mazembe, Mário Jamba, Afonso, Jó, Mario Gomes Virgílio, Silly, Rui, Tequila e Sousa João.

Como o clube tem lidado com a pandemia da Covid-19? O que tem sido mais difícil de gerir?
Com a pandemia da covid-19 foram tomadas todas providências em obediência aos instrutivos ministerial do MINSA e o MINJUD e também o nosso gabinete de comunicação e imprensa tem passado conselhos através das nossas plataformas nas redes sociais.

Sendo o FC Renascer Estoril um associado da Associação Provincial de Futebol de Luanda (APFL), como avaliam o trabalhado desta associação?
Nulo e sem o efeito para o qual foi criada.

Como olham para o estado atual do futebol angolano? O que precisa de ser melhorado com urgência?
Muita coisa precisa ser melhorada a todos os níveis desde federação, ministério e associações provinciais. O nosso futebol precisa de uma refundação no geral.

Que conselhos deixa a todos os jovens que sonham ser desportistas?
A todos os jovens que desejam seguir a carreira desportista aconselho a que tenham dedicação, audácia, trabalho com foco, disciplina e que não se desviem da escola.



Entrevista realizada por Romilson Teixeira























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