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| Michael Stu vai estar no main event do Algarve Wrestlefest |
É o campeão nacional mais jovem e
metade dos primeiros campeões nacionais de tag team em Portugal, juntamente com
o primo Stefan Stu, com o qual também quebrou um estigma de mais de uma década,
ao estrear-se no Wrestling Portugal sendo um lutador completamente made in APW.
Podem esperar um banger autêntico, porque vamos ter três dos melhores lutadores em Portugal neste momento. Temos o Ricky Boy, temos o “Knockout”, temos o Michael Stu, então vai ser um grande combate. Vai ser um banger.
Na venue cabem entre 300 a 400 pessoas, tem ar condicionado, vai estar-se bem lá dentro, e é uma sala escura, então podemos fazer um bom jogo de luzes. E teremos bar no interior do recinto. Se tivermos mais de 200 pessoas já vai ser muito bom. O último show da APW foi muito bom, tivemos muita gente, e seria fantástico juntar o público da APW ao público do Wrestlefest.
A espetacularidade dos meus golpes é suplantada pela minha condição porque é impossível gostar do Michael Stu, que pode fazer um Moonsault, mas vai atirar ao gajo gordo na primeira fila que ele não consegue fazer aquilo, que tenho um shape que ele não tem e que como as gajas que ele quer comer.
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| Michael Stu é personal trainer de profissão |
Sem dúvida. Não sou um dos, sou o wrestler com melhor shape em Portugal. Se queremos diferenciarmo-nos de alguém do público, temos de ter um físico cuidado. Não entendo quem diz que não é importante. Eu não consigo ver combates antigos porque há muitos lutadores fora de forma. A minha profissão é personal trainer, o que ajuda.
Tenho vários clientes que gostam de wrestling, alguns dos quais vão aos shows. Os que fazem wrestling não são meus clientes, são meus amigos, e dou-lhes muitas dicas.
Claro que ninguém gosta de ser chamado de “stupido”, mas enquanto Victor Stu não me importo, quero é que as pessoas façam barulho.
Era algo que eu não ambicionava, mas foi uma tarefa que me foi confiada pelo nosso presidente, Tony de Portugal. Os principais desafios são ter em conta o show seguinte e fazer algo que seja positivo para toda os envolvidos, sabendo-se que vai haver sempre quem discorda. Neste momento existem muitos bons wrestlers em Portugal e fica difícil encaixar todos nos shows.
Também era algo que não ambicionava, mas tenho gostado muito. O que me dá mais orgulho é ver os meus alunos a saírem-se bem no circuito atual. Os treinos são às quartas-feiras das 19h às 21h e aos domingos das 15h às 18h no Clube Desportivo Recreativo da Pedra Mourinha. Estou presente sobretudo aos domingos.
Essa falta de reconhecimento existe de quem está de fora, mas é injusta. Dou dois exemplos recentes vindos da Academia da APW: o Paulinho e o Rodrigues são dois dos lutadores em Portugal que geram mais reações. E ainda há o Rui Mocho, que em breve terá mais destaque e de quem ouvirão muito falar.
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| Michael Stu pontapeando Paulo "Knockout" Cruz |
Estão previstos shows
da APW nos próximos meses ou a ideia passa por fazer eventos no sul do país
apenas em parceria com o Wrestlefest?
A APW vai fazer mais shows.
Deixámos o melhor para o fim do ano. Dia 3 de outubro teremos o evento Terror no
Ringue e a 5 de dezembro o Super Impacto. Ambos os eventos vão acontecer no Clube
Desportivo Recreativo da Pedra Mourinha. Fiquem atentos ao Instagram da APW Wrestling.A APW de hoje em dia está muito diferente da APW daquela altura. Isso aconteceu na fase pré-Covid, quando ainda não havia, por exemplo, o Paulinho ou o Rodrigues. Atualmente a mentalidade é diferente.
Tenho grandes memórias da Moldávia e muito orgulho em ser nasci. É um país muito nobre, mas, infelizmente, corrupto. À primeira vista, parece-me que a adesão à UE teria benefícios, mas não me quero meter muito na parte política…
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| Michael Stu em criança |
Aos cinco anos vieste para
Portugal para viver em Portimão, onde já morava o teu pai. Quando começaste a
ver wrestling, quais são tuas as primeiras memórias e o que achas que te
atraiu?
Lembro-me perfeitamente de que
comecei a ver durante o build up da WrestleMania
23, em 2007, quando o John
Cena e o Shawn
Michaels eram campeões de tag team. Mas tornei-me mesmo fã na altura em que
o SmackDown
passava na TVI, aos domingos de manhã. Também dava desenhos animados,
mas eu só queria saber de wrestling. Era como estar a ver super-heróis de carne
e osso. Eu via o Swanton Bomb do Jeff
Hardy e aquilo era real. Na mesma altura havia videojogos míticos da WWE, então
lembro-me que uma vez até recebido o SmackDown
vs. Raw
2007 como prenda de Natal.Tenho duas inspirações. Para mim o melhor in ring performer de sempre é o Shawn Michaels, que quando regressou de uma lesão grave nas costas ainda voltou melhor, sobretudo nos inbetweens e nas expressões faciais. Todos os combates dele eram bons.
Em termos de ídolo, esse é o Jeff Hardy. Até as minhas calças são largas por causa dele.
O Eddie Guerrero. Ele conseguia ser um grande heel apesar de manter os golpes espetaculares, assim como o CM Punk nas indies. Provaram que é possível conciliar as duas coisas.
Sou um bocado nerd do wrestling e do Spider Man. Podes testar-me à vontade. Vi todas as WrestleManias como quem vê todos os filmes da Marvel. Talvez a WWE tenha feito bons video packages, ficaram-me todas na memória.
Eu decidi ser wrestling aos nove anos, quando fui ver um evento da WSW na Portimão Arena [WSW European Championship, a 12 de setembro de 2009]. Mais tarde fui ver a Taça Tarzan Taborda 2014 no Aqua Wrestling e foi aí que descobri que havia uma escola e um ringue de wrestling em Portimão, mas esperei até aos 16 anos, que era considerada uma idade adequada. Falei com o meu primo e fomos lá os dois. E, passados dez anos, continuamos por aqui. A minha família não gostou nada, mas respeitaram que era esse o meu sonho, tanto que a minha mãe e a minha irmã nunca faltaram a um evento da APW.
Lembro-me de ter ficado sem ar durante uma queda, mas tanto gostámos que continuámos a ir. O treinador era o Arte Gore.
Sim, pratiquei futebol no Portimonense e na Escola de Futebol João Moutinho. Fui treinado pelo pai do João Moutinho [Nélson Moutinho] e joguei com o irmão do João Moutinho [Alexandre Moutinho]. Eu era muito franzino, sem massa gorda, mas a minha paixão era mesmo o wrestling.
Quando comecei a treinar, o meu objetivo era ter um combate, para ver como era. Mas depois passou a ser mais e mais. Nesse primeiro show partilhei o balneário com o A-Kid, um lutador espanhol que agora está na WWE [como Axiom], então para mim foi um grande orgulho partilhar o balneário com alguém tão talentoso.
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| Michael (em cima) e Stefan Stu e Rodrigues num show do WP |
Quem se estreou no mesmo
evento que foi o teu primo Stefan Stu. Como tens visto a evolução dele, física
e em ringue?
Agora está num bicho. Ficou
provado num teste de força que ele é o wrestler mais forte em Portugal. Quando treino
com ele tenho de me preparar muito bem, e em ringue é dos melhores.Michael e Stefan são dois antigos reis da Moldávia. O booker da altura, o Cougar, gostou, e eu quis ficar com o nome Michael, porque normalmente é um nome de grandes desportistas, como o Michael Jordan. Veri Stu significa “primos Stu” e ao mesmo tempo é como se fosse “Muito Stu”, mas atualmente apresentamo-nos como Os Stus ou Stuciedade.
Essa vertente é muito inspirada no Ric Flair. A genética Moldava é uma genética “Stuperior”, os Stus têm os carros, as mulheres, as limusines, as mansões e só viajam de avião. Se querem os Stus nos shows têm que pagar bem.
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| Michael Stu sagrou-se campeão da APW em março de 2019 |
És um nome incontornável do
wrestling português sobretudo por três razões: és o campeão nacional mais jovem
da história, uma vez que venceste o Título
da APW, aos 19 anos e 43 dias; metade dos primeiros campeões nacionais de
tag team (com o primo Stefan Stu); e, juntamente com o teu primo Stefan Stu,
quebraste um estigma de mais de uma década ao te estreares no Wrestling Portugal
(no WP Ladder match, a 21 de outubro de 2018) sendo um lutador completamente made
in APW. Olhando para trás, o que significaram cada um desses feitos para ti
e qual foi a façanha mais especial?
Quando comecei, não sabia dessa
rivalidade com o WP, apenas os via como a malta de Lisboa que gosta de fazer tanto
isto como nós. Só mais tarde é que soube da história da trapalhice, com a qual
me rio às vezes. Lembro-me de o Ramon Vegas nos ter dito que deveríamos ir ao
WP e de ter surgido um convite, do Afonso Malheiro ou do Luís
Salvador, para irmos fazer um treino ao WP para mostrarmos o que sabíamos.
Gostaram e fomos convidados para fazer parte da season. Fico feliz por termos
ajudado a abrir essa porta.Ser campeão da APW também teve um grande significado, embora estivesse muito aquém do wrestler que sou hoje. Não tinha muita experiência, mas na altura a APW não tinha muito star power e confiou em mim para mudar de um campeão heel [James Mathews] para outro campeão heel [Luís Mira].
Mas o mais especial foi eu e o meu primo nos termos sagrado os primeiros campeões nacionais de tag team, ainda por cima sendo o main event de um show, o Wrestlefest After Dark [18 de janeiro de 2025]. É incrível como há tão pouca gente que gosta de wrestling em Portugal e juntaram-se dois primos moldavos que gostam e tornaram-se nos primeiros campeões. Tivemos várias defesas e grandes combates. Somos a melhor tag team de sempre em Portugal e isto não é o Michael Stu a falar, é o Victor.
É difícil, porque sou muito crítico dos meus combates e não me orgulhe muito, mas diria o combate em que ganhei o Título da APW, contra o James Mathews, apesar de não ter a experiência nem a qualidade que tenho hoje; o combate contra os Worst Generation [Damião e Luís Mestre] que terminou empatado por limite de tempo no Parque Mayer [Lisboa Wrestlefest 2]; também o combate contra os Murder Business [Damião e RAFA] em que perdemos os títulos; este último três contra três no Porto Wrestlefest Bingança! [Stuciedade contra Paulo “Knockout” Cruz, Nelson Pereira e Ricky Boy], mas se calhar, quando o for ver no YouTube, não vou gostar muito da minha performance. É esse espírito crítico que me faz querer melhorar a cada combate; e o combate contra o Baltazar no Porto Wrestlefest 2, que é o meu singles match favorito de toda a carreira.
Com o Damião. Fazemos ricochete de ideias e é bastante fácil trabalhar com ele. Também gosto muito de trabalhar com o Paulo “Knockout” Cruz e o Ricky Boy. Embora o odeie admitir, também gosto muito de trabalhar com o Paulinho.
Desde a Taça Tarzan Taborda 2015 que me tornei um grande admirador do RAFA, ele teve um grande combate com o Luís Salvador e depois com o A-Kid no evento da minha estreia, e gostava de o defrontar em singles. Sei que já não vai acontecer, mas tive um dark match com o Ramon Vegas [no APW Regressa, a 11 de junho de 2023] e gostava de fazer algo mais longo com ele.
É outro wrestler que gostaria muito de defrontar.
Quero ajudar o wrestling a melhorar e a crescer no sul de Portugal. Via-me a vingar lá fora, mas tenho uma profissão de que gosto muito e não me vejo a larga-la.
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| Michael Stu no Porto Wrestlefest: Bingança |
Para terminarmos com chave de
ouro, peço para que contes a história mais hilariante que viveste relacionada
com wrestling…
Depois do Covid, ia voltar a fazer
um show de wrestling três anos depois, numa rumble no Wrestling Portugal [WP
Taça Real, a 23 de outubro de 2022], e lesionei-me num pé durante um treino no
próprio dia do show. Nem cheguei a lutar no evento. Ia ter também um singles
match com o meu primo no mesmo show, estava super entusiasmado, e
eles tiveram de alterar, colocando o Stefan a defrontar o Baltazar.
Na altura o booker era o Pégaso e perguntei-lhe se podia pelo menos
acompanhar o meu primo e ele disse que sim. Então, durante a entrada do meu
primo, eu estava a andar de muletas e eu lembro-me de ele me ter dado o casaco
e os óculos dele e de ter caído tudo no chão e o público começar-se a rir. Na
altura foi muito triste, mas agora é muito engraçado. Lembramo-nos e rimo-nos
muito com isso. Depois regressei num combate de tag team [contra João Milão e
Luís Mira, no WP Alta Tensão, a 22 de janeiro de 2023] e parti um braço. A
história é mais triste do que engraçada, mas é uma história que quis contar porque
com muito esforço conseguimos superar tudo.Outra história engraçada foi que tive a minutos de perder o voo para um dos combates mais importantes da minha carreira. Corremos para o avião como nos filmes, fomos os últimos a entrar no avião e por pouco perdíamos o show com a maior crowd do wrestling português dos últimos dez anos [Porto Wrestlefest: Bingança].







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